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Toque no Brasil

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Entrou no ar ontem, em modelo ainda experimental, o Toque no Brasil. Decidi esperar passar um dia para falar sobre ele aqui no Pop up, primeiro por ter sido convidado a dar uns pitacos no site – e saber que ele ainda iria ser modificado em alguns detalhes – e segundo por curiosidade morbida de ver como ele reagiria ao dia de lançamento. Em termos bem práticos, o Toque é uma rede social a favor de circular a música no Brasil. É um modelo parecido com o americano Sonic Bids. Se você tem banda, pode se cadastrar lá e dizer que está afim de tocar no país e a troco do quê. Se você é produtor, então pode incluir seu evento ou casa de show lá, dizer que tipo de bandas está interessado e a troco do quê elas vão tocar no seu espaço.

É um grande facilitador de contatos. Já começou com 700 shows cadastrados graças a uma parceria com os coletivos Fora do Eixo e sua cria, o festival Grito Rock. Somente no primeiro dia, espalhando a notícia por twitter e blogs, foram mais de 500 bandas cadastradas. Quem está por trás da idéia é a BMA (Brasil Musica e Artes), Abrafin, o Circuito Fora do Eixo e as Casas Associadas. Em breve, a Feira da Música de Fortaleza também deve abrir vagas para tocar no evento lá e, com o tempo, as casas de show vão se organizando para fazer o mesmo.

Vai ser interessante observar, ao longo do ano, como essa ferramenta se desenvolve. Fico pensando na média de artistas cadastrados na Trama Virtual, que é de 68 mil – mais uma vez, para frisar, 68 mil – e se isso vai mudar de alguma forma o gráfico das programações dos festivais. Lembrando que o Toque no Brasil não é um sistema de cotas. Não se toca apenas por estar cadastrado. É só uma forma de abrir a visão a artistas e produtores da quantidade de eventos que existem em todo o país, na esperança de criar uma interação maior…

Noites Abrafin no Porto Musical

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Além da programação de conferencistas, que já falei aqui no Pop up (representantes do SXSW, LastFM, Sire Records, só para listar alguns), e dos showcases que saiu recentemente no site oficial (Curumin, Mad Professor, Burro Morto, entre outros), o Porto Musical vai hospedar uma das reuniões anuais da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin). Aproveitando a passagem de produtores de eventos em todo o país, acontece na cidade mais uma vez a “Noites Abrafin”, este ano em parceria com a turma do Fora do Eixo.

Quem produz as três noites, que terão basicamente bandas do Nordeste – a exceção é a Dimitri Pellz do Mato Grosso do Sul – é a turma do Lumo Coletivo. Eles descolaram o palco no primeiro andar do bar Burburinho, perto de onde tudo acontece no festival. A ótima programação encerra com as três melhores bandas de rock da cidade – Vamoz, Amp e Sweet Fanny Adams – e também apresenta o novo som da Nublado (PB) e Rejects (RN), que foram citadas recentementes aqui no blog.

Dia 18
23:30 Amps & Lina (PE)
00:10 Calistoga (RN)
00:50 Irmãos da Bailarina (BA)
01:30 Sweet Fanny Adams (PE)

Dia 19
23:30 Nuda (PE)
00:10 Nublado (PB)
00:50 Reject (RN)
01:30 Vamoz (PE)

Dia 20
23:30 Candeias Rock City (PE)
00:10 Plastique Noir (CE)
00:50 Dimitri Pellz (MS)
01:30 Amp (PE)

“Parece que tá se formando uma cena”

O vídeo acima é um gostinho do que aconteceu até agora, de 2008 para cá, nos festivais de música independente em todo o Brasil. Não sei se é por ter presenciado boa parte desses momentos, mas a seleção de imagens – bem generosa com o Nordeste – é simplesmente de arrepiar. Obra do Beto, figura da Trama Virtual que tive a oportunidade de conhecer e trocar idéias em vários desses shows Brasil afora. São trechos do Goiânia Noise, Bananada, Calango, Abril Pro Rock, Recbeat, DoSol, Mada, Ponto CE e PMW, entre outros, com momentos de entrevistas e apresentações das bandas.

Em um determinado momento, Daniel Groove, da banda O Sonso, de Fortaleza, comenta que parece que finalmente está se formando uma cena no país. Mas na verdade, para pelo menos um bom grupo de pessoas, essa cena já se formou. Penso nos diversos amigos que fiz nesses shows e como acabamos nos encontrando várias vezes ao longo do ano, dividindo vans e ônibus entre cidades, sempre atrás de mais um show. Acho que já atingimos a melhor forma desse modelo. Agora é só crescer cada vez mais!

E a Oi olhou mais uma vez para uns independentes

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Uma das notícias que mais repercutiu aqui no Pop up ano passado foi o novo edital de patrocínio lançado pela Oi. Talvez o único criado por uma grande empresa privada que contemplou festivais independentes. E esse ano eles repetiram a empreitada. Ao divulgar a lista dos contemplados para 2009, a lista conta com o Festival DoSol e, agora, também o Ponto CE. Mais do que coincidência, já que os dois (integrantes da Abrafin) são quase festivais irmãos, acontecendo no mesmo fim de semana. Um em Natal, outro em Fortaleza.

