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	<title>Pop up! &#187; Reportagens</title>
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		<title>Recife Summer Soul – Cobertura</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Jan 2011 18:17:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Amy Winehouse]]></category>
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		<description><![CDATA[Teve um tempo que eu bocejei forte para aquele papo datado de que música, assim como toda forma moderna de expressar alguma arte, entrou em um abismo de repetição e reprodução. Um loop infinito de mais do mesmo. Mas aos poucos eu começo a perceber que a cumplicidade do público vai além da domesticação feita [...]]]></description>
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<figure id="attachment_3109" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-3109" title="mayer" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2011/01/mayer.jpg" alt="" width="500" height="333" /><figcaption class="wp-caption-text">Mãozinhas para cima para Mayer. Foto de Dudu Schnaider</figcaption></figure>
<p>Teve um tempo que eu bocejei forte para aquele papo datado de que música, assim como toda forma moderna de expressar alguma arte, entrou em um abismo de repetição e reprodução. Um loop infinito de mais do mesmo. Mas aos poucos eu começo a perceber que a cumplicidade do público vai além da domesticação feita pela padronização imposta por rádios e gravadoras. O público quer se sentir seguro, muito mais do que impressionado pelo artista. E é isso o que explica dois fenômenos interessantes na apresentação de Amy Winehouse no Recife na quinta-feira 13. O público não a queria ver cantar, mas sim &#8220;beber, cair e levantar&#8221;. E a imprensa em geral, formada por gente que também é público, ansiava tanto por isso que até noticiou um tropeço como sendo um &#8220;tombo&#8221;.</p>
<p>Essa expectativa em ver algo se repetir &#8211; Amy tropeçar, Janelle Monae dançar igual ao clipe e Mayer Howthorne &#8220;ser fofo&#8221; &#8211; garante que o mais do mesmo deu ao público o que eles precisavam para uma ótima noite. É o que explica, por exemplo, o desagrado do público em outras praças pela apresentação de Winehouse, que subiu no palco e só cantou, sem tropeçar ou errar. Uma conjunção que daria o argumento perfeito ao mais chato ouvinte de Bach de que &#8220;nada disso é música&#8221;. Mas é. Música que emociona mais pela teatralidade que pelas próprias canções, mas que cumpre suas centenas de funções que vão de combustão a escapismo social.</p>
<p>No entanto, isso tudo justifica muito bem algo que parecia até então incompreensível: a escolha do Brasil para o retorno da cantora dois anos após ela dizer &#8220;yes, yes, yes&#8221; para o &#8220;Rehab&#8221;. É um público carente de presença de ídolos tão novos ao ponto de fazer vista grossa ao show tenebroso que Amy apresentou. Assim como uma mídia carente de participar dos escândalos do alto escalão do pop mundial. Mayer estava lindo, Amy tropeçou, logo, foi uma ótima noite. Se fosse em qualquer contexto mais crítico, carreiras poderiam ter afundado de vez, como aconteceu com Britney. Capaz de, após esse &#8220;test-drive&#8221;, a cantora britânica decidir aguardar um pouco mais para dar ritmo a carreira. Afinal, toda a experiência musical da noite foi bem dispensável.</p>
<p>A exceção maior a tudo isso foi Mayer Howthorne. Indiferente aos gritos de &#8220;lindo&#8221;, pode ser considerado como salvação da noite. Sua música repleta de referências ao pop negro da Motown e sua banda que lembrava até os integrantes do Outkast merecia um tratamento mais refinado. Entre &#8220;Your easy lovin&#8217; ain&#8217;t pleasing nothing&#8221; e &#8220;Just Ain&#8217;t Gonna Work Out&#8221;, ele fez um show curto, justificado pelo fato de que ele tem apenas um disco. Poderia ser em um teatro ou espaço menor, celebrando a própria cultura que ele faz homenagem nas músicas, lembrando um grande baile. Mas não foi dessa vez. É torcer que ele volte ao Brasil de forma mais merecedora.</p>
<p><strong>RETROCESSO &#8211; </strong>Em uma indústria de shows que é amaldiçoada pelo fantasma da &#8220;meia entrada&#8221;, a tal &#8220;Pista VIP&#8221; &#8211; solução encontrada para compensar o prejuízo &#8211; parece assolar o público tanto quanto a tal carteirinha preocupa os produtores. É lamentável a opção da Raio Lazer em repetir essa prática nos eventos que promove no Recife (assim como fizeram com Iron Maiden e Black Eyed Peas). Dessa vez, o espaço entre o público &#8220;VIP&#8221; e aquele que realmente sabia cantar, curtia, queria dançar e ver os músicos de perto era assustador de tão longe. Com direito até a protesto de Mayer Howthorne no microfone, que pediu &#8220;mande esse pessoal aqui dá frente para trás do salão e deixem aquelas pessoas que estão dançando lá atrás chegarem aqui perto&#8221;.</p>
<p>A prática só escancara uma relação muito mais comercial e triste com a música que é prejudicial a todos. Do lado de fora isso ficava ainda mais evidente: os cambistas vendiam ingresso para &#8220;Front Stage&#8221; por R$ 150 (metade do valor cobrado na bilheteria). Perguntei a dois deles porque esse prejuizo e a surpresa da resposta foi que &#8220;não tem prejuízo, [mostrando o ingresso] tá vendo? É tudo cortesia, que o povo que ganha vem aqui e vende para nós&#8221;. Ou seja, criam uma área preferencial para um público que vai apenas para aparecer em <a href="http://jc3.uol.com.br/blogs/blogsocial1/canais/navibe/2011/01/14/quem_curtiu_amy_parte_1_89164.php" target="_blank">coluna</a> <a href="http://jc3.uol.com.br/blogs/blogsocial1/canais/navibe/2011/01/14/quem_curtiu_amy_parte_2_89166.php" target="_blank">social</a>, totalmente desinteressado por música e pelas atrações, que ainda se presta a ir lá vender o convite.</p>
<p>Enquanto isso, na pista comum, era praticamente inviável assistir qualquer coisa do show se não fosse pelo auxílio dos telões. Teve até quem desistisse. Um casal, que seguia caminho oposto a da fila para entrar no show, não deixou de expressar o descontentamento. &#8220;Paguei R$ 200 para vir aqui, não é um preço barato. Mesmo se eu ficar encostado na grade que separa as pistas, não consigo ver o palco&#8221;, desabafaram. Para constar, no Rio de Janeiro, o mesmo show produzido pelo coletivo &#8220;Queremos&#8221; formado pelo público (e<a href="http://www.popup.mus.br/2010/08/20/salve-o-rio-de-janeiro/" target="_blank">ntenda melhor aqui</a>) não tem separação de público preferencial.</p>
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		<title>Entrevista &#8211; Talles Lopes</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Jan 2011 22:24:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Abrafin]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Fora do Eixo]]></category>
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		<description><![CDATA[A Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin) tem uma nova gestão, pela primeira vez, desde a fundação da entidade. Fabrício Nobre, que teve a responsabilidade de legitimar e dar respaldo ao movimento dos festivais agora sai de cena e dá espaço para Talles Lopes. Fundador do festival Jambolada, que acontece em Uberlandia-MG, Talles também foi [...]]]></description>
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<figure id="attachment_3094" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-3094" title="talles" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2011/01/talles.png" alt="" width="500" height="375" /><figcaption class="wp-caption-text">Talles Lopes, o novo presidente da Abrafin</figcaption></figure>
<p>A <strong>Associação Brasileira dos Festivais Independentes</strong> (Abrafin) tem uma nova gestão, pela primeira vez, desde a fundação da entidade. Fabrício Nobre, que teve a responsabilidade de legitimar e dar respaldo ao movimento dos festivais agora sai de cena e dá espaço para Talles Lopes. Fundador do festival Jambolada, que acontece em Uberlandia-MG, Talles também foi durante muito tempo produtor da banda Porcas Borboletas. Oficialmente, a presidência a associação passa a ser também de um membro de gestão dos coletivos Fora do Eixo.</p>
<p>Na entrevista exclusiva a seguir, Talles fala em primeira mão sobre essa nova fase da Abrafin:</p>

<p><strong>:: Tem uma coisa que não me sai da cabeça. Fabrício Nobre, o presidente anterior, era um cara que você bate o olho e já sabe que tipo de música ele gosta. Esta sempre falando de bandas que achou boas e ruins, sempre fala mais de música que de política. E isso é algo que eu sempre acho difícil de ver na turma Fora do Eixo. Que tipo de música você curte ouvir?</strong></p>
