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Chame mais atenção

Conversando com outros colegas produtores de festivais e jornalistas, veio a tona como muitas bandas nunca se deram conta da importância de ter uma ferramenta simples a seu dispor. Para quem vive só de música, tipo cada vez mais raro, é fundamental hoje ter um blog (diário virtual) para contar todos os detalhes da banda. Ensaios, músicas novas, shows, estradas. Ter um canal direto com o público. Essa é a principal vantagem, por exemplo, do site MySpace, muitas vezes reduzido a um espaço apenas para colocar música.

Talvez soe uma dica muito simples, mas quem acompanha notícias de música vai perceber que quase todos os veículos sempre falam de um artista seguido da frase “escreveu recentemente em seu blog que…”. E, mesmo parecendo simples, nenhuma das grandes bandas de Pernambuco tem um canal de comunicação direto com o público. Se você acha que sua banda tem algo a dizer, existem várias ferramentas gratuitas para isso. Além do MySpace, a TramaVirtual, Blogger, Uol Blog, etc.

Sopa
Hoje, o programa Sopa Diário, apresentado por Roger de Renor, vai ter participação da banda Rivotrill.  Relativamente novo do Recife que vale a pena ficar atento. Fizeram um elogiado show na última edição do festival RecBeat, com direito até a cover de Jethro Tull.

Revista
Se a Bizz realmente acabar, como andam falando, não vai ser mais um triste fim. Na última edição, foi publicada uma das mais desnecessárias coberturas do festival Abril pro Rock. Duas pessoas para dizer que a maconha do Recife anda ruim, a comida boa e que a Soparia não existe mais. Jornalismo bem preguiçoso, a caça de clichês locais.

Inverno
A semana bateu recorde de emails perguntando pela programação do Festival de Inverno de Garanhuns. Mas, assim como o Circuito do Frio, a notícia é de que os interessados ainda devem aguardar. Não tem previsão para a nova produção divulgar os nomes, mesmo faltando um mês para o evento.

De fora
A banda de electro-tango Gotan Project poderia tocar no Recife na próxima turnê que fará ao Brasil. Poderia. Estava na pauta de interesses do centro cultural que será criado no Cinema São Luiz. Mas, como a Fundarpe continua dificultando a finalização da obra com questões do tipo “que tipo de tela vocês vão usar”, a cidade perde.

Novas mudanças

Depois de visitar tantos festivais, ficou meio claro que aquele formato clássico de grande evento para 10 mil pessoas acabou. A tendência parece ser realmente diminuir. Perder o público interessado apenas na “balada”, para ficar aquele que gosta mesmo de música. As últimas três edições de eventos como o Porão do Rock, em Brasília, e o nosso Abril pro Rock, servem de exemplo de que quantidade de público não é mais equivalente à qualidade dos shows.

Depois da queda de importância do disco, essa é a segunda mudança mais significativa desse novo tempo da música. O que significa que quem precisa dessa cadeia para sobreviver, vai ter que se adaptar. A maioria das bandas ainda não se adaptou a isso. Fazem shows que são pura transposição do estúdio de ensaio. Sem atrativo visual ou o menor cuidado cênico. Até se tocarem dessa importância, devem perder bastante público e oportunidades de entrarem em festivais.

Vizinho hermano

Já pensou ser vizinho do Marcelo Camelo, do Los Hermanos? Isso não está longe de acontecer. Depois desse recesso da banda, ele está se organizando para vir morar aqui no Recife. Não fosse o bastante, já tem evento tentando marcar apresentação solo dele na região.

Novidade

O DJ Dolores já está com o disco novo finalizado. Ele adianta que as músicas estão bem diferentes do anterior Aparelhagem. Sem data certa para ser lançado, existe a chance do CD sair junto com um livro de ilustrações. Para quem não conhece, os ótimos desenhos de Dolores estão na última edição da revista Ragú.

