Tagged: Banda em Destaque

Black Drawing Chalks

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De: Goiânia
Selo: Monstro Discos
Para quem gosta de: King’s of Leon, MQN e The Datsuns

Quando o Black Drawing Chalks começou, em Goiânia, não tinha nem a pretensão de ser uma banda. Imagina, então, de serem logo a banda mais legal hoje no Brasil. Eles eram apenas um pretexto para que Victor (guitarra e voz), Douglas (bateria) e Marco Bauer (ex-guitarrista) brincassem com material gráfico e identidade visual na faculdade de Design. Era tipo amigo imaginário e o nome não podia ser melhor. Em inglês, traduz o giz usado para desenhar no quadro negro. Só após abaixar a poeira da desgastante corrida pela próxima grande coisa que aparecesse do cenário independente – quando após uns cinco/seis anos todos se deram conta de que isso não existiria – eles foram uma das poucas bandas de verdade a resistir.

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Cassim e Barbária

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De: Florianópolis – SC
Selo: Midsummer Madness
Para quem gosta de: Tropicalismo, experimentalismo e krautrock. Não dá mesmo para citar bandas iguais.

Cassiano Fagundes não acredita na banda do momento. O que é uma grande irônia, porque o grupo que ele montou quando se mudou de Curitiba para Santa Catarina é o nome da vez, aquela banda que todo mundo gostaria de ter previsto que iria acontecer em 2009, mas que ninguém conseguiu. Cassim e Barbária nasceu das músicas que ele criava e não entravam no perfil do seu outro grupo, o Bad Folks, e um convite de Rodrigo Lariú para que ele montasse uma banda para fazer shows com esse novo repertório. “Tenho uma fixação por Krautrock desde 1999 e tinha tentado misturar rock experimental alemão com a tropicália e o soul. Em pouco tempo, pessoas que eu admirava no mundo da música começaram a elogiar”, conta Cassiano, sobre as músicas que subiu em seu MySpace. “Gente como Adam Franklin do Swervedriver, por exemplo”.

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Nublado

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De: João Pessoa-PB
Selo: Independente
Para quem gosta de: Superguidis, Muse

A Nublado é uma banda que está trazendo vida nova para a cena independente da Paraiba. Até então, passear em um show ou festival de rock de lá era perceber que a maioria das referências dos grupos locais tinham ficado no meio dos anos 90. Quando então, no meio da programação, surge alguém pedindo licença para tocar um cover do Superguidis, o potêncial para troca de informação já cresce um monte. É uma turma que está atenta ao que acontece no restante do país e disposta a participar disso. E, assim como os compadres gaúchos, com a tão necessária maturidade pop.

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The Melt

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De: Cuiabá-MT
Selo: Independente
Para quem gosta de: Queens of the Stone Age, MQN, Amp

Cuiabá já deu mais que bons motivos para prestarmos atenção ao que vem de lá. Seus dois maiores expoentes, Macaco Bong e Vanguart, não apenas estavam no sentido contrário do que estava em evidência quando começaram, como conseguiram transformar seus gêneros – rock instrumental e folk – no centro das atenções desse meio. Sendo assim, quem começa a aparecer na programação de festivais de fora e no horário nobre dentro de casa, como a The Melt, vira motivo de grande expectativa.

Quando o trio começou em 2003, tinha outro nome e outra formação. Se chamava Headache e chegou a já chamar atenção da cidade nesse primeiro momento. Tanto que, em 2005, o nome deles criou eco até a cidade vizinha, Brasília, onde outro grupo com o mesmo nome ameaçou eles de processo caso não organizassem outra cerimônia de batizado. Quando viraram a The Melt, já tinham parte dos integrates originais fora. Quando foram convidados para tocar no Calango no ano seguinte, passaram a achar que podiam chegar mais longe. Passaram então por mais mudanças, para formar então essa banda que aparece aqui agora.

Esse vai e vem de integrantes também refletiu na música deles. A proposta original de rock garagem, simples e cru, se transformou em uma experiência pesada de stoner rock. Não é tão parecido assim com aquele que a Macaco Bong marcou na região, mas um que é mais rápido e direto, cantado em português e inglês. Com pouco tempo, chega até ser arriscado dizer que esse é o som definitivo da banda, já que eles nem lançaram o primeiro EP ainda, mas o fato é que por onde eles passam, chamam atenção. Bastou tocaram na mesmo noite do MQN para a própria banda Goiania subir no palco e cumprimentar eles.