<p>Para responder isso, acredito que devo partir do festival que realizo, que é o Jambolada, e é onde minha personalidade está evidenciada publicamente. Se você acompanhar as ultimas 4 programações do Jambolada, vai notar um apreço pela diversidade e uma forte ligação com música brasileira. Acredito que o trabalho do Porcas Borboletas, banda que trabalhei durante 8 anos, também possa ser uma bom norte para buscar estas minhas referencias. Tenho um forte apreço pelos movimentos e nomes mais transgressores da música brasileira, como Itamar Assumpção e Jards Macalé, e fico emociado com o lirismo e lindas melodias do Clube da Esquina, sem deixar de ter já ter pirado muito com todo o rock produzido no Brasil. Nos últimos anos, por conta de todo este trabalho que estamos desenvolvendo ligado a nova música brasileira, passei a ouvir e assistir o que está sendo feito agora, sem muito preconceito ou segregação. No final das contas, temos música boa e música ruim, os gostos são diversificados, e eu acredito que neste momento eu devo me preocupar em melhorar as condições pra que toda a música boa do Brasil tenha melhores palcos e mais festivais pra se apresentarem, ao invés de tentar aplicar a minha personalidade musical neste processo.</p>
<p><strong>:: Qual é a pauta principal de sua gestão na Abrafin?</strong></p>
<p><strong>Talles: </strong> Cara, acredito que a pauta principal seja assumir definitivamente o desafio de ser uma entidade de classe, assumindo prioritariamente sua vocação inicial que é a defesa dos interesses dos festivais independentes construindo plataformas pra sua sustentabilidade e desenvolvimento. Durante esta primeira fase, a Abrafin foi o grande celeiro pra disseminação da pauta associativa na música brasileira, sendo incubadora para o nascimento de outras entidades e movimentos como o Fora do Eixo e as Casas Associadas, e neste sentido, pela sua importância politica e grande expertise acumulado na cadeia produtiva da musica por parte de seus filiados, a entidade teve que ser uma grande interlocutora para diversos temas, além de ter um papel fundamental na criação de um campo de mobilização de todos os elos desta cadeia, através da criação da Rede Musica Brasil. Com a RMB consolidada e com a consolidação da perspectiva associativa,temos hj um terreno fertil para q nesta proxima gestão possamos retomar esta vocação inicial, e termos um foco ainda mais claro no processo de qualificação de nossos festivais, dentro de uma plataforma q vamos lançar chamada QUALY.</p>
<p><strong>:: E como vai funcionar esse Qualy?</strong></p>
<p>A idéia é que possamos ter um processo mais intenso de acompanhamento de cada um dos festivais, desde a elaboração dos projetos, passando pelas questões de estrutura técnica (palco, som e luz), até os serviços de atendimento e logistica e as transmissões ao vivo destes festivais, num atendimento personalizado. Para isso, o primeiro passo foi montar uma equipe forte para dar este acompanhamento e a transferência do escritorio da entidade para São Paulo, para facilitar este processo. Sabemos que o primeiro momento seria um momento de grande crescimento da entidade e disseminação da plataforma, e que agora o grande desafio é qualificar ainda mais estes festivais. Mesmo neste primeiro momento já percebemos uma grande qualificação, com melhorias substancias na qualidade das estruturas, e agora precisamos ter uma avaliação mais criteriosa e detalhista, ao mesmo tempo que podemos aproveitar toda o expertise acumulado q entidade possui.</p>
<p>Exemplo: neste final de ano a discussão sobre as rádios virou pauta novamente, depois de uma entrevista que o Lobão deu para a rádio Transamérica. Já estamos discutindo com a Arpub (Associação nacional de Rádios Públicas) uma parceria para a transmissão dos festivais da entidade, com a possibilidade de fazermos transmissão via satelite.</p>
<p>Assim, ao mesmo tempo q podemos fazer o festival chegar a vários locais do Brasil, qualificamos este serviço de transmissão com toda a tecnologia que a Arpub pode oferecer, tanto em equipamento quanto em material humano. Esta é uma das coisas que podem ser feitas e já estão sendo trabalhadas.</p>
<p>Da mesma forma que teremos equipes de suporte para elaboração de projetos e atendimento e logistica, e vamos criar programas de negociação coletivas de serviços e fornecedores, tudo construido a partir desta referencia de qualificação dos serviços e criação de contrapartidas diretas para cada um dos associados.</p>
<p><strong>:: Então podemos dizer que a associação, de certo modo, está se configurando de uma maneira que os mais velhos e experientes ajudam os mais novos a subir. Compartilhando tecnologia, know-how, etc…</strong></p>
<p>Na verdade o que estou dizendo é que a entidade vai se dedicar ainda mais a sua vocação, que é a defesa do aprimoramento desta plataforma. A troca de tecnologia e know how sempre foi um ponto forte de aglutinação da Abrafin, e por isso temos exemplos muito claros hoje de festivais novos, mas que já tem uma produção de excelencia.  O que vamos fazer é buscar sistematizar isso de forma mais clara através de um processo de gestão voltado pra isso, ao invés de acontecer de forma espontânea. É claro que contar com a experiência dos festivais mais velhos é fundamental, e a entidade na verdade cresceu sobre este alicerce, com os festivais mais velhos ajudando muito os festivais mais novos. Todo o processo de desenvolvimento do próprio Jambolada se deu sobre este prisma, e acredito que isso vai continuar acontecendo. O que queremos fazer agora é transformar isso num grande programa, inclusive ampliando estas trocas com festivais que não são filiados, mas que tb podem contribuir com isso.</p>
<p>O SWU, o Rock in Rio, o Planeta Terra, o Conexão Vivo são festivais que tem uma grande tecnologia de produção, e que mesmo não estando no nosso espectro de filiação, podem ser interlocutores interessantes, assim como o festival de Parintins, o Festival de Jazz de Ouro Preto e o Festival de Garanhuns.</p>
<p><strong>:: Agora, oficialmente, a presidência da Abrafin é de um membro também do Fora do Eixo. Você acha que existe diferença hoje entre o que é Abrafin e o que é Fora do Eixo?</strong></p>
<p>Sem dúvida nenhuma. A Abrafin, como coloquei no inicio é uma entidade de classe, que tem uma vocação clara, a defesa dos festivais independentes. Já o Fora do Eixo é um movimento bem mais amplo, que não atua exclusivamente na música, e que hoje é reconhecido muito mais como criador de tecnologias sociais e modelos de gestão.</p>
<p>Os dois processos, Abrafin e Fora do Eixo, tiveram um desenvolvimento histórico em paralelo, mas uma genese bem parecida. Quando criamos o FDE era justamente por ter claro que a Abrafin tinha um foco claro e era preciso criar outros campos de mobilização.</p>
<p>O Fora do Eixo hoje está espalhado por todo o Brasil servindo como movimento de base que novos produtores e artistas possam se qualificar e acredito que cada vez mais teremos exemplos de militantes do Fora do Eixo ocupando outros espaços, como foi o caso do Daniel Zen no Acre, que é um dos fundadores também do movimento e que durante 4 anos dirigiu a Fundação Estadual de Cultura no Acre, e nem por isso questionaram se existia diferença entre a Fundação Elias Mansour e o FDE. Não podemos esquecer também que dentro da Abrafin temos produtores que militam em outras entidades também, como a Arpub, a Abeart, a ABMI e a CUFA, e que inclusive fazem parte da nova diretoria, como é o caso do Ricardo Rodrigues, do Festival Contato que milita na Arpub e o Linha Dura que é militante da CUFA.</p>
<p><strong>:: Mesmo com essa diferença tão distinta alguns artistas, principalmente os do &#8220;eixo sp&#8221; parecem se incomodar com essa relação entre Fora do Eixo e Abrafin. Porque você acha que isso acontece?</strong></p>
<p>Na verdade, eu acredito que isso já diminuiu bastante, e que essa distorção aconteceu principalmente porque trata-se de um movimento muito recente onde não foi possível ainda se nivelar o entendimento sobre todas as informações. Muita gente também desconhece a existencia de uma Arpub, ABMI e da Rede Musica Brasil, e como as relações acontecem em cada um destes campos, e sabemos que um dos desafios desta nova gestão é estar acessível para que todos os artistas possam entender melhor o trabalho que estamos desenvolvendo. A mudança da sede e mudança minha pra São Paulo já vem neste sentido de ampliar o dialogo com estes artistas, e queremos também ouvir o Fórum Nacional dos Músicos, a Federação das Cooperativas e o CBAC, que é uma iniciativa nova de organização das bandas circulantes, capitaneada por Fabio Pedroza, baixista da banda Móveis Colonias de Acajú. Além disso, vamos realizar uma série de Observatórios Abrafin, com o intuito de ter um Programa de Ouvidoria e Debate da própria entidade.</p>
<p>Mesmo entendendo que isso já diminui bastante, sabemos da necessidade de seguir em busca deste nivelamento de informações e de dialogo constante com os artistas.</p>
