Category: Favoritos

Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju

moveis-01

O Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia, tem um significado quase místico no cenário do novo rock brasileiro. Foi lá que o monstro da cena independente ganhou vida, personaficado na forma dos festivais Goiânia Noise e Bananada; e do selo que lançou quase todas as bandas que ainda importam no país até agora. Hoje, os palcos que ocupam o que antes eram duas caixas d’água da cidade, são uma das silhuetas da própria Abrafin, a Associação Brasileira dos Festivais Independentes. Passear por lá, de noite, é também uma atividade de contemplação.

Enquanto os poucos privilégiados a entrar no local antes de começar o show descansam em uma das mesas de plástico, 11 figuras seguem frenéticas num eterno vai e vem do portão até o palco. Os integrantes da banda Móveis Coloniais de Acaju tinham vivido um dos momentos mais importantes de suas carreiras em menos de 24 horas, mas nem tiveram tempo ainda de processar toda a informação. De um show que foi além do lotado em Brasília, com direito a apoio do governo local, eles tinham lançado o novo disco, C_mpl_te, com a cidade inteira já cantando todas as músicas.

Mas os heróis locais dormiram menos de cinco horas e partiram direto para a capital vizinha de ônibus. Acompanhados pelos Black Drawing Chalks, Macaco Bong e Galinha Preta, a comitiva carregava toda comissão de frente do independente nacional, com direito ao próprio Fabrício Nobre, que nessa hora não era nem vocalista do MQN, nem presidente da Abrafin, mas produtor contratante do show do Móveis.

É muita informação para ser processada em pouco tempo. Cumprimentos de integrantes da já finada Bois de Gerião, da dupla Lucy and the Popsonics, entre outros de toda a cena da capital nacional – e até o Senhor F, Fernando Rosa – passaram quase como um vulto até esse momento. Sem descanso, eles seguem para um lado e para o outro, carregando o equipamento, montando o próprio palco, afinando o próprio show. São 11 músicos e 11 roadies ao mesmo tempo, numa espécie de micro-empresa musical. Facilita, mais também complica. No Habibs mais próximo, o empresário Fabrício Ofuji desenbolsava o montante para alimentar uma frota inteira com dezenas de pizzas e esfihas… e um kibe.

No pique de quem tomou uma injeção de café, eles não demonstram sequer sinal de cansaso. Quando terminaram de montar tudo e de fazer a passagem de som – e devorar as pizzas, claro – foram direto para as mesas para dar essa entrevista. E, dela, sairam direto para o palco já para fazer o show. Quem também participou dessa conversa, além da banda e o empresário Fabrício Ofuji, foi o gente finissima Tiago Agostini, que também estava lá a convite deles, mas com o distintivo da Rolling Stone.

TEVE ALGUM MOMENTO QUE “DEU UM CLIQUE” E A BANDA DEIXOU DE SER UM HOBBY E VOCÊS DECIDIRAM SE DEDICAR COM MAIS SERIEDADE?

ANDRÉ – A banda começou em 98, no dia 10 de outubro. Começamos completamente sem pretensão, algo bastante jovem por conta de referências de bandas da cidade mesmo, como o Bois de Gerião. Mas em 2003, a gente tocou no Brazillian Music Festival…

ESDRAS – … a gente ganhou um concurso para tocar no festival. Ai mudamos nossa lógica de trabalho, procuramos um produtor, etc. Foi um festival grande que teve em Brasília, com Alanis Morrissete e Simply Red. Selecionaram uma banda através de um concurso e ganhamos a parada. Obrigatóriamente a gente teve que virar uma banda que precisou arrumar iluminador, produtor, etc, pelo menos para fingir que era uma banda séria. Porque eles ficavam sempre perguntando ‘cadê o produtor?’ Só falo com o técnido de som de vocês’.

ANDRÉ – O Ofuji tava trabalhando nesse festival na assessorial de imprensa. A gente já se conhecia antes de colégio e tal, mas ai nessa época ele entrou e começou a fazer assessorial também para a banda. E logo depois ele assumiu o posto de produção.
O segundo momento foi o disco Idem. A gente já podia falar de profissionalização e entender a banda não só como uma banda. Porque o disco foi lançado por a gente de forma independente, até chegamos a conversar com alguns selos, mas foi um projeto que a banda acreditou. E ai fizemos o show de lançamento organizado por nós mesmo e percebemos que eramos capaz de produzir shows também.

Daí em 2005 a gente fez o primeiro Móveis Convida. A banda tinha vários potenciais incubados e foi descobrindo isso com essas necessidades. No lançamento do Idem já tinham tres potenciais produtores de eventos como sao hoje em dia, mega experientes. A banda virou um modelo de negócios referencia porque é o lado artístico e burocrático junto.

ESDRAS – O estalo foi um processo. As coisas vão acontecendo, ficando mais interessantes. Sempre é um processo. É um trampo nosso.