Ano passado o DoSol teve uma de suas edições mais históricas (e a única que eu perdi até agora) com show das The Donnas e uma verdadeira maratona de rock em três dias de festival. Já o Ponto CE conseguiu trazer pela primeira vez para o Nordeste ninguém menos que o Bad Religion. Com a ajuda extra, agora, não tem desculpa para baixar o ritmo e realizar mais novas edições históricas para 2009.

A nova gestão da Abrafin

Ontem teve a votação para nova gestão da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (abrafin). Apesar do presidente continuar sendo Fabrício Nobre, do Goiânia Noise / Bananada, quase todos os outros cargos tiveram mudanças. A chapa assume pelos próximo dois anos agora na configuração que está logo abaixo. Na principal novidade, está a saída de Paulo André (Abril Pro Rock) da vice-presidência e entrada de Pablo Capilé (Calango) no lugar.

A coordenação continua quase toda com os festivais mais antigos. Até porque eles precisaram enfrentar um dos períodos mais difíceis para a associação. Afinal, a crise econômica aperta onde doi mais nos festivais, que é o bolso do Patrocinador. Mas já tem alguns eventos mais novos ocupando cargos importantes. Por sinal, para quem ainda não sabe, a Abrafin faz três reuniões anuais. Quem quiser se filiar, só tem agora mais duas chances de pegar o encontro. O próximo será na Feira da Música / Porto Musical, no Recife em maio. A terceira é em dezembro.

Dessa primeira reunião, além da nova gestão, teve a divulgação oficial de seis novos festivais na Abrafin: Festival Mundo (PB), Forcaos (CE), Macondo Circus (RS), 53hc (BH), Cururu Siriri (MT) e Release Alternativo (GO). Agora são 38 afiliados em todo o país. O resultado saiu depois de dois dias inteiros de reunião em Brasília, com a presença de 25 festivais, além de alguns órgãos importantes como o Ministério da Cultura, o Senaes e o Sebrae. Resta agora esperar pelo planejamento 2009 e pesquisa feita por Bruno Ramos, que deve sair em março.

É interessante perceber como a Abrafin parece estar numa constante montanha russa. Os maiores problemas deles na primeira etapa aparentemente tinham passado até agora – em parte, uma repentina maturidade dos principais críticos a Associação em reconhecer os resultados dos trabalhos realizados – mas a subida tranquila foi só para uma nova queda. A crise financeira já afastou o principal patrocinador de cultura do país de cenário. A Petrobrás agora só libera verba através de edital (antes, ela escolhia vários eventos para apoiar diretamente). Por muito pouco não deixou até o Flamengo na mão.

Se num primeiro momento os festivais fizeram questão de serem ouvidos e percebidos, parece que chegou a hora de mostrar o que eles tem efetivamente a dizer. A recuada da Petrobras, mudanças na Lei Rounet e na gestão pública municipal de boa parte das capitais vai servir de provação para o sempre controverso termo “independente”. Alguns eventos já estão se preparando planos B, para garantir que vão acontecer mesmo sem patrocínio nenhum. É esperar e ver o resultado.

E boa parte da responsabilidade vai estar com essa turma aqui, ó:

Presidente: Fabricio Nobre – Goiania Noise Festival (Goiânia – GO)
Vice-Presidente: Pablo Capilé – Festival Calango (Cuiabá – MT)
Secretario Geral: Talles Lopes – Jambolada (Uberlândia – MG)

Diretor Financeiro: Leonardo Belém (Leo Bigode) – Bananada (Goiânia – GO)
Diretora de Comunicaçao: Marielle Ramires – Grito Rock – (Cuiabá – MT)
Diretor Institucional: Aluizer Malab – Eletronika (Belo Horizonte – MG)
Diretor de Ação Internacional: Paulo André Pires – Abril Pro Rock (Recife – PE)
Diretor de Açao Politica : Daniel “Zen” Santana – Varadouro (Rio Branco – AC)

Conselho Fiscal: Paulo “Linha Dura” – Consiencia Hip Hop (Cuiabá – MT), Andre “Pomba” – Mix Music (São Paulo – SP), Luis Mathias – Demo Sul (Londrina – PR) e Rodrigo Lariu – Evidente (Rio de Janeiro – RJ)

Representação no Nordeste: Ivan Ferraro – Feira da Música  (Fortaleza – CE)
Representação no Norte: Vinícius Lemos – Festival Casarão (Porto Velho – RO)
Representação no Sul: Vladmir Urban – Psycho Carnival (Curitiba – PR)
Representação Sudeste: Cláudio Rocha – Primeiro Campeonato Mineiro de Surf (Belo Horizonte – MG)
Representação Centro Oeste: Gustavo Sá – Porão Do Rock (Brasília – DF)
Representação Ibero Americana: Fernando Rosa – El Mapa de Todos (Brasília – DF)