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Bobagens em geral :P

Quatro apostas para 2010

nevilton

Nevilton é do Paraná. As vezes é o nome desse cara no canto direito, mas também é o nome da banda dele. Talvez a idéia soasse mais arrogante se não fosse um nome tão esquisito. A música que ele me entregou em um CD-R envolto numa folha de papel já parecia ser incrivelmente pop e promissora, mas de uma forma que jamais poderia provar o quanto incrível seria o show no dia seguinte ao primeiro encontro no Festival Calango, em Cuiabá. É excelente no grau para sair da amarra independente e viciar quem escute, com um pacote completo de boas letras e poesias.

Nevilton – A Mascara

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minibox

A gente sabe que a música existe em qualquer canto do mundo, mas é difícil imaginar que venha até do Amapá. O Mini Box Lunar vem de lá e, o melhor, em 2009 não precisaram se mudar de lá para São Paulo para poder rodar em alguns festivais chave como o Goiânia Noise e o Se Rasgum (no Pará) que fizeram chamar atenção pelo som deles. A banda é, como já foi melhor definido por outros, o resultado mais provável caso os Mutantes fosse surgir apenas hoje. A referência psicodélica faz a comparação inevitável, mas o som do Mini Box tem personalidade própria. Ainda falta uma boa gravação para eles, mas isso se resolve em 2010.

Mini Box Lunar – A Boca

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Caldo de Piaba vem do Acre, longe assim. São uma banda instrumental que mistura Carimbó com a guitarrada do Pará. Mas a mistura que eles fazem ainda passa por ska e brega, samba rock e Beatles. As releituras são uma parte importante do trabalho do Caldo que, na medida em que começa a aparecer na programação de festivais, também leva a composição tradicional do Acre para novo público. São uma daquelas bandas que, quando você vê ao vivo, precisa de uns três ou quatro minutos para se recompor.

Caldo de Piaba – Lambada do Amapá

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vendo147

Aliás, instrumental vai deixar de ser uma tendência para se tornar uma regra próximo ano. A Vendo 147 consegue o que parecia impossível: ser relevante, sem vocalista, na terra do Retrofoguetes. O espanto vem do impacto ao vivo, com duas baterias siamesas destruindo tudo. É rock sem firulas, com um repertório que vai do surf ao skate nos nomes e referências visuais. Vai se acostumando ai com a música deles – e das outras três bandas acima – que elas vão aparecer na grande maioria da programação dos festivais. Possivelmente até mais que isso…

Vendo 147 – Skate O’Matic

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Novidades no Abril Pro Rock

abril2009

O festival Abril Pro Rock atualizou o Twitter com novidades sobre a próxima edição do festival.

“Nesse momento estamos correndo atrás de patrocínios. Assim que tivermos novidades vamos postando”

“Serão 18 anos de Abril Pro Rock. Teremos os shows principais dias 16 e 17 de Abril e mais shows nos outros fins de semana”

“O Abril Pro Rock 2010 vai crescer, vamos ocupar todo mês de abril com shows, palestras e oficinas”

A notícia circulou em várias tuitadas e acabou virando notícia no JC OnLine:

O Abril Pro Rock terá uma série de shows durante todo o mês de abril em sua edição de 2010, informou ao JC Online, o produtor Paulo André. Ao completar 18 anos, o festival fará shows principais nos dias 16 e 17 de abril e outros shows nos finais de semana seguintes.

Estes shows serão de menor porte e acontecerão de quinta a domingo. No total, serão 11 dias de shows. O número de bandas deve chegar a 40 nomes. “Queremos atuar nos gargalos da cidade, dar espaço a bandas menores”, afirmou o produtor.

Como nos anos anteriores, também acontecerão palestras e oficinas paralelas ao evento, discutindo música, produção e mercado fonográfico. A grande novidade é que este ano o foco na capacitação será maior, com workshops variando entre três e 15 horas de duração. “Queremos investir na formação. O problema de Recife é que ainda existem muitas bandas ruins, que estão perdendo tempo sem um direcionamento”, disse. “Estamos interessados em fomentar essa cadeia produtiva de música no Estado, o que também é bom para o festival”.

