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Vamoz e AMP

As duas melhores bandas de rock do Recife vão tocar juntas na cidade. Vou até jogar lenha na fogueira aqui e perguntar: quem tá na frente? O páreo é complicado, com a Amp voltando de um intensivo do rock em terras centrais. Tocaram no Bananada (show número nove!), Porão do Rock e Calango. Estão afiados e com pique da estrada. Enquanto isso, a Vamoz fez um show no último fim de semana que… bem, que o lugar pegou fogo de verdade.

Quem não quiser perder o encontro histórico – posso estar enganado, mas a única vez que as duas estiveram juntas aqui foi no Abril Pro Rock. Uma no começo, outra no fim da noite, então nem conta – favor se reportar ao Burburinho, no Recife Antigo, que agora está com palco e estrutura de som totalmente reformada. Será neste sábado e só custa R$ 5

Porão do Rock 2008: Programação

O maior festival da capital do país sempre teve pré-disposição ao mega. Mesmo quando diminuiu a programação para dois dias, o Porão do Rock continuou investindo mais pesado nas atrações internacionais. Esse ano, tem uma grande banda contemporânea, o Muse, e outra gigante do milênio passado, o Suicidal Tendencies. A escalação é elogiosa sim, tem Matanza, Autoramas, Mukeka di Rato… mas confesso que não me agradou em particular. Poucos nomes de pequeno porte e o exagero de médio porte fez parecer que 12 bandas por dia é pouco. Mas minha ressalva maior é na repetição do Supergalo. A cena de Brasília sempre foi muito central no rock brasileiro e, últimamente, teve um ressurgimento gigante para repetir em dois anos seguidos uma de suas novas bandas mais sem graças na minha opinião.

SEXTA – 01/08
Palco principal
Suicidal Tendencies (EUA)
Matanza (RJ)
Mukeka di Rato (ES)
Almah (SP)
Nitrominds (SP)
Madame Saatan (PA)
Sayowa (SP)
MQN (GO)

Palco pílulas
Kill Karma (Espanha)
Maldita (RJ)
Black Drawing Chalks (GO)

SÁBADO – 02/08
Palco principal
Muse (Inglaterra)
Papier Tigre (França)
The Tandooris (Argentina)
SickCity (Alemanha)
Pitty (BA)
Autoramas (RJ)
Mundo Livre S/A (PE)
Supergalo (DF)
Canastra (RJ)

Palco Pílulas

Orgânica (SP)
Amp (PE)
Tom Bloch (RS)

Vale lembrar que, alguns dias depois, com o mesmo nome de “Pílulas Porão do Rock” rola o The Hives em BSB. Taí um show que queria muito ver esse ano.

To the gig, on the road

Meu ego tá lá em cima. Tudo bem que no inverno o movimento migratório das bandas do Recife sempre aponta para o sul, mas olha o email que o Marcelo manda: “Nuda toca aqui em BH em uma festa que estou fazendo e achei legal te avisar, já que conheci a banda através do seu blog“. Legal, hein? Olha as datas deles:

07/06 – Belo Horizonte, no Matriz – Festa do Outro Rock – Organizado pelo Fórceps.
08/06 – Uberlândia, no GOMA – Organizado pelo coletivo local Goma.
12/06 – Goiânia – Egg Music
14/06 – Cuiabá – Festival Volume/Segundo Dia

Quem também está de passagem pelo centro-oeste e sudeste é a Orquestra Contemporânea de Olinda. Desse vez acho que não foi culpa minha. Os shows deles:

07/06 – FESTA DO RONCA RONCA (OI FM) – RJ – 22h
12/06 – SESC POMPÉIA – SP – 21h
13/06 – SESC CAMPINAS – 19h30 – Orquestra Contemporânea de Olinda e Alceu Valença
14/06 – FNAC – BRASILIA – 17h
14/06 – ARENA – BRASILIA – 22h – Orquestra Contemporânea de Olinda, Buguinha DUB e Casa de Farinha.

Em junho também tem show da Mula Manca e a Fabulosa Figura. Eles vão para o Rio de Janeiro, onde ainda chegam a fazer uma apresentação como o seu Chico junto com Vítor Araújo na festa… não posso falar ainda :P Mas de lá eles partem para um circuito de casas locais.

Mais pertinho de casa, tem Vamoz e Amp, o top of the pops do Recife, com show em João Pessoa junto com a Madalena Moog. Esse eu queria ir ver, mas o horário esbarra nos compromissos. Mais perto da sexta eu publico a agenda dos shows daqui. Preciso me redimir com a minha irresponsável afirmação no podcast de que tem pouca coisa rolando na cidade.