Metal na TV
Agora, o público headbanger do Recife vai poder acompanhar um dos programas mais populares de Heavy Metal no Brasil. O Stay Heavy passa a ser exibido na região metropolitana pela TV Nova (canal 22 na grade aberta e 29 pela operadora Cabo+). O programa vai ao ar todas as segundas-feiras, das 19h às 20h.

Revistas
A história que corre, ainda nos bastidores, é que a revista Bizz deve sair de circulação de novo até o fim do ano. Enquanto eles ainda sofrem para conseguir um anunciante, a última edição da concorrente RollingStone veio com 54 páginas inteiras de propagandas. Este mês, a primeira também perdeu todos seus principais colaboradores para a segunda.

Atualizem suas playlists!

Sabe o Wry? Essa semana chegou um email do Mário Bross, vocalista da banda, com o seguinte recado: “acabamos de jogar 4 musicas novinhas do Wry na nossa pagina no Myspace“. Quatro músicas que, vale destacar, são todas ótimas. Lá no espaço deles você só escuta, mas aqui para o Pop up o download foi liberado. Escolhi a mais legal, na minha opinião, Sister. Para quem anda sonâmbulo das informações, o Wry é aquela banda de Sorocaba que se mudou para a Inglaterra e agora é aquela banda da Inglaterra. Pega seu encarte do Rakes, Subways e todas as novas bandas bacanas daquele lado do mundo e dá uma lida nos agradecimentos. Achou? Então…

MP3 | Wry – Sister

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Na mesma linha do Wry, e também com novidade circulando no MySpace é a Sweet Fanny Adams, do Recife. Fazia tempo que queria ver uma banda assim dar as caras na cidade e acabei tomando gosto de verdade pelas músicas. Eles apareceram pela primeira vez num concurso de bandas de estudantes para tocar no Abril pro Rock – de onde nunca vou esquecer a quase traumática audição de 170 CDs – e foi um dos quatro finalistas. E como o MySpace meio que definiu o novo “formato demo da era MP3″, eles também lançaram cinco músicas. Minha favorita é a Flaming Veins. O nome esquisito da banda é tipo uma versão britânica para o nosso “…a inês é morta”.

MP3 | Sweet Fanny Adams – Flaming Veins

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E o Interpol?

Já tem data certa para você ouvir a primeira faixa do novo disco do Interpol. Dia 07 de maio, quando The Heinrich Manouver chega as rádios na Europa. Segundo a revista Spin, o nome do terceiro trabalho da banda será Our Love to Admire e tem data oficial de lançamento no distante 10 de junho. Durante o show do Coachella eles aproveitaram para mostrar algumas novas para o público. De acordo com a cobertura da RollingStone americana, as músicas parecem bastante com a dos dois álbuns anteriores, só que mais alegre. Não ajuda tanto, mas já mata um pouco da ansiedade. No vídeo do show, a música Obstacle 1.

http://www.youtube.com/watch?v=Jf33das2FCw

Próxima parada… Mada, Natal!

CSS Quinta-feira chego em Natal para cobrir o festival Música Alimento da Alma, o Mada. Preso entre um gigante feito o Coachella e o nacional Skol Beats, podem pensar “pô, Mada?”. Mas sim, Mada! Afinal, quem chega nesses eventos maiores passa antes pelos festivais independentes. Ano passado, quando ainda nem sonhava que estaria no Jools Holland ao lado do Arctic Monkeys, o Cansei de Ser Sexy fez um dos melhores shos dos três dias de evento. Espaço bom para ficar atento a novidades, este ano estarão se apresentando Rockassetes, Pública, Móveis Coloniais de Acaju e Madame Saatan, entre outras bandas que por enquanto são mais faladas que ouvidas.