BRUNO – A banda foi tocando, demandando mais ensaios e dedicação. E ai veio a necessidade da gente se profissionalizar. Porque isso tava tirando tempo e dinheiro de outras coisas, então pensamos que isso tinha que dar certo. Foi bem natural.

ANDRÉ – Já a parte artistica, o show principalmente, foi um processo. A gente foi descobrindo nossa performance, nossas interações e isso resultou no que a gente é hoje…

ESDRAS – … É, a gente sempre foi muito de inventar moda a cada show. Nesse de 2003 o iluminador inventou de içar o vocalista no meio do show.

ANDRÉ – Uma hora antes de tocar tavam os caras me leventando num palco de mais de 12 metros de altura e eu morro de medo de altura. Morro de medo… Teve show que a gente foi de Branca de Neve e os Sete Anões. A gente entrou com um bolo e eu sai de dentro dele vestido de Marilyn Monroe.

moveis-2

E EM RELAÇÃO A FAMA? TEVE ALGUM MOMENTO QUE VOCÊS CHEGARAM A PENSAR “CARAMBA, TÁ ACONTECENDO. TÁ MAIOR DO QUE A GENTE PREVIU”?

ESDRAS – Tocar no Mada foi muito importante, foi um festival que apostou na gente. A gente encarou como sendo muito bem recebido. Dos anteriores para o Mada teve um salto de posição no festival. Não teve nenhum BUM, FOI AGORA. A gente tava sempre trabalhando todo dia e as coisas foram acontecendo, etc.

E HOJE A BANDA JÁ FUNCIONA COMO UMA EMPRESA. COMO É ESSA DIVISÃO DE VOCÊS, ONDE CADA UM FICA RESPONSÁVEL POR UMA ÁREA?

FÁBIO – A banda é uma empresa, já temos um CNPJ. Foi de nossas conquistas em 2008. É uma banda empreendedora, a diferença é essa. O Móveis reune muito bem o lado artístico e o burocrático. Acho que a gente tem até potencial para virar uma grande empresa.

OFUJI – Tentamos aproveitar que somos uma banda de muitos integrantes. O Gabriel é arquiteto de informação, então ele trabalha no nosso site. O Borém e o André são designers, tem quem trabalha com a parte de finanças, etc.

ANDRÉ – Isso tambem foi um processo natural de organização. Porque é muita gente, se a gente nao conseguisse de organizar seria um problema. Tem bandas de quarto pessoas que nao conseguem ensaiar! A gente tem vários amigos que perguntam como a gente dá conta dos ensaios. Na época que isso era um hobby apenas, era um problema.

ESDRAS – No final das contas, todo mundo bota a mão na massa. A gente nao faz porque somos mega-não-sei-o-que, mas porque somos muitas pessoas e a gente quer tocar. Se a gente nao fizer isso a gente nao toca.

VOCÊS COMEÇARAM GRAVANDO AO VIVO, DEPOIS MUDARAM PARA UM PROCESSO DENTRO DO ESTÚDIO. QUAIS FORAM OS PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DESSAS DUAS EXPERIÊNCIA?

BORÉM – O Miranda falou que não tendo vídeo, nao sabia se justifica fazer uma produção ao vivo. Que não compensaria apenas por ser uma produção mais simples…

ANDRÉ – Mas ai a gente falou “pô, vamos fazer ao vivo e vamos fazer o discão!”

BRUNO – A vantagem disso é que o disco foi muito bem gravado. Pegamos os melhores microfones, a melhor pele de bateria, melhor estúdio, melhor tudo. O projeto era bem mais simples, mas era bem mais barato. Depois virou um processo mais caro, mas também bem mais trabalhado. Tenho certeza que valeu a pena. Essa estratégia de lançar as músicas antes, ao vivo, valeu muito a pena por que a gente acabou ganhando outro produto.

BORÉM – Falando da sonoridade, eu acho que é uma mudança muito drástica do que a banda era no Idem e do que é o Móveis ao vivo. O novo está muito bem produzido, com muito efeitos em vozes, guitarras, etc. É um disco composto e arranjado pelo Móveis, mas com o olhar de um produtor. Uma proposta artística. Estamos lançando um produto que é uma cara do Móveis, enquanto nosso show é outra, por exemplo.

ESDRAS – O Idem, que foi produzido pelo Rafael Ramos, representa um retrato de seis anos da banda. Sem muita produção até então. Naquela época já entramos no estúdio na hora de gravar. Foi legal pra caramba, mas com o Miranda a gente passou quase um ano trabalhando nesse disco. Até chegar o final demorou muito. E o resultado é o Móveis fazendo canções e com nossa cara. Isso era algo que ele sempre falava, que a gente tinha que trabalhar a cara da gente.

ANDRÉ – O Miranda trouxe foco para a banda. Deu um norte pra gente seguir. Ele deu 40gb de música pra gente ouvir antes de começar o processo. E sempre foi muito aberto, falando que a gente precisava fortalecer a identidade da banda e criar um album com unidade e com uma cara própria.

