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Retrofoguetes – Chachachá

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Não foi sucifiente para o Retrofoguetes se limitar a ser uma das melhores (a melhor, na minha opinião) banda de Surf Music do mundo. O novo disco do trio baiano, ChaChaChá, mostra algo que parece natural para quem já acompanhava o desempenho deles no palco. Após cinco anos de espera, o segundo trabalho da discografia deles agora traz uma banda que é fluente em vários outros ritmos, que vão do tango a músicas que fazem referência direta ao axé music, honrando num passo ousado a terra pátria de Morotó Slim, CH Straatmann e Rex.

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Maldito Mambo!

O Retrofoguetes, a melhor banda de surf music do mundo (e tenho dito!), vai finalmente lançar um disco novo em 2009! Depois de Morotó Slim, um dos maiores guitar heroes da cena independente, ganhar um prêmio de melhor instrumentista do Carnaval da Bahia (isso mesmo, do carnaval inteiro, da Bahia inteira), eles voltarão em grande estilo. E a primeira inédita, Maldito Mambo! já está disponível para ouvir no MySpace da banda. Ou você pode baixar direto daqui!

A foto do post é de Ricardo Prado

Entrevista: Gilberto Monte

O estado da Bahia passou os últimos 40 anos sob o regime de um mesmo grupo político. Quatro décadas em que a música não teve uma pasta própria de gestão, já que a própria Cultura estava sob a mesma secretaria de Turismo. É um momento muito específico que poucos estados tem oportunidade de viver. Por isso, aproveitei esse meio tempo para conversar com Gilberto Monte, diretor de música da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), para fazer uma avaliação e previsão de futuros projetos.

Gilberto, que é também músico (entre projetos, já esteve no Electrocooperativa), está no centro das atenções de mudanças polêmicas na gestão de música no estado. Ao contrário do que já acontecia nos grandes centros do país, não existiam editais da área na Bahia, o que provocou mudanças na distribuição da verba pública. “Essa gestão decidiu democratizar através de editais. Ou seja, você torna público, faz chamada, todo mundo sabe quem ganhou e quanto ganhou”, explica o diretor, “e isso gerou um choque muito grande”.

A principal diferença é ter um estado que não compete com o mercado de produção cultural. “Queremos ser fomentadores da cultura e não executores. Cabe ao estado apoiar projetos e não realizar”, reflete Gilberto Monte. Até porque, segundo o diretor, atingir 417 municípios de forma igualitária como produtor seria uma tarefa muito difícil. Com os editais, ele espera instrumentalizar a cadeia produtiva da música local, incentivando seus agentes a pensar em necessidades concretas do mercado que faz parte.

“Se a gente conseguir mudar a forma do artista se relacionar com o meio musical, já vai ser um salto grande”, avalia. É o resultado que era esperado, por exemplo, ao criar um edital para produção digital em música. Já que hoje um músico não precisa pensar apenas no formato álbum, podendo lançar seu trabalho em duas ou quatro faixas ou até em vídeo. Uma iniciativa que chamou atenção até da Petrobras, que está recorrendo ao modelo de Gilberto Monte para montar um edital similar.

Criar um ambiente que seja bem aproveitado pela produção e circulação local, para o diretor de música, é fundamental também para que a cidade possa manter seus artistas. Gente como Lucas Santanna e Pitty, que criaram uma assinatura da música baiana e agora moram em outros estados com pouco dialogo com a Bahia. “Eles são um capital humano que precisamos reposicionar”, comenta Gilberto, “as pessoas passaram a desconhecer a diversidade musical da Bahia, não percebem que temos música instrumental, pop rock e vários outros gêneros de qualidade”.

O resultado desses primeiros dois anos está nos produtos gerados por esses editais que passaram a criar diálogo com o mercado nacional. “O grupo de rap Império Negro produziu um clipe via nosso edital e ele agora está concorrendo ao Hutuz, o maior prêmio do Hip Hop Nacional”, comemora. “Estamos trabalhando com valores pequenos, mas que se adaptam com essa nova lógica de produção. Hoje um vídeo não precisa custar tão caro quanto antigamente”, justifica o diretor de música da Funceb.

A segunda parte de sua gestão, que deve permear os próximos dois anos, também já começa a delinear os primeiros resultados. Após trabalhar o imaginário, Gilberto Monte pretende exportar uma “Música Contemporânea Baiana”. Para isso, trouxe investidores e agentes de shows internacionais para Salvador e criou debates onde artistas tiveram oportunidade de mostrar seus trabalhos.

Agora, Lucas Santanna, Rebeca Matta, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicletas, Ramiro Russoto e Vandex foram convidados para o South by Southwest, que acontece no Texas, e é considerado maior evento de negócio de música do mundo. A diretoria já se dispos ajudar eles, enquanto no Recife, nenhum dos convidados ao SXSW teve apoio para ir. E acabou não indo mesmo. A Funceb está terminando de produzir coletâneas de artistas locais, que levará a este evento e também a Womex, feira de World Music, para divulgar a produção local.

Segundo Gilberto, “o segredo está em pensar grande, mas dar passos pequenos”. Nesse ritmo, ele espera em 2009 um ano para começar a colher os resultados desses primeiros projetos.

Hurtmold no Pelourinho

A banda estava em Salvador acompanhando Marcelo Camelo, que tocaria no dia seguinte, e aproveitou pra descolar um show próprio no sábado. Apresentação curtinha. Sempre acho Hurtmold bom, mas a banda não combina tanto com público em pé como combina com um lugar fechado. Comprei o Mestro, primeiro disco que perdi as MP3 e o primeiro do São Paulo Underground.

Clipes da Mostra Baiana

Além do que entrou no post abaixo e o clipe do Cascadura, que ficou um tempão aqui na coluna lateral do blog, a Mostra também selecionou Vidinha, de Ronei Jorge, que já tinha postado aqui. Esses são outros que chamaram atenção.

A começar pelo Capitão Cometo:

O Centro do Universo, do Cascadura, acabou me agrando ainda mais que o clipe em animação. E me fez entender um pouco mais porque o Bogary foi tão elogiado na época do lançamento. O refrão dessa música gruda que é difícil de sair…

Nunca fui muito fã da Matiz. Mas a banda ganhou pontos com o clipe de Dueto. Um dos melhores que vi na mostra.

E a banda Margot, que eu nunca nem tinha ouvido falar, tinha o melhor clipe de todos. Dirigido por Rodrigo Sarti Werthein. Parecia até história minha. Ou que queria que fosse minha. Nessas horas sempre fico mais confuso.