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Porão Do Rock 2010: Programação

Korzus

Com a dificuldade geral dos festivais em conseguir patrocínios, a grande maioria dos eventos mudaram de agenda para o segundo semestre do ano. Então, se prepara que a partir de agora vai ser uma avalanche de programações aparecendo por aqui. E também uma avalanche de coberturas! Já tenho seis destinos marcados na agenda até o momento, para trazer o que tem de novo na música brasileira aqui para o Pop up! :) Infelizmente, o Porão do Rock até o momento não está nos planos. Assim como boa parte dos festivais da antiga geração, por enquanto ele só convida a mídia tradicional para cobertura.

Esse ano o Porão divide sua programação com a marca Chilli Beans que apresenta o palco mais sortido do festival. Vai de Mombojó a excelente Galinha Preta, fechando com direito aos gringos do She Wants Revenge. Nos outros dias tem Korzus, Mechanics, Autoramas e até um tributo a Led Zeppelin! Olha a escalação ai:

Palco 1
Heavy metal, hardcore e derivados, a partir das 17h

Mork (DF)
Zilla (DF)
Estamira (DF)
Death Slam (DF)
Mindflow (SP)
André Matos (SP)
Dynahead (DF)
Korzus (SP)
x Lost in Hate x (DF)
Deceivers (DF)
Gangrena Gasosa (RJ)
Musica Diablo (SP)

Palco 2
Rock, rockabilly, punk e psychobilly, partir das 17h30

The Squintz (DF)
Filhos da Judith (RJ)
Tributo a Led Zeppelin (DF)
Trampa (DF)
Sick Sick Sinners (PR)
Los Primitivos (Argentina)
Autoramas (RJ)
The Right Ons (Espanha)
Darshan (DF)
Mechanics (GO)
The SuperSuckers (EUA)

Palco Chilli Beans
Iindie, alternativo, pop e outros estilos, a partir das 18h

Cassino Supernova (DF)
Watson (DF)
Mombojó (PE)
Soatá (DF)
GOG (DF)
Pato Fu (MG)
Zémaria (ES)
She Wants Revenge (EUA)
Enema Noise (DF)
Galinha Preta (DF)

Porão do Rock 2009: Programação

eagles

A programação saiu já faz tempo, mas eu tinha deixado passar em branco aqui. Quem achava que o Eagles of Death Metal era a única novidade, o festival ainda vai apresentar o ótimo El Mato a un Policia Motorizado, da Argentina. Sem falar que conseguiram montar uma boa programação no domingo apostando basicamente em nomes locais, com direito ao reencontro do Little Quail and the Mad Mirds (e sempre que falo o nome deles, o “turururur tuu” de Stock Car entra no repeat mental). Confere ai:

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Móveis Convida X: Cobertura

moveis-00-lucas

O Móveis Coloniais de Acaju nunca foi exatamente o modelo de banda que a gente pensa que vai dar certo. É como se existisse um manual das coisas certas a se fazer – pouca gente na banda para facilitar a viagem, nome curto e fácil de lembrar, aceite as propostas de gravadoras e selos – e eles tivessem decidido fazer tudo ao contrário. Talvez seja por isso que eles sejam tão alegres no palco, sempre correndo de um lado para o outro. Aquela prazerosa sensação de “rir por último” que todo mundo sempre precisa sentir um dia na vida, eles sentem sempre que estão tocando.  E isso nunca foi tão forte agora, quando eles lançam “C_mpl_te”, o segundo disco da carreira e que afirma eles como a principal banda do atual cenário independente nacional.

O reforço disso vem no Móveis Convida, festival que a banda produz em Brasília e que chega em sua décima edição (não é um evento anual). O mote podia até ser o disco, que ainda vai ser lançado oficialmente pelo selo Álbum Virtual da Trama, mas quando a noite encontrou seu climax com cerca de cinco mil pessoas, todas cantando e dançando, ficava claro que era também uma grande celebração ao próprio Móveis. Quando os portões se abriram perto das 22h, numa capital totalmente debaixo de chuva e sob o aviso de que “aqui, quando chove, ninguém sai de casa”, um pequeno amontoado de gente já fazia questão de garantir a beira do palco, mesmo que custasse encarar uma maratona de outros três shows.

