Se Rasgum 2010: Programação

Otto

Otto entrou mesmo na roda dos festivais. Com um dos melhores discos lançados ano passado, ele foi do Carnaval do Recife para o Coquetel Molotov, Goiânia Noise e agora também se apresenta na quinta edição do Se Rasgum, no Pará. O festival, que só recentemente se filiou a Abrafin, tem uma das programações mais criativas de todo o circuito nacional. Além dos obrigatórios da vez – Emicida e Cidadão Instigado estarão lá – e nomes locais como Madame Sataan, o festival também recebe André Abujamra, Lê Almeida e Marcelinho da Lua completam a programação. Atento a tendência recente de promover encontros, o Se Rasgum também coloca Odair José para dividir o microfone com os Dead Lovers Twisted Heart, de Minas, e os Los Porongas para cantar junto com o Dado Villa-Lobos.

SEXTA – 12.11 – Hangar
André Abujamra (SP)
Felipe Cordeiro (PA)
Dona Onete (PA)
The Hell’s Kitchen Project (MG)
Marcelinho da Lua (Bossa Cuca Nova – RJ)
Patrick Tor4
Pedro D’eyrot (Bonde do Rolê – PR)
DJs Meachuta

SÁBADO – 13.11
Otto (PE)
Félix Y Los Carozos (PA)
Cidadão Instigado (CE/SP)
Nelsinho Rodrigues (PA)
Odair José (GO) + Dead Lover’s Twisted Heart (MG)
Graforréia Xilarmônica (RS)
Cabruêra (PB)
Lê Almeida (RJ)
Soatá (DF)
Dharma Burns (PA)
Mostarda na Lagarta (PA)

DOMINGO – 14.11
The Slackers (EUA)
Madame Saatan (PA)
Los Porongas (AC) + Dado Villa-Lobos (RJ)
Pio Lobato (PA)
Emicida (SP)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG)
Delinquentes (PA)
Bruno B.O (PA)
Dubalizer (SP)
Projeto Secreto Macacos (PA)
Paris Rock (PA)

Festival Mundo 2010: Programação

O Festival Mundo acontece daqui a duas semanas em João Pessoa. Organizado pela turma do coletivo Mundo, que faz parte do batalhão Fora do Eixo, eles agora formam a santíssima trindade entre os festivais Ponto CE e DoSol, aproveitando a geografia do Nordeste para ajudar que mais bandas circulem por mais lugares da região. Ao contrário do “Aumenta Q É Rock”, finado evento paraibano que apenas adaptava a programação que vinha de Natal, o Mundo complementa o Line Up com atrações próprias. É o caso de BNegão e os Seletores de Frequência.

Abaixo tem a programação completa de shows. Além deles, tem oficinas de sonorização para shows com Mario Jorge – um dos grandes nomes da área no Nordeste – Elaboração de projetos, Transmissão ao vivo pela Web, Stencil, Produção de clipes e Divulgação de música independente. Essa última vai ser comigo. O quartel general de tudo, mais uma vez, será o Centro Cultural Energisa.

Sábado (13/11)

Domingo (14/11) Segunda (15/11)
Violator (DF) Móveis Coloniais de Acaju (DF) Bnegão & Os Seletores de Frequência (RJ)
Madness Factory Julia Says (PE) Abiarap
Desalma (PE) Beto Brito The Tormentos (Argentina)
Wado (AL) Seu Pereira & Coletivo 401 Cabruêra
Falsos Conejos (Argentina) Os Reis da Cocada Preta Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
Pé de Coco Sem Horas Gigante Aniamal (SP)
A Banda do Joseph Tourton (PE) Elmo Fóssil (CE)
Ubella Preta Anjo Gabriel (PE) Sex On The Beach (CG)
Varadouro Groove Orchestra Dalva Suada Madalena Moog

Acima da mídia

Fui ver o show do Restart no Recife por pura curiosidade morbida. Acabei lembrando desse texto que fiz para o A Tarde mas não tinha postado aqui.

Se considerarmos tudo que faz parte do processo onde uma música é feita, embalada e um grupo de pessoas se torna fã dessas canções, em um plano aberto que envolva toda a história da cultura pop, a imprensa sempre esteve envolvida na formação de cenas, gêneros e demais formas de embalagens. A mesma imprensa que, em tom tedioso, disse no começo do milênio que não tinha nada de novo na crescente onda “emo”. Seja pelas referências musicais ao punk da california do meio dos anos 1990, ou do comportamento emprestado da cena gótica dos anos 1980.

Como seus antepassados, afirmar pertencer de um movimento era concordar com imposições muitas vezes sociais e comportamentais. É comum ver o punk que não se afirma punk, ou o indie que diz que isso nem existe, apenas como ferramentas de comportamento que fazem parte de suas cenas. Afinal, não existe atitude mais punk que negar o próprio punk. Mas os emos vão negar que fazem parte da denominação por um deslize do lado de cá, dos que observam, que é o de encontrar quais parametros os definem.