A foto ao lado eu tirei na edição do ano passado. Foi quando Lovefoxxx desceu do palco e se grudou com o público. Catarse foi o mínimo para descreve. Antes mesmo de começar a tocar, quando subiram no palco para ligar os instrumentos, a grade já era empurrada aos gritos por um monte de gente. Semanas depois, elas já estavam de malas prontas para a Europa. O que aconteceu depois, a gente já ficou até cansado de tanto saber.

Eta Carinae na Internet

Semana passada, falei na coluna que era burrice para uma banda como o Eta Carinae sair da Internet. Dirceu Melo, fundador e vocalista da banda, também concordar e fez questão de entrar em contato para explicar que não é isso que vai acontecer. O que foi publicado em outros jornais, na verdade, foi um erro de comunicação. A idéia é tirar o disco completo, mas deixar pelo menos até cinco faixas e experimentar o potencial de venda do CD. Também avisa que esta foi a condição dada por uma produtora francesa para negociar shows da Eta Carinae na Europa.

O que transfere a crítica, então, para a própria produtora. Nenhum artista independente deveria ser submetido a sair – mesmo que em parte – de seu principal meio de circulação; a Internet. Não existe histórico de nenhuma banda, seja de grande gravadora, pequena ou independente, que se prejudicou porque estava com suas músicas na Internet. Pelo contrário, cada vez mais festivais, gravadoras e o público têm dado mais valor com quem consegue se comunicar diretamente, sem intermediários.

Abril pro Rock
A maratona de shows começa sexta-feira. Duas dicas para quem não quiser perder um só momento: o ingresso social funciona de maneira simples. Você doa 1kg de alimento e paga R$ 30 no lugar do ingresso inteiro. A outra dica é o passaporte. É só combinar com aquele amigo que vai no sábado e com o outro do domingo para dividir a conta. Sai mais barato até que a meia-entrada. E uma dica pessoal: não perca o The Film, domingo.

PE no Rock
Está no ar o site com do festival PE no Rock. Ele tem informações sobre todas as bandas que vão tocar, incluindo a confirmação que o festival trará Andrew Tosh – filho da lenda do reggae Peter Tosh – junto com os detalhes para a seletiva das bandas. O endereço é o www.penorock.com.br

Errata
Semana passada cometi erro imperdoável na resenha sobre o ótimo disco de Gonzaga Leal. Durante audição e transcrição, confundi a voz do jornalista e ex-Ave Sangria Marco Polo com a do próprio cantor. Na verdade, é Polo quem conta, no fim do disco, sobre “a verdadeira história de Seu Waldir”.

Abril pro Rock 2007 – Terceira noite

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Poucas pessoas foram conferir o encerramento do festival Abril pro Rock, que aconteceu no último domingo no Centro de Convenções. Mesmo com a presença quase mística do jamaicano Lee “Scratch” Perry, uma das maiores lendas ainda vivas do reggae – gênero que o Recife é dito ter um dos maiores públicos no Nordeste – apenas cerca de 2 mil pessoas preenchiam o pavilhão. E apesar do pouco prestígio, a noite não deixou de apresentar shows muito bons.

Começando pelo terceiro e menor palco, com o coletivo Êxito d’Rua. Apresentação bem armada, com hip hop de muita qualidade, mostrada para quase ninguêm ainda às 18h. O grupo, que também faz trabalho sociais, acabou sendo assistido mais pela representatividade do público de sua própria comunidade. Ainda assim, não deixou de ser o melhor show daquele palco, que também recebeu a goiana Valentina.

Da terra dos festivais Goiânia Noise e Bananada, o show da Valentina foi bastante dividido. Talvez pela tensão da estréia numa cidade distante, começaram mais lentos, tocando um quase emocore que estranhava. Com pouco tempo para resolver isso – eram 20 minutos de show – eles acertaram o ritmo já perto do final. Mais rápido e com muito mais maldade conseguiram sair sem deixar má impressão. Deixou a sensação de que o show deles é preciso ver com mais calma, num outro contexto, para funcionar como realmente promete pelas faixas do bom disco.