Cobertura: Bananada 2008 – Terceira Noite

No último dia, o corpo já cansado não responde tão rápido às exigências do cérebro. O café da manhã foi acompanhado com o Fabrício Nobre, Lucho (do Ministério do Trabalho, sempre presente nos festivais), Damaso (do Se Rasgum, dividimos o quarto do hotel) e a Claudinha, da festa Criolina. A tentativa deles de entrar na Abrafin colocou em questão mais uma vez o formato dos festivais de música. Porque eles precisariam acontecer uma vez por ano? E por que não uma vez por semana? Se um evento regular tem como foco promover a nova música brasileira, então porque deixá-los de fora do debate? Questões para complicar quem gosta de pensar no assunto.

Meu plano era assistir ao novo Indiana Jones, mas uma rápida ida ao caixa eletrônico se transformou num longo passeio por Goiânia. Eu e Damaso nos perdemos, rodamos um bocado e chegamos no mesmo lugar que saímos, só que pelo outro lado. Que é onde estava o posto e o caixa. Para garantir que eu estaria vivo na viagem de volta, acabei abortando a idéia e indo dormir. Acabei perdendo a hora… cheguei no Bananada já no fim do primeiro show.

Falando em formato
Eu disse antes que o Bananada tinha o formato ideal para festivais independentes. Agora eu explico. No terceiro e último dia o festival recebeu o menor número de público. Natural de um domingo fim de feriadão. Mesmo assim, todos os teatros ficaram cheios durante as apresentações já que o espaço era mais econômico. Investir numa grande área de convivência que não tenha necessariamente a ver com os shows parece ser mesmo a melhor idéia. Com isso, o festival também virou um bom programa de domingo para quem não estava atrás de barulho.

A peneira também ficou mais rígida. Meus destaques são o Bad Folks (PR), Amp (PE) e A Grande Trepada (RJ). No campo do genial, talvez até passando o Curumim, está o Lendário Chucrobillyman (PR). E a constatação de como o MQN reina em casa. Show dos mais insanos, para superar uma apresentação mais fria que eles tinha feito no último Goiânia Noise. E, como eu já abri a cobertura aqui revelando, a algazarra roqueira da festa de encerramento com a Banda da Eline.


The Bad Folks – Foto de Cláudio Cologni

Não conheço Curitiba, mas as impressões que a cidade deixa sempre me pareceram bem curiosas pelo que escuto de quem volta de lá. E por um bom tempo eu sempre imaginei uma cidade cheia de bandas exatamente como o Bad Folks. Num nível muito mais de gosto pessoal, essa foi a banda que mais me cativou na programação inteira do Bananada. Não sei dizer se existe um folk elétrico, mas ao vivo é mais ou menos isso que esse trio faz. Com alguns ecos de Frank Black e Teenage Fanclub e uma postura mais punk no palco e country no sotaque. “Impossible”, o disco que eles lançaram em 2008, ainda não saiu do repeat aqui.

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Uma das coisas mais legais de todos esses três dias do festival veio do fato que eu precisei sair de Pernambuco até o Centro Oeste do Brasil apenas para constatar que a Amp é, certamente, a banda mais foda de rock a surgir nos últimos meses no país. E esse ainda foi o show de número nove deles. Stoner rock que já começa com um som completamente maduro para os menos de seis meses de vida deles como quarteto. Prefiro eles cantando em português, mas seja qual for o idioma escolhido, não espero um ano para que eles sejam headliners dos próximos festivais.


Amp – Foto de Cláudio Cologni

A Grande Trepada deveria ser a banda mais antiga de todo os festival. É formada em parte pelos caras do Canastra. E, assim como o Canastra, não poderia deixar de ser menos divertido de se assistir ao vivo. O contrabaixo estava lá, gigante no palco, com o rockabilly frenético, com uma forte pegada country graças ao impagável contraste entre agudo e grave nas vozes do Eduardo e Marcio Garcia.


The Big Trep – Foto de Cláudio Cologni

Enquanto isso, só o nome do Chucrobilly já era suficiente para que eu desacreditasse no show antes mesmo de ver qualquer coisa. Referencia direta ao português Legendary Tigerman, que também é um one-man-band, e um dos piores shows que já assisti até hoje em festival. Eu estava conversando com alguém quando Helder, do Sweet Fanny Adams me puxa pelo braço falando “você precisa ver isso, cadê sua câmera?”. O curitibano já estava no palco e, a medida em que me aproximava pelos camarins, vinha um flashback da noite anterior com gente se espremendo para conseguir assistir algo.


Até Jesus foi one man band – Foto de Cláudio Cologni

O Chucrobilly tem o impacto natural que toda banda-de-um-homem-só causa. Afinal, ele está lá sentado sozinho numa bateria, tocando outros três instrumentos, cantando através de um microfone cheio de gambiarras para modificar sua voz. As músicas rápidas, numa pegada country, começavam a delinear o clima de festa programado para o dia. O nível de demência insana já ultrapassando os limites permitidos pela estafa fazia o corpo dançar contra a vontade do próprio dono.


