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Bobagens em geral :P

Chegando atrasado

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A New Rave finalmente chegou ao Nordeste. Com um atraso gigante, é verdade, mas surpreendente como deve ser. O Barbiekill é de Natal, isso mesmo, a terra perdida das bandas de hardcore melódico mais toscas da região. Tem um monte de CSS e New Young Pony Club com Bonde do Rolê e New Wave confusa nas músicas. Eles fizeram um dos shows mais legais de tão tosco de todo o Carnaval do Recife, para quase ninguém no Novo Pina. Vi tudo pelo filtro de um litro de vodka e recomendo (a banda também).

Barbiekill – Chiclete

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O EP inteiro deles, “Ai meu Edy“, você baixa no Badongo

Das coisas grotescas

Depois de inventar de distribuir a pílula do dia seguinte para a população no Carnaval (porque, afinal de contas, doença não é um problema, ter filhos é a bronca de não usar camisinha) a Prefeitura decidiu assumir que a população, além de não conseguir segurar o impulso sexual durante a folia, também não tem respeito pelo patrimônio público. Resultado, cobriram com um tapume trash todas as estátuas do circuito da poesia.

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Sem frescura, agora

O último dia do Recbeat fechou com chave de ouro a edição deste ano. Edição foda e se por um lado nem todas as atrações eram 100% boas, todas tiveram utilidade e encontraram público.  Acho que a atração que melhor ilustra isso é a banda Les Frères Guissé, de Senegal. Para mim passou batido, mas juntou uma multidão de gente no fim querendo comprar disco, CD, dar abraço, tirar foto e pedir um dos caras em casamento.

A noite começou com a Bande Ciné. Tinha um nervosismo claro no palco, mas acho que minha ressalva com a banda vai além disso. São dois pontos, o primeiro e mais grave é que parece que metade da banda pensa numa proposta totalmente diferente de outra metade. Como? De um lado, estão tocando e dançando agitados, do outro estão tímidos, escondidos e fazendo a linha low profile. Parece que estão tocando em banda diferentes. E, ok, isso ainda se enquadra no nervosismo. O segundo são os covers. A banda encontrou um lance que é muito legal, mas ainda acho que a vibe seria eles fazerem músicas próprias naquele ritmo e cantadas em francês. Rolava até parodias com nossa língua, com personagens próprios, etc. Serge Gainsbourg é um cara foda, mas ele só é foda para muita pouca gente.

Vi o show da Les Frères Guissé do fosso. Aquela área colada com o palco que é usada por fotógrafos. Tão de perto, eu ficava achando muito deslocado. Fiquei pensando “será que essa vai ser a bola fora?”. Mas foi certamente a maior reação de público de todos os quatro dias. Sem contar, claro, atrações principais. Para um grupo que ninguém tinha visto aqui, parece que eles saíram com fã clube e tudo mais que tem direito.

O Porca Borboletas foi uma atração apenas OK. Acho que pesou o fato de termos muitas bandas aqui parecidas com a proposta deles no palco. Teve menos impacto, o que acabou exigindo mais da música deles, que no fim da contas é um rock simples, que nem ofende, nem necessariamente agrada. Deu uma esfriada na noite, que entraria logo em seguida no ápice de todo o Recbeat.

Vou repetir aqui: queria tocar na Orquesta Típica Fernadez Fierro. Que show foda. Os caras sincronizados nos passos, com uma formação de quatro acordeons na frente. O vocalista estragava um bocado, mas a imagem da banda era intimidadora suficiente para superar isso. Fico pensando a quanto tempo tinha uma banda dessas aqui do lado do Brasil e nunca fiquei sabendo. Depois dessa apresentação, me obriguei a procurar mais da música argentina.

A melhor surpresa do festival, para mim, também veio nessa noite. O Lucy and the Popsonics que tocou no palco do Cais da Alfândega não parece em nada com a banda que vi a dois anos no Mada, ou ano passado no DoSol. Eles cresceram, tipo assim, MUITO, no show. Antes eram tímidos, agora faziam do palco um palanque deles para o rock. A música estava mais acelerada, com mais atitude e peso rocker. Foi legal ver que eles, sem nunca terem tocado aqui antes, já tinham um pequeno fã clube coladinhos no palco cantando todas as músicas sem errar a letra.

O cover do Sepultura foi fundamental para mostrar que eles tinham não apenas encontrado, mas entrado de acordo com uma personalidade própria. A participação especial de Fabrício Nobre (MQN) no fim só foi a cereja no bolo que trazia o recado de que o electro que se foda, aquela era uma banda de rock. Eles pegaram uma rebaba do público que já se amontoava para ver o Pato Fu, o que contou a favor para o clima deles no palco. “Nunca tinha visto tanta gente assim”, dizia sorridente Fernanda Popsonic, “e a gente só trouxe cinco CDs para vender!”.

Confesso que não sei o que falar do Pato Fu. Assisti o show pagando de “mas já vi isso em outubro, no Noise”, só para pagar pela língua (deu para reparar o quanto eu fiz isso durante o Recbeat inteiro?). Nunca vi uma banda tão feliz no palco, nem um público cantar músicas inteiras sem parar, em coro que as vezes superava a voz de Fernanda Takai. Porque diabos, fiquei pensando, eles passaram seis anos sem tocar aqui?

As fotos estão no post abaixo :)

Recbeat 2008 – Quarto dia

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Eu quero tocar na Orquesta Típica Fernandez Fierro. Juro que quero. As melhores bandas são aquelas que você termina o show querendo fazer parte daquela história. E é muito raro para mim encontrar bandas assim. Ok, talvez no máximo eu quisesse estar no lugar daquele baixista do Pato Fu, mas é mais por ele ser um cara muito legal no palco que pela banda propriamente dita.

Recbeat um tanto histórico esse. Lembro quando na metade do caminho falei para Gutie que ainda não tinha tido um show ruim e ele com sorriso confiante falou “nem vai ter!”. Não teve mesmo. O produtor do festival, que descobri essa semana que é também meu vizinho, também foi acertado nas últimas palavras sobre a edição deste ano. “Gosto de confiar na sensibilidade das pessoas para conhecer coisas novas.  O Recbeat tem essa função, que é na verdade de todos os festivais independentes hoje, de circular músicas e artistas que nunca teriam acesso ao público daqui. Quem imaginaria que teria um grupo legal assim em Senegal? Ou como a Panico do Chile?”

E ai? Alguém ai ainda tem mais folego para dizer algo sobre o Carnaval? Da minha parte, fica só as imagens. Fotos de Costa Neto:

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