<p><strong>:: A política de dialogos parece interessante, mas está sempre volta para o associativismo. Essa ala &#8220;descontente&#8221; é formada quase que totalmente por vozes deslocadas, mas relevantes e influentes. Vocês pensam em alguma abordagem a esses artistas?</strong></p>
<p>Eu acho que a principal fonte que podemos ter dialogo com os artistas está neste processo de qualificação da nossa plataforma de festivais, enfocando pontos importantes para estas vozes dissonantes, como a melhoria das condições técnicas e a remuneração qualificada e justa. Sabemos que o principal anseio do artista numa relação com a entidade está ligado a possibilidade de tocar, e tocar em boas condições, e acredito que esta politica de qualificação vai de encontro a isso: criar condições para que os bons trabalhos musicais circulem pelo país e se apropriem tb desta plataforma q está sendo constuida.</p>
<p><strong>:: E que experiências do Fora do Eixo você pensa em trazer para a Abrafin?</strong></p>
<p>Acredito que são muitas as experiências positivas que podemos tirar do fora do eixo. A primeira delas está ligada a própria construção da equipe de trabalho e criação de uma dinâmica de acompanhamento online qualificada de cada um dos festivais filiados. O dinamismo conseguido pelo Fora do Eixo para conectar e gerenciar ações em rede num país continental é algo muito interessante e com certeza vai ser utilizado. Um outro ponto importante a ser aprofundado na Abrafin, e que o Fora do Eixo desenvolve é uma sistematização e organização regional das suas atividades, e vamos trabalhar fortemente para que isso aconteça também dentro da Abrafin. As ferramentas de transparências desenvolvidas pelo Fora do Eixo, inicialmente com o desenvolvimento dos tec&#8217;s e agora com seu Diario Oficial, também é uma ótima referência pra que possamos ter um processo de comunicação com a sociedade e prestação de contas da entidade mais eficiente. Para finalizar, acredito que o principal legado do Fora do Eixo passa pela capacidade de potencializar e sistematizar ações colaborativas, buscando campos de convergência entre os envolvidos, e esse será um dos pilares desta nova gestão da entidade.</p>
<p><strong>:: E o Ministério da Cultura? O que você achou de Ana de Hollanda como ministra?</strong></p>
<p>Bem, em relação ao Ministério da Cultura eu acredito que os últimos 8 anos foram fundamentais para que passassemos a ter realmente na esfera federal um campo de dialogo e construção de políticas públicas para a cultura. Este contexto fomentado pelo Minc ajudou bastante no processo de organização do setor cultural brasileira, seja através da disseminação de pontos de cultura, realização de conferencias, criação de câmaras setorias e articulação do setor em iniciativas como a Rede Musica Brasil. Neste sentido, acredito que boa parte do movimento cultural organizado torcia para que pudessemos ter uma continuidade deste trabalho que foi construído, e infelizmente o nome da Ana Hollanda ainda é uma incognita em relação a isso. Conheço pouco do trabalho dela, mas confio bastante tanto na força e capacidade que estes movimentos organizados hoje tem de dialogar e propor políticas públicas coerentes com as novas realidades do mercado, quanto no discernimento de quem está assumindo este processo a partir de agora para que não possamos ter um retrocesso.</p>
<p><strong>:: Você vem de um estado que tem um dos melhores cases da relação entre setor privado e patrocínio de cultura. E por um tempo, no começo, o setor privado foi um foco da Abrafin que parece ter se perdido. Se perdeu? Vocês tem alguma agenda relacionada a empresas privadas?</strong></p>
<p>Bem, eu acredito que para entendermos este processo precisamos avaliar o que foram estes primeiros 4 anos de entidade. A entidade nasce pautada muito forte pelos necessidades que os festivais tinham de resolver a questão da sua sustentabilidade, e talvez pela forte relação que os festivais e seus produtores tem com o mercado da musica, a busca do patrocinio privado era o norte mais claro. A vivência nos dois primeiros anos de entidade mostrou que era necessário construir alicerces politicos fortes também, para qualificar este patrocinio privado e neste sentido foi necessário fazer uma escolha estratégica, e a escolha foi pelo foco na construção de uma campo de diálogo politico mais forte, e fortalecimento da organização do setor musical brasileiro, para que não ficassemos a mercê exclusivamente dos critérios mercadologicos de patrocinio, que muitas vezes são instáveis. Não podemos esquecer que mesmo com estas escolhas, o dialogo com os programas privados continuou existindo, plataformas como o Conexão Vivo que não apoiavam festivais passaram a operar, e o próprio edital da Petrobras ganhou fôlego. Agora, o grande desafio, no meu ponto de vista é conseguirmos equilibrar estes dois momentos, dando sequência a construção dos alicerces políticos, mas apostando fortemente na retomada deste dialogo com a iniciativa privada, não apenas na busca de programas de patrocinio, mas também na busca de negociação coletiva de produtos e serviços que todos os festivais utilizam, como, por exemplo, as passagens aéreas.</p>
<p><strong>:: Do que você sente falta no que é produzido hoje na música brasileira?</strong></p>
<p>Cara, acredito que hoje vivemos um periodo maior de abundância, que não necessariamente gera qualidade, mas diminui as ausências e carências. Não sou um crítico de arte para propor tratados estéticos aqui, e acredito que a principal diferença do que estamos fazendo é criar plataformas e possibilidade para que as formas de manifestação artistica, sejam elas quais forem, possam se comunicar. Se formos olhar para o que é produzido massivamente sinto muita falta de conteúdo. Durante muito tempo reclamei da ausências de boas letras, que ficassem a altura da qualidade musical do arranjos, mas até neste ponto, acredito que nesta última década esta carência foi muito bem suprida. Como eu disse, num país como o Brasil, com todas as mudanças que ocorreram no mundo da música fica difícil sentir falta de alguma coisa. Talvez o que falte seja eu viajar mais e pesquisar mais, porque sem dúvida tem muita coisa boa sendo feita.</p>
<p><strong>:: De volta aos festivais. Você falou muito em qualificação. O que você sente falta nos festivais que são produzidos no Brasil hoje?</strong></p>
<p>Bem, se avaliarmos de forma relativa acredito que já avançamos muito perto de 5 anos atrás, mas sem dúvida ainda precisamos avançar muito. Talvez a principal carência hoje esteja ligada a instabilidade dos financiamentos sendo impossível trabalhar com planejamentos q extrapolem um ano. Esta instabilidade acaba gerando uma série de problemas que poderiam ser solucionados se tivessemos uma melhor condição de planejamento e negociação. Isso só vai ser solucionado com o desenvolvimento de programas públicos e privados mais consistentes, e por isso a necessidade de termos um equilibrio nesta atuação com o poder público e a iniciativa privada, sabendo inclusive trabalhar a criação de um mercado próprio, impulsionado pela formação de público e qualificação de nossos produtos, que possam nos garantir cada vez mais autonomia.</p>
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		<title>Transborda 2010: Terceira noite</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 11:58:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As duas primeiras noites do Transborda mostraram a relação única que o público mineiro tem com a própria cidade. A vontade de ocupar os espaços, retirar as barreiras e transformar a paisagem local era presente em manifestações, gestos, panfletos e atitudes das pessoas. No último dia, que conseguiu surpreender ainda mais em termos de público [...]]]></description>
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<figure id="attachment_2983" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-2983" title="julgamento" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/09/julgamento.jpg" alt="" width="500" height="375" /><figcaption class="wp-caption-text">Julgamento, uma das ótimas surpresas do Transborda</figcaption></figure>
<p>As duas primeiras noites do Transborda mostraram a relação única que o público mineiro tem com a própria cidade. A vontade de ocupar os espaços, retirar as barreiras e transformar a paisagem local era presente em manifestações, gestos, panfletos e atitudes das pessoas. No último dia, que conseguiu surpreender ainda mais em termos de público e atrações (algo que, sinceramente, nem contava que fosse acontecer), o Transborda se transformou em uma verdadeira declaração de amor a Minas Gerais. O discurso espontâneo dos participantes do Coletivo Pegada no palco foi inspirador e tocante, mexendo na auto-estima de cada um presente ali. Lembrou um pouco do Recife da década de 90, onde o discurso de &#8220;Mudar de cidade&#8221; virou o de &#8220;Mudar a cidade&#8221;.</p>
