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Bobagens em geral :P

Os últimos serão os primeiros

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Naquela mesma noite, em Pirenópolis, na Confraria do Buxexa, também provamos da “Panelinha”. O nome é até sugestivo para trocadilhos, mas maldade a parte é uma ótima pedida. Literalmente uma panela na mesa, com arroz e algum acompanhamento misturado. Talles explicava o futuro anuncio do orçamento transparente da Abrafin 2.0 em um texto entitulado “Quem paga essa festa?”. Nele pretendem revelar que a associação investiu mais dinheiro em toda a musica independente que, por exemplo, uma Petrobras. A cifa gira em torno dos 70 milhões.

A retórica do investimento, entretanto, é bem frágil. Não é que esse dinheiro tenha entrado, mas sim deixado de ser cobrado em serviços e cachês 0800 para a rede de festivais. Uma outra interpretação – a minha – é de que na verdade impediram de circular esses milhões, afinal, alguém deixou de ganhar dinheiro. Mas disso falo depois. Por trás do discurso de Talles está a predisposição messiânica que o Fora do Eixo teve desde sua formação. A certeza de serem o único modo correto de fazer as coisas.

Meu primeiro contato com o FDE foi através da lista de emails Nordeste Independente. Pablo Capilé percebeu o potencial nunca explorado do fórum em se tornar uma plataforma concreta de troca de experiências entre produtores, músicos, jornalistas e por aí vai. O primeiro encontro foi no Goiânia Noise, numa época que eles ainda eram o fim da fila. Uma turma esquisita, com idéias esquisitas, batizados de culto religioso naquele ano em que todos usavam a mesma camisa e ninguém se pronunciava a não ser pelo Capilé.

Mesmo quando a Abrafin se oficializou eles não eram uma presença tão bem vista. Lembro que na primeira reunião no Recife uma parte grande dos envolvidos se incomodaram deles terem filmado tudo. Nem sei se eles ficaram sabendo depois que isso motivou uma nova reunião paralela, sem eles. A fama de culto se espalhava e cada um tinha sua versão para historias do tipo “Pablo Capilé quer ser o próximo [xxx]“, com o final sendo preenchido por Presidente da Abrafin, Ministro da Cultura, Hermanos Vianna e Presidente do Brasil. Conspiração a parte, a sensação de que a música era um trampolim político – algo que é negado até hoje – estava presente desde o início.

A maior virada veio quando Capilé se tornou vice-presidente da Abrafin. Por um lado encerraram as criticas dele ao então presidente Fabrício Nobre – trocadas por um discurso de que ele deveria ser reeleito – e uma relativização do olhar negativo que existia sobre o Fora do Eixo na época. Uma troca positiva. Uma entidade passou a puxar a outra para o crescimento. Mesmo com essa nova boa fase, o FDE ainda não tinha uma presença decente no Nordeste, região que inspirou os primeiros contatos entre todos. Isso só aconteceria bem depois quando a iniciativa DoSol (festival, selo, casa de show, etc) topasse se converter a sigla.

A boa fase nacional não ajudou uma boa entrada no Recife. O coletivo Lumo teve, na minha percepção, dois erros grandes: formado por uma geração muito nova – em uma cidade onde os grandes independentes somam décadas de carreira – e um completo desconhecimento da dinâmica da cidade. Em parte por Gabriel Cardoso, que comandava o Lumo, era recém chegado do Centro Oeste. Presenciei dezenas de ações do Lumo onde a parte mais importante da cadeia produtiva da musica, o público, parecia não ter sido convidado.

Tiveram ainda erros menores. Como uma constante descrença dos demais integrantes locais no modelo que eles tentavam adotar. E tiveram alguns acertos. Quando o Governo do Estado decidiu, por exemplo, financiar uma incursão no interior de Pernambuco para implementar um novo modelo de economia criativa em pólos de produção e pontos de cultura. Aparentemente, mesmo sendo uma boa idéia, não trouxe muito resultado.

