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Coluna sobre música publicada todas as terças-feiras na Folha de Pernambuco.

A voz do povo

Semana passada parei para prestar atenção numa pessoa que comprava CDs piratas. Levou pelo menos uns sete, dos mais sortidos, com um sorriso de orelha a orelha. No chute, devia ser alguém de classe média, com um emprego simples e condições de comprar um disco comum. Quando saiu, ainda mostrou para um amigo o que tinha encontrado de raridade no tal carrinho.

Existe uma “função social” ai. Isso de mostrar as músicas que conseguiu num sentido mais físico. Com toda essa história pós-MP3 onde as gravadoras estão procurando novas maneiras de fazer a música chegar até o ouvinte, fica uma sensação que no fim das contas, as pessoas querem mesmo é comprar disco. Ter aquele artista no formato caixinha, para ver enquanto escuta.

Rádio Folha
Já está no ar, na Rádio Folha 96,7 FM o programa Interferência. Apresentado por este colunista e por Daniela Arrais, o programa é veiculado todos os sábados às 18h com o melhor da música pop e rock, com o destaque para as bandas do Estado.

Revista
Circula pela cidade o número 1 da revista Giro. Em formato gibi, com matérias sobre música, cinema, teatro e comentários do que acontece na cidade. Você encontra fácil em qualquer bar ou loja do gênero e o melhor é que é de graça.

Internacional
A cena “emo”, igual todas as outras, diz por ai que não existe na cidade. Mas a verdade é que eles são um dos mais organizados hoje na noite do Recife. Semana passada tiveram duas seletivas, com quase 10 horas de música cada, para escolher quem participa do show da banda americana Rufio, que será próximo sábado.

Natal
Começa quinta-feira o Festival Tim Mada, o maior evento de música do Rio Grande do Norte. Vale a pena enfrentar as quatro horas de estradas para conferir as estreantes Moptop, Cansei de Ser Sexy e Cabaret no palco armado na praia de Natal.

Mais trabalho sujo

Mudar é sempre um processo complicado. Nos últimos três anos, os festivais tem feito um esforço considerável para mudar os hábitos do público do Recife. Mostrar que uma banda como o Rappa ou Los Hermanos já cabem num contexto sozinhas e não num grande evento. Trazer o que tem de novo, bom e interessante na música parece um serviço desanimador quando se encontram públicos de pouco mais de mil pessoas (como aconteceu em 2005 no Coquetel e este ano no Abril).

Mas eles seguem como quem dá murro em ponta de faca. E, por essa iniciativa saudável, os festivais estão de parabéns. Mudar o hábito de quem gosta de música vai ser um processo lento e constantemente questionável. Mas é necessário. Recife precisa parar de ser essa cidade que “não dá dinheiro para músico”, frase que já está virando clichê pela mídia.

Motorhead
O produtor Paulo André Pires (Abril pro Rock) confirmou que está negociando a vinda da banda Motorhead para o Recife em outubro. Faz parte de uma parceria dele com o festival Live’n'Load, que já resultou na vinda do Atrocity para o país. Sinal que a história pode dar certo.

Europa
Silvério Pessoa e o Mombojó já estão com datas marcadas para turnê na Europa em maio. Os gringos vão rever a turnê do “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” e conhecer – sim, antes de nós mesmo – os shows para o novo “Homem-Espuma”.

Punk
Não recomendo perder essa. Quinta-feira, a galera do Cólera re-configura a banda e vira o Rádio Clash. Sim, se todo mundo anda fazendo projeto de homenagem, eles vão mandar um repertório do The Clash em show no Novo Pina, às 22h.

Bobagem
Alexandre Matias, dono do verdadeiro Trabalho Sujo, está sendo detonado no orkut apenas porque registrou no Trama Virtual suas impressões sobre a cidade de Maceió. O pessoal só está provando que é realmente atrasado fazendo esse tipo de bobagem

Absurdo
Roubaram a sanfona de Arlindo dos 8 Baixos. Praticamente um patrimônio da música nordestina, o instrumento e o instrumentista. Para ter uma idéia, Arlindo, que é cego, só voltou a tocar o 8 baixos depois de muitos pedidos de Luiz Gonzaga. Agora, está ameaçando que não toca mais.

DoSol
O festival de Natal revelou algumas boas novidades para nós (eu e agora vocês). Confirmados: Dance of Days, Ludov, MQN, Parafusa e Carfax. Em negociação: Dead Fish e Forgotten Boys. No puro chute: parece que vai ter Cordel também.

Pensando aqui…
Será que o Recife merece receber novidades? A informação que chegou até este colunista era que na sexta-feira do Abril pro Rock, tinha mais gente no Garagem (sim, numa borracharia) que no show do Stereo Total. Meu voto é para que “não, não merece”.

Rixa?

Semana passada, a revista Laboratório Pop publicou em seu site uma matéria sobre o festival Música Alimento da Alma, o Mada, que acontece em Natal. A revista é editada no Rio de Janeiro. A maioria dos jornalistas – incluindo o que assinou o texto – são cariocas. Agora vem o fato bizarro: todo o texto tinha um clima de rixa entre o festival Mada e o Abril pro Rock. Com frases como “botou o Abril no chão”. E, o mais estranho, com uma suposta rixa também entre as cidades de Recife e Natal.

