Re-Trato dos Los Hermanos

Arte de Luyse Costa para a coletânea

Por falar em Los Hermanos, esse ano a banda completa 15 anos de formação. Foi a última grande banda a estourar nacionalmente no modelo que acontecia nos anos 90. Depois, tudo se fragmentou de uma forma que ainda não conseguimos desvendar o quebra-cabeça. Para comemorar a data o site Musicoteca fez uma ação legal: convidou 33 artistas para gravar músicas do grupo carioca.

Tem umas escolhas inusitadas, como Lula Queiroga (PE) e outras já esperadas como Do Amor (RJ) e A Banda Mais Bonita da Cidade (PR). Destaque para dois nomes que ainda circulam pouco mas merecem bastante atenção, que é o Rafael Castro (SP) e Tibério Azul (PE). Tô bem curioso com o resultado final. Olha só quem vai tocar:

Do Amor (RJ), Quarto Negro (SP), Tiago Iorc (DF), nana (BA), Graveola e o Lixo Polifônico (MG), Jô Nunes (PR), Pélico (SP), Cohen e Marcella (SP- BA), Banda Gentileza (PR), 5 a Seco (SP), Tibério Azul (PE), Velhas Virgens (SP), A Banda Mais Bonita da Cidade (PR), Rafael Castro (SP), Nervoso e os Calmantes (RJ), Rodrigo Del Arc e Galldino (SP-BA), Leo Fressato (PR) , Phillip Long (SP), Dan Nakagawa (SP), Estrela Ruiz Leminski E Téo Ruiz (PR – SP), hidrocor (RJ), Nevilton (PR), Maglore (BA), Érika Machado (MG), Cícero (RJ), Transmissor (MG), Lula Queiroga (PE), Wado (AL), João e os Poetas de Cabelo Solto (SP), Bárbara Eugênia (RJ)

Programação se desenhando

Juan Brujo. "La Migra! La Migra!". E o Brujeria vem para o Abril Pro Rock!

Em 2012 o Abril Pro Rock faz 20 anos de história. Quando o festival começou eu nem tinha idade para sair de casa. E sem muito tempo para nostalgia, estou junto com Guilherme e Paulo André, o dono da bola, formatando a programação de aniversário. E tá ficando bem legal, já viram por ai? Tá ficando assim:

SEXTA-FEIRA 20.04
Los Hermanos (RJ)
Tibério Azul (PE)

SÁBADO 21.04
Exodus (EUA)
Brujeria (MEX)
Cripple Bastards (ITA)

O domingo, dia 22, ainda não tem banda anunciada oficialmente. Mas a programação está ficando incrível. Estamos no processo de assinar contratos e confirmar pagamentos de parcelas de cachê para poder divulgar oficialmente. Mas dou a dica que vai seguir o perfil do que aconteceu em 2011. Uma escalação mais adulta, mais dançante e com bastante bandas de Pernambuco!

Aqua Mad Max

CD e Vinil do Leptospirose

Olha que legal que chegou ontem pelos correios. O Aqua Mad Max, novo do Leptospirose, em CD e Vinil! :) Valeu galera (e valeu Laja Records pelo lançamento!).

Resposta do Linha Dura

Antes que a enxurrada de banda que está com comentários bloqueados no blog vierem reclamar de eu estar favorecendo dentro ou fora do eixo porque liberei o comentário do Linha Dura e não os outros comentários-sangue-nos-óio da turma abandonada em Cuiabá, foi justamente por ele ter escrito decentemente. Então tomem tento (e arrumem outro blog para choramingar).

Pelo comentário, quando o FDE debandou, a CUFA decidiu assumir as atividades na cidade. Continuam sem Espaço Cubo (ou sem Casa FDE) e pelo visto também sem os Cubo Cards, que mudaram de nome para Lasca e passaram a operar dentro do espaço da Cufa. Mas tem esperanças ainda. Uma coletânea! Bem gravada! Deve ser lançada em 2012.

Olá Bruno, não sei se já conhecemos aqui Cuiabá, sou conhecido como Linha Dura sou rapper e nessa história do fora do eixo fui e sou até hoje um colaborador do Fora do Eixo, respiro o que essa rede respira, muita coisa participei, ajudei a criar junto com Pablo e todos na época Cubo Mágico depois Espaço Cubo, hoje Atual Fora do Eixo. Também faço parte coordenado a CUFA no Matogrosso.

Vejo seu texto com uma bela oportunidade de te explicar o que rola em Cuiabá, quando a galera estrategicamente se descolou pra sampa, foi acordado conosco da Cufa de Cuiabá em continuar a tecnologia que virou referencia no país inteiro, ou seja todo o sistema de troca do card, a casa fora do eixo, os cineclube, o grito rock , festival calango, essa ações foi agregada as nossas ações, e isso é muito louco, isso o fora do eixo chama hoje de PÓS MARCA, desapego, pois se desligar das ações, da marca não é pra qualquer um, é proposta de um modelo, o fora do eixo costumo quebrar a lógica do senso comum.