A diversidade de ritmos deste domingo foi tanta que ficou dificil acompanhar todas as apresentações. Hip hop, rock, forró, eletrônica, pop, reggae e samba não conseguiam se misturar muito entre o público. O resultado saiu positivo para os pernambucanos que tocaram neste dia. No segundo palco, Canto dos Malditos na Terra do Nunca e Rebeca Matta acabaram sendo desnecessárias – a primeira, aliás, muito desnecessária – na programação. Ponto alto com a vocalista do Canto dos Malditos (que é irmã de Ronei, da banda Ronei Jorge e o Ladrão de Bicicletas, que tocou na sexta) que na segunda música diz “gente, desculpa aí mas é que eu to fudida. Mas vamos lá“.

Neste mesmo palco, Monomotores e a Orquestra Contempoânea de Olinda deram um suspiro muito bom para as cenas locais da cidade, passando recado que esses novos nomes prometem mudanças significativas na nossa música. Principalmente a Orquestra, que parece ter conseguindo dar um esforçado passo adiante da sonoridade que vem da cidade patrimônio. Fizeram o segundo melhor show da noite, atrás apenas do próprio Lee Perry.

E, claro, está foi a esperada noite do The Playboys. Pessoalmente, discordo muito da presença deles no Abril pro Rock. De ambas as partes. Podiam ter dado uma nova força a piada do Paulo André não me Ouve se negando tocar no festival – aí sim, a história ganharia um tom sério – enquanto o próprio produtor podia ter passado mais tempo sem ouvir a banda. Explico: seus integrantes são os primeiros a declarar a não-seriedade da intenção de viverem como músicos. Como teatro, vale ressaltar, são ótimos. Mas como aconteceu com o Massacration, nenhum boa piada dura longos 25 minutos. Me deixou a impressão de que, com o show deles, a história acabou não surtindo efeito.

Só para não ser todo do contra, a plaquinha que colocaram de “Palco 4″ e “Se vira nos 25″ foram as melhores tiradas. Junto com o cartaz do “Ele ouviu”. =)

No palco principal, a boa intenção de valorizar a música regional com os Mestres do Forró acabou expondo um público que ainda tem pouca maturidade para uma mistura tão rádical entre forró e rock. Pouca gente conferindo, cerca de 3 casais dançando. As mais desconhecidas da noite, The Film (França) e Los Alamos (Argentina) também sofreram um pouco do mesmo. Apresentações que ainda fazem muita falta aqui no Recife, pouco valorizadas na programação deslocada.

Ambas mereciam um show solo em alguma possível turnê pelo Nordeste. A banda francesa tem uma energia de dar inveja, considerando que estavam em frente a um público que quase não dançava seu rock instigante. Referências a The Clash estalam a todo momento que tocam, com exceção do ponto alto do show na música Can you touch me, cantada com um vocoder. Enquanto o show do Los Alamos foi uma montanha russa. Acelerava – e ficava ótimo nessas horas – e depois acalmava. De todos que tocaram nesta noite, aposto todas minhas fichas que esta foi a banda que saiu com mais fãs na bagagem.

Toda a dispersão da noite era porque o público presente aguardava mesmo a chegada de Lee Perry. Sua figura não se confunde com a de um pastor por acaso. O show foi uma pregação da religião rastafari do começo ao fim. Comprometimento que espantou uma boa parte do público, mais acostumado com o reggae fácil que predomina hoje. Cheio de “tiques” exquisitos, enquanto sua banda ainda tocava os últimos acordes, Lee Perry já havia descido do palco e saido do Centro de Convenções. “Fuga” abrupta, assim como o encerramento da noite.

Assim que achar o cabo usb de minha câmera prometo postar aqui a foto do setlist de Perry, junto com a divertida porta de seu camarim =)

Foto de Guilherme Moura, do RecifeRock!