O que deixa o comentário curioso é que o organizador do Mada, Jomardo, é um dos principais investidores da revista carioca. Essas relações sempre são muito perigosos. Primeiro pelo óbvio, que é a rixa que não existe. Depois pela associação de um veículo de grande circulação com um evento de grande porte. Fica a incomoda sensação que a provocação – e a criação dessa tal rixa – foi intencional.

Clipe
A banda Mundo Livre S/A lança quinta-feira o clipe da música “Abrindo o Coração para uma Cachorra Chapada e Bêbada”, do novo EP Bebadogroove. Será no bar Boratcho, que fica na Galeria Joana D’arc, no Pina. A festa tem discotecagem de Renato L, Bahiano e Tchêras

Abril pro Rock
Ainda não garantiu sua entrada? Aproveite então a promoção do ingresso social. Quem doar 1kg de alimento, paga apenas R$ 25 no preço do ingresso inteiro por dia. Falando em Abril, domingo, quem acompanha a Orquestra Imperial é o músico Jorge Mautner.

Curitiba
Começou a primeira rodada de boatos para o Curitiba Rock Festival. Os nomes são Arctic Monkeys, Black Rebel Motorcycle Club, Ian Brown, Sisters of Mercy e Dandy Warhols. Ainda é um tanto exagerado, mas qualquer das opções já é uma ótima notícia!

A nova rota

Durante um ingrato passeio de ônibus, desses que passam horas parados graças a batida de algum motorista desatento, veio uma reflexão. Tudo culpa de um garoto, que não passava dos 12 anos, voltando do colégio, de farda e bolsa nas costas. Ele cantava a música do recém lançado disco de uma banda da cidade. Uma que, como todas, não toca em rádio, nem tem espaço na TV.

A dúvida era: como essa música chegou até ele, então? Até pouco tempo, as canções que iam atrás do ouvinte e pegavam nossos ouvidos desprevinidos. No carro, no caminho de volta para casa, a programação de uma rádio podia criar um novo fã a qualquer instante.

A constatação rende um roteiro para uma boa ficção. Presos num mundo que só propaga música ruim, são as pessoas agora que vão atrás da música. O tal garoto deve ter visto um show ou lido algo na Internet. O que importa é que ele foi atrás daquela música.

Portátil
O problema dos podcasts é que o usuário sempre precisa fazer o download arquivo de áudio. Em muitos casos, isso representa uma espera de mais de 20 minutos, só para ouvir 10 minutos de programa. A solução chega agora no site www.portableplaylist.com. Ele faz tudo online e você escuta em qualquer computador que estiver.

Sertanejo
Ewerton Assumpção fez uma brincadeira na Internet. Colocou no seu site algumas músicas em clima sertanejo, falando da vida online. Uma delas, “Vou te excluir do meu Orkut”, fez tanto sucesso que agora vai ser regravada por Frank Aguiar.

Apropriação
O encantamento do público com o Clube das Pás foi tanta, que muitas bandas presentes no show de Del Rey e Sir Rossi já começaram a planejar seus próprios shows na tradicional casa de samba. Se depender do público de sexta-feira, já tem tudo para dar certo.

No clima

A Prefeitura de Olinda está de parabéns pela iniciativa de criar um festival de jazz (mais detalhes do evento neste caderno Programa). Falam do pouco espaço que o rock tem no Estado, mas quando se trata do gênero que deu vida a música popular, ele ainda se comporta aqui da mesma maneira que estava em Chicago, 1940. Nos becos, para um público restrito e estranho.

Conhecer o jazz é fundamental para o bom amante da música. Então, para entrar no clima, cate umas músicas de Charles Mingus, Thelonius Monk, Duke Ellington, John Coltrane e Chet Baker. O ritmo tem duas divisões clássicas, o Cool, tranqüilo, relaxante e cheio de idéias; e o Bebop, rápido, dançante e contagiante.

As autobiografias de Mingus e Chet Baker, ambas lançadas pela Jorge Zahar, são essenciais. Para fazer a tarefa de casa bem feita, é bom também conferir um pouco literária beatnik, nos livros de Jack Kerouack, Bukowski e Fante. O jazz é pano de fundo para as melhores histórias deles.

Tim Festival
Em Salvador, a casa com a melhor estrutura para receber o Tim Festival (e possivelmente o Radiohead), o Teatro Castro Alves, só tem espaço para duas mil pessoas, que não podem dançar nem usar bermuda. Chame de bairrismo, mas Recife ainda é uma melhor opção.

Tributo
Tudo bem que a influência do Legião Urbana no rock nacional é grande. Mas fazer um tributo oficial com uma faixa por Chorão (como assim, Chorão?) foi uma opção, no mínimo, estranha.

A voz do povo
Segundo a lista dos mais vendidos da Loja Passa disco, Pernambuco está entre 4, dos 10 mais. Se contar o Nordeste, são 6, que só não vencem Marisa Monte e o Tributo a Odair José (que tem 3 bandas daqui).