Sendo de Cuiabá, capital nacional dos coletivos, eles também estão envolvidos com as ações do Espaço Cubo. A relação com a política da cidade conseguiu render um apoio financeiro para eles quando foram convidados para tocar no Bananada. Coisa que não acontece com bandas que nem lançaram mais do que três músicas no MySpace. No bate papo rápido que eu tive com eles, falaram sobre a história deles, sobre essa relação política e o que acontece lá no Centro Oeste do país. Quem respondeu foi o Diego Oliveira, guitarrista e backing vocal da banda.

O que vocês escutam por ai, quando não estão tocando e ensaiando? O que é que faz a cabeça da The Melt?

Ah gostamos muito de Kyuss , Melvins , QOTSA , Led zeppelin , Nebula , Amp , Mqn , Macaco Bong, Black Sabbath , Deep Purple , Jimi Hendrix , Motorhead , Dozer , MC5 , Nação Zumbi , Black Drawing Chalkers , The Atomic Bitchwax , Beatles , Pink Floyd , Cream , Mutantes , Foo FIghters , AC/DC , Fuzzly , Desert Sessions , Rhox , Lopes , Alice in Chains e ai vai..

Lembro que antes mesmo de gravar um primeiro EP, vocês já tinha conseguido apoio da prefeitura para comprar passagens até o Bananada. Como é essa relação das bandas de rock de Cuiabá com a política pública?

Pois é, a gente conseguiu a grana de apoio aquela vez. Mas só que até hoje não nos pagaram, ja to até ameaçado de morte hahahaha! Com a gente foi só essa vez mesmo, mas tem varias bandas que já captaram essa grana dos órgãos públicos , melhorou bastante em relação aos anos anteriores a 2003 onde só apoiavam banda de pagode, sertanojo, lambadão e os estilos típcos como o siriri e cururu. Eu fico puto da vida quando vejo bandas de sertanejo que realmente consegue viver mesmo recebendo esse apoio da prefeitura e do governo estadual. Poxa, se eles já tem a grana necessária para gravar, viajar e fazer shows gigantescos aqui, porque não deixam o pouco que tem pra quem realmente precisa, como as bandas de rock que contam na maioria das vezes com garotada nova que ainda estuda e faz faculdade e não tem condição de pagar R$ 5 mil pra gravar um disco.

Acho até que em função disso acaba desestimulando vários talentos que largam a musica pra trabalhar e estudar e garantir algo mais denso. Mas mesmo com tudo isso tudo, o que está acontecendo no cenário rock Cuiabano é graças ao apoio da Prefeitura e do Governo estadual. O Festival Calango, a Semana da Musica e vários outros Festivais aqui são graças a esses apoios que vem crescendo de forma positiva e organizada. O Espaço Cubo é um guerreiro que luta bravamente nessa questão e que faz de tudo pra melhorar o cenário não só local más o cenário nacional.

A banda está começando a tomar forma agora. Vocês já tocaram fora de casa, já estão no horário nobre dos festivais locais. Até onde pretendem chegar com a The Melt? A banda já está vindo antes do trabalho?

Pois é, o ano de 2008 foi excelente pra banda. Foi o ano que nós estávamos muito bem envolvidos com o cenário local, participamos praticamente de todas as produções dos eventos que aconteceram em Cuiabá. Desde carregar caixa até timbrando guitarras, mas só que começaram as cobranças em casa. Do tipo “e ai não vai arranjar um emprego pra ajudar a pagar as contas?”, “Não vai fazer faculdade?”. Neste momento o Fornalha (baixista) está trabalhando das 8h às 6h; eu estou fazendo faculdade e o nosso baterista, o Edson, está terminando o segundo grau. Em função disso estamos fazendo tudo na medida que não atrapalhe os estudos e o trabalho, mesmo porque infelizmente não da pra viver ainda da nossa musica.

E tudo isso que vocês conquistaram foi sem lançar ainda um disco. Vocês acham que ainda é importante lançar um álbum completo? Como vocês estão programando essa parte da carreira da banda?

Não, não achamos que seja importante lançar um disco completo de 12 faixas, confesso que estávamos empolgados em lançar um esse ano, mas nosso projeto foi negado pela secretaria estadual e nos impossibilitou de realizar o nosso CD e em função disso. Estamos preparando um EP de quatro a cinco faixas com ótima qualidade sonora pra esse ano ainda. Estamos batalhando pra conseguir captar dinheiro necessário para gravação que não é muito barato. Estamos falando de estúdio especialista no gênero rock, que são muito poucos e caros, mas acredito que esse ano sai algo sólido do The Melt.