<p>De alguma forma, a grande movimentação do sábado deve ter se espalhado para o restante da cidade, porque já cedo a terceira noite do Transborda antecipava que teria quase o dobro de público. Essa é a parte em que um festival sem ingresso, aberto ao público, pode contestar o discurso de que isso vicia a cidade em shows de graça ou no não pagamento de ingressos. Com atrações bastante novas (e, porque não, até irrelevantes em certo aspecto), o festival criou acesso importante a produção local. Somente assim que mais de cinco mil pessoas, de gostos tão distintos, poderiam apreciar artistas que talvez só tenham ouvido falar sobre. E ver uma garota com visual headbanger, camisa de caveira, tachinhas presas na roupa e coturno, dançando na onda de BNegão mostra o quanto isso vale a pena.</p>
<p>O domingo era uma dia para o soul e funk, traduzido nos acordes de Samba de Luiz e Black Sonora e na MPB de Vandaluz. Fenômeno interessante de perceber na música local é de toda banda conta com vozes bem afinadas. Mesmo as bandas que particularmente me agradaram bem menos, como Manolos Funk (um tipo de Red Hot Chilli Peppers a brasileira), cumprem bem a função de  &#8221;artista local&#8221;. Pode-se dizer, sem medo, de que em termos de programação local, o Transborda deu a entender que em Minas não tem banda ruim. Ou, pelo menos, que mesmo os grupos mais fracos são bem acima da média que seus relativos em outros estados.</p>
<p>As revelações do festival também vieram no terceiro dia. Julgamento (hip hop) e Monograma (pop) precisam circular urgentemente em outros festivais pelo Brasil, desde já. Apesar de sonoramente distintas, as duas trazem a mesma característica marcante, que é um trio de vozes fortes e música dançante e fácil de viciar. Esses dois, junto com o grupo Transmissor, mostraram o poder que os grupos locais tem com o público. Ver tanta gente na frente do palco, cantando tudo em coro e dançando junto dá aquela esperança de que as coisas estão realmente acontecendo com a cena local. A Monograma fez o momento mais especial do dia, chamando todo o coletivo Pegada para cantar junto no palco. Foi nesse momento que, um de seus representantes, Lucas Mortimer, fez o discurso dizendo que &#8220;nós amamos Minas Gerais!&#8221;.</p>
<p>A força que um artista local pode ter com o público ficou ainda mais claro com o Eminence. Uma das bandas mais respeitadas do metal nacional, quando foi anunciado que tocariam no Transborda uma outra produtora local decidiu cancelar um show do Angra que teria na mesma data, com medo de não ter mais público. A nota saiu no site de vendas de ingresso e nos jornais. Antes do show, o guitarrista Alan Wallace até comentou que achou desnecessário, considerando que o metal melodico tem público próprio e diferente do da banda. Mas também não escondeu a alegria que dá o reconhecimento da força da banda. No palco, eles dominavam todo mundo até onde a vista alcançava, fazendo talvez o melhor show da noite.</p>
<p>Uma dobradinha entre Eminence e BNegão poderia estranhar os desavisados. Mas Bernardo Santos é o verdadeiro &#8220;Big Lebowski&#8221; da música brasileira. Ele é &#8220;o cara&#8221; e, onde aparece, controla toda energia do lugar. O show dos Seletores de Frequência fez até headbanger cabeludo dançar, dando o clima de confraternização para o encerramento do festival. Por falar em encerramento, uma das melhores coisas do Transborda foram os horários. Tudo terminou antes de meia noite, cedo para voltar para casa e descansar. O festival, seus idealizadores e as bandas estão de parabéns, mas não mais que o público que, nessas três noites, escreveu história.</p>
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		<title>Transborda 2010: Segunda noite</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Sep 2010 19:11:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
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<figure id="attachment_2979" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-2979" title="santanna" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/09/santanna.jpg" alt="" width="500" height="334" /><figcaption class="wp-caption-text">Lucas Santanna ao vivo no Transborda, em Belo Horizonte. Foto de Tiago de Caux</figcaption></figure>
<p>Uma coisa é preciso ser dita a favor dos coletivos. Somente em um ambiente amigável de troca de informações, tecnologia e know how que um festival como o Transborda poderia nascer já tão grande. Quando vislumbrado pela primeira vez pela turma do Coletivo Pegada, certamente essa noite do sábado deve ter surgido como imagem de inspiração para o que queria ser alcançado. Cerca de três mil pessoas na praça, para uma programação de bandas ainda um tanto desconhecidas, comprometidas unicamente com a diversão e boa música. Foi-se o tempo em que dar os primeiros passos era um fardo.</p>
<p>Devo dizer que todo festival que acontece em praças públicas deveria se preocupa sempre em ter boa parte de sua programação durante a tarde. Parte do clima legal do Transborda era ver o pôr-do-sol sentado na praça, acompanhando os shows, encontrando amigos, sem a tradicional claustrofobia dos galpões e lugares fechados. Clima de família e, de fato, ocupado por algumas delas. Aliás, é incrível essa relação do povo de BH com as praças e espaços públicos. Além do movimento (falei no post abaixo) que transforma a praça em praia, existe um outro que é contra as grades colocadas em eventos. Ontem, no começo da noite, um representante ainda manifestou seu protesto tentando derrubar as grades que cercavam o transborda.</p>
<p>Durante essa ocupação (e re-significação, como bem lembrou Ney Hugo, do Macaco Bong, no palco), o público estava mais frio e era possível visualizar algumas &#8220;muralhas de observadores&#8221;. O começo das apresentações foi marcado principalmente pela empolgação dos populares bebados da cidade, que dançavam, corriam e tentavam descolar uma cerveja em troca de palavras balbuciadas sem sentido. Resultado também da escolha em ter quatro bandas instrumentais, que demandam mais atenção, durante a programação. Era também possível ver aquele &#8220;efeito Carnaval&#8221; no Transborda, com pessoas que jamais estariam frente a uma programação daquelas se não fosse de graça em área central. Fora de seu gueto, o independente se deu bem com o público.</p>
<p>O primeiro nome mineiro a chamar atenção foi a Mekanos, de Poços de Caldas. Com a mesma pegada de bandas como Vampire Weekend, o rock animado e cantado em português deles está pronto para circular. É o tipo de banda que, após entrar em um bom circuito de shows, tem potencial para ir além. Deram vez a pedrada do Macaco Bong, que apareceram para substituir o rapper Linha Dura, que não se apresentou na noite anterior. Show mais alto do dia, os Bongs atingiram um nível de profissionalização que mantêm qualquer apresentação deles sempre no patamar elevado. Difícil ver uma apresentação deles que não seja, no mínimo, excelente.</p>
<p>Tanto barulho acabou deslocando um pouco a qUEbRApEdRA, banda de MPB e voz feminina que se apresentou em seguida. Podia ter sido agrupada com outros nomes mais tranquilos do dia, mas acabou afogada entre o Macaco Bong e Vendo 147. A banda baiana já é reincidente e foi quem começou a quebrar um pouco do gelo do público. Quando o repertório atingiu o já famoso medley com músicas de Black Sabbath e AC/DC era possível ver gente dançando e feliz até em pontos bem distantes do palco. Foram eles quem abriram a porta para o bom clima da noite que começaria em seguida.</p>
<p>Entre os nomes locais a boa surpresa foi ver a ótima relação que o Dead Lovers Twisted Heart tem com o público mineiro. Show mais agitado e dançante da programação, eles aproveitaram a bola levantada pela Vendo para dar o saque da diversão. Mas uma vez oscilou pesado de clima com a Constantina que, ao convidar membros do Macaco Bong para a presentação, perdeu um monte da identidade que seria apresentada ali. Soava como algo especial ter aquele encontro, mas a informação demandava uma explicação e contextualização maior para o público. Teve até quem, sem entender, se questionou porque algumas músicas do Macaco Bong se repetiam.</p>
<p>Se o público espontâneo dava impressão de Carnaval, a música de Lucas Santanna trouxe o clima completo. A noite foi do baiano, que já é reincidente na noite mineira. Foi quando o gelo do público finalmente derreteu e grandes blocos de pessoas dançavam até onde a vista alcançava do palco. A vista, por sinal, era digna de cartão postal. A fonte d&#8217;água ligada ao fundo, iluminação forte na praça e uma multidão dançando em frente ao grande palco. Nessa hora, a turma contra as grades e tapumes realmente teve razão. Dosar um pouco a paranóia da prefeitura local ajudaria a fazer o cenário ainda mais bonito.</p>