ESDRAS – No primeiro encontro ele já sacou como ele queria a cara do disco. Nós já tinhamos umas musicas prontas e pensavamos que o repertório sairia dali e já começariamos a gravar já no mês seguinte. E ai de cara o Miranda chegou e só destacou cinco, que nem eram as que a gente mais gostava, nem as que estavam mais prontas. Eram as versões mais toscas. Eram músicas muito ruins. E a gente só tinha mostrado porque o Miranda tava vindo para brasília e a gente precisava mostrar trabalho e falamos “ó, vamo dá um migué aqui nele e tal, pegamos uma músicas para parecer mais”. Ai qdo ele ouviu, pirou nelas e só falava “vei, essa é uma das melhores”. Tinha música que a gente tinha tocado ao vivo e já considerava como nossa e ele falou “essa é muito ruim” e acabaram saindo.

moveis-4

COMO FOI ESSE MOMENTO DE MOSTRAR AS MÚSICAS PARA O MIRANDA, COM ELE DIZENDO QUE NÃO CURTIU?

ESDRAS – Foi “engole o choro! a gente chamou ele para isso!”

ANDRÉ – É, a gente viu duas opções. Ou não trabalha com ele, ou confiávamos no que ele estava falando. Não dá para ficar batendo de frente, também. Tem que deixar ele fazer o trabalho dele, afinal esse disco é também um disco dele.

ESDRAS – …do mesmo jeito que ele dava total liberdade para a banda, em certas músicas ele era bem sincero. Falava “vei, eu nao sei tocar nada. Nao sei como você deve fazer acorde, nao vou falar de arranjo. Eu vou falar ‘tá bom’ ou ‘tá ruim’. E vou te mostrar como pode ficar bom”.

Tinha música que ele reconstruia toda, botava introdução no meio, mandava uma parte com sopro. Algumas horas a gente ficava confuso. No final tinhamos 10 músicas, estavamos terminando uma e faltava fazer outra. Dai ele foi embora, marcou os estúdios e etc, e fizemos a música da noite para o dia. Chamavamos ela internamente de “12″. É a última do disco.

E NO MEIO DESSE PROCESSO A BANDA FOI FICANDO CADA VEZ MAIS FALADA E MAIS VISTA, TOCANDO EM TODOS OS PRINCIPAIS FESTIVAIS DO PAÍS. CHEGARAM A RECEBER PROPOSTA DE GRAVADORAS?

BORÉM – A gente chegou a receber uma proposta em 2007. Mas conversar com todos, desde major a selos. Mas nenhuma tinha muito sentido, nem pra gente, nem para a gravadora.

ESDRAS – Mas na Trama a gente muita liberdade, porque já tinhamos colocado o Idem para baixar lá. O lance foi liberdade mesmo. A gente falou que queria fazer um vídeo de cada música e colocar na internet antes de lançar o disco, eles falaram “massa!”. Deram incentivo para todas as nossas idéias. Inclusive para nossa idéia de disponibilizar na internet e vender barato depois.

OUTRA COISA QUE FOI FICANDO MARCANTE FOI O FORTE APELO VISUAL DOS SHOWS. ISSO CHEGOU A PESAR QUANDO COMEÇARAM A PENSAR COMO SERIA ESSE NOVO DISCO?

ESDRAS – Pensamos em fazer uma coisa separada mesmo. Esse é o disco, o show é outra coisa. Vamos criando e variando as músicas com o tempo.

BRUNO – Teve um processo muito importante que foi o da arte do disco. Coordenado pelo Borém, Renato e André, mas que teve a participação de todo mundo. A gente fez uma oficina de dois dias, cortando fotografia, parecia aula de educação artística. E dali eles tiraram alguma coisa. O conceito do “Complete” também está presente ai. A partir dessa arte a gente também está pensando no show. Já tem alguns elementos de cenário, de figurino. A gente tá testando esses elementos, vendo o que funciona. É espontaneo mesmo…

BORÉM – Acho que o visual vem a reboque da música. A música é o mais importante. Pensamos como vamos tocar a música, como vamos nos relacionar quando tocamos a música. E ai entra a relação com o público. Eu acho que visual não tem como não ser, principalmente pelo número de cabeças que tem no palco. É uma coisa visualmente forte, é uma multidão. Somos uma banda que tem um nome for a de lugar, um humor meio ácido também. O caso visual era botar alguma coisa que de certa maneira está fora de seu lugar, como as lixeiras como abajur, no nosso palco atual.

NOS VÍDEOS QUE ANTECEDIAM O DISCO, DAVA PARA VER A BANDA EM UM PROCESSO MATEMÁTICO, ESTRUTURANDO A MÚSICA NO QUADRO. AQUILO ERA SÉRIO MESMO OU SÓ TIRAÇÃO DE ONDA?

TODOS – Era sério mesmo!

ESDRAS – Tinha horas que o Miranda nao estava no estúdio. Falava “vou ali comprar uma coca e umas revistas”. Quando isso acontece, entravamos naquela lá. Falavamos “vamo repetir essa trecho aqui nessa outra parte!”…

ANDRÉ -  … só que a parte que repetia mudava o lado, indo para outro tom, então não encaixava. Então ficávamos lá construindo a estrutura da música.

