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Calistoga

calistoga De: Natal – RN
Selo:
Independente
Para quem gosta de: At the Drive In, Fugazi e Mars Volta

Natal sempre foi um dos patinhos feios da música no Nordeste. Praticamente todos os estados da região tem um nome representativo na música popular brasileira na antiga e na nova geração. Só para listar alguns, temos Lenine / Nação Zumbi em Pernambuco; Zé Ramalho / Cabruêra na Paraiba; Fagner / Cidadão Instigado no Ceará; Gilberto Gil / Pitty na Bahia; Djavan / Wado no Alagoas, Alcione no Maranhão e por ai vai. O Rio Grande Norte parecia um observador distante e, por algum tempo, isso era algo realmente ruim. Mas só até certo tempo.

Agora a cidade do sol começa a perfurar seu espaço na música e, graças ao passado limpo, pode fazer isso sem culpas ou sombra de um grande irmão (que digam os pernambucanos). Esse começo de século pode ser deles da forma que quiserem – como tem provado, por exemplo, na música de Roberta Sá. E, no que diz respeito ao rock, o Calistoga tem hoje a melhor cadeira na primeira fila. Após o fim (ou pausa) abrupta de nomes como o Sinks, que estava com uma agenda invejável de 19 shows em 16 dias, eles são o novo nome a se prestar atenção na região.

Tudo graça a voz de Dante, encorpada com uma identidade e força que faz você identificá-la mesmo se cercada por gritos e rojões. É a única coisa que chama mais atenção que o fato deles tocarem post-hardcore, um subgênero pouco popular entre bandas do Nordeste, como ninguém. Recheado de referências a Fugazi e até do punk rock californiano, Dante canta em inglês, acompanhado por Fernando Júnior, Henrique e Gustavo Rocha. E esse som tem dado cada vez mais forma ao rock potiguar, que era conhecido até então por nomes como Bugs e Bonnies, que seguem uma vertente mais clássica.

O EP Normal People Brigade foi lançado em Natal encartado num dos fanzines mais legais do Brasil, que é editado lá, o Lado[R]. Tem sete músicas, todas de autoria própria da banda, gravadas no Estúdio DoSol, o mesmo que produz o festival em Natal onde o Calistoga já se apresentou três vezes. Abaixo tem uma entrevista rápida que fiz com eles:

O que é que vocês tem ouvido ultimamente?
De tudo muito! Fugazi, At The Drive-in, QOTSA, Fu Manchu, Faraquet, disco novo do Eu Serei a Hiena (tá muito foda), Faith no More, Kyuss, The Mars Volta, Dinosaur jr., The Dillinger Escape Plan, Hurtmold, A Perfect Circle, Helmet, Mondo Generator, e por ai vai….

Alguns integrantes da banda são vegans e outros apenas vegetarianos. O Calistoga segue algum tipo de ideologia? Isso é algo individual ou é fundamental para a banda?
Isso é algo individual de cada um da banda, hoje em dia não são mais todos que possuem essa postura, o baterista deixou de ser, e isso não interferiu em nada, às vezes colocamos esse assunto nas nossas letras, isso é normal, afinal acreditamos nisso.

Recentemente vocês decidiram sair dos projetos paralelos “The Sinks” e “Camaronês Orquestra Guitarrística”. A impressão que ficou é porque elas estavam tendo mais destaque que o Calistoga. Porque essa divisão, de fato, aconteceu?
Não foi só o The Sinks e o Camarones que abrimos mão, e sim todos os nossos projetos paralelos. Foram uma serie de fatores que levou a gente a tomar essa decisão. não é questão de destaque e sim de prioridade. Não que não defendíamos as outras bandas, mas é que o Calistoga é a NOSSA banda. Tocamos o som que acreditamos. Em relação à saída das outras bandas, conversamos e para um melhor futuro do Calistoga seria necessário sair das outras bandas, mais não tem nada a ver com o destaque das outras bandas e sim com o tempo que elas estavam nos tirando, a gente quer poder ter o tempo necessário pra se dedicar inteiramente ao Calistoga, simples assim!

Agora que estão concentrados na banda, onde vocês pretendem chegar com o Calistoga? Qual o plano de ação para a banda para os próximos três anos?
Sempre estivemos concentrado na banda, mas agora teremos mais tempo para produzir! Estamos entrando em estúdio para gravar mais um EP. Ele vai conter cinco músicas, já estamos agendando a festa de lançamento que deve ser no começo de maio, também estamos tentando viabilizar alguns shows fora da cidade e até uma possível turnê. Então é gravar, tocar, viajar e divulgar. Além do EP deve sair um DVD com outras bandas locais e um Cd com 10 musicas que deve ser gravado no meio desse ano. Nossos planejamentos sempre são em base de cada ano e a ordem para 2009 é produzir, além de ter mais tempo para pesquisar equipamentos, gravação e produção musical em geral.