<p>A noite terminaria bem já ai. Mas Jupiter Maçã decidiu dar sua benção ao festival. Quem acompanha com frequência a passagem de Flávio Basso em festival sabe que é realmente difícil pegar ele em boa forma, sem tropeçar o alcool por cima das músicas e fazer uma apresentação por vezes lamentável. Não foi assim no Transborda. Em sua melhor forma, com muito pique, deu o fechamento rock&#8217;n'roll a festa na praça. De lá, o festival migrou para a &#8220;Utópica Mercenária&#8221;, onde as bandas Pequena Morte e Do Amor arrastaram a festa até às 4h da manhã.</p>
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		<title>Transborda 2010: Primeira noite</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Sep 2010 13:23:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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<figure id="attachment_2974" class="wp-caption aligncenter" style="width: 450px"><img class="size-full wp-image-2974" title="leptos" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/09/leptos.jpg" alt="" width="450" height="506" /><figcaption class="wp-caption-text">Leptospirose (SP) no palco do Transborda</figcaption></figure>
<p>Vou começar com um breve momento de deslumbre: Belo Horizonte é uma das cidades mais bonitas que já vi. E tudo que falam sobre as praças daqui serem as mais bonitas do país é certamente verdade.</p>
<p>A primeira noite do festival Transborda, em Belo Horizonte, começou um tanto complicada. Apesar de existir uma vontade da população jovem em ocupar espaços públicos para eventos, a insegurança de órgãos como a Prefeitura ainda torna o processo bem lento. O festival acontece na Praça da Estação (apelido local da Praça Rui Barbosa, por ser lá a antiga estação central da estrada de ferro que cortava o Brasil, hoje abrigando o Museu de Artes e Ofícios). A vista do lugar, em dias comuns, é cortado por longos chafarizes de água, o que já rendeu um movimento local, chamado de &#8220;Praia da Estação&#8221;, onde as pessoas apareciam de sunga e biquini para tomar banho de sol.</p>
<p>Durante o Transborda, uma das fontes estava desligada para dar lugar a dois grandes palcos &#8211; lado a lado &#8211; onde acontecem os shows. A insegurança em ceder o local era visível nos diversos tapumes que fechavam o acesso ao museu, evitando contato do público com o prédio histórico, e também na demora da entrega do alvará de funcionamento do festival, o que resultou no atraso de quase duas horas para começarem as apresentações. Com hora marcada para encerrar, vigiada atentamente por vários funcionários da prefeitura devidamente identificados no local &#8211; e desnecessáriamente acompanhados da guarda municipal &#8211; o público foi o mais prejudicado ao perder dois shows. Um da banda Julgamento (remanejada para o domingo) e o do rapper Linha Dura (que mudou para o sábado).</p>
<p>Desatentos a esses detalhes de bastidores, o público foi o que mais chamou atenção nessa primeira noite de festival. Calculei uma média de 800 pessoas circulando pela praça com um visível interesse em ver coisas novas acontecendo na cidade. Se misturavam em duas categorias principais: os que se deixavam seduzir pela música e dançavam, pulavam e cantavam em frente ao palco e os que confraternizavam constantemente na noite (confesso que nunca vi tantos abraços distribuidos em uma noite de festival). O clima de boas vibrações total. Nunca se encontrava aquele típico chato do show, que fica em pé, em frente ao palco, observando sem reação tudo que acontece. A cumplicidade entre as pessoas e o palco já é ponto alto da noite mineira.</p>
<p>Os três shows que restaram para a noite foram salvos pela banda paulista Leptospirose. Antes deles, Cidadão Comum e Cães do Cerrado mostravam que o rock local é bem acima da média do que se assiste nos shows de abertura em festivais de outros estados. Confesso que cheguei em Minas pensando que essa era a terra de algumas das bandas mais legais que já ouvi na vida, como Sepultura e Pato Fu, e isso deve ter elevado mais a expectativa e a pressão nos nomes locais. Ambas as bandas estão no ponto para circular, com boa consciência do palco, mas ainda faltam aquele fator magia que faz você querer estar ali em cima, fazendo parte de tudo.</p>
<p>Era o caso da Leptospirose, banda de Bragança (interior paulista). A figura esquisita do vocalista Quique Brown, com jeitão de Frank Zappa From Hell, já inspirava insanidade nas pessoas antes mesmo da primeira música começar. Incrivelmente alta, rápida, suja e agressiva, as músicas hipnotizavam qualquer um que chegasse perto. Até os funcionários da prefeitura baixaram a pose, abriram sorriso e se deixaram contagiar pela festa. O dedilhado pesado e rápido do baixo se juntava a dança maluca da bateria com gritos de grind e hardcore no palco. A mistura não deu em outra: estourou uma das caixas de retorno, que começou a fumaçar trazendo um divertido elemento cênico para o show.</p>
<p>Tudo encerrou pontualmente às 23h30. Mas a festa continuou no &#8220;Nelson Bordello&#8221;, inferninho local que parecia concentrar até mais pessoas que na praça. Isso porque, paralelo aos shows do Transborda, o duelo de MC&#8217;s que já é tradicional da cidade fez o encontro de públicos da noite. Era a festa &#8220;Yes We Can&#8221;, comandada pelo coletivo Pegada, com bandas e DJ&#8217;s dispostos a ver o sol nascer. Por conta da longa viagem cheia de escalas &#8211; levei quatro vezes o tempo normal para chegar em BH &#8211; encerrei a noite sem encarar a longa a fila para ver o que rolava por lá. Mas hoje tem mais.</p>
<p>Preciso comentar: senti falta de ver as pessoas que criticaram o festival antes dele acontecer. Reclamar e falar mal sempre é feito com mais respeito quando se dá as caras para ver o resultado atingido pelo pessoal.</p>
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		<title>Entrevista &#8211; Lúcio Maia</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 11:20:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Lucio Maia]]></category>
		<category><![CDATA[Maquinado]]></category>

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<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2744" title="luciomaia" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/06/luciomaia.jpg" alt="" width="495" height="310" /></p>
<p>Chega uma hora que toda grande banda não consegue mais dar conta de todo seu potencial criativo. São tantas idéias e propostas, que inevitavelmente seus integrantes começam a fazer projetos paralelos para dar conta de todas as vontades que sentem em se expressar musicalmente. A Nação Zumbi talvez seja um dos melhores exemplos nacionais. Praticamente todos seus integrantes – até a turma da percussão – tem projetos a parte. De todos esses, além do 3naMassa do baterista Pupilo, o Maquinado é um dos que chama mais atenção. Em entrevista ao N’Agulha, Lúcio Maia – talvez o mais polêmico de todos integrantes da Nação – falou sobre o disco novo, trabalho e música.</p>
<p><strong>No Maquinado, de certa forma, você começa do zero. Dá para sentir muita diferença de um artista montando sua carreira solo agora, com o que se passa com um grupo como a Nação Zumbi? Falo em questão de conseguir shows, espaços, venda de disco, etc.</strong></p>
<blockquote><p>Não dá pra comparar uma banda com vinte anos de carreira pelo mundo todo com um projeto de apenas dois discos. Covardia. Claro, a Nação tem o nicho próprio do ano todo, que conquistamos com bons shows e discos condizentes. Mas sinto uma semelhança muito grande com os dois começos. Tanto a Nação quanto o Maquinado, os show são frequentados por entusiastas da música. Ou seja, gente que procura coisas diferentes. Sendo assim, posso até ter uma boa perspectiva se continuar trabalhando sério.</p></blockquote>
<p><strong>Os projetos paralelos da Nação Zumbi começaram todos em clima de despretensão. Mas o Maquinado agora está no segundo disco, já aparece mais em festivais, propagandas de TV, etc. Esse é um resultado maior do que o esperado?</strong></p>
<blockquote><p>Trabalho com isso. Tudo que faço é música e daí tiro meu ganho. O Maquinado é um planejamento de anos, desde que comecei a tocar. Seria hipocrisia entrar nesse clichê de “simplesmente aconteceu!”, que é até mentira. Corro atrás do pão todo dia senão passo fome. Nação, Maquinado, Los Sebosos, Almaz, todos são desdobramentos musicais que servem de desafio e sustento.</p></blockquote>
<p><strong>As escolhas para esse segundo disco proporcionam um esquema que pode circular bem mais, e com mais facilidade, pelo país em termos de shows. Em que nível de prioridade o Maquinado fica hoje na sua carreira como Músico?</strong></p>