BORÉM – Quando aconteciam essas discussões o Miranda falava “bah! nao sei porque vocês tão discutindo isso, sou eu que decido no final”. No final daquele vídeo, a proposta do André é exatamente a mesma com que começamos a discussão. Ele teve a mesma idéia com que a gente começou tudo.

ESDRAS – Na banda nem todo mundo sabe harmonia, nem sabe escrever melodia, nem todo mundo sabe escrever letras. Então a gente botou um quadro no estúdio para cada um ir escrevendo suas idéias.

Nessa hora do papo, um dos integrantes chegou puxando os outros. “Já é o show da Galinha Preta! As músicas são curtas, termina rápido”. Nessa, Esdras já levanta da mesa falando “tem problema não, a gente chega lá no palco e toca!”.

moveis-3

Calendário dos festivais independentes de 2009

festival-01

Para quem já quiser ir se programando, em 2009 tem festival em todo o Brasil, com uma penca de bandas para assistir. Eu já estou fazendo meu mapa de possíveis coberturas – que esse ano será bem menor, se não arrumar um apoio – em todas as cidades que quero passar, conhecer as cenas locais e me divertir horrores nos shows. As datas são do calendário oficial da Abrafin, com algumas inclusões por fora:

JANEIRO

Humaitá Pra Peixe – Rio de Janeiro | RJ
09 a 31 de Janeiro


FEVEREIRO

Psycho Carnival - Curitiba | PR
19 a 24 de Fevereiro

Recbeat – Recife | PE
21 a 24 de Fevereiro


MARÇO

Grito Rock América do Sul – 50 Cidades
20 de Fevereiro a 10 de Março


ABRIL

Abril Pro Rock – Recife | PE
17 e 18 de Abril

6º Tendencies Rock Festival - Palmas  | TO
23 a 25 de Abril

5º PMW Rock Festival - Palmas | TO
28 de Abril a 01 de Maio

9° Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe – Belo Horizonte | MG
09 a 11 de Abril


MAIO

Festival Casarão - Porto Velho | RO
30 de Abril a 02 de Maio

SEMUS – Semana da Musica de Mato Grosso – Cuiabá | MT
Maio de 2009

Eletronika – Festival de Novas Tendências Musicais - Belo Horizonte  | MG
07 a 10 de Maio

Festival Bananada – Goiânia | GO
22 a 24 de Maio


JULHO

BoomBahia - Salvador | BA
10 a 12 de Julho


AGOSTO

MADA - Natal | RN
Agosto de 2009

Porão do Rock – Brasília | DF
14 e 15 de Agosto

Ponto CE - Fortaleza | CE
14 e 15 de Agosto

VII Festival Calango de Artes Integradas – Cuiabá | MT
18 a 23 de Agosto

Feira da Música – Fortaleza | CE
19 a 22 de Agosto


SETEMBRO

No Ar: Coquetel Molotov - Recife | PE
Sem data oficial

Goiaba Rock – Inhumas | GO
05 e 06 de Setembro

MIMO – Mostra Internacional de Musica - Olinda | PE
06 a 12 de Setembro

Jambolada - Uberlândia | MG
10 a 13 de Setembro

Vaca Amarela - Goiânia | GO
18 e 19 de Setembro

Festival Varadouro – Rio Branco | AC
25 a 27 de Setembro


OUTUBRO

Festival Mundo – João Pessoa | PB
Segunda semana de outubro

Festival Demo Sul - Londrina | PR
09,16,17 de Outubro


NOVEMBRO

Festival DoSol - Natal | RN
07, 08, 11,12 e 13 de Novembro

Mix Music – São Paulo | SP
13 a 15 de Novembro

Consciência Hip Hop - Cuiabá | MT
13 a 15 de Novembro

GIG Rock - Porto Alegre | RS
14 e 15 de Novembro

El Mapa de Todos – Musica, Integração e Cultura Digital - Brasília | DF
21 e 22 de Novembro

Goiânia Noise Festival – Goiânia | GO
27 a 29 de Novembro


DEZEMBRO

Festival Evidente – Rio de Janeiro | RJ
11 e 12 de Dezembro

Tem mais informações sobre cada um dos princiais festivais do ano na seção Festivais aqui do blog. E esse post vai ficar linkado lá ao longo do ano inteiro para quem quiser conferir as datas… que serão atualizadas também quando sair divulgação oficial de cada evento.

E você, vai para quais?

Entrevista: Mallu Magalhães

Mallu Magalhães é um dos mais divertidos acidentes que já aconteceu na música pop. Acidente porque chegou ao complicado prestigio de hype ao preencher a enorme carência de um público que, perto do fim da primeira década do milênio, não tinha mais novos ídolos na música nacional. Um buraco deixado por bandas como Los Hermanos e codificado em comportamento a partir de filmes como Juno. E que chega ao ápice agora que ela lança finalmente o primeiro disco, que leva o nome dela como título.

