Category: Coluna

Coluna sobre música publicada todas as terças-feiras na Folha de Pernambuco.

Quem ainda vende discos

Uma das listas mais consultadas no fim de ano pela mídia é o da “Sucesso”, que reúne dados de vendas quase todas as principais lojas de discos do País. É um panorama curioso para saber afinal quem, nesse período de transição entre modelos de consumo de música, continua se dando bem vendendo os cada vez mais fora de moda CDs. Os cinco primeiros são, respectivamente, Ivete Sangalo, Maria Rita, Vanessa da Mata, Queen e Paulinho da Viola. Depois deles, quase todos os outro 45 seguintes são de coletâneas.

Os resultados são sempre previsíveis por dois motivos. Primeiro, porque esses primeiros representam um formato cada mais raro de artista massivo, daqueles que todo mundo foi obrigado a ouvir falar na televisão e rádios tradicionais. O segundo motivo aponta um pouco da tendência que deve marcar este novo ano: pesquisas quantitativas são cada vez mais inúteis, porque representam uma generalização incapaz de captar mudanças de mercado: vendas em show e música oferecida como serviço em celulares, automóveis e computadores.

Se fossem consideradas, provavelmente novos nomes até então alienígenas a essas pesquisas certamente apareceriam na lista. O Brasil conheceu um modelo inédito de consumo de música em 2007 com o “download remunerado” da gravadora Trama. Um sistema onde o artista ganha dinheiro cada vez que alguém baixa sua música. Resultados positivos que deixam como principal expectativa do ano o formato que essas listas vão assumir no fim de 2008.

Recbeat
Mais um nome da programação do Recbeat, com exclusividade. É a banda Fino Coletivo, formada por músicos do Rio de Janeiro e Alagoas. Quem joga no quinteto é o sempre elogiado Wado, enquanto o sotaque carioca fica inconfundível na voz de Alvinho Lancelloti. No último fim de semana, a primeira banda pernambucana confirmou sua participação, a nova Julia Says, comentada semana passada aqui na coluna.

Algumas promessas

Hoje, no lugar de apresentar uma única nova banda independente, vamos formatar uma mini expectativa para o ano de 2008. Apesar de ter sido um ano muito bom para a música, este que encerra foi meio morno de novidades. Alguns dos nomes mais interessantes que apareceram, na verdade, foram de bandas antigas decidindo retornar a carreira. Fica, então, uma lista de futuras promessas no rock pernambucano.Três parecem que vão dar o que falar. A mais experimetal Julia Says é uma dupla formada por Diego e Pauliño. O primeiro clipe, da música “Mohamed Saksak”, já ganhou um prêmio na cidade. No Myspace deles (/juliadisse), também vale ouvir “Eis a Canção”. A segunda banda é de metal e se chama Project 666. Reencontro de alguns dos melhores grupos de Olinda, o Pecapta e a Sick. Por fim, a de rock simples e direto Erro de Transmissão fecha o ciclo de promessas.

Menos é mais
Não é para parecer reclamão, mas as próximas programações da prefeitura poderiam prezar menos por quantidade. A programação de shows é tão grande (tanta coisa ao mesmo tempo), que muitos pólos, como o Sitio da Trindade, ficam completamente vazios. Soa como desperdício.

Recbeat
Dizem que a banda Panico é algo tipo “o Cansei de Ser Sexy do Chile”. Se é para tanto ou não, vamos descobrir em fevereiro. A banda de “tropical rave rock” (quantas aspas) está confirmadíssima na programação do Recbeat 2008. E fica dada a largada aqui na coluna para os furos nas escalações de festivais do próximo ano.

Mais Recicle
Durante uma tarde, o show da Pitty no Recife para o dia 11 de janeiro quase foi cancelado. O contratante do Rio de Janeiro ficou sem parceiro na cidade. Mas, agora, quem assume a responsabilidade é o Sun7 estúdios, que está levando o rock para a boate Nox. A programação será com a própria Vamoz, River Raid e Carfax.

Os Haxixins

haxixins.jpg

Lembro que durante o show dos Haxixins (SP) no último Goiânia Noise, Guimoura chegou a perguntar “São Os Impossíveis?“, referente ao antigo desenho animado. A banda mod não apenas se veste, mas parece ter sido retirada de um brechó da rua Augusta. Arriscaria até que o tom da pele deles é mais sépia, assim como é carregado de chiado o teclado e a guitarra Gianini Tremendões que eles usam. Experiência musical milimetricamente calculada para nos carregar aos anos 60.

A nostalgia dos Haxixins é recheada de referências ao The Who, Sonics e as primeiras fases dos Rolling Stones. As músicas são em português, com baixos e teclados hipnotizantes de tão bons. O compromisso com o retrô da banda é tanto, que o primeiro disco deles – registrado com gravador de rolo e amplificadores valvulados – foi lançado apenas em vinil, pelo selo português (Groove Records). Na página da banda no MySpace é possível baixar todas as músicas e ainda encontrar um link para download do disco completo.

Engraçado que a primeira coisa que pensei, ao ouvir, foi “putz, que mal gravado!”. Só depois saquei a história deles.