<blockquote><p>Aproveito as brechas da Nação neste começo de ano, já que estamos na entresafra de disco, pra tocar o Maquinado. Tudo eu planejei desde o ano passado. Sabia que teria tempo pra me dedicar ao Maquinado. Tento colocar as coisas de forma bem aberta com meus camaradas.</p></blockquote>
<p><strong>Quando Du Peixe cantou uma música sua no primeiro disco, parecia que ouviamos uma música da Nação Zumbi. Só que isso não seria mais possível com as faixas atuais, que seguem uma textura totalmente diferente. Suas “ansiedades musicais” hoje estão mais para o Fome de Tudo ou para o Mundialmente Anônimo?</strong></p>
<blockquote><p>Nenhum dos dois, pois ambos, neste exato momento, fazem parte do passado. Minha cabeça já está organizando as próximas incursões.</p></blockquote>
<p><strong>Apesar da programação e dos elementros eletrônicos estarem presentes, o segundo disco é bem mais orgânico que o primeiro. Isso, de certa forma, diz muito de seu momento atual como músico. O que você andou ouvindo quando pensava no disco? E que está ouvindo agora?</strong></p>
<blockquote><p>Muita coisa. Nem sei dizer. Resolvi gravar um disco ao tradicional. O primeiro foi um trabalho minucioso de produção e levou dois anos pra ficar pronto e neste fiz as músicas, gravei e finalizei o disco em seis meses. Os métodos de gravação e produção é que dão o direcionamento de um album.</p></blockquote>
<p><strong>Com o Maquinado, de certa forma, você está tendo ainda mais experiência na cena independente do que a Nação Zumbi. O que você tem achado desse mercado atual no Brasil? Esse dos festivais, selos e bastante download?</strong></p>
<blockquote><p>É tudo uma merda muito grande. Os festivais não querem pagar cachês as bandas iniciantes, passagem aérea é caro pra cacete e equipamento só viaja via carga que inviabiliza tudo. Os selos independentes não tem grana nenhuma pra investir na banda e querem duzentos por cento de comissão. As rádios e canais de tv tem coragem de ramsters pra investir em cultura, principalmente música alternativa. Disco não vende. O que mais eu posso acrescentar nesse bolo de bosta?</p></blockquote>
<p><strong>Quem chega no Recife nem acredita, mas Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, Otto e nem 3naMassa, Maquinado ou mais ninguém toca em rádio. Só que isso acontece em quase todo o país. Já tem uma geração nova da música brasileira que cresceu sem ouvir rádio, mas reclama de não tocar lá. Isso faz falta para você? Você escuta rádio?</strong></p>
<blockquote><p>Não ouço rádio nem vejo tv, mas tenho consciência que pra ganhar grana de verdade você tem tramitar nesses veículos de massa. Um conselho que eu dou a quem quer viver de música: esqueça o radicalismo.</p></blockquote>
<p><strong>Sem falar em mercado e dinheiro agora, mas de música. Do que você tem ouvido por onde passa pelo país, o que te deixa inquieto na música brasileira, tanto positiva quanto negativamente? O que está bom e o que está faltando?</strong></p>
<blockquote><p>Eu não pagaria um centavo pra ver um Jamaicano tocando blues ou um americano tocando polca ou um argentino fazendo reggae. Penso que o Brasil perde muito com essa falta de nacionalismo musical, no bom sentido. O samba não uma intituição e sim uma materia prima que pode sofrer moldes infinitas vezes sem perder a assência. Mas é mais fácil entrar na onda da vez e aproveitar os poucos quinze minutos. Quem empurrou a música brasileira pra frente e conseguiu tem seu lugar garantido, por menor que seja. Eu prefiro estar no dicionário da música popular que na revista caras.</p></blockquote>
<p><strong>Você fez parte de algo que mudou a história da música no Brasil. E o Maquinado, em sua própria forma, continua misturando referências com um resultado que parece ser novo, no sentido que a gente não escuta duas bandas iguais a sua. Quando você escuta música, faz alguma cobrança nesse sentido de inovação / ineditismo, etc?</strong></p>
<blockquote><p>Pra mim o ponto crucial pra gostar de uma banda é o ineditismo do som. Cópias são um saco. Tanto que não consigo gostar do Frans Ferdinand porque tenho todos os discos do Talking Heads. Se eu perceber qualquer semelhança do que faço com outra música ou banda, abandono a idéia. Não estou aqui pra dizer o que é certo ou errado. Cada um faz o que tem vontade. Mas se não fosse um curioso que pesquisasse os fungos não teríamos a penicilina…</p></blockquote>
<p><strong>Em 2006 eu entrevistei Lúcio Maia sobre o começo do Maquinado. </strong><a href="http://www.popup.mus.br/2006/04/19/entrevista-lucio-maia/" target="_self"><strong>Quem quiser conferir é só seguir o link</strong></a><strong>.</strong></p>
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		<title>Quem quer dinheiro?</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 13:17:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum Virtual]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando o baterista do Trio Mocotó, João Parahyba, descobriu sobre a existência e o resultado das ações da Rede Música Brasil, iniciou-se um grande debate entre músicos, produtores, público e jornalistas na internet. Ainda hoje, o seu texto de desabafo, publicado no site Scream &#38; Yell (www.screamyell.com.br), acumula comentários de gente que concorda e discorda [...]]]></description>
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<p><a href="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/06/cds.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2731" title="cds" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/06/cds.jpg" alt="" width="494" height="308" /></a></p>
<p>Quando o baterista do Trio Mocotó, João Parahyba, descobriu sobre a existência e o resultado das ações da Rede Música Brasil, iniciou-se um grande debate entre músicos, produtores, público e jornalistas na internet. Ainda hoje, o seu texto de desabafo, publicado no site Scream &amp; Yell (<a href="http://www.screamyell.com.br" target="_blank">www.screamyell.com.br</a>), acumula comentários de gente que concorda e discorda de suas considerações preocupadas com a figura do músico não ser a central na cadeia produtiva da música. Parahyba reclama que o coeficiente mais importante na equação não é o público, mas o artista.</p>
<p><a href="http://www.popup.mus.br/2009/09/02/rede-musica-brasil/" target="_blank">A Rede</a>, para quem ainda não ouviu falar dela, é uma aglutinação de todas as associações relacionadas a música existentes no país, que até  então nunca dialogavam. Um esforço para unificar o discurso de gravadoras, rádios, músicos e todos os envolvidos nesse processo. O resultado obtido a partir do relatório publicado pela rede Música Brasil não é exatamente inédito. Ele apenas amplia a realidade vigente no mercado de música do país, ao pedir um aumento de políticas públicas que patrocinem a produção nacional.</p>
<p>Como resultado, órgãos como a Funarte ampliaram seus fundos e programas de fomento a cultura com uma atenção especial a música, igual como era feito até então com o cinema. Parahyba é categórico. Esse dinheiro vai para o produtor, que muitas vezes não paga quanto o músico gostaria – e acredita que merece &#8211; receber. Do outro lado, os produtores defendem um artista que entenda que seu valor se mede em público, e que um cachê alto só se justifica através de uma grande quantidade de ingressos vendidos. Mesmo quando o evento é patrocinado e não depende da venda de ingressos.</p>
<p>Mas o patrocínio público só resolve uma parte dessa complicada equação. O dinheiro chega para quem produz, sejam músicos ou produtoras, mas os discos continuam sem vendas significativas nas lojas. Os festivais também atingiram uma meta média difícil de subir entre 1,5 mil a 2 mil pessoas nos bons dias de evento. A única parcela que não entrou no troca-tapas pelo dinheiro, o público, segue desamparada. Mesmo com patrocínio, principalmente no que diz respeito a gravação de música, os discos são lançados com valores altos e inacessíveis. E se pensassem em um patrocínio pelo público?</p>
<p>Essa série de matérias foi publicada originalmente no jornal A Tarde.</p>
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		<series:name><![CDATA[Álbum Virtual]]></series:name>
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		<title>E se patrocinarem o consumo?</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 13:16:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum Virtual]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>

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		<description><![CDATA[Gravar, reproduzir e distribuir: o problema que as gravadoras e editoras conseguiam resolver até metade da década de 90, já deixou de ser um problema. Enquanto uma considerável parcela dos artistas brasileiros ainda estão atrás de subsídios para dar conta dessa primeira etapa do processo, a gravadora Trama comemora dois anos de um formato diferente, [...]]]></description>