Essa carência se manifesta em dois públicos. Aquele que acha o máximo recitar as referências que ela faz a Bob Dylan e Johnny Cash, e aqueles que sentem prazer em condenar o simples fato de ela ter referências aos 16 anos. Faz lembrar até outros acidentes do pop, como o trio norte-americano Hanson, que também tinha uma música sem letra, Mmmbop, que grudava feito chiclete igual a Tchubaruba.

Mallu não se importa com isso. Completamente consciente do momento que está vivendo, a suspeita de que ela brinca com a própria idade é intrigante. Vai de respostas sérias a outras totalmente sem sentido quando parece que quer apenas despistar a entrevista. Como quando é perguntada sobre o que acha de, ao viajar, conhecer pessoas que se identificam com Tchubaruba; e ela responde que “além de conhecer a loucura dos aeroportos, conhecer novos olhos não tem preço”.

“Acho que a graça é não se importar com isso, sabe?, diz Mallu. “Tocar para quem quiser ouvir, seja de 10 ou 80 anos, de onde for, tanto faz”. Nessa hora, que a maturidade parece tomar de volta o rumo da conversa, ela chega a dar aula aos mais ansiosos por explicações e fecha com “música é assim”. E, assim, ela passa pelo palco de um festival médio como o Bananada, em Goiânia, ao Coquetel Molotov no Recife e o gigante Planeta Terra, em São Paulo.

Mas Mallu Magalhães ainda não aproveita esse circuito da mesma forma que as outras bandas e produtores que o integram. Sempre super protegida, ela chega na hora do show e sai logo depois. Sempre acompanhada pelo pai, ela ainda se comporta como alguém que não está perdendo muita coisa nessa programação. “Tem um pessoal fazendo musica de verdade. mas tem também muita gente fazendo a mesma coisa”. E antes de cair na responsabilidade da afirmação, regrede um pouco o diálogo para completar a frase. “Mas foi sempre assim, não é mesmo? Em todos os lugares, décadas… o legal é que temos muitos estilos… afinal, somos o Brasil.”

Nesse processo Fast Forward, o primeiro disco já chega com quase todas as músicas conhecidas pelo público. A diferença é que aqueles shows para quase ninguém em clubs de São Paulo – onde conheceria pessoalmente o então ex-namorado Hélio Flanders, do Vanguart – deram espaço para uma estrutura que, mesmo no meio independente, é gigante. Com assessoria, produção executiva, artística, segurança e até o patrocínio da Vivo, que vai distribuir o disco nos celulares de seus clientes. “É tudo bem natural, parte da mesma arte”, reflete Mallu. “Tudo está ali para complementar”.

“Eu tento sempre construir o mais verdadeiro e descobridor de mim mesma o possível”, arrisca a cantora. Em outras entrevistas que deu, ela sempre tem o cuidado de deixar respostas sobre a carreira na voz do empresário. Por isso, qualquer questão sobre como opera essa estrutura, ela deixa a cargo do produtor Rossato. O que esperamos sinceramente que mude, já que sua ex-banda, o Bidê ou Balde, não é exatamente um sinônimo de sucesso da música nacional. “Tenho uns planos de projetos paralelos. Mais discos, shows! viagens! desenhos!”, se empolga, como quem sabe que vislumbra um caminho complicado. “”O impossível assim vem também. As mais destemidas descobertas e abraços”

Mallu Magalhães oficializa sua carreira como parte de uma grife. Todas as músicas foram produzidas por Mário Caldato Jr., que já trabalho com grandes nacionais como Nação Zumbi, a pequenas lendas do lado de lá, como Beastie Boys e Beck. Ela chama ele de Marioca. “Antes de gravar, não sabia direito a função de um produtor, mas ficou evidente no estúdio”, conta. “Milhares eram as vezes que eu não sabia o que faltava e o Marioca ajustava um timbre, mudava de sala, colocava um efeito”.

E ela ainda encontra espaço para romantizar o processo técnico, dizendo que “as mesas antigas, os rolos de fita, o som dos chiados, todos foram escolhidos pela arte da intuição”. Arte que ainda não conseguiu dar a pegada certa ao principal porém de Mallu hoje nos palcos, que é a falta de entrosamento com uma banda de integrantes muito mais velhos. “Quando escrevo as músicas, tento passar para eles uma atmosfera quem vem do meu dentro. Eu bem que toco uns instrumentos, mas meus meninos são essenciais para caracterizar cada ponto”, explica a cantora.


Na faixa – Jimmi Hendrix era mais novo que Mallu quando começou a tocar, assim como Angus Young, ao fundar o AC/DC. Pouca idade, na música pop, está longe de ser um mérito. Mas o disco de Mallu já chega com a informação que foi gravado durante as férias, apenas para carimbar mais uma vez que ela tem apenas 16 anos. Algo que acrescenta pouco ao que se escuta faixa a faixa. E também chega caro, numa total falta de diálogo com o público com quem ela pode se comunicar.