Protesto!
Semana retrasada publicamos a lista de melhores discos lançados este ano em Pernambuco. Ator, produtor e figura sempre presente nos eventos locais, Leidson Ferraz se prontificou a fazer um justo protesto. Cabem também a Geraldo Maia com “Samba de São João” e a cantora Isaar com “Azul Claro” presença na lista. Aproveitando o bonde, acrescento ainda a edição 2007 do “Forroboxote”, de Xico Bizerra.

Recicle
A produção do festival Recicle, que vai trazer o show da Pitty ao Recife em janeiro (após três anos sem a cantora baiana se apresentar na cidade) decidiu cancelar uma votação que abriu no site de relações Orkut para escolher quem seria o representante local abrindo o festival. No lugar, decidiu convidar a banda Carfax (que participava da enquete) para o show, que será dia 11 de janeiro no Clube Português.

Expectativa
Ainda é cedo para criar o pânico nas ruas do País, mas a informação que vem direto da produção da banda é que os cariocas do Los Hermanos estão programando o retorno das férias para o primeiro semestre do próximo ano. Pouco tempo, para o tamanho alarde que foi criado quando eles anunciaram um possível fim de atividades.

Terminal Guadalupe

guada1.jpg

Banda guerrilheira de Curitiba (PR), o Terminal Guadalupe completa cinco anos com algumas ações que deveriam se transformar em cartilha para o mundo independente. Estão produzindo o projeto TG apresenta, levando bandas de fora para tocar na capital do Paraná, liberaram toda a discografia – três álbuns – para download no Trama Virtual (você pega de graça, eles ganham uma grana) e o novo trabalho “A Marcha dos Invisíveis” ainda foi lançado em pendrive e SMD (formato mais barato, com o disco vendido por R$ 13 com encarte-revista).

Todas essas ações não preenchem metade do ar profético de que a Terminal Guadalupe é uma banda que veio para provocar profundas transformações no pop nacional. Esse mérito recai todo em canções viciantes como “Pernambuco Chorou” e “Cachorro Magro“, que revela a poesia de desilusão política e social do excelente letrista e vocalista Dary Jr. Ruídos da década de 80 fazem fusão cristalina com uma sonoridade mais contemporânea, apontando direções para o que já deveria ser definido com música de nosso tempo. Disponível no www.tramavirtual.com.br/terminal_guadalupe.

guada2.jpg

Com Areia
Além de baixista do Mundo Livre S/A, Areia também investe o tempo livre como compositor e produtor. Entre os shows da banda, ele se ocupa com o disco de Cássio Sette, que ganhou fama nos anos 90 do Recife. Uma prévia desse trabalho vai poder ser conferida em primeira mão no pólo Vigáro Tenório no dia 19. Cassio canta músicas de Ave Sangria, do Mundo Livre e do próprio Aréia.

Agenda
Três programas imperdíveis para o fim de semana, começando na sexta-feira: a maratona-rave com 24h de música erudita, acompanhada por DJs e VJs da Europa, de graça, na programação do 10º Virtuosi no Teatro de Santa Isabel. A primeira oportunidade de conferir o primeiro show do novo disco de Siba, na Torre Malakoff, na programação promovida pela Fundarpe. No mesmo palco / evento, a dobradinha histórica entre Véio Mangaba e a banda Devotos.

Pelvs

pelves.jpg

A cena de bandas independentes do Rio de Janeiro compartilha da mesma síndrome de grandeza que afeta a pernambucana. Se, por um lado, é difícil identificar as bandas de médio porte, pipocam os grandes representantes da cidade. A Pelvs foi formada o começo da década de 90, com fortes influencias da celebrada Teenage Fanclub. Hoje, com quatro discos e vários singles, com músicas cantadas em inglês, são uns dos mais respeitados nomes do indie rock nacional.

Formada hoje por Gustavo Seabra, Rafael Genu, Gordinho, Ricardo Mito, Clinio, Andre Saddy e Daniel Develly, a Pelvs é também o melhor exemplo (para o foco desta coluna) de banda independente. Todas as suas músicas estão disponíveis para baixar no site de seu selo virtual, o Midsummer Madness, incluindo o “Península”, marco a música independente brasileira na virada do milênio. “Backdoor” e “Barbecue”, deste álbum, são os melhores motivos para se ouvir Pelvs.

Vamoz no Texas!
A banda Vamoz!, uma das melhores representantes da nova geração rock de Pernambuco, foi convidada para tocar no respeitadíssimo e super disputado festival South by Southwest, no Texas (EUA), que ano passado recebeu o lendário reencontro dos Stooges. Agora, eles estão atrás de algum apoio para tocar na América do Norte. MQN (GO), Telerama (CE) e Pata de Elefante (RS) são outras brasileiras que receberam o convite.

Giro
Chovem shows no começo de dezembro, para evitar entrar em conflito com a extensa programação gratuita oferecida pela prefeitura. Lobão traz seu acústico MTV para o UK Pub na quinta-feira, enquanto João Bosco lança disco novo no Teatro da UFPE. A histórica Paulo Francis vai pro Céu toca sábado no Quintal do Lima, ao lado da ainda mais histórica Conservados em Formol. Essa é imperdível.