Com relação às atrações do próximo ano, Paulo André avisa que não esperem nenhum grande nome. “Com a quantidade de shows gratuitos na cidade, fica complicado apostar numa única grande banda”. Por isso, a ideia é que sejam bandas de pequeno e médio porte de diversos estilos musicais e também projetos eletrônicos.

REDES SOCIAIS – Desde o início deste ano, a organização divulga informações no Twitter. A ideia é que até ano que vem, mais informações e nomes das bandas sejam anunciadas nas redes sociais como o MySpace e Blog.

Lembrando que parte da curadoria do Abril Pro Rock é feita por mim e por Guilherme Moura, do RecifeRock. Estamos rodando por ai vendo shows e atentos a tudo que pode virar atração da próxima edição do mais antigo festival independente no país!

M.ine

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Quem procura, acha. Para quem, na primeira linha, já desconfia que tem algo diferente aqui, acertou em cheio! Eu sou a Júlia Gil, do Blah Feelings, e foi através de uma ação nada comum de troca de editores da Coca-Cola que eu vim parar aqui no Pop Up.

Creio que formar uma banda é um sonho de 8 a cada 10 adolescentes. Sempre pensei como seria subir em um palco com uma turba de malucos gritando a plenos pulmões o seu nome. Porém, meus únicos momentos rock star feelings aconteceram no chuveiro e em um barzinho na vila olímpia, por umas 4 vezes.

Eu não toco nenhum instrumento, mas adoro cantar. Sério mesmo. Já fui backing vocal de uma banda de Reggae, quando tinha 17 anos (sim, me apedrejem). Hoje, me arrisco nos microfones do karaokê de cinco reais da rua Tutóia e nas partidas de Rock Band na casa de amigos.

Durante a faculdade descobri que um amigo meu tinha banda e faria um tour pelo sul em poucos dias. Achei aquilo fantástico, fiquei intrigada e pedi para assistir um show deles.

Estávamos numa casa, na Frei Caneca. O ambiente parecia cenário de um videoclipe de rock. Era uma vibe muito bacana e confesso ter sentido uma ponta de orgulhinho do cara lá no palco, dando o sangue pra animar a galera presente no recinto.

Os meninos do M.ine formaram a banda em 2002, gravando seu primeiro EP em 2005, com 6 músicas. A maioria das músicas é em inglês. No MySpace dá para vocês podem conferir um pouco do som dos caras: http://www.myspace.com/minemusica

Agora ou para viagem?

Quem ainda não se ligou, se ligue. O Móveis Coloniais de Acaju aproveita o pique de viagens sem fim para estrear um mini-programa online chamado Agora ou para viagem? Já está na terceira edição, com vídeos em São Paulo, Bahia e Pará. Olha só:

Disseminação por redes sociais

Minha palestra / oficina na Feira Música Brasil. Não está 100% completo. Boa parte do que foi dito fica exclusivo para quem participou  na hora

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A idéia de redes sociais é antiga. É anterior a própria internet. A rede é uma metáfora para observar padrões de conexão entre um grupo social. É uma estrutura social, formada por atores e suas conexões. No mundo offline, esse ator somos nós, o indivíduo e as pessoas que temos contato direto. No online, essa idéia de ator fica mais complexa. Passa a ser uma representação do individuo.

Essas representações são os blogs, os fotologs, nossa conta no twitter e no orkut. Porque é assim que nós conseguimos nos materializar dentro da internet. São nossos lugares de fala. E os blogs e fotologs são ferramentas que ajudam a construir nossa identidade na rede. São uma forma de narração do eu, porque quando estamos lá, estamos sempre falando e expondo a nós mesmos antes de qualquer coisa.

É preciso ser visto para existir no ciberespaço. A primeira grande diferença entre uma rede social offline e uma online, é que para que a gente se socialize na rede, a gente precisa ser visto.

Esses atores, ou suas representações, constituem uma rede social através dos laços que eles criam através de várias ferramentas. Podem ser laços associativos, como decidir ser amigo de alguém no Orkut ou trocar links no fotolog. Ou laços dialógicos, como conversar com alguém no MSN ou trocar scraps no Orkut. Laços que dependem da reação de outros atores. Ambos são laços de relação complexa. Afinal, não basta fazer parte de sua rede, tem gente que você vai se relacionar mais ou melhor que outras, pessoas que tem amizade mais antiga, etc.