“Compro cds sempre que dá, mas é caro”, concorda Mallu. “Eu fico esperando, escolhendo bem, até que vou e compro. Adoro ganhar cds. Para mim é o melhor presente; um cd bem pensado. Baixar, uma ou duas do mesmo cd, se gosto, vou pesquisar na net e depois nas lojas”, conclui.

Sua parcela conhecida, com as músicas Tchubaruba e Vanguart mostram mesmo uma cantora acima da média. Mas, nas novas, o folk de cidade grande parece pouco convincente. Tanto em Angelina quanto em Noil, a sensação é de que os ouvidos pedem uma Mallu ainda mais menina, ao contrário dos sinais que ela dá maturidade. O equilíbrio fica em Don’t Look Back, que ainda assim passa longe da tarefa de salvar o repertório.

Em tempo. Essa entrevista foi feita antes dela oficializar o namoro com Marcelo Camelo. E, antes que você pergunte porque não toquei no assunto, na boa, é porque essa bobagem não faz a menor diferença. Pelo menos por enquanto.

Economia solidária da música

Quando um grupo de amigos decide montar uma banda, ensaiar, gravar um EP e, quem sabe, arriscar alguns shows, quase sempre não faz idéia de quanta gente está envolvida em todo esse processo. Do vendedor de instrumentos ao dono do estúdio, passando pelo produtor da casa de show e o próprio público, todos estão em uma mesma cadeia produtiva. E todos estão sempre com um mesmo problema em comum: a falta de dinheiro.

Ao perceber que tantas pessoas estavam conectadas, um grupo de bandas independentes do Cuiabá, em Mato Grosso, decidiu montar um sistema de cooperativa inspirado em modelos de economia solidária. “Hoje em dia até para ser egoísta você tem que pensar coletivamente”, brinca Pablo Capilé, a frente do Espaço Cubo. Formado em 2002, a idéia inicial deles era viabilizar um circuito onde os grupos podiam se apresentar ao longo do ano inteiro.

“Eu troquei um carro em um estúdio e passamos a convidar algumas bandas para ensaiar lá”, lembra Capilé de como foi o começo de tudo. Nesses encontros, ele começou a conversar sobre política pública com as bandas locais. “O que era uma secretaria municipal, o que é um conselho”, conta. De lá, eles montaram mais duas frentes. A Cubo Eventos, para organizar shows, e a Cubo Comunicação, para dialogar com a mídia.

Para viabilizar isso, eles criaram uma moeda própria, o Cubo Card. “As bandas se apresentam e recebem um número X de card para utilizar uma série de serviços”, explica Pablo Capilé. “Elas usam para ensaiar; alugar nossa casa de shows, fazer eventos e ficar com a bilheteria; pagam a segurança com card, alugam o som”, lista. Hoje, eles articularam ainda mais usos para a moeda. “Já tem plano de saúde com card, curso de inglês, alimentação em restaurante, compra de roupa e locação de dvd com card”.

Essa estrutura deu base para lançar duas das principais bandas do circuito independente hoje no país. Vanguart e Macaco Bong são presenças confirmadas na programação de qualquer festival, enquanto a primeira já começa a alçar vôos maiores ao assinar com a gigante Universal. “Aqui em Cuiabá, quando as bandas começam já passam a formar coletivos”, diz Pablo Capilé. “Cada integrante vai fazer parte de uma comissão, seja de eventos, sonorização e comunicação, para a banda aprender a se auto-gerir”.

A espinha dorsal dessa articulação é o Festival Calango, um dos principais do circuito independente do país. “Quando os eventos vão agregando um valor maior, você consegue trazer o investimento da iniciativa privada. Não em dinheiro, mas em produtos”, explica o produtor. “No festival, gastamos quase R$ 15 mil em alimentação no restaurante e, em contra partida, ele passa a fazer parte de nosso sistema financeiro”.

Pablo Capilé, que estará em Salvador, na próxima quinta-feira (13), durante o Fórum de Música, Mercado e Tecnologia, para falar sobre cooperativismo na música, encerra explicando que “essas iniciativas fez surgirem mais bandas e, consequentemente, fez esse mercado girar. Com o tempo, as próprias empresas passaram a investir mais em produto e em espécie na cena de Cuiabá”, uma lógica de mercado que ele acredita ser ainda mais viável no Nordeste.

* Publicado originalmente no Caderno Dez! no jornal A Tarde

Entrevista: Eduardo Ramos

Eduardo Ramos é melhor conhecido como o ex-empresário do Cansei de Ser Sexy. O cara que foi com a banda para os Estados Unidos e catou na unha show por show até que acontecesse a história como nós a conhecemos. Inclusive as confusões depois, entre constante troca de acusações e processos judiciais envolvendo também a gravadora Trama. Esse texto não vai perder nenhuma linha alem dessas sobre o assunto. A entrevista abaixo é a sequência do post anterior “Independência, parte dois” sobre o novo projeto dele como produtor.