Os momentos seguintes parecem ter passado em velocidade acelerada. Sobre eles, falo mais tarde…

De voadora na caixa dos peitos

Já passava de meia noite em Pirenópolis. A cidade do interior de Goiás, terra do Seu Francisco e seus dois filhos famoso, recebia a 12a edição do festival Canto da Primavera. Estávamos n’A Confraria do Boxexa, no número 38 da rua do Rosário provando o famoso pingole da casa. Basicamente um picolé afundado em cachaça. Muito bom. Na mesa, eu conversava com Talles Lopes e Ivan Ferraro, respectivamente presidente e vice da atual gestão da Abrafin, sobre a postura agressiva que o Fora do Eixo – coletivo que ambos faziam parte – precisava contornar. O gancho era o caso China. E a sugestão era de serem mais “elegantes” no modo de agir.

Uma semana mais tarde, enquanto eu via minha sugestão ir por água abaixo em um video onde Pablo Capilé gesticulava, bradava, usava frases de efeitos e seguia toda a cartela do populismo político e decretava guerra – diplomática? – ao estado de Pernambuco, comecei a relembrar os detalhes de toda essa historia que vi nascer de perto. Lembrei do nosso primeiro encontro, no Goiânia Noise 2007, quando Capilé disse que eu cheguei de voadora na caixa dos peitos quando ele me incentivou criar um coletivo de jornalistas e blogueiros. Na época respondi que só criaria uma associação se fosse para proibir a entrada dele.

Antes de começar essa pequena série de textos, decidi levantar algumas dúvidas. Qual é exatamente esse rancor de Pernambuco? É China, que não mora mais no estado, nem tem sua carreira autoral como foco de seu sustento, reclamar que gostaria de ganhar mais cachê? Isso me parece um pedido até valido. Eu queria ganhar mais dinheiro como professor também. Seria Fred 04 reclamando do download ilegal? Mas essa não é uma reclamação tão comum aos artistas dos anos 80 e 90? Isso é rancor?

Seria a saída do Abril Pro Rock e Recbeat da Abrafin? Dois festivais que nunca tiveram grande atuação na associação além de emprestar o peso de suas marcas? Me parece bem pouco, ainda mais com a falta de bons argumentos ao questionar a relevância de toda musica local nos últimos dois anos. Anos da Orquestra Contemporânea na manchete do NY Times, de Spok re-significando o frevo no Brasil, de tantos outras coisas. Mas bem, sou o menos indicado para defender a moral da música pernambucana aqui. Minhas opiniões são sempre mais polêmicas nessa área.

Minha duvida maior é com o rancor – sim, esbraveado, cuspido e gritado – que o Fora do Eixo tem ao único estado do Brasil que o governo pagou para uma turnê pelo interior para implementar o modelo econômico solidário deles em outras comunidades. A pauta era “porque o Fora do Eixo não teve sucesso ao entrar em Pernambuco?”. A resposta é por ser o estado a personificação do rancor? Não teria a ver então com o modelo de entrada na região? Nos estados vizinhos, o Fora do Eixo “converteu” historias de sucesso prévias, como o Festival Mundo em João Pessoa e o DoSol em Natal. No Recife, a aposta era um cara gente boa vindo atrás de uma namorada. E desconhecedor da cidade, resolveu fazer ações em lugares que não funcinariam nem com toda verba do Carnaval, caso tivessem.

Uma terra onde os jogadores principais já eram grandes. E onde a oferta já era maior que a demanda. Uma das primeiras ações do coletivo Lumo foi criar mais um festival em um estado que já tinha 12 festivais. Essa entrada equivocada não é avaliada no Congresso. Pelo contrario, reforçada como bem sucedida, mas não percebida. E é somente uma, das varias possibilidades de não ter dado certo. Entre as minhas favoritas estaria o “porque não, horas”. Porque rancor? Porque não quis ser Fora do Eixo? Somos obrigados a ser? Não podem existir dois, três, quatro, cinco modelos bem sucedidos? Lembro de ter ouvido Bruno Kayapi, do Macaco Bong, responder a Márvio dos Anjos, do Cabaret: “ou está com a gente, ou está contra a gente”. É isso mesmo produção?