Dois dos principais nomes hoje do cenário independente vieram de Cuiabá. As pessoas passaram a esperar mais da cidade. Isso influência vocês de alguma forma? Existe uma pressão para saber quem vai ser o próximo Vanguart e Macaco Bong?

É, Cuiabá já esta sendo um grande revelador de talentos. E te digo que não são poucos. Isso nos influência no sentido de fazer musicas com qualidade e de nos reinventar a cada momento que se compõe uma musica. Não queremos ficar taxados num único estilo, como vem acontecendo ultimamente dizendo que somos stoner (N.D.E.: Ops!). Apesar de glorificar esse estilo queremos aparecer sempre com coisas novas. Cara acho que essa pressão para saber quem vai ser o próximo Vanguart ou Macaco Bong pode acabar atrapalhando no desenvolvimento da banda, então a gente não fica arrancando os cabelos por causa disso, queremos o reconhecimento pela nossa musica.

Pensando nisso, quem vocês recomendam ai de Cuiabá para nós ouvirmos? Quais são as bandas legais da cidade que ainda não chamaram atenção dos festivais, jornais e blogs?

Aqui em hell city o que mais temos são bandas boas podemos citar Rhox, Snorks, Fuzzly, Lops, etc. O difícil é essas bandas não chamarem a atenção, porque estão sempre trampando e levam super a sério a questão musica/banda. Por isso sempre estão sendo vistas por blogs, jornais, etc…O lance é trampar para fazer a parada foda, para chamar atenção mesmo porque quem não é visto não é lembrado.

Escute a The Melt no MySpace
Veja fotos da banda no Fotolog

Damn Laser Vampires

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De: Porto Alegre – RS
Selo: Independente
Para quem gosta de: Bauhaus, Bob Dylan

Talvez apenas dois estados tenham uma identidade tão marcante quando se trata do rock independente. Goiânia, claro, cada vez mais o destino certeiro do hard rock no país, mas principalmente o Rio Grande do Sul. O termo “rock gaúcho” é tão esquisito e sem uma lógica certa (não se trata exatamente do rock feito por gaúchos) que chega a fazer sentido quando usado na prática para delimitar aquele rock puramente sessentista aliado a uma atitude mod. E ao mesmo tempo que é esquisito, também é forte ao ponto de funcionar como uma peneira para tudo que sai daquela região do Brasil. O impacto é forte quando a gente escusta algo tão fora desse padrão, como é caso do Damn Laser Vampires.

O trio gaúcho poderia ser descrito como uma banda de rock gótico, que estaria tão certo quanto errado. Formada por três cartunistas, o que eles fazem na verdade é processar na forma de música uma infinidade de referências que vem dos filmes B, da cultura trash onde o glamour soa brega e tudo surge em contrastes exagerados de cores e sons. Como um filme esquisito sobre vampiros onde, por mais ridiculo que pareça, todos levam extremamente a sério. E eles fazem isso tocando misturas de polka, folk e rock de forma bem espirituosa.

O Damn Laser Vampires serve de exemplo perfeito a dois textos famosos. O primeiro são as notas sobre o “camp” de Susan Sontag, que fala daquilo que é bom por ser ruim. Não o estéticamente pobre, ou de má execução, mas que se constrói nesse sentido. Na adoração pelas relações esquisitas e não convencionais (assim como acontece com os próprios filmes B). O segundo é sobre a forma como o sociólogo Simon Frith falava sobre o “saber ouvir” na experiência musical. É preciso saber ouvir os malditos vampiros de laser, muito mais do que simplesmente se deixar ser invadido por suas músicas. Quando isso não acontece, cai o risco de tudo ser mal interpretado por jogadores de RPG em uma festa errada.

A banda já lançou um EP e um disco completo. Esse último se chama “Gotham Beggars Syndicate” e acompanhava ainda um zine só com histórias em quadrinhos desenhadas pelo trio. Além do circuito de shows do Rio Grande do Sul, eles também já conseguiram sair das fronteiras locais e tocaram em festivais como o Goiânia Noise e tiveram suas músicas lançadas por um selo no exterior. Na mini-entrevista abaixo, eles falam um pouco mais sobre a banda.

