O último dia do Recbeat fechou com chave de ouro a edição deste ano. Edição foda e se por um lado nem todas as atrações eram 100% boas, todas tiveram utilidade e encontraram público. Acho que a atração que melhor ilustra isso é a banda Les Frères Guissé, de Senegal. Para mim passou batido, mas juntou uma multidão de gente no fim querendo comprar disco, CD, dar abraço, tirar foto e pedir um dos caras em casamento.
A noite começou com a Bande Ciné. Tinha um nervosismo claro no palco, mas acho que minha ressalva com a banda vai além disso. São dois pontos, o primeiro e mais grave é que parece que metade da banda pensa numa proposta totalmente diferente de outra metade. Como? De um lado, estão tocando e dançando agitados, do outro estão tímidos, escondidos e fazendo a linha low profile. Parece que estão tocando em banda diferentes. E, ok, isso ainda se enquadra no nervosismo. O segundo são os covers. A banda encontrou um lance que é muito legal, mas ainda acho que a vibe seria eles fazerem músicas próprias naquele ritmo e cantadas em francês. Rolava até parodias com nossa língua, com personagens próprios, etc. Serge Gainsbourg é um cara foda, mas ele só é foda para muita pouca gente.
Vi o show da Les Frères Guissé do fosso. Aquela área colada com o palco que é usada por fotógrafos. Tão de perto, eu ficava achando muito deslocado. Fiquei pensando “será que essa vai ser a bola fora?”. Mas foi certamente a maior reação de público de todos os quatro dias. Sem contar, claro, atrações principais. Para um grupo que ninguém tinha visto aqui, parece que eles saíram com fã clube e tudo mais que tem direito.
O Porca Borboletas foi uma atração apenas OK. Acho que pesou o fato de termos muitas bandas aqui parecidas com a proposta deles no palco. Teve menos impacto, o que acabou exigindo mais da música deles, que no fim da contas é um rock simples, que nem ofende, nem necessariamente agrada. Deu uma esfriada na noite, que entraria logo em seguida no ápice de todo o Recbeat.
Vou repetir aqui: queria tocar na Orquesta Típica Fernadez Fierro. Que show foda. Os caras sincronizados nos passos, com uma formação de quatro acordeons na frente. O vocalista estragava um bocado, mas a imagem da banda era intimidadora suficiente para superar isso. Fico pensando a quanto tempo tinha uma banda dessas aqui do lado do Brasil e nunca fiquei sabendo. Depois dessa apresentação, me obriguei a procurar mais da música argentina.
A melhor surpresa do festival, para mim, também veio nessa noite. O Lucy and the Popsonics que tocou no palco do Cais da Alfândega não parece em nada com a banda que vi a dois anos no Mada, ou ano passado no DoSol. Eles cresceram, tipo assim, MUITO, no show. Antes eram tímidos, agora faziam do palco um palanque deles para o rock. A música estava mais acelerada, com mais atitude e peso rocker. Foi legal ver que eles, sem nunca terem tocado aqui antes, já tinham um pequeno fã clube coladinhos no palco cantando todas as músicas sem errar a letra.
O cover do Sepultura foi fundamental para mostrar que eles tinham não apenas encontrado, mas entrado de acordo com uma personalidade própria. A participação especial de Fabrício Nobre (MQN) no fim só foi a cereja no bolo que trazia o recado de que o electro que se foda, aquela era uma banda de rock. Eles pegaram uma rebaba do público que já se amontoava para ver o Pato Fu, o que contou a favor para o clima deles no palco. “Nunca tinha visto tanta gente assim”, dizia sorridente Fernanda Popsonic, “e a gente só trouxe cinco CDs para vender!”.
Confesso que não sei o que falar do Pato Fu. Assisti o show pagando de “mas já vi isso em outubro, no Noise”, só para pagar pela língua (deu para reparar o quanto eu fiz isso durante o Recbeat inteiro?). Nunca vi uma banda tão feliz no palco, nem um público cantar músicas inteiras sem parar, em coro que as vezes superava a voz de Fernanda Takai. Porque diabos, fiquei pensando, eles passaram seis anos sem tocar aqui?
As fotos estão no post abaixo :)