Pois bem foi um ano de muita adaptações tanto para os parceiros que saíram e foram pra sampa, quanto pra nós e adaptar com novas ações mais mesmo assim fizemos muita coisa importante por aqui, como:

1. Casa Fora do eixo MT, fizemos acontecer por alguns meses, vários shows, outras atividades cultuais como cineclube, o espaço foi utilizado por outros movimentos como o movimento hip-hop, inclusive o Festival Grito Rock 2011 fizemos na CAFE MT, tivemos problemas e tivemos que fechar a casa, mas esta em nossas metas ainda no primeiro semestre de 2012 voltar com a Casa fora do Eixo MT e esperamos ter muito mais estruturas para atender toda a demanda da rede.

2. Festival GRITO ROCKhttps://docs.google.com/document/d/1ZSppeQJWY6ob3UI3R4MQpjDLRwE8klB11TUSDnVSZWQ/edit?hl=pt_BR

3. COLETANEA HELL CITY, vai sair a primeira coletânea de rock, super bem gravada, tivemos a oportunidade de colocar 17 bandas da cena alternativa de Matogrosso em um estúdio com uma ótima estrutura de gravação, veja onde gravaram http://www.photoartdigital.com.br/inca/ as bandas que participaram ficaram super contente agora estamos no processo de buscar patrocínio para a prensagem, democratizo pra vc o nosso projeto comercial, nele vc tem acesso a informações sobre a coletânea.
http://issuu.com/alfacanhetti/docs/projeto_c.colet_nea_hell_city__2_#embed

4. A tecnologia CUBO CARD, foi apropriada pela comunidade que nós trabalhamos, e galera achou por melhor em trocar o nome por LASCA, na verdade ampliamos a proposta pois além da proposta de trocar em serviço o card ou seja a lasca, nós estamos hoje em um território onde nosso publico é de 30 mil habitantes, aprendendo exatamente como funciona a nossa tecnologia. Essa galera montou um fórum e em janeiro agente ja lança de vez o nosso Banco, o primeiro banco Comunitário de Cuiabá, BANCO AROEIRA.

5. Essa semana fechamos uma parceria com um estúdio de ensaio, onde podermos atender as bandas ou ensaiando ou fazendo suas prés conosco, o estúdio vai dar vazão a uma série de projeto de vídeo que queremos lançar.

6. Temos inúmeras outras ações…entra aqui http://www.cufa.org.br/matogrosso

O que na verdade esta acontecendo aqui em Cuiabá é que muitas ações do fora do eixo, virou ação permanente na periferia, e vamos radicalizar mais ainda, o grito rock por exemplo em 2012 agente vai fazer na favela, queremos mapear quem da favela curte rock, achar o publico da perifa que curte rock, conhecer e convidar novos atores para a discussão, isso é ser fora do eixo compreende.
Amigo hoje vejo algumas manifestações em relação a saída do cubo aqui em Cuiabá, e veja todas com um ar de volta, você faz falta aqui, uma pena os caras não estarem aqui, mais a luta continua, no caso aqui com quem ficou, conectadíssimo com o restante do país, o maior trunfo do fora do eixo nunca, jamais foi só reunir nomes bacana como vc citou no texto, o fora do eixo simplesmente revolucionando com sua tecnologia social, praticamente disciplinou, politizou uma parte da cena alternativa rock no país, fez as pessoas entenderem que se elas se ajudarem elas chegam em seus objetivos mesmo sendo considerados como “pequenos”, pois música acima de tudo passou a ser visto como trabalho, negocio. Não sei se vc foi no congresso, mais rolou depoimentos incrível no congresso, pessoas inclusive que disse que ia suicidar e encontrou ali no congresso com uma galera cheio de vida enfim meu parente obrigado pela atenção, queremos fazer mais, mas por enquanto é essa nossa caminhada.

E se um lobo soprar a casa?

Uma das grandes curiosidades da Confraria do Buxexa é que o dono do restaurante, o Buxexa, é pai da Eline. Cantora do Hang The Superstars e uma das maiores trabalhadoras do rock nacional, braço da Construtora comandada por Fabrício Nobre em Goiânia. No fim, acho que o grande e talvez único trunfo do Fora do Eixo foi ter reunido os grandes trabalhadores da música brasileira. Como os construtores, como o casal Foca e Ana, do DoSol, e porque não, também como os próprios Talles, Pablo Capilé. Mesmo não tendo, como falarei a seguir, uma causa em comum.