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<figure id="attachment_2725" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-2725" title="joaom" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/06/joaom.jpg" alt="" width="500" height="304" /><figcaption class="wp-caption-text">João Marcelo, da Trama: &quot;Tivemos sucesso com o Álbum Virtual&quot;. Foto de Rogério Alonso</figcaption></figure>
<p>Gravar, reproduzir e distribuir: o problema que as gravadoras e editoras conseguiam resolver até metade da década de 90, já deixou de ser um problema. Enquanto uma considerável parcela dos artistas brasileiros ainda estão atrás de subsídios para dar conta dessa primeira etapa do processo, a gravadora Trama comemora dois anos de um formato diferente, que aposta exatamente no patrocínio pelo consumo. O Álbum Virtual, como é chamado, tem o slogan “de graça para você, remunerado para o artista”.</p>
<p>Sócio fundador e atual presidente da gravadora, João Marcelo Boscolli tem sempre cuidado de responder, ao longo da entrevista, “nada contra patrocínio público”. “Fácil não é”, avalia João, que vem de uma linhagem de músicos que desenha a própria música popular brasileira – seus pais, Ronaldo Boscolli e Elis Regina, dispensam apresentações assim como a irmã, Maria Rita  &#8211; “mas se você considerar que [em um ano] o mercado lançou declarados 64 álbuns, nos estamos lançando 14”.</p>
<p>É um modelo que está bem longe de ser inédito, como admite o próprio Boscolli. “Nada mudou desde 1928, data de lançamento do primeiro programa de jazz apresentado coast to coast nos Estados Unidos, que era patrocinado pela Nabisco”, lembra o músico. “As pessoas ouviram de graça, patrocinados por uma marca, que olham sempre audiência e envolvimento emocional das pessoas com música”. Com essa proposta, a Trama já conseguiu aproximar empresas como Volkswagen, Audi e Brandili. A última, no ramo de tecelagem, aproveitou o patrocínio para lançar uma linha de camisas de artistas novos, a Xtreme Days.</p>
<p>A mecânica do Álbum Virtual começou com um sistema que a gravadora lançou no site Trama Virtual chamado de “Download Remunerado”. Nele, qualquer artista que se cadastrar no site pode participar de um esquema parecido com os royalties. Supondo que o valor reunido dos patrocínios cheguem a R$ 10 mil em um mês que o site registre 100 mil downloads, cada artista receberia R$ 0,10 por download. Parece pouco a princípio, mas através de campanhas e marketing direcionado, bandas como o Dance of Days (SP), já chegou a faturar R$ 2 mil por mês no site.</p>
<p>“É uma das propostas mais interessantes entre as formas de se distribuir música”, comenta o produtor Fabrício Ofuji, da banda Móveis Coloniais de Acaju, que teve o disco “C_mpl_et_” lançado no formato. “Desde 2003 que o Móveis disponibiliza MP3 grauita no site, então a parceria com a Trama foi algo natural para nós”. A banda bancou uma parte da gravação do disco, que teve produção de Carlos Eduardo Miranda.</p>
<p>“Hoje, com mais de 500 mil músicas baixadas, acho que tivemos êxito com o Álbum Virtual”, completa o produtor, lembrando que o disco ainda foi lançado em formato físico depois. A banda usou o patrocínio para financiar versões diferenciadas do disco, como um formato digipack, que é vendido nas lojas e shows. “Acho importante essa flexibilidade”, comenta Ofuji, “é um projeto da Trama, mas pode ser usado como plataforma por outros artistas, como foi com o Macaco Bong e o Autoramas”.</p>
<p>“Mas é tudo muito específico de um nicho”, explica o analista de mídias sociais Luiz Rangel. “Apesar de ser um modelo com resultados positivos, seria difícil ter esses números com artistas que tem pouca relação com a internet, como um medalhão da MPB ou um forrozeiro pé-de-serra”, comenta. Rangel lembra o fato de que um grupo como o Dance of Days, e o emocore, gênero que está inserido, nasceu e existe basicamente na internet.</p>
<p>O Álbum Virtual opera nesse espaço, trabalhando imagens de artistas com imagens de marcas maiores. Entre os lançamentos, além de bandas que estão em sintônia com a web, como Cansei de Ser Sexy e Móveis Coloniais de Acaju, estão artistas como Ed Motta e Tom Zé. “Outros selos e gravadoras, como a Warner, estão nos apoiando e em breve iniciaremos outros lançamentos”, defende Boscolli, com a promessa de que “serão centenas”.</p>
<p>Em termos práticos, comparado com um programa de patrocínio como o da Petrobras, que ano passado destinou R$ 1,3 milhões para gravação de discos, os valores trabalhados pelo projeto da Trama não são tão diferente. “Temos no nosso plano operacional a meta de faturar R$ 900 mil até o final do ano”, revela Bôscolli. A ação, apesar de operar em fase de testes por dois anos, só entra em atividade comercial de fato a partir de agora, após a abertura do modelo ao público.</p>
<p>“Ser de nicho não é exatamente uma crítica”, complementa o analista Luiz Rangel. “O que aconteceu aqui é que uma gravadora entendeu como seu público específico funciona e encontrou uma maneira de trabalhar com ele”, complementa, com a provocação de que “o modelo pode não funcionar para outras gravadoras, mas caba a cada uma delas pensar em seu formato”.</p>
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		<title>Selos ainda não topam patrocínio</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 13:15:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum Virtual]]></category>
		<category><![CDATA[Patrocínio]]></category>

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<figure id="attachment_2718" class="wp-caption aligncenter" style="width: 500px"><img class="size-full wp-image-2718" title="monstro" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2010/06/monstro.jpg" alt="" width="500" height="319" /><figcaption class="wp-caption-text">Escritório da Monstro Discos, em Goiânia</figcaption></figure>
<p>A banda lançada desta vez pelo Álbum Virtual se chama Pata de Elefante. Um grupo instrumental do Rio Grande do Sul que é bastante cultuado no cenário independente. Eles já passaram por festivais como Goiânia Noise, Abril Pro Rock e a Virada Cultural de São Paulo. Antes disso, os primeiros dois discos do trio teve o selo da Monstro Discos, gravadora de Goiânia que, estatísticamente comprovado, é uma das gravadoras que mais lança discos hoje no Brasil. O Retrofoguetes, da Bahia, teve seus primeiros discos lançados por lá.</p>
<p>Apesar de ter artistas em comum, o modelo da Trama não parece algo muito amigável para os selos que andam próximos da gravadora. “Não pensamos em operar assim não. O esquema é muito legal e tal, mas acho que não é o jeito que a Monstro pretende”, comenta o diretor comercial da Monstro, Leo Bigode. “Eu particularmente acho que você acaba ficando refém de um esquema que não é o real, não é o verdadeiro. Depender de um patrocinador todo mês em um país burro com a cultura como o Brasil é arriscado demais para mim”, provoca.</p>
<p>Uma das bandas mais representativas do selo, a roqueira MQN, já chegou a abandonar oficialmente os álbuns em CD. “Custos altos, subordinação ao estabelecido, problemas de distribuição e mais”, eram alguns pontos listados por Fabrício Nobre, sócio da Monstro e vocalista da banda, ao lançar o manifesto “Fuck CD” e declarar que “o MQN está abandonando o formato de compact disc e tudo que ele representa”. O formato adotado por eles era mais saudosista: o vinil.</p>
<p>Além do MQN, a Monstro lançou artistas com o Wry e Uncle Butcher em compactos de vinil. “Eu não acho que isso virou uma realidade ainda no Brasil porque o preço ainda está muito além da nossa realidade e isso dificulta”, comenta Leo Bigode. Segundo o produtor, “a relação do vinil com a Monstro vem antes de toda essa onda começar a rolar. Nós começamos trabalhando com vinil em 1998, então estamos voltando a trabalhar com o formato independente de moda, porque adoramos ele”. Para os sócios da gravadora, uma das esperanças ainda está na PolySom, que voltará a produzir vinil no Brasil.</p>
<p>Apesar disso, Leo Bigode reconhece que os CD’s lançados pela gravadora sempre tem algum retorno. “Retorno instituicional não vale, né? , brinca. “Retorno financeiro não são todos. Alguns sim, outros não, um título acaba vendendo mais que o outro”, e ainda arrisca uma comparação inusitada. “Vender discos é como vender macarrão. O Spaghetti vende mais que que o penne e um acaba bancando o outro”.</p>
<p>Apesar da corrida pelos formatos, o que a Mostro Discos está focada é na relação com o público. “Nossa estratégia esse ano é estabelecer uma relação diferente. Os CD’s, músicas, merchandising e etc serão feitos como sempre fazemos. A relação com o público é o lance onde pretendemos fazer diferente”, explica o produtor.</p>
