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Bobagens em geral :P

Macaco Bong + Gilberto Gil

Durante a abertura do Fórum da Cultura Digital Brasileira o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil apresentou um formato especial de apresentação chamado Futurível. Uma colaboração aberta entre ele e a banda Macaco Bong e convidados. Pelos vídeos do show, que rolou no Auditório Ibirapuera, teve muita pouca fusão de sons e, na verdade, os Macacos funcionaram mais como banda de apóio para arranjos já naturais ao som de Gil. Mas parece ser o começo de uma ótima parceria. Se falar que, visualmente falando, Gil parece ser o vocalista perfeito para o Macaco Bong.

O show vai se repetir no festival Goiânia Noise, que acontece nesse fim de semana.

Ratos de Porão e Jello Biafra

Ratos de Porão + Jello Biafra @ A Grande Roubada from Macarronada on Vimeo.

Rolou uma participação surpresa de Jello Biafra no show do Ratos de Porão, no último dia 5, no Hangar 110 em São Paulo. Histórico, para o dizer o mínimo.

Black Drawing Chalks @ Festival DoSol 2010

Esse texto é parte 5 de 5 na série Festival DoSol 2010

Black Drawing Chalks ao vivo no festival DoSol. Foto de Rafael Passos

Talvez tenha sido a platéia gigantesca do SWU, ou os quase 80 shows que fizeram esse ano, mas algo fez com que o Black Drawing Chalks mudasse recentemente. Fora do palco continuam as mesmas figuras tímidas e divertidas, mas quando os instrumentos estão plugados, uma transformação toma conta de todo o ambiente. Os 30 minutos em que se apresentaram no festival DoSol não foram suficientes para dar conta do fato que eles são, oficialmente, uma banda que está a parte de tudo que acontece hoje na cena independente. Arriscaria dizer que até acima.

Existe sintonia em absolutamente tudo que acontece no palco. Parece orquestrado, do momento quando o baixista Dênis violenta ferozmente o instrumento incitando delírio puro no público até a disputa quase sanguinária entre as guitarras de Renato e do vocalista Victor Rocha, cada segundo do show é imperdível. “My Favourite Way” agora está de igual para outros hits como “My Radio” e até a nova “Red Love”, que causam comoção igual no público.

Se considerar que é uma banda de origem totalmente fora do eixo (sem trocadilhos!), talvez seja possível arriscar também que nenhuma banda independente no Brasil chegou tão longe cantando em inglês desde o Sepultura. Existir tão bem dentro desse contraste entre um gigantesco SWU e um evento para duas mil pessoas, como foi o DoSol, mostra o tipo de sinergia que a cena independente tem potencial de alcançar nos próximos anos. Se depender do desempenho no palco, da qualidade das músicas e postura da banda, o Black Drawing Chalks pode ser fácil a banda simbolo dessa mudança.

Autoramas @ Festival DoSol 2010

Esse texto é parte 4 de 5 na série Festival DoSol 2010

Autoramas ao vivo no DoSol 2010. Foto de Rafael Passos

São quase 15 anos de Autoramas. Nessa altura do campeonato, seria preciso um assassinato ou alguma tragédia similar para qualquer coisa que eles façam no palco fique abaixo do nível do excelente. Sempre se fala muito sobre como ser uma banda tão boa, experiente e rodada não ajudou os Autoramas a ultrapassar a barreira do universo independente. Mas eu acredito que essa é uma banda que existe para dar razão ao fato que esse é um universo que não precisa ser ultrapassado. Esse show serviu para ilustrar, inclusive, como o meio independente ainda sofre dos mesmos problemas que diz ter superado em comparação a realidade de grandes bandas e gravadoras.

Explico: Os Autoramas não trouxeram o show acústico que andam fazendo para o festival DoSol. “É uma apresentação pensada para teatros”, explicou mais tarde Gabriel Thomaz. O resultado disso foram 30 minutos da mais honesta harmonia entre pop e rock, com o público inteiro na palma da mão. Rever esse show tantas vezes deixou a sensação de que falta um disco novo. “Teletransporte” é de 2007 e ai que está a pegadinha. Ninguém produz tanto quanto eles, não apenas em termo de qualidade, mas de quantidade também. Existem nada menos que 12 – doze! – trabalhos lançados entre splits, CD’s e álbuns internacionais nesses três anos.

O show teve um pouco disso com, por exemplo, músicas de “Brasil na CIEE”, que foi lançado em portugal. Mas mesmo com essa produção extensa, fica a sensação de que apenas um álbum é suficiente para virar a página de uma banda. Reflexões a parte, fica de destaque a opção da produção do evento em por a banda no espaço menor. O aperto e proximidade entre público e banda rendeu o melhor clima de toda a noite. O rock, sempre que acompanhado da claustrofobia do calor e aperto, atinge sua potencia máxima. E Autoramas na potencia máxima é sinal de noite histórica.

Camarones Orquestra Guitarrística @ Festival DoSol 2010

Esse texto é parte 3 de 5 na série Festival DoSol 2010

Camarones ao vivo no festival DoSol 2010. Foto de Rafael Passos

É fácil duvidar do potencial do Camarones Orquestra Guitarrística. Bom vendedor que é, o produtor potiguar e tecladista da banda Anderson Foca sempre fala de sua mais nova banda com tanta empolgação que deixa qualquer um com pé atrás. Chega uma hora que você cede ao pensamento “esse cara fala tanto que deve ter algo errado aí”. Isso, claro, para quem só escuta falar. Depois do intensivo que essa ano tem sido para a banda – estão chegando no show de número 60 em breve – quem fala hoje sobre o Camarones é a própria banda, ao vivo, no palco. Jogaram em casa e fizeram um dos melhores shows do festival DoSol 2010.

É impressionante o quanto a banda se transformou em apenas um ano. Se comparado com a apresentação que eles fizeram em abril – na programação paralela do Abril Pro Rock, última que vi – com essa, o avanço é assustador. Ganharam mais presença no palco e o impacto da parede sonora se tornou uma característica marcante do show. É possível dizer que, após os tropeços causados por vários fins inesperados e mudanças em bandas (e um certo afastamento do Calistoga para se aproximar a uma cena própria deles, dos vegan), Natal passa a ser muito bem representada mais uma vez na cena independente.

Tenho, inclusive, a impressão que o Camarones vai conseguir criar uma categoria nova de rock instrumental dentro dessa cena. Uma que é diferente da feita pelo Pata de Elefante e do Macaco Bong, que se aproxima “de leve” com que está começando a ser feito pelos baianos do Vendo 147. Não vou me aventurar em criar neologismos ou reinventar definições nessa altura do campeonato, mas me limitar a dizer a que, do começo ao fim, não tem uma música ruim em todo show. Comandar um público sem usar palavras não é tarefa fácil e quando levanta a bola, o Camarones só manda saques certeiros por trinta minutos sem interrupção. Daqueles que você segura até vontade de ir ao banheiro para ver o que acontece até o final.