Isso na camisa do Nobre é cerveja – Foto de Cláudio Cologni

E parecia que esse nível já tinha atingido seu máximo na loucura que foi o show do MQN. No Noise, minha expectativa de ver a banda tocando em casa era grande e acabou não sendo tão correspondida. Compreensível, considerando o tamanho da bronca que os integrantes estavam lidando para coordenar os três dias de um festival pelo menos quatro vezes maior. Nobre ensopado de cerveja, o público já louco se jogando literalmente no palco, numa algazarra que eu não via há muito tempo num show de rock.

Foi uma pena enorme minha bateria ter descarregado essa hora. Porque o Bananada não poupa o público de surpresas por um segundo sequer. A versão trash-rock do que eu passei anos assistindo no Quanta Ladeira durante o Carnaval do Recife ganhou vida sob o nome de “Banda da Eline”. Pretexto puro. Era todo mundo – mesmo – no palco, descarregando toda a energia que sobrou do festival numa insanidade sem tamanho. E o mais incrível: as músicas estavam sendo tocadas todas direitinhas, mesmo quando tinham três ou quatro guitarras a mais e um grupo de vocalista se esbarrando um por pedaço de microfone.


Todo mundo é da Banda da Eline – Foto de Cláudio Cologni

Quando tudo terminou, pelo menos para mim, já pelas três da manhã, restavam apenas um pouco menos de duas horas de sono. Tempo que eu precisava poupar para chegar ainda de madrugada na rodoviária, pegar um ônibus para Brasília e de lá um vôo para o Recife. Cheguei direto para o trabalho, que nessa segunda seguiu até às 23h. To até me devendo sono, mas não arrependimento. Até o próximo festival.

No fim de semana subo todos os vídeos para cá. E depois disso tem uma surpresa. Preciosidade que eu consegui lá em terras do centro-oeste.

Me recompondo

Eram oito horas da manhã do domingo. Dia das mães, alguns carros já passam pela beira mar ensolarada de uma Salvador mais fria do que o comum. O dia começava para a maioria das pessoas, mas o anterior ainda não havia encerrado para um grupo de seis pessoas, que dançavam na boate Boomerangue numa festa que havia começado às 22h do sábado. Das tantas que já passei, a Nave, comandada por Luciano Matos e Jan Balanco é a melhor do Brasil. E ontem foi a melhor de todas elas.

A foto que abre esse post é da fila. E ela continuava fazendo curva na rua mesmo depois das 3h, quando eu entrava no meu segundo set. Público insano, noite louca daquelas que muita gente vai chorar mais tarde ao perceber que nunca vai se repetir. No aniversário de três anos, foram 22 DJs em esquema de duelo. Eu toquei com Mariana o que deve ter sido meu set mais indie até agora. Sem hits, de Vampire Weekend a b-sides do Bloc Party. Precisei de dois dias para me recuperar de tudo.

Axé
Falando em Salvador… a cidade vai bem demais das pernas. Uma semana depois da Nave tem o Baile Esquema Novo. No dia seguinte a festa, tinha abertura de temporada do Cascadura. Temporada é uma coisa que ainda não existe para nenhuma banda de rock do Nordeste. Coisa que eles só conseguiram com o grande público que conquistaram em casa. Daqueles que pagam para ver ingresso. Camilo, do Baile e Dimitri, do Cascadura, estavam na Nave. Assim como Ronei Jorge, que discotecou enquanto se esquentava para lançar música inédita, “Vidinha”, só em forma de clipe. Esse é o tipo de diferença que uma única casa pode fazer numa cidade com cena unida.

É tipo matemática
Uma cidade tem que ter de tudo isso para a equação dar certo. Casa boa, banda boa, público bom. Enquanto Salvador celebra, Natal está em cheque logo agora que tem bandas ótimas. Com um público que não está conseguindo dar o devido valor a cena local, Anderson Foca está começando a anunciar aos poucos o fim do oásis do rock no Nordeste, o DoSol Rockbar. Fecha não, Foca!

Mas o intercâmbio segue
Nesse período tenebroso, o Recife começa a se reconfigurar com uma cidade movimentada justamente no inverno, época que as bandas escolhiam para ir ao sudeste (por sinal, o Julia Says tá por lá). Quem chega por aqui no fim de semana a Joseph K, de Fortaleza (e que teve disco lançado por Foca) já com uma agenda cheia de shows marcados na cidade nos dias 16 e 17. Logo depois parte para João Pessoa. Na outra semana, véspera de feriado, o novo projeto Pernambuco Pop, que já teve show com China, apresenta Nuda e Amp no bar Cortiço,