Não existe caso, com exceção talvez do Sepultura, de uma banda brasileira que cante em inglês e que tenha conseguido fazer sucesso dentro do Brasil. O que é mais provável acontecer? A banda começar a cantar em português ou vocês tentarem a sorte nos EUA e Europa?
A Mallu Magalhães canta em inglês e faz sucesso no Brasil! (risos) Bom, não vamos cantar em português, gostamos de cantar em inglês e acreditamos que o idioma se encaixa melhor com o nosso estilo. Outra coisa, não temos nenhuma pretensão em fazer “sucesso”, a gente toca o que gosta e só esperamos o reconhecimento do nosso trabalho. A gente quer tocar bastante por aí mais não estamos tentando ser famosos, longe disso. Se rolar esquema da gente ir para fora do Brasil vai ser muito bem vindo, mas acho que antes queremos tocar muito por aqui ainda, temos muitas cidades brasileiras pra ir/conhecer ainda!

Natal nunca foi muito famosa por exportar bandas para outros estados. Que outras bandas dai vocês recomendam aos curiosos?
Vale a pena escutar o The Automatics pra quem gosta de indie (dos bons e velhos), o Distro que vem melhorando muito a cada trabalho, vale uma atenção. O Kawa Nui ótima banda de ska da cidade, o disco de estréia ta no forno! Tem o cd novo do DuSouto que ta prometendo também… e bandas mais novas como Fewell e Venice Under Water estão com um trabalho bem legal. Acho que Natal esta passando por uma fase muito boa, as bandas estão organizadas e se preocupando em ficar mais “profissionais” o que é muito bom para a cena local.

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The Name

thename

De: Sorocaba
Selo: Tronco
Para quem gosta de: Rapture, Charme Chulo

A primeira grande aparição que a The Name fez para o público de fora de Sorocaba foi em 2007, durante o Goiânia Noise Festival. Naquela época, selecionados por um concurso da Trama Virtual, a banda ainda era bem diferente dessa que lança agora o primeiro EP. Eram uma banda com mais referência no rock inglês da década de 80, empurrando sotaque brasileiro no grave de uma voz que, por pouco, não seria a do Ian Curtis.

Mas a apresentação em Goiânia funciona como um divisor de águas na história do trio. Quem assistiu aquela apresentação foi o, recém retornado ao Brasil, produtor Eduardo Ramos. Nos vai e vens de declarações na imprensa durante o caso do Cansei de Ser Sexy, o agora ex-empresário da Slag Records dizia que continuaria com a vontade de produzir uma banda. E ele direcionou essa vontade para a The Name.

Assonance”, a real estréia deles para o mundo independente, é um EP intrigante. A The Name quer conquistar os palcos tanto quanto as pistas de dança. As batidas eletrônicas mais aceleradas só não causam mais impacto na primeira audição que a voz, agora assustadoramente aguda. O electro-indie-rock vem embalado em ritmos brasileiros, com ecos do swing latino que é tão associado a esse lado do hemisfério.

A iniciativa ousada faz dessa um tipo de banda quase rara no Brasil. O sotaque do interior paulista está lá, só que agora soa muito mais modernoso que a própria maior metrópole do país. Curiosamente, igual como aconteceu com a também sorocabana Wry. A The Name canta em inglês sobre celebração. É exatamente o que deveria ter acontecido com a música do Bonde do Rolê e do CSS no segundo disco. Uma penetração no rock lá de fora, mas com jeitinho de brasileiro.

Desnecessário dizer o quanto isso faz deles uma banda valiosa para o mercado lá de fora. Quando não estão criando essa catarse de repetição entre batidas e riffs de guitarra, a The Name mostra seu potencial para crescer com integrantes que tem a banda como prioridade e um pé no freio do deslumbre. A entrevista baixo foi respondida pelos três, Andy, Molinare e Alves:

Primeiro as amenidades. O que é que vocês escutam por ai?

Cara, a gente sempre tenta acompanhar essa leva de bandas fodas que aparecem por aí. Tem muita banda independente fazendo um trabalho extremamente foda, como o Holger, Macaco Bong, Homiepie, Stephanie Toth e outros. Por outro lado, temos uma influência post-punk muito forte e acabamos ouvindo muito essa onda também.

