A música dos hermanos | Pop up!

Pense bem quantos discos você tem de bandas norte-americanas e depois some aos das bandas européias. Não se espante se tiver somado, na verdade, todos seus discos (com exceção, claro, dos nacionais). Apesar da distância ser bem menor, conhecemos pouquíssimos representantes da música que é feita na América Latina. Caso recente das bandas Panico e Orquesta Típica Fernandez Fierro, a primeira do Chile, a segunda da Argentina, que ao impressionar no festival Rec-Beat chamaram atenção para cenas, até então, totalmente alienígenas ao Brasil.

Um dos principais resultados da recém criação da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) foi mapear o intercâmbio entre países da América Latina. Um dos pivôs dessa aproximação é o produtor brasiliense Fernando Rosa, do selo SenhorF. “O que explica a gente manter essa posição de afastamento em relação a produção cultural de povos que vivem no mesmo continente, dividindo as nossas fronteiras?”, questiona e trata de alfinetar: “Vendo as coisas dessa forma, acredito que chegou a hora de romper definitivamente com as amarras do colonialismo musical, particularmente imposto pela lógica da grande indústria fonográfica imperial, que impunha o fluxo da produção via Estados Unidos”.

A América Latina vai muito além de Julio Iglesias. Na Argentina, estão ainda bandas como El Mató a Un Policia Motorizado, Fantasmagoria  e Andres Calamaro; no Uruguai, fazem história as bandas Supersónicos e Astroboy; no Peru, Turbopótamos, Bareto e Vaselina; no Chile, Gepe, Los Bunkers e Javiera Mena; na Colômbia, Las Malas Amistades e, na Venezuela, Desorden Publico. São bandas de pop, rock e ritmos que mostram referências latinas fora do óbvio. Eles fazem excursão em todos os países vizinhos, com exceção do Brasil. Mas a previsão, segundo Fernando Rosa, é positiva. “A internet derrubou as alfândegas reais e imaginárias e, com isso, portanto, nada impede avançar rapidamente para recuperar esse tempo perdido”, comemora.

As bandas daqui que já atenteraram para os “hermanos” conseguiram fechar agendas de shows que jamais conseguiriam no Brasil. Caso do Autoramas, do Rio de Janeiro. Segundo o vocalista Gabriel Thomaz, “já fiz turnê em quase todos os países com o Supersonicos, depois consegui trazer eles para cá e só tocamos no Rio e São Paulo”. Poderia ser premeditado, mas as duas bandas são parecidas tanto no surf-rock-espacial do som, quanto visualmente, sinal de que a América Latina processa as referências de fora da mesma forma, mesmo não entrando em contato entre si.

Guia rápido de bandas Latinas

ARGENTINA
El Mató a Un Policia Motorizado
Fantasmagoria
Andres Calamaro

URUGUAI
Supersónicos
Cuarteto de Nos
Astroboy

PERU
Turbopótamos
Bareto

CHILE
Gepe
Los Bunkers
Javiera Mena

COLÔMBIA
Las Malas Amistades

VENEZUELA
Desorden Publico

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