<p>Mas a realidade dos patrocínios não é tão distante desses selos. Além de lançar discos, a Monstro Discos produz eventos como os festivais Goiânia Noise e Bananada, centrais no atual circuito independente do país, e o primeiro com patrocínio de empresas locais, além de eventuais apoios da Petrobras através de editais. Quem opera de maneira similar é a produtora DoSol, de Natal, que esse para esse ano já garantiu patrocínio da operadora Oi e da Petrobras para o festival que realizam no segundo semestre.</p>
<p>“Desde que paramos de lançar discos físicos desistimos de tentar ganhar algum dinheiro com isso”, explica o produtor Anderson Foca, quando indagado se já pensaram em concentrar esse esforço no selo. “Acho que temos outras maneiras de fazer isso, usando o áudio como uma isca, camisetas, ingressos, adesivos e por ai vai”, comepleta. O DoSol NetLabel, declaradamente virtual, já fez mais de 40 lançamentos virtuais até hoje.</p>
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		<title>Periferia conectada</title>
		<link>http://www.popup.mus.br/2009/10/22/periferia-conectada/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 14:02:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[Periferia]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado originalmente no jornal A Tarde, de Salvador A palavra “sucesso” se tornou um dos verbetes mais complexos do vocabulário da indústria do entretenimento nos últimos 20 anos. Sem os parâmetros tradicionais que antes elencavam um artista, cada um encontrou maneiras diferentes de eleger – além da estética da própria música, claro – quem está [...]]]></description>
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<blockquote><p>Publicado originalmente no jornal <a href="http://www.atarde.com.br" target="_blank"><strong>A Tarde</strong></a>, de Salvador</p></blockquote>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2435" title="lanhouse" src="http://www.popup.mus.br/wp-content/uploads/2009/10/lanhouse.jpg" alt="lanhouse" width="510" height="381" /></p>
<p>A palavra “sucesso” se tornou um dos verbetes mais complexos do vocabulário da indústria do entretenimento nos últimos 20 anos. Sem os parâmetros tradicionais que antes elencavam um artista, cada um encontrou maneiras diferentes de eleger – além da estética da própria música, claro – quem está ou não em destaque. Uma das saídas mais honestas parece ter sido a da mídia tradicional de dar mais atenção ao próprio público e onde eles estão clicando na internet em buscas de novidades. “Parece”, porque em termos concretos, a mídia parece estar sempre atenta ao público errado.</p>

<p>Um dos melhores exemplos é o da cantora paulista Mallu Magalhães, que sempre aparece nas matérias de revistas precedida de “fenômeno da internet” por ter conseguido somar 1 milhão de visitas em sua página no MySpace em nove meses. Nada mal, de fato, mas pouco se considerado que bandas como a baiana Parangolé ou a dupla MC Bill e Bolinho conseguem duas vezes mais acessos em menos da metade desse tempo. Ao contrário do retrato feito em matérias, a periferia é muito mais conectada que o centro.</p>
<p>Diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, o professor Ronaldo Lemos sempre pontua suas idéias sobre o assunto com o dado de que “as classes A, B e C são apenas 15% da população no Brasil”. Segundo ele, que é co-autor do livro Tecnobrega – O Pará Reinventando o Negócio da Música. “Quando vemos um YouTube e Redes P2P sendo usadas por artistas da classe A e B, vemos inovação; mas quando a gente vê a periferia usando essas ferramentas, pensamos pirataria, mal gosto e uma série de defeitos”, diz.</p>
<p>Ronaldo Lemos é um dos responsáveis pelo “Projeto Lan-House”, que a FGV está desenvolvendo em Salvador e outras capitais do país. ”Nosso projeto é ajudar os donos desses espaços a dialogar com um mercado formal, para evitar pressões de grupos como polícia, bombeiros, etc”, explica o professor. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, cerca de 68% dos acessos a internet no Norte e Nordeste do país em 2008 partiram de lan-houses. É lá que artistas como o Parangolé, Pagodart e Desejo de Menina são acessados diariamente por pessoas que nem necessariamente usam computador.</p>
<p>É o caso da empregada doméstica Maria das Graças Galvão, de 41 anos de idade. Ela não tem, nem nunca usou um computador, nem sabe como as coisas funcionam na internet. Mas ela, que mora na Boa Vista do Lobato, comprou um player MP3 simples por R$ 120. “Parcelei em 12 vezes”, conta, sem esconder o riso de quem acha a situação engraçada. Graça, como é chamada pelas amigas, visita uma lan-house pelo menos duas vezes por mês para recarregar o aparelho com músicas. “Eu só digo a eles que quero mais românticas ou então dançante, não escolho as bandas”, conta. No entanto, ela não se faz de vítima “eu escuto antes de pagar, se não gostar, falo para trocar tudo”.</p>
<p>O dono da lan-house onde Graça recarregava as músicas cobra R$ 20 pelo serviço e tem medo que, se identificar seu negócio em um jornal, possa ter que fechar o lugar. “Eu gravo música até para amigos que são policiais, eu sei que não são eles que vão fazer isso, mas se sair em um jornal assim, o pessoal vai querer arranjar problema”, se defende. Quando perguntado quem seriam as pessoas, ele não responde as gravadoras, mas “os artistas, né?”. Segundo ele, a principal fonte para o download de música está no orkut.</p>
<p>Mas, ao contrário do que pensa, os artistas não se incomodam com a divulgação espontânea. Diferente de artistas de gravadoras, que tem um departamento inteiro para pensar em ações na internet, a divulgação de bandas como Calypso e Parangolé partem quase que totalmente dos fãs. “Se eu faço um show de tarde, chego em casa de noite e já tem tudo no YouTube”, diz Léo Santanna, vocalista do Parangolé. “A gente não pede, nem fala nada em relação a isso, é uma coisa dos fãs mesmo”, conta ele que é fanático confesso em ficar conectado na rede.</p>
<p>Os números do Parangolé são bem impressionantes. Eles tem cerca de 750 comunidades, algumas com mais de 60 mil usuários. Todas criadas, mantidas e movimentadas pelos fãs. “Tem até perfil falso meu, que as pessoas criam tentando enganar os outros”, conta o músico que assinou contrato com a gravadora Universal em julho, graças a essa movimentação toda. Segundo Ronaldo Lemos, “os artistas mais populares do Brasil hoje são lançados nessas redes que não dependem mais da mídia tradicional”.</p>
<p>A periferia conectada não está nas redes sociais da moda, como o MySpace ou Facebook. Uma pesquisa que a Fundação Getúlio Vargas nas lan-houses mostrou que o público usa mais o Orkut e o site Flogão. “Essa diferença no uso dos espaços não vem nem da internet, mas de um sentimento de pertencimento, de querer agregar a pessoas que são parecidas com você. Além do fato dos sites serem em inglês contribuírem para isso. Parece que não faz diferença nas classes A e B, mas na prática faz muita diferença sim”, explica Ronaldo Lemos.</p>
<p>A comunicação multilateral das redes sociais não é o único espaço onde estão essas músicas. No caso do pagode baiano, por exemplo, existem sites como o “Júnnior do Cavaco”. Foi criado a cinco anos, quando seu fundador que dá nome ao espaço se mudou para São Paulo e não queria ficar distante da música que gosta na Bahia. Hoje, tem uma equipe de quatro pessoas e lá está o acervo disponível para download de praticamente todo o novo pagode baiano. “A internet está ai para todos”, comenta Edy Bateya, diretor de mídia do site, “somos acessados em lan-houses, no trabalho, isso facilitou demais o trabalho”.</p>
<p><strong>Questão de gosto</strong> | Um dos maiores alarmistas da nova sociedade em rede, o autor londrino Andrew Keen, não vê essas transformações com otimismo. Em seu livro “O Culto do Amador”, ele afirma que sites como o Orkut e YouTube nivelam a produção cultural por baixo, criticando que a música apresentada lá em nada se assemelha com uma suposta qualidade que seria garantida pelas gravadoras. Ele defende a posição dos editores, que fazem a triagem e modelam o que deve ou não ser apresentado ao público, em favor das pessoas publicarem livremente qualquer música na internet.</p>
<p>“A visão dele é bastante simplista”, comenta Ronaldo Lemos, que também representa no Brasil a organização não-governamental Creative Commons, que procura criar maneiras para artistas licenciarem suas obras sem precisar passar pelas gravadoras. “A questão da qualidade, antes, com a mídia tradicional, fazia algum sentido. A mídia fazia o papel de árbitro do gosto, mas isso não existe mais hoje”, defende. Segundo o professor, que também era curador do Tim Festival, a qualidade hoje é reflexiva e precisa ser analisada a partir do contexto social em que se pertence.</p>
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