Quem abriu a noite foi a banda Black Drawing Chalks, não por acaso, aposta desse ano entre os novos nomes que surgem no país. Esse foi primeiro show deles no Brasil após voltar do South by Southwest e Canadian Music Week, além de turnê quase sem fim nos Estados Unidos e no Canadá. Já no começo do show a sensação é de que a bagagem que eles trouxeram de lá não foi sucifiente para caber o intensivo de rock e experiência ao vivo que apresentaram de volta em casa. A banda conseguiu dar um avanço de quase 100% do que foi visto nos últimos festivais que participou. Está redondinha, com um show que mete porrada no ouvido de quem arrisca ficar perto. Sem falar que conseguiram construir uma imagem forte no palco, conquista rara na cena independente, sempre composta por bandas visualmente bem parecidas.

Esse retorno também dá sinais do som definitivo da banda, que passa a tomar forma a medida em que o segundo disco se prepara para ser lançado pela Monstro em maio. Menos obtuso e até um pouco dançante, o Black Drawing Chalks se aproveita cada vez mais dos agudos do vocalista Victor Rocha em contraste ao baixo cada vez mais pesado de Denis de Castro, ritimado pela bateria acelerada de Douglas de castro. E isso reforça um pouco do hard rock a brasileira – ou “rock duro” na sua melhor tradução – como tem acontecido com bandas como a Amp e até o próprio MQN, que estão cada vez mais distintas do modelo norte-americano.

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Nessa hora dava para ver como o Móveis educou bem seu público local. Ninguém estava ali em busca de rock pesado, mas entrou fácil no clima das bandas, dançando, pulando e sempre aplaudindo. Platéias calorosas parecem ser uma das marcas registadas do Centro Oeste brasileiro. Acho que a receptividade do público só não supera o que a gente costuma ver em Goiânia, que intercala shows do Mundo Livre com Sepultura, A Besta com Mallu Magalhães, e ainda parecer que é um mesmo único evento.

Se o público esperava pelo Móveis, nos bastidores ninguém falava outra coisa senão que naquela noite também teria um show da Galinha Preta. O nome estava na boca de todo mundo, mesmo de quem ainda nunca tinha ouvido a banda de brasília, que existe a tanto tempo quanto os anfitriões da festa. Era a banda do Frango, talvez o principal coordenador de palco e técnico de som de Brasília, que é contratado quando nomes como o Iron Maiden e o Heaven and Hell (aquela mistura do Black Sabbath + Dio) passam por lá. É uma daquelas clássicas figuras locais que consegue arrancar risada de todo mundo com as hitórias que conta quando viaja com outros artistas. E no meio tempo, ele toca numa das melhores bandas de hardcore que eu já tive oportunidade de ver na vida.

O Galinha Preta é rápido e sarcástico de uma forma muito inteligente. O segredo é a simplicidade. Ele consegue fazer piada do Padre Quevedo Aderli de Carli (lembra, né? O do balão) sem soar mórbido e reclamar do funcionarismo público (imagina cantar isso logo em Brasília) sem parecer que está dando lição de moral em ninguém. O bom humor não atrapalha em nada você entender muito bem o sentido real por trás de cada crítica. Essa preciosidade brasiliense quase nunca toca fora de casa, principalmente porque o Frango está sempre no palco de algum outro mega show trabalhando. Mas fica a dica para os festivais que querem inovar esse ano… levem o Galinha Preta!

Aliás, falando em bastidores e trabalho no palco, surpreendente ver os Móveis funcionando enquanto empresa. A banda é grande, o que faz deles também uma grande equipe que não pára um segundo de trabalhar. Cada integrante fica responsável por um pedaço do que está acontecendo ali. Uns vão buscar alvará para uso do espaço, outros estão no receptivo, enquanto uns fazem a contabilidade, a identidade visual, etc. São 10 integrantes, o que faz deles uma das poucas bandas do país com 10 roadies. Ninguém está ali para brincadeiras.

Depois dele foi a vez do Macaco Bong trazer sua parcela de destruição aos ouvidos. É impressionante o quanto a banda cresce quando se apresenta em boas condições de som – tudo bem, isso é comum em uma banda instrumental, mas no caso deles o efeito é ainda maior. Eles são o bom exemplo do que foi falado antes sobre o público. Com um rock ainda mais inacessível, pegaram um público ainda maior e mais ansioso pelos Móveis, mas ainda assim conseguiram prender a atenção de todo mundo até o final. Aliás, esse foi o primeiro show da banda que eu vejo e que eles resolveram falar entre algumas músicas. A presença do trio de Cuiabá dava a noite um ar de sucesso garantido, sem nenhum show ruim na programação.