Algo deu terrivelmente errado. O emo de hoje – coloridos, como alguns preferem ser chamados – cresceram em proporção que não era prevista ou planejada por ninguém. As revistas de música não falam deles, as bandas não estão nos festivais de rock. Apenas quando estouram em trilha de novela e assinam em gravadora é que vão aparecer na programação de festivais de verão.

Suas músicas continuam fora dos sites e blogs da moda, pelo menos em um sentido positivo. É um dos raros casos onde o rock se tornou, pela primeira vez, inimigo do rock. O público emo, para ver um show de sua banda favorita, muitas vezes precisa encarar uma programação que vai de Pitty a Ivete Sangalo, as vezes até comprando um abadá. Algo um tanto profético, ainda mais quando conectamos as raizes disso tudo ao movimento punk que, por conveniencia, já nasceu afirmando sua morte.

Essa falta de conjunturas, conspirações e de um modelo faz de um caso como oda “Família Restart”  – banda paulista surgida em 2008 que, em apenas um ano, já somava mais de 2 milhões de acessos no MySpace – algo tipo um alienigena para ser dissecado e examinado. Fenômeno do público, como entusiastas das novas mídias gostam de classificar, que vai contra o que é imposto por todo o aparato da mídia como conheciamos até o final dos anos 90, como a TV e o Rádio.

Afinal, como todas essas pessoas ficaram sabendo da existência da banda sem que a mesma estivesse presente em lugar nenhum? Some a isso o potencial de transformação que é parte dessa nova cena. O emo estoura no Brasil como um movimento depressivo, enrustido e terminal; apenas para se transformar em uma explosão de comportamento alegre, colorido e, em alguns dos casos, até de forte liberdade sexual. Não existem fórmulas para delimitar o comportamento dessa cena.

As bandas, o público e o cenário em que participam se re-inventam em uma velocidade que a mídia – que agora não pode mais ignorar – sente dificuldade em acompanhar. É um movimento que tem toda a profundidade permitida em 140 caracteres de um depoimento via twitter, escrito em uma variação do português que só eles entendem. “Akele excrito axim”.

O suspiro de tranquilidade vem do fato que, enquanto jornalistas, pesquisadores, empresários de gravadoras e etc tentam compreender, formatar e embalar a nova geração musical; público e bandas seguem despreocupados com tudo isso. Diferente de punks, headbangers e góticos de histórias passadas, esses garotos só são emos ou coloridos porque nós estamos preocupados em chamá-los assim.

Por sinal, o show do Restart é realmente uma bosta :P

No Ar Coquetel Molotov 2010: Cobertura

Essa cobertura deveria ter sido publicada, originalmente, no jornal A Tarde. Até agora não tive resposta de porque não saiu. Aqui ela segue em versão maior, com alguns comentários em primeira pessoa também.

Crescer é um processo sempre complicado. Sempre penso nisso, quando penso no festival No Ar Coquetel Molotov. Para que essa sétima edição, que teve sua etapa Recife entre os dias 24 e 25 últimos, fosse também um sinônimo de fôlego para o evento, o mesmo precisou dar passos estratégicos para trás. Voltou para o Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, com capacidade de 500 pessoas a menos que o anterior do Centro de Convenções, onde aconteceu ano passado. A programação, entretanto, garantiu que o volume a menos não fosse equivalente a diversidade proposta pelo festival.

Os patrocínios da Petrobras e Vivo permitiram que o festival tivesse sua edição mais histórica. Talvez demore de seis meses ou mais para que a passagem da lendária banda Dinosaur Jr. seja totalmente compreendida pelo público local. Com um repertório montado com carinho para os fãs, a banda tocou sucessos mais antigos como Out There (de 1993) e até sua versão para Just Like Heaven, do The Cure. Entre danças, pulos e olhares fixos nos longos cabelos brancos do vocalista J. Mascis, teve até quem chorou.

“Eu vim do Paraná, essa banda é a trilha sonora da minha vida, é importante demais para mim”, desabafava em lagrimas Luis Augusto, 32, que junto com a namorada não saiu da frente da parede de seis amps de guitarra que descarragavam 115 decibéis no público. Quase o mesmo volume do show que o Motorhead fez na cidade, com a diferença de ser um espaço bem menor. A partir da quinta fileira de cadeiras, era difícil ouvir qualquer outro instrumento ou mesmo voz, de tão alto.