- Primeiro, a inevitável: qual o destino da Slag Records? Você falou que está se juntando com a Amplitude, mas existe algo mais concreto? Ainda tem artistas ligados ao selo? Vão virar um selo só? Vão virar o Day One dos independentes? :)

De concreto só o chão da estrada, porque é ali que está o futuro. Nós não sabemos nem como definir o que é um selo… antes era uma “coisa” que lançava discos, mas por que ter um selo se é só colocar as músicas on-line atualmente? Este “algo mais” foi o que sempre faltou no mercado independente brasileiro… e hoje categoricamente não falamos em discos (no conceito antigo de prensar 1000 discos e fazer distribuição). Não vamos virar uma coisa só porque as propostas artísticas dos dois selos são absurdamente opostas. Não vamos virar nada mega… somos 4 pessoas em uma sala pequena, cheia de discos, livros e idéias e é assim que vai continuar. Selo no sentido de lançar disco… não tão cedo. Banda para ter disco lançado tem que fazer 60 shows por ano, então invertemos a equação, vamos fazer 60 shows por ano e dai ver o que acontece… e não necessariamente trabalhando só com as bandas do selo (como o Macaco Bong que é da Monstro). Ninguém sabe o que está acontecendo no mercado independente e deste caos queremos achar algo!

- No release de vocês tem um buraco enorme entre “ligações para casas sem a menor idéia” e *bum* 40 shows marcados. Como foi que vocês conseguiram montar esse circuito efetivamente?

Trabalhando absurdamente, tentando convencer gente que não tem a menor idéia do que estamos falando. Desde março estamos formatando esta idéia… são 6 meses de trabalho!

- São Paulo é uma região urbana muito atípica, comparada ao Brasil, para formatar um projeto desses. Me parece ser bem mais fácil – porque ninguém vai encontrar uma cidade como Bauru no interior de Pernambuco, por exemplo – … vocês pensam em exportar essa idéia para outras capitais? Ou o circuito já é esse mesmo, fechado?

A idéia é criar um circuito nacional. Para isso existe uma comunicação e uma coordenação com outras cenas. Começar em São Paulo foi uma necessidade, pelos motivos já citados e porque é fácil para pegar um carro e atravessar o estado em 6 horas no máximo. Mas, por exemplo, existe uma coordenação acontecendo com o Foca (do DoSol) em tours futuras para fazer uma perna no nordeste. Ele adorou a idéia e é possível realizar pelo menos mais 10 datas coordenadas. O Fabrício (Nobre da Monstro) vive me falando que dá para armar uma perna com Uberlândia/Uberaba/Goiânia/Brasília. Na verdade em Minas Gerais está rolando uma movimentação parecida. Se você adicionar o Sul… estamos falando de muitas cidades, estamos falando de um circuito de 90 shows, ou seja, pela primeira vez estamos falando de uma tour de verdade pelo Brasil, que vai sustentar uma banda independente e dai sim, justificar um disco sendo distribuido nacionalmente. Até agora, vou ser sincero… distribuição nacional é uma piada, porque não existe nada nacional.
Assim como nos EUA, ninguém toca no interior do Colorado… assim como vai ser muito complicado ir tocar no interior de Pernambuco, mas é uma piada uma tour passar pelo nordeste e não tocar nas capitais. É isso que buscamos com este projeto.

- Sendo esse o caso… como pensar primeiro no problema das capitais? São Paulo foge totalmente a regra pela dimensão urbana, mas em outros casos, seria pensar “tocamos nos EUA, mas ainda não fomos a Caruaru”. Quando na verdade as bandas não estão tocando nem no Recife…. Traduzindo melhor o que quero falar: você não acha que falta muita profissionalização nos centros, para começa a pensar já nas periferias?

Falta tudo Bruno… as bandas precisam mudar para começar. Precisa acabar esta postura de “banda de final de semana”… Eu não quero me envolver com isso, não estamos montando este projeto para este tipo de banda. Eu quero uma banda que vira e fale: isto é a minha vida! Porque este projeto é a nossa vida!!! Eu adoraria ser público e usufruir (como selo) disto tudo, mas novamente, se não colocamos a cara para bater, ninguém coloca. E este que é o problema! Hoje eu recebi umas 30 ligações de bandas (algumas até relativamente estabelecidas) falando que querem tocar no interior! Porque os tais “produtores” deles (atuais ou do passado) não fizeram isso antes? Porque as bandas não pegaram o telefone e fizeram isso? Porque não existe planejamento! A maioria das bandas são uma piada ambulante… ficam felizes de lançar um CD e mostrar para a namorada/família e eventualmente aparecer em uma matéria na Rolling Stone! Isso não existe… nem aqui e em nenhum lugar do mundo, apesar que este marasmo das bandas é algo universal, não é problema só daqui não. No Reino Unido acontece direto, nos EUA acontece direto. Odeio quando alguém vem e fala que as estradas brasileiras são uma merda, isso é desculpa de perdedor.

- A maior crítica que é feita hoje aos festivais independentes são as “ajuda de custo”. Quem entrar nesse circuito ai vai ganhar por show? Como vão ser os cachês?

