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Bobagens em geral :P

É nenhuma

Nuda

Saiu o disco novo da banda Nuda, o “amarenenhuma”. Para baixar é quase de graça, custa só um tweet! Com produção de Pablo Lopes, as faixas avançam a missão deles de abrasileirar o indie nacional além da semântica, mas também nas texturas e paisagens sonoras. O Nuda consegue ser legal sem exagerar no mofo das canções, sem abusar de moogs, rolos de fita e toda a catataulização que sofre essa cena.

Mas sobre as faixas (e minha teoria de como a genialidade de Catatau travou toda uma geração) eu falo mais tarde. Agora é hora de coçar o bolso e gastar um tweet com o disco. O link para baixar está no site novo deles que, assim como o disco, tá bem legal.

E a banda mais bonita?

Viram essa? É “A Banda Mais Bonita da Cidade”. A polícia do bom gosto indie tá reforçando o mimimi e xingando muito no twitter até agora. Mas vou te dizer: eu achei bem legal! Banda de Curitiba, clipe gravado num só plano sequência. Vale ouvir e repetir algumas vezes obsessivamente na sequência. Aliás, cadê essa MP3?

Dez anos a mil

Foi publicado essa semana o Dez anos a mil: Mídia e Música Popular Massiva em Tempos de Internet. Ele é organizado por Jeder Janotti Jr – meu orientador no doutorado – em conjunto com Tatiana Lima e Victor Nobre, que também são orientados por ele. É uma reunião de artigos de diversos pesquisadores. Entre os já citados, tem também um texto meu, sobre a função crítica dos blogs de MP3. É um texto mais, digamos, polêmico. Tem ainda contribuições de Simone Sá, Thiago Soares, Nadja Vladi, Felipe Trotta e Micael Herschmann também.

É um e-book gratuito. Então você não precisa de muito esforço para ter acesso a ele, além de um simples clique. O legal é que, além do PDF básico para todos, ele também está disponível em formato ePub, que pode ser lido no iPad ou Galaxy Tab, por exemplo, além de estar no formato do Kindle. Tem artigos sobre assuntos diversos. Desde Lady Gaga, passando por práticas auditivas, cenas musicais como mediadoras de consumo e até um sobre critérios de qualidade na música brasileira.

Vale a pena. Dá uma chegada lá no site e baixa o seu!

Conexão Vivo entra na reta final

Marcelo Jeneci

Eles estão chamando de “apoteose”. A referência vem do samba, claro, mas na realidade a palavra tem seu sentido ligado a endeusar, dar o status de divindade, a alguém. Talvez o paraíso seja uma metafora exagerada, mas nesse bolo confuso que se encontra a produção independente, onde o outrora perseguido patrocínio público se transformou em pesadelo – e Ana de Hollanda, na voz de alguns, o verdadeiro capeta – podemos dizer que é, no mínimo, um milagre. O nível de comprometimento com a produção independente que a Vivo tem demonstrado já supera o caráter de jogada de marketing. O negócio é sério mesmo.

Desde a semana santa que a plataforma Conexão Vivo vem realizando shows em Belo Horizonte. Sem partidos, sem siglas, associações ou embates políticos. Apenas boa música, para quem estiver interessado em algumas breves horas de catarse. Foram 94 shows até agora. E nessa “apoteose” o número quase dobra. Vão ser mais 60 atrações entre os dias 25 e 29 de maio. Tem Marcelo Jeneci, na foto acima, e também Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Móveis Coloniais de Acaju, Autoramas e até shows de “encontros”, como Graveola e o Lixo Polifônico + Jard Macalé (!).

Programação

Parque Municipal
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Domingo, dia 29, a entrada é gratuita.

Dia 25, quarta-feira, às 19h30
Capim Seco (MG) convida Siba (PE)
Porcas Borboletas (MG) convida Paulo Miklos (SP)
Deco Lima e o Combinado (MG) convida Fred 04 (PE), Angu Stero Club (MG) e Anderson Guerra (MG)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)

Dia 26, quinta-feira, às 19h30
Felipe José (MG) convida Elísio Pascoal (AL)
Karina Buhr (PE)
Vitor Santana (MG) convida Pedro Sá (RJ) e Marcos Suzano (RJ)
Tulipa Ruiz (SP)
Zé da Guiomar (MG) convida Wilson das Neves (RJ)

Dia 27, sexta-feira, às 19h30
The Hell’s Kitchen Project (MG) convida Autoramas (RJ)
Julgamento convida Nathy Faria e Marku Ribas (MG)
Lucas Avelar convida Affonsinho (MG)
Gilvan de Oliveira (MG) convida Armandinho (BA)
Marcelo Jeneci (SP)

Dia 28, sábado, às 19h30
Babilak Bah convida Juarez Moreira (MG)
Senta a Pua! (MG) convida Eduardo Neves (RJ)
Black Sonora (MG) convida Di Melo (PE)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG) convida Jards Macalé (SP)
Renegado convida Maria Alcina (MG)