A música de vocês no Noise era bem diferente, mais oitentista, do que está no álbum. Já dá para dizer que essa é a cara definitiva da The Name ou essa é uma banda que ainda vai mudar mais?
“ASSONANCE” foi o primeiro passo pra uma identidade que nem a gente sabe onde vai parar; a gente só sabe que vai parar nas “pistas” de alguma maneira. Toda a banda tem que mostrar diferentes evoluções em cada trabalho, esse é o sentido pra gente de fazer um novo EP.

Tem alguma coisa que me é intrigante no som de vocês, de uma forma que ainda acho difícil descrever. Existe um elemento forte de brasilidade (ou latinidade?) misturado com um indie rock mais modernoso. É viagem minha? Como nasceram essas músicas de vocês?
Não é viagem não, Bruno. Desde o single “Older”, já estávamos incorporando o lance de percussão eletrônica. Mas pô, a gente tá no Brasil e não tem coisa mais gingada do que um ritmo latino. Não deixamos as tecnologia de lado – os samples e as percussões continuam vindo de um laptop e uma bateria eletronica – mas agora são percussões latinas. O fato da gente estar ouvindo muito mais o post punk e o não-wave, acabam reforçando esses elementos.

Onde vocês pretendem chegar com essa banda? Me parece que o espaço para esse tipo de música, mesmo com o circuitão dos festivais, ainda é bem pequeno. Vocês querem fazer turnê fora?
Queremos simplesmente pagar nossas contas com o que a gente curte; tocar aqui ou lá fora faz parte do mesmo ideal. A gente não conhece muita banda com o estilo que a gente tá fazendo hoje em dia, aqui no Brasil. Mas existe o Charme Chulo que faz um post-punk-caipira e tem um puta público. Isso prova que o espaço não é pequeno e sim que existem poucas bandas de um mesmo gênero.

Perguntei isso porque Sorocaba é casa do nosso primeiro produto de exportação indie, o Wry. Como é a cena ai na cidade de vocês? Tem mais bandas desse estilo? O que mais deviamos estar ouvindo que vem dai?
O Wry foi uma das primeiras bandas à meter a cara lá fora. Isso é fudido pra gente que é sorocabano. A cidade tem muita coisa boa, mas antes de todas elas, Sorocaba foi terra de uma das bandas mais originais do final dos anos 80 – Vzyadoq Moe. É uma das nossas grandes influências de som. Vale a pena conhecer. Eles foram uma das pioneiras à misturar o post-punk com ritmos brasileiros, como o SAMBA e a MACUMBA (que influenciou grandes bandas dos anos 90). Com toda a certeza, uma das fontes onde o mangue-beat bebeu. É uma banda Sorocabana que devia voltar.

De volta as pretensões… apesar do pouco tempo, a The Name já tem uma boa idéia de como é o mercado independente. Vocês tocaram em pelo menos um grande festival fora, além de terem feito o circuito de shows no interior de São Paulo. O que vocês acharam de tudo? O que acham que está faltando?
Tudo o que aconteceu e vem acontecendo, é fruto de muitos anos de trabalho. A The Name é nova, mas nós três já tocamos juntos há 12 anos. Tocamos nesses festivais (Goiânia Noise, Demosul e duas vezes consecutivas no Araraquara Rock) e participamos com o Macaco Bong nesse projeto da Tronco que é fudido, o “Desbravando o Interior”. Podemos dizer que tem muito o que desbravar ainda.

Há alguns poucos profissionais que trabalham (muito) por isso fazendo com que o circuito esteja sendo formado; um mercado independente auto-suatentável. Como qualquer setor, falta o profissionalismo dos envolvidos, sejam bares e/ou uma divulgação decente. Aconteceu de tocarmos em bares que não havia nenhum pôster e/ou flyer falando do show. Em compensação, uma parede cheia de “KISS COVER” estampado. Essa é a realidade, tem pouca gente que se ‘arrisca’ ao independente. A gente está descobrindo isso aqui na cidade mesmo, onde já trouxemos muitas bandas e pagamos, do bolso o mínimo de divulgação. Isso vai mudar quando enxergarem que há público e há como sobreviver coletivamente no mercado indepentente.

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A The Name estréia uma nova seção aqui no Pop up. Toda quarta-feira uma nova “banda da semana” vai ficar em destaque. Sempre com entrevistas, links e downloads.