Quando o FDE entrou no ritmo certo do crescimento muita coisa aconteceu. Os coletivos estiveram envolvidos desde a criação da Rede Música Brasil como em quase todos os debates de música do País que aconteciam em festivais e feiras. Começaram a entrar em áreas como teatro e cineclubes. Até inventaram de criar um site de jornalismo musical chamado N’Agulha. Fui fazer parte da equipe com Alex Antunes e uma turma mais nova e gente boa do FDE. Na época fui pelo acordo financeiro de cobrir meu salário no jornal A Tarde. Nunca recebi. Não sei se o Alex recebeu, mas com ele o acordo também era outro.

Foi uma oportunidade boa de conhecer alguns eventos de perto. No Calango, por exemplo, vi que a polêmica maior feita ao Fora do Eixo não tinha fundamento. Em edição patrocinada em parte pela Petrobras, bandas receberam cachê, outras receberam uma boa ajuda de custo e algumas, principalmente locais, das que conversei, não receberam. Mas também não se importavam com isso pela troca de fazer parte e ajudar a construir algo maior. Honesto, na minha percepção. Todo artista era, antes de tudo, muito bem tratado. Ficou claro que talvez eventos menores, que queriam entrar no circuito intermediário, de fato não pagavam cachê. Mas também nem tinham força para isso. Uma enxurrada de festivais simplesmente deixou de existir nesse período.

Para mim, relembrando toda essa história, me dei conta como na época eles pareciam estar construindo algo sólido em Cuiabá. Faltava música boa ainda. Mas o Vanguart e o Macaco Bong mostravam que eles estavam no caminho certo e que a boa música poderia aparece no futuro próximo.

O que leva a questão que, para mim sim, parece ser polêmica. Porque depois de construir tanto, o Fora do Eixo simplesmente sumiu de Cuiabá? Porque após construir uma marca forte com o mote de estar fora do eixo da produção, eles foram diretamente ao Eixo? Pegando os coletivos mais sólidos do grupo, em Goiânia, Natal e Belo Horizonte, existe um discurso de valorização de auto estima local fantástico. Estão trabalhando para levantar a moral de suas cidades. Então porque sair da base disso tudo? Cuiabá ficou sem festival Calango (alguém se ligou que ele não aconteceu esse ano?), sem Espaço Cubo, sem nem mesmo ninguém para contar a historia? Tudo para São Paulo ganhar um albergue coletivo?

Em 2010 Cuiabá parecia ser o próximo centro cultural interessante do país. No ano seguinte, sumiu do mapa. Bandas desamparadas e que não partiram para o retiro indie a São Paulo reclamam e falam de apoios a políticos locais que não se elegeram. Como toda acusação grave, carece de mais investigação. Mas parece fazer sentido que alguma coisa abalou a zona de segurança do grupo na cidade, de maneira tão forte que gerou essa debandada. E a família Capilé, que veio de Dourados, tem parte de sua historia em Cuiabá envolvida no poder público.

Claro que o discurso da Casa Fora do Eixo em São Paulo é sensacional. Mas historicamente, estabelecer base em São Paulo nunca foi uma grande dificuldade mesmo para o artista iniciante. Conquistar uma pauta no Studio SP (outro espaço que usa música como trampolim político) soa esquisito quando a casa já era um palco comum da música independente. A debandada de Cuiabá demonstra que o coletivo não conseguiu fazer o trabalho fundamental de base na própria casa. As conquistas em São Paulo mostram um exercito sendo formado em torno de objetivos triviais. É tudo tão frágil que mais parece que um lobo pode soprar a porta e a casa Fora do Eixo pode cair.

O medo parece me justificar várias coisas. Mais que uma imagem agressiva, o Fora do Eixo sempre se comporta de forma assustada. Quando o caso China estourou, no gtalk já vinha um ou dois me falar do plano para tirar o cara da MTV. A resposta de um presidente, vice, gestor, líder e demais não são nunca suficiente. Fale mal e 427 pessoas vão floodar seu twitter com ofensas. Acuse, que esse número se multiplica por vinte. Se o ditado popular nos ensina que quem não deve não teme, então tem algo muito errado por trás dessas histórias todas. No fim, não se precisa de muito esforço para deixar claro um sentimento que é comum a quase todo mundo: tem algo de errado nessa história de Fora do Eixo.

ATUALIZAÇÃO – Uma informação interessante que chegou via Facebook é que além de Cuiabá, Uberlândia também perdeu seu festival Jambolada e o Espaço Goma na debandada para São Paulo. Uberlândia é a cidade de Talles, presidente da Abrafin. Mais cidades de fora do eixo perdendo articulação para o eixo?