Na mesma noite, a banda de Joseph Tourton – que chamou atenção pela primeira vez como revelação do festival – fez a estréia de seu disco em uma das melhores apresentações da noite. Com bastante energia no palco, o som instrumental deles ganhou vida com a participação especial de Vitor Araújo no piano. De revelação se transformaram em aposta de que, certamente, é um nome que deve aparecer em bastante programações de festivais no próximo ano. A banda perdeu a única coisa que os impedia de crescer, que era a gigantesca timidez no palco.

O show do Joseph Tourton foi importante para a cidade por diversos motivos. No final dessa primeira decada, é um suspiro de esperança de que alguma banda começou, sobreviveu e também cresceu na primeira década do Recife. Por um instante, essa seria uma década totalmente perdida em relação a cena rock, o que é fato impressionante em uma cidade que teve a década de 90 tão fundamental na música brasileira. O fato deles serem ainda tão jovens só contribui com a banda na fase de entrar em roubadas para rodar bastante o país e se tornar alguém além de um grupo local. Assim como a Volver – única que é exceção a tudo que falei – a Joseph Tourton virou retrato oficial de nossa geração.

Ainda na lista de melhores atrações estão os suecos do Miike Snow, que se apresentaram na primeira noite. Indie rock com fortes batidas eletrônicas, foram embaixadores da catarse no público, que ficou hipnotizado pelas fortes luzes que mal deixava enxergar quantas pessoas estavam tocando no palco. Eleitos pela mídia especializada como um dos melhores performances do ano, eles mostraram em pleno Nordeste que o hype nunca vêm por acaso.

Zé Cafofinho. Um dos melhores shows do festival

A primeira noite do Coquetel Molotov também foi a da apresentação de Otto, que trouxe o maior público ao teatro. Tanto ele como Zé Cafofinho foram as melhores surpresas, por mostrar que fora de seu ambiente habitual – que costuma de ser de público mais velho e eventos públicos – eles também mandam muito bem. Otto já tinha seu jogo ganho antes do show, graças ao elogiado novo disco e trilha em novela global. Mas, para Cafofinho o desafio foi ainda maior, por ser o primeiro a tocar na noite, o que tornou a conquista ainda mais saborosa ao ouvir o coro do público cantar suas músicas.

Em todas as sete edições, essa foi a que teve menos erros de escalação. As decepções, de fato, foram apenas duas. A francesa SoKo, que chegou recheada de promessas e fez uma apresentação fraca, pontuada por reclamações dela no palco e também do público. Mad Professor, um dos país do Dub, também deixou bastante a desejar. Despejou um monte de remixes, mas talvez pelo ambiente do teatro, uma considerável parte do público preferiu usar sua trilha sonora para dar aquela circulada. Mesmo assim, o ruído causado está longe de ameaçar a nota máxima para o No Ar Coquetel Molotov nesse ano.

Jambolada 2010: Programação

Matanza. Foto de Arthur Garcia

Em duas semanas um monte de coisa pode mudar no mundo da música independente. O Jambolada anunciou a sua programação de bandas para 2010, mas os shows, dessa vez, vão se tornar apenas música de fundo para outra duas coisas interessantes que acontecem no evento. O primeiro é que essa será a última edição do festival com o nome de Jambolada. Depois de um desentendimento entre os sócios, o festival teve cada noite organizada por uma vertente do pensamento música / política. O segundo, mais importante, é que será a eleição da nova chapa da Abrafin, a associação nacional dos festivais. E o boato de bastidores é que muita coisa – mesmo – vai mudar. Eu vou estar lá, fazendo cobertura, e mandando tudo aqui para o Pop up :)

15/10 – Acrópole

01:30 Otto (PE)
00:50 Emicida (SP)
00:10 Autoramas (RJ)
23:40 Falso Conejo (ARG)
23:00 Cabruera (PB)
22:30 Erika Machado (MG)
22:00 Monograma (MG)
21:30 Pedro Morais (MG)
21:00 Banda de Joseph Tourton
20:30 Dom Capaz (MG)
20:00 Manos de Responsa (MG)
19:30 A170 (MG)
19:00 Desalma (PE)

16/10 – Acrópole

01:20 Matanza (RJ)
00:40 Vanguart (MT)
00:00 Copacabana Club (PR)
23:30 Vespas Mandarinas (SP)
23:00 Seu Juvenal (MG)
22:30 The Folsoms (MG)
22:00 Krow (MG)
21:30 Baba de Mumm-Rá (TO)
21:00 Gritando HC (SP)
20:30 Animais na Pista (MG)
20:00 Mata Leão (MG)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Leave Me Out (MG)

17/10 Palco Conexão Vivo (Praça Sérgio Pacheco)

15:00 Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
16:00 The Hell Kitchen Project (MG)
17:00 Quarteto de Olinda (PE)
18:00 Ophelia and the tree (MG)
19:00 Indiada Magneto (MG)
20:00 Nina Becker (RJ)
21:00 Porcas Borboletas convida Paulo e Arrigo Barnabé (MG/SP)