Vale lembrar que, apesar de estarmos falando em online e offline, a rede não é definida pelo suporte. Redes não existem só em um mundo. A rede está no indivíduo. Nós carregamos nossas relações para onde vamos. Algumas dessas relações você ativa só quando está online, mas isso pode ter impacto ainda maior na sua vida offline e vice-versa. Basta pensar nos namoros a distância. É um laço forte entre dois atores, de forte impacto offline, mas que é ativado pela internet ou pelo telefone.

Nessa relação entre atores, através de laços na rede, tem ainda o que nós chamamos de capital social. Esse é um debate mais complexo. Basicamente, entre várias coisas, diz também que algumas pessoas são mais influentes em determinados contextos. E estar ligado a essas pessoas te permite estar ligado a várias outras. São o que chamamos de “hubs”, que por sua vez permitem a formação de comunidades dentro das redes sociais. Quando a gente assume que um grupo é formado “pelos amigos de Pedro”, estamos reconhecendo essa formação social e que Pedro é um hub. Conhecer ele te permite conhecer os amigos dele.

Como disse antes, redes são metáforas estruturais. E quando essas relações são formadas na internet costumam ter três topologias básicas. A primeira é a rede distribuída, onde os nós tem mais ou menos a mesma quantidade de conexões, sem relações de hierarquia. A segunda é a centralizada, onde um nó – um ator – centraliza a maior parte das conexões. E, por fim, a descentralizada, que tem vários grupos de pequenos nós centrais. O interessante de conhecer esses desenhos é entender como uma informação circula em cada tipo de rede.

Mas, em termos mais práticos, como isso funciona para quem trabalha com música?

As redes sociais, como eu expliquei mais cedo, lembram muito o que nós entendemos por cadeia produtiva. A cadeia produtiva, como a gente já sabe, é exatamente um conjunto de nós. De atores que se relacionam, através de ferramentas, uns com os outros com um foco específico. O desse caso é fazer a música circular.

Estar na cadeia produtiva é, portanto, fazer parte de uma rede social. É ter essa consciência que somos atores, que nos manifestamos de várias formas, seja cantando, produzindo, ajustando o som do palco ou escrevendo sobre música em um jornal, e que estamos constantemente interagindo.

No Brasil, nossa cadeia produtiva em clima de “Feira da Música”, “business” e “networking” tem uma rachadura bem grave, principalmente no que diz respeito ao artista independente, dificilmente percebido por ele. O artista não sabe quem é seu público. Basta ler os projetos enviados para editais públicos. Todos eles pedem para que seja dito quem é o público alvo do artista. Uma boa parte diz que o público alvo são produtores, outros músicos e jornalistas. Uma parte ainda maior diz que seu público alvo é de “milhares de pessoas”. E, quase todos, concordam que é “impossível” saber hoje em dia quantas pessoas vão ouvir sua música.

Não é impossível saber quantas pessoas escutam sua música. O medo de responder vem do medo de que seja preciso atingir uma massa para ser aprovado. Quando nunca foi exatamente assim. Se você tem um trabalho e já se apresentou algumas vezes, então é certo que as pessoas já estão ouvindo e você já tem um público. Você precisa encontrar seu público e saber onde eles estão se manifestando.

Quantas pessoas, por exemplo, tem em sua comunidade? Esse é seu público. São pessoas que, de certo modo, tem interesse em comprar seu disco e/ou pagar ingresso para assistir seu show. E essa é uma base de quantas pessoas você consegue atingir espontaneamente agora. O objetivo é sempre aumentar esse número. E a regra é nunca, nunca, nunca esquecer que ele existe.

Existe um erro clássico, cometido por oito de cada de dez pessoas que trabalham com música e se maravilham com o orkut e outras redes sociais. O erro vem do fato que, ao entrar lá, percebemos que os produtores estão lá e outros músicos estão lá. Então é comum já chegar enchendo o saco de tal pessoa achando que isso vai te trazer algum retorno para seu trabalho. Mas só que o público também está lá. O público. Aquelas pessoas que dão dinheiro para comprar seu disco e pagam ingresso para ver seu show. As pessoas que amam sua música.

Numa rede de músicos, você é apenas um ator sem força. Na rede da sua música, você é um motivo para que as pessoas se conectem. E é isso que a música faz. Ela é um motivo para nos encontrarmos e nos socializarmos. Nossas amizades e decisões quase sempre são decididas com base na música. Frequente a comunidade de sua banda. Perceba quem é que está se manifestando, o que estão falando. Tente entender porque estão lá e não estão falando, se for o caso.