29 de maio, às 10h – Programação gratuita
Catibiribão (MG)
Wilson Dias e Pereira da Viola convidam Patrícia Sene (MG)
Cléber Alves convida Nivaldo Ornelas, Mauro Rodrigues (MG) e Teco Cardoso (SP)
Juarez Moreira (MG) convida Diego Figueiredo (SP)
Suíte para os Orixás convida Renato Motha (MG)
Juarez Maciel e Grupo Muda (MG) convidam Barbatuques (SP)
Warley Henrique convida Aline Calixto (MG)

Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes
Dia 25, quarta-feira, às 19h
Lise convida L_AR (MG)

Dia 26, quinta-feira, às 19h
Ezequiel Lima convida Glaucus Linx (MG)

Dia 28, sábado, às 19h
Limão convida Wilson Lopes (MG)

Dia 29, domingo, às 19h
Thiago Pethit convida Cida Moreira (SP)

Music Hall
Dia 28, sábado, à 0h
Gustavo Maguá (MG) convida Marco Mattoli (SP)
Orquestra Cabaré (MG) convida Hyldon (RJ)

Malvadeza braba

Desalma por Priscila Lima

Vou correr o risco de ser polêmico aqui e dizer de cara que eu não acredito muito em Thrash Metal. Aliás, em nenhum tipo de metal extremo. Mas calma aí que eu vou me explicar. Sempre que escuto uma banda nova ou então desconhecida, respondo com um suspiro carregado de desdém. Penso na primeira geração da nova onda do metal britânico – Motorhead, Iron Maiden, Judas Priest – e na geração que foi influenciada e formada com base no que eles fizeram. Estou falando da turma da Bay Area. Metallica, Megadeth, Testament, Machine Head. O Slayer, que era tipo um vizinho da turma. Pode ser excesso de pseudo-saudosismo, mas nada, principalmente no Brasil, me faz pensar que vai chegar na metade desse caminho.

Ouvir o Desalma, que foi formada no Recife em 2007 apenas, é como levar um tapa forte na cara. Daqueles que deixam a bochecha vermelhona, ouvindo só o zumbido do “deixe de frescura, hômi”. São três caras que, fora do palco, parecem meio desengonçados e bobões. Estão sempre rindo e curtindo a noite, com camisa preta de banda e aquela cara de menino bom, criado pela avó em prédio sem varanda. Você imagina que uma visita lá na casa deles é acompanhada por três toneladas de álbum de fotos de bebês. “Essa aqui foi quando ele ganhou a primeira roupinha de super homem e ficava correndo o tempo inteiro pela casa”.

Soa preconceituoso sim. Não sei se por eu ser o tipo de cara que também sofre essa mesma taxação eu me sinta mais a vontade para falar isso. O fato é que todas essas idéias caem por terra quando eles empossam os instrumentos no palco e descarregam um pedacinho da melodia do inferno na terra. Sério, tem malvadeza pura ali. Do tipo que é capaz até de gerar lendas sobre cada uma das figuras que faz careta enquanto toca e canta. Se falarem que eles comeram um gatinho bebê vivo no meio do show, eu vou atestar que foi verdade. Se disseram que o estrondo do bumbo da bateria se dá graças a 15 pintinhos que eles colocam dentro para receber as batidas, vou te dizer também que é verdade.

Fragmentos, Corpo Seco, Desalmo e Em Chamas são os nomes de algumas músicas que podem ser ouvidas no MySpace deles. É violência pura para os ouvidos. Daquela que faz você se sentir bem por estar vivo. Do tipo que faz cada show valer 100% de sua noite. A velocidade das canções é claustrofobica. E quando você se percebe enclausurado pelas batidas pesadas no baixo e os 15 pintinhos morrendo e explodindo sangue na bateria (ops) vem a voz esmagadora de Igor Capozzoli criando ondas de tremor nesse ambiente enclausurado. É a trilha sonora perfeita para o apocalipse do cotidiano.

Desalma me faz acreditar no Thrash Metal. Me faz acreditar que essa terra distante onde vivem os monstros não é uma ilha pequena onde só cabem os reis do metal. Mas um continente vasto a ser explorado com sagacidade e diversão como em Brutal Legend – aquele joguinho com Jack Black, sabe?. Se não conhece, corra para conhecer. Desalma me faz acreditar que essa nova geração não morreu em referências mais pobres e subproduções que dão prestígio ao puro lixo que é Limp Bizkt e o metal de patricinha do Avenged Sevenfold. Aliás, troque os gatinhos e pintinhos de dentro da bateria por essas bandas. E todas as outras bandas inspiradas e geradas a partir dessas figuras.

Sinto um misto de desânimo e felicidade ao precisar ter saído do Recife para conhecer o Desalma. Só ouvi e vi eles pela primeira vez em Natal, no sempre excelente festival DoSol. Desanimo por não perceber algo grande assim surgir na minha cidade. Feliz por perceber que, mesmo até chegar lá, eles já tinham passado por outros estados e encabeçado uma turnê com os paulistas do Claustrofobia. Investimento e reconhecimento caminhando junto. Espero poder ouvir falar sempre mais e melhor deles daqui para frente.