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Mas impressionante mesmo é o tamanho do Móveis Coloniais de Acaju em Brasília. Esse era seu show ideal, afinal, estavam com todos os recursos que precisavam para se apresentar. O que incluia até um painel de led no fundo, fazendo projeção de imagens que brincavam com as cores do novo disco. A estrutura maior deles deu direito até uma contagem regressiva, acompanhado em um único coro por todo o público.

Todo o show era intercalado por pausas a cada três músicas. Começou com “Cão Guia“, “Lista” e “Descomplica“. Três inéditas já avisando que esse repertório seria quase todo com enfoque no novo disco. André, o vocalista e nosso próprio Wilson Simonal 2.0, diz que a idéia é tocar tudo na integra. No C_mpl_te a banda parece agora estar mais plural, o que era a principal falha do anterior “Idem“, onde o Ska as vezes soava repetitivo em várias faixas. O Móveis brinca mais com os extremos do próprio som, dando idéia que seu próprio universo de referências agora parece ser bem maior.

Com 19 músicas, o repertório ainda trazia as melhores do disco anterior. “Copacabana“, “Esquilo não samba“, “Perca Peso“, “Seria o Rolex“, “Cego” e “Aluga-se-vende” estão todas lá. O público segue tudo com quem foi seriamente doutrinado, já cantando as inéditas – que estão no Youtube – e fazendo um coro que quase sufoca a banda no novo single “O Tempo”. A devoção até assusta umas horas, mas encanta na maioria do tempo. Nessa noite, via-se o respeito que o Móveis Coloniais de Acaju conquistou na própria casa, sendo prestigiado por várias bandas locais e até grandes figuras como Fernando Rosa, do selo SenhorF. É coisa rara ver uma banda atingir a auto-estima de uma geração e, nessa noite, foi isso que eles fizeram.

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Depois disso, a banda pegou o ônibus e todos seguiram para Goiânia. Na noite seguinte, eles repetiram a sequência de shows e a catarse do público no Centro Cultural Martim Cererê, onde acontece o festival Bananada e já teve edições do Goiânia Noise (onde a banda deve ser uma das atrações desse ano). Mas lá, o segundo tempo era o momento maior de diversão de todos, que sabiam que chegavam já com a partida ganha de goleada. Logo mais eu falo do disco novo e também mando uma entrevista com a banda.

El Mapa de Todos

E por falar em novos festivais, Fernando Rosa, o Senhor F, manda avisar que nos dias 27, 28 e 29 de novembro acontece em Brasília o El Mapa de Todos. Parceria com a Sylvie Piccolotto, da Scatter Records, para aumentar o diálogo entre o que é produzido aqui e na América Latina. Para quem ainda não ficou sabendo, desde que perceberam como estamos perto de tantos países que está se discutindo nos bastidores uma possível Abrafin latina.

Outro dia escrevi sobre o quanto é contraditório a gente conhecer tanta banda dos Estados Unidos e Europa e quase nenhuma dos paises vizinhos. O que deixa pensar que, logo aqui do lado, é capaz de nunca terem ouvido falar em Los Hermanos ou até Chico Buarque (ou vai dizer que você conhece o Chico do Uruguai?). Uma das coisas mais legais do El Mapa é poder ver essas bandas ao vivo e quebrar esse tabú. Olha só a programação:

Beto Só
Azevedo Silva (Portugal)
Danteinferno (Uruguai)
Marcelo Camelo
Macaco Bong
Turbopotamos (Peru)
Babasonicos (Argentina)
La Quimera del Tango (Argentina)
Javiera Mena (Chile)
Sr. Chinarro (Espanha)
Mundo Livre S/A

A turma do Mundo Livre, por sinal, deu dica do vídeo da música Estela ao vivo no Circo Voador. A música é a faixa inédita da coletânea Combat Samba, produzida por Miranda.