Se você tem uma pessoa que se manifesta sempre em sua comunidade, então você tem o pote de ouro no fim do arco-íris da música. Você tem um fã. Temos sempre que trazer essas pessoas para perto de nosso mundo. Dê sentido e valor as manifestações do público. Convide aquele cara que fala na sua comunidade para assistir um ensaio de sua banda. Acompanhar a gravação de um clipe. Dê um adesivo, disco, camisa, boné, o que quer que seja, que reconheça ele como ator de maior força em sua rede. Esse é o sentido da rede social.

Esse também é o sentido dos negócios criativos. Quem gosta mais de sua música, sempre vai querer ela em um formato especial e exclusivo. E hoje, quem tem bons casos de sucesso na venda de música, é quem conseguiu identificar seu público alvo. E ele está nessas redes, falando sobre você o tempo todo. Por exemplo, a banda Cérebro Eletrônico, de São Paulo, fez uma pesquisa com seu público e percebeu que a maioria deles preferem comprar um disco que baixar a música de graça, se for o disco deles.

Existe, literalmente, centenas de sites que funcionam como redes sociais. Cada marca que tenta se firmar hoje, na internet, tenta fazer isso através de uma. Como a Oi FM, por exemplo, que lançou a Oi Novos Sons. Mas você não precisa se cadastrar no Hi5, Plaxo, LinkedIn, Palco MP3, nem toda santa rede que aparece em sua frente. Cada rede tem uma função. Descubra se ela funciona para você conhecendo como ela funciona e seus exemplos. O importante é você perceber que seu público está presente em todas elas.

Participar dessas redes, mesmo que ativamente, não é suficiente. Isso não isenta você de ter um site da banda, por exemplo. O site oficial é sua representação na rede. Pode ser um blog mesmo, dos mais simples, mas que seja um espaço que reuna todas essas manifestações que você faz online. Um espaço para agregar o conteúdo que é produzido por você e que é produzido também pelo público.

Esse é o ponto crucial dessa nossa conversa. Se o seu público existe, então é certo que ele já está produzindo conteúdo seu, mesmo que você não saiba. E ele não está fazendo isso porque é um desocupado com muito tempo livre. Ele faz isso por que ama sua música. Quem aqui já subiu no palco, com certeza já viu alguém no público levantar o celular e tirar uma foto, fazer um vídeo, tentar gravar uma música.

Não podemos chamar nenhuma manifestação de social se ela for uma comunicação unilateral. Precisamos criar diálogos com os outros atores da rede. Essas fotos e vídeos que o público faz nos shows vai parar nos perfis dele no Orkut, nos álbuns do Flickr. Assim como o que é dito nas comunidades do Orkut e no Twitter. É sempre legal comentar, responder, incorporar.

São essas coisas que geram capital social. Legitimar o esforço do público gera um constante feedback deles ao seu trabalho, porque quando eles verem que tem atenção, vão produzir cada vez mais. E quando isso acontece, você deixa ser um simples ator numa rede maior para se tornar o ponto central em sua própria rede social

Isso não é, de modo algum, um esforço solitário.A construção de sua rede é percebida pelas redes vizinhas. Enquanto você está criando uma boa relação com o público, sua rede passa a integrar com mais prestigio redes maiores. Você ganha legitimação pelo público / e não pela chatice.

Dos exemplos de sucesso, podemos tirar a lição de que hoje é muito mais proveitoso você oferecer boas experiências a partir de sua música, que simplesmente música. É o que tem feito o sucesso de bandas como Casuarina e o samba da Lapa, ou de grupos como o Macaco Bong e os coletivos Fora do Eixo. As apresentações dessas bandas sempre são um convite “venha fazer parte de nossa rede”.

Fazer isso sozinho é muito mais difícil, mas históricamente, a música nunca sobreviveu sozinha. E isso é algo que o mercado independente tem dificuldade em perceber. Faltam selos, faltam gravadoras, associações, coletivos, cooperativas. A maioria dos artistas estão sozinho, fazendo sua música e esperando que algo aconteça sozinho daí. Mas algo só vai acontecer com o esforço reunido desses artistas.