Me responde uma coisa: quando o Black Flag começou a fazer tours em 1981, eles pediram ajuda de custo para quem? Os EUA em 1981 eram uma piada, 1000 vezes pior do que o Brasil hoje, então qual a desculpa que alguém vai inventar agora? O circuito independente americano foi formado de uma maneira simples: eu preciso ganhar o dinheiro para ir para outra cidade. Este é o cachê! O cachê é a mesma bilheteria que a merda do Foals ganhou por um ano e meio antes de assinar com a Transgressive, o mesmo cachê que o Animal Collective ganhou antes do Sung Tongs… então mais uma vez, eu só escuto desculpas das bandas! Por isso que tem que ser 8 ou 80! Por isso que no meio das tours quando os caras do Butthole Surfers passando fome e frio se perguntavam: POR QUE? Eles respondiam: porque eu prefiro isso do que ficar trabalhando em um banco das 9 as 6!

- Essa é mais pré-conceituosa… Porque você acha que o interior do Brasil está culturalmente pronto para isso? Talvez isso esteja mais ligado a essa minha dúvida inicial sobre montar esse circuito. Quer dizer… o dono de um bar em uma cidade menor toparia pagar um cachê razoável para uma banda instrumental de Fortaleza com músicas que duram quase sete minutos?

Qualquer cidade do interior tem um bar de rock, qualquer cidade do interior tem 200 pessoas que escutam rock da maneira mais genérica possível… estas pessoas vão assistir o show do Fóssil e falar “TOCA RAUL”, da mesma maneira que na gringa gritavam “TOCA STONES”. Destes 200, 20 vão gostar… da próxima vez 40… e por ai vai. Não tem que ficar pedindo cachê, 40 latas de cerveja ou comida… tem que ir e tocar, parar de frescura. Frescura é coisa de classe média, tocar e ter hotel garantido, som garantido… NÃO EXISTEM GARANTIAS NA VIDA! Eu respeito quem faz isso, mas não é este tipo de banda que eu trabalho/vou trabalhar e não são bandas assim que vão fazer parte deste circuito.

- Como vai ser feita essa logística on the road? Nos EUA as bandas alugam vans – se não me engano, o Debate fez isso também – ou micro-ônibus. Isso vai ser uma estrutura pronta dessa empreitada de vocês ou vai ser um gasto de cada turnê?

Existem problemas no Brasil obviamente. Para dirigir uma van legal, você precisa ter uma carteira especial… então por mais que uma van usada custe uma grana, tem este lance da carteira… é um saco, estamos esbarrando nisso. Mas qualquer um pode pegar um carro e sair tocando… é esta idéia. Obviamente este esquema é complicado para fazer uma tour do Móveis Coloniais por exemplo, por sorte as bandas que vamos trabalhar tem um tamanho mais “normal”… e estamos alugando carros para realizar as tours… mas já pensamos em comprar uma van para as próximas tours… em tentar criar uma estrutura melhor. Mas lembrando que até agora tudo está sendo feito com nosso próprio dinheiro.

- Vai existir alguma integração no sentido inverso? Essas casas que vocês fecharam certamente tem muito pouca a nenhuma ligação ao modus operandi do independente brasileiro. Vocês pretendem abrir esse canal? Abrindo myspaces ou orkuts das casas?

Abrir o canal? Você diz abrir a informação? Claro… eu quero mais é que mais pessoas façam o mesmo que estamos fazendo. Quem precisar de qualquer informação me liga que eu explico. Estou de saco cheio de gente que não circula informação.

- Qual o propósito disso tudo? Fazer muito show para ficar mais conhecido? Ganhar dinheiro fazendo show? Vender discos nas cidades do interior? A idéia de um circuito com 90 shows é bem interessante, mas o que acontece com a banda depois disso?

O objetivo é ter um circuito independente que se auto sustenta… isso tem a ver com discos, shows, camisetas, downloads, empresas pagando a conta… é fazer existir um circuito, não ACHAR que existe algo. O que acontece com a banda depois de fazer 90 shows? Descansa por alguns dias, grava um disco novo e começa tudo novamente, tenta fazer algo lá fora… isso que é a vida de uma banda. Nada de banda de fim de semana ou turismo musical.

- Conectando com a pergunta anterior – e encerrando – qual a vida útil de um circuito como esse? Ou, me repetindo nas perguntas, existem novos trechos por vir para as bandas cairem na estrada?
Vida útil? Cara… isso tem que rolar para sempre. É um absurdo isso já não existir… tem que abrir mais cidades, mostrar para as pessoas que existe público(e existe), fazer cidades menores entrarem no esquema. Eu estava conversando com o Nobre estes dias e falei: cara a 10 anos atrás se alguém falasse para você que iria ter um show do Vaselines e do Black Lips em Goiânia, você acreditaria? Eu não! Agora – pelo amor de Deus – Goiânia fica no meio do nada e tem público, como em São Carlos não tem?