Quando falamos de rock, talvez o Rio Grande do Sul seja a região brasileira com a identidade mais engessada. É difícil ser uma banda tão peculiar numa cidade onde o rock gaúcho é quase uma regra? Vocês costumam interagir com outras bandas desse tipo por aí?
Eu nunca sei exatamente como o resto do país ainda vê o rock do RS, embora exista mesmo essa tendência sessentista que um dia alguém resolveu chamar de “rock gaúcho”. O problema é que isso é mais ou menos como imaginar que no Rio de Janeiro só existe samba. O cenário sulista de rock é muito rico e muito diversificado. Prova disso é o nosso caso, a gente tinha tudo pra ser recusado de cara e nos surpreendemos. Nos relacionamos bem com muita gente, um pessoal que vai de um extremo a outro, do punk ao eletrônico ao hardcore ao sessentista, e por aí vai… Não somos encanados com isso de rotular. Música boa é boa, música ruim é ruim, é mais simples do que se pensa.

As referências do Damn Laser Vampires são muito específicas. As pessoas entendem a banda de cara? Como é quando vocês tocam num lugar totalmente novo e diferente?
Já aconteceram coisas engraçadas. Teve mais de uma vez em que chegamos no lugar em que íamos tocar e tinha góticos e vampiros a caráter pra todo lado. E uns vinham e diziam “Me falaram que o som de vocês é tipo o Lacrimosa!” (risos) Isso é meio deprimente.

Escuto algumas canções de vocês e fico imaginando como seria legal aquilo em russo ou romeno :P Cantar em inglês parece ser sempre uma opção natural. Mas, com tantas escolhas incomuns, vocês já pensaram em fazer música em algum outro idioma?
Inglês é a língua original do rock. Quando eu estou cantando, não penso que estou cantando em inglês, estou apenas cantando. A Elizabeth Fraser usava um “vocabulário inventado” que não era nenhuma língua conhecida, mas que fazia um sentido sonoro. Essa é a idéia.

Algumas letras de “Gotham Beggars Syndicate” têm rimas de inlgês com francês, citações em italiano… seria interessante explorarmos outras línguas bonitas, como russo e romeno, mas não domino esses idiomas. Precisaria estudar as gramáticas, e tal.

Tem outras bandas tão diferentes assim no Rio Grande do Sul? Fora o óbvio que tem circulado por ai, que outras novas bandas do estado vocês acham legais e que deveriamos estar ouvindo?
Reverba Trio (grupo instrumental com influências de Dick Dale e afins), Hellbelicos (fazem um psycho-punk de viking muito divertido), Chiclé Demência (electrorock excelente com influência de Kills, New Order, Joy Division e Primal Scream), Loomer (garage shoegaze muito bem feito), Mess (Maria Elvira e os Suprassumos do Swing, formada por integrantes de algumas das melhores bandas gaúchas, como Planondas e Sonicvolt), Blush (electro inspirado em Marylin Manson, Madonna e europop), Lautmusik (shoegaze atmosférico intenso, com um parentesco entre Cure, Siouxsie e Cocteau Twins), Transmission (garage shoegaze 90, bonito e melancólico), Tom Enola (muito divertida, ótimas letras, influências de B52’s e Devo), Supergatas (punk hard rock que faz referência ao punk 77 e ao NY Dolls), Beckandroll (rock n’ roll puro, guitarras bem marcantes), Músicas Intermináveis Para Viagem (duo instrumental super climático, excelentes arranjos), Bandinha Di Dá Dó (banda de palhaços, tem um show muito empolgante com acordeon e performances circenses), The Nobs (bem 70, referências a Led Zeppelin e T-Rex), Yesomar e Carbura (ambas grandes bandas de stoner rock). Outra que nós adoramos é Bodji & os Pegando Fogo (letras impagáveis, baladas geniais). Procurem urgentemente por essas bandas.

Quando montaram a banda, vocês tinham a pretensão de chegar a tocar em um festival como o Goiânia Noise e serem comentados fora da cidade? Depois disso, qual a atual ambição de vocês?

Não tínhamos pretensões (risos). Sério. Era tipo “Vamos gravar esse EP e mostrar pras pessoas. Se não nos espinafrarem, vamos tentar marcar uns shows.” Mas aí aconteceu tudo o que aconteceu, fizemos uma avalanche de shows, descolamos um selo no exterior, lançamos um disco em vários países, fizemos trilha de filme, viramos uns esquisitos que uma meia dúzia de doidos pelo mundo gosta muito, quer dizer… deu tudo certo. Nossa atual ambição – nossa atual paixão, eu diria – é o próximo disco.

Como é que a banda está nesse exato momento? Vocês tem feito shows? Ensaiados músicas novas? Pretendem sair de casa ou lançar algo novo em breve?
Nunca paramos de fazer shows. Estamos estudando a possibilidade de sair pra tomar “novos ares” e em breve deveremos dar notícias sobre isso. As músicas novas estão em pleno processo de produção e, se tudo der certo, o disco novo vai estar pronto este ano.