Considero Capilé, Talles, Ivan e tantos outros que se juntaram ao Fora do Eixo mais tarde, como Fabrício Nobre e Foca como bons amigos. Mas o excesso de frase de efeito e populismo usado por Capilé no congresso me deu a inquietação que faltava para voltar a escrever aqui. E nos próximos textos seguem as minhas crônicas Fora do Eixo. Tentando entender o que aconteceu com a cena independente do Brasil. Sejam bem vindos de volta ao Pop up. :)

Por menos (ou mais) polêmica

Ai vai um post póstumo.

Não sei se realmente escrevi muito mal ou se exigi demais de quem é leitor comum do blog. Seja qual for o motivo, o que eu disse ser o motivo para encerrar os posts aqui parece ter criado um ruído totalmente sem sentido em relação a cena independente, Fora do Eixo e etc.

Para esclarecer (ainda acho esquisito, porque tenho a sensação de ter escrito isso), não vejo nada de ruim ou de errado com o Fora do Eixo, ou como se transformou a cena independente. Pelo contrário. Acho bem bom. Não é por acaso que eu sempre escrevi sobre, sempre convidei eles para participar de coisas que também participo. Sempre troco idéia e ajudo como posso.

O que não me interessa mais é, como jornalista, ter que “escolher um lado” ou virar central de problemas alheios. Trocando em miúdos, não me interesso em ficar escrevendo sobre ganhar ou não ganhar cachê,  banda escolhida por amizade ou inimizade ou choramingos de uma turma mais velho sobre os sucessos de uma turma mais jovem.

Além do mais, eu virei parte do processo. Trabalho dentro da produção de um festival e estou sempre em uma comissão diferente de edital. Preciso de um espaço saudável entre quem eu convido ou indico participar de eventos e o que eu falo por aqui.

Por fim, ainda me sinto perseguido pela sensação que o jornalismo musical focado na cena independente, por hora, se esgotou. Nos fóruns, comunidades, trocas de email e encontros, tudo virou um papo de tricô de senhoras, que parecem ter tempo livre em excesso para criar picuinha ou ficar sempre reclamando das mesmas coisas.

Portanto, acredito que mais claro agora, está aí em detalhes o encerramento do Pop up. Como disse, vem um outro blog por ai. Ele já está no ar, em versão beta. Depois divulgo para geral.

Acaba aqui

Toda boa história tem um começo, meio e fim. A que eu comecei a contar neste site encerra neste post. Talvez eu deveria ter sabido quando terminar mais cedo, antes de protelar em explicações por desatualizações a sobrevida do Pop up. O fato é que este blog se viciou em falar em algo que não me interessa mais como jornalista: a atual cena independente brasileira no contexto construído atualmente a partir dos avanços do Fora do Eixo. Não vou fazer um juízo de valor aqui. Se é bom ou ruim, o importante é que é algo que não me interessa (mais uma vez, enquanto jornalista). E da forma que se viciou falar por aqui, me encontrei bloqueado para falar de outras coisas nesse mesmo espaço.

Duas considerações importantes: ainda me interesso bastante por música. E principalmente pela nova música que surge em cenas independentes. Acredito que mais do que escrever por aqui, minha principal contribuição hoje é no auxílio da produção do festival Abril Pro Rock, que sempre tem trazido resultados bem positivos. Minha relação com essa cena, hoje, não me deixaria afastar dela nem mesmo se quisesse. Seja na produção de eventos, nas colaborações para jornais e revistas, nas aulas da faculdade, na participação em comissões, etc. Sempre vai estar presente. E sim, respeito bastante o pessoal do Fora do Eixo e acho que tem valor no que eles fazem.

A segunda consideração é que este é o anuncio de um fim, mas também de um começo. Vou começar um novo blog, mais livre, onde devo falar também sobre música independente, mas sobre música em geral, gastronomia, tecnologia, tudo que me interessa. Porque não, até sobre a vida de pai de primeira viagem. Uma nova história. Mas esse eu só vou anunciar em breve (quando eu voltar a ter computador! :P)