Lucy and the Popsonics

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Um dos principais lançamentos que a Monstro Disco desse semestre é a dupla de Brasília Lucy & the Popsonics. Fernanda e Pil, um casal de Brasília, passou a burocracia de encontrar um baterista pra a banda de electro-rock que fizeram contratando Lucy. Lucy é um MP3 player carregado com batidas e programações eletrônicas feitas por eles. Atitude e performance deles que serviu para tocar em vários festivais independentes do Brasil. “A Fábula (ou a Farsa) de Dois Eletropandas” é IDM com postura rocker, com letras muito bobas e de nomes super criativos.

A entrevista editada com eles foi para a Folha de Pernambuco, aqui eu descarrego o bruto de um papo por que rolou por email. Com as respostas foram todas muito legais, achei que não dava para abrir mão de nada.

)) Primeiros discos são sempre bons para apresentações. Então, explica para quem não conhece, o que é o Lucy and the Popsonics?

FERNANDA
O Lucy And The Popsonics é uma mini banda, com dois integrantes, que faz bases no computador e toca guitarra, baixo e cantam por cima. Hoje, as pessoas dizem que fazemos eletro-rock, mas antes de nos chamarem assim, éramos conhecidos pelo minimalismo das músicas e letras. Somos fofos, apaixonados e cantamos sobre coisas do mundo pop.

PIL
Um garoto, uma garota e um mp3 player.

)) Muito do que a banda conquistou até agora foi antes de lançar um disco. Com a CD na mão, já mudou alguma coisa?

FERNANDA
Muita coisa mudou. A respeitabilidade é infinitamente maior. Antes abriamos os shows, agora tocamos em horários mais legais.
Para os jornalistas e produtores, passamos a existir oficialmente. O nosso disco também encontrou algumas portas já abertas porque muita gente já tinha ouvido falar da gente, o que facilitou o trabalho. Como banda, acho que trabalhar em um disco engrandece muito também. Aprendemos muito com os produtores e acho que com todos os outros envolvidos: arte gráfica, fotografia, estilismo.

PIL
Acho que com o cd conquistamos reconhecimento para a música que fazemos. Antes de ter o disco, as pessoas conheciam a gente porque ou éramos um casal, ou marketeiros, ou banda de internet, ou por causa das roupas, ou posers, etc. Agora podem falar da nossa música.

)) Eu percebi que na Internet você está sempre com o status “estudando”. Em que nível de prioridade a banda está na vida de vocês? Vem algo primeiro, vcs já estão abrindo mão de algo?

FERNANDA
Nós não abrimos mão dos estudos e do trabalho. Nós só abriremos no dia em que vivermos de música. Quando ela nos pagar o suficiente para largarmos nossas vidas de hoje com tranquilidade. Ainda não trabalhamos seriamente a possibilidade de largar tudo um dia.

Confesso que a música me atrapalha um pouco e por isso sempre estudo em horários meio esquisitos: no meio da noite, fim de semana. Eu realmente estou sempre estudando quando não estou trabalhando com a música. O Pil tenta se dedicar ao trabalho sempre mais quando não estamos tocando também. Mas, as coisas tem andado cada dia que passa mais difíceis de lidar. Os shows nos exigem mais. Agora mesmo estamos em produção de mais músicas, um novo set pra show. Por mais que não estejamos tocando, sabemos que quando voltarmos para a estrada, tudo ficará mais difícil, então estamos sempre na correria. Agora mesmo quando você me passou a entrevista, estava preparando uma apresentação de trabalho e agora são as 2 da manhã de domingo para segunda. hehehe.

Para os shows, nós estamos tendo de ensaiar todos os dias. Temos arrumado alguns exercícios para estudar mais os instrumentos e assim tocarmos melhor daqui pra frente. Acho que isso irá nos ajudar. Para aguentar shows maiores, estamos tendo que fazer regimes… até pensamos em fazer algum exercício físico, mas tomaria muito tempo da gente. Estamos preocupados em dormir e descansar mais quando estamos em Brasília. Estamos evitando as festinhas. Agora só saimos para jantar em família e para ir ao cinema. hehehe. Aliás, simpsons é muito legal! hehehe.

PIL
Ainda não houve necessidade de abrir mão de nada. Todo o trabalho da banda é muito divertido. Encaro como hobby, então se em algum momento, se abri mão de algo, na verdade foi uma opção pelo entretenimento. Posso ter deixado de dormir ou comer, mas fiz por prazer.

)) Ser banda e ser um casal se misturam? Facilita ou dificulta?

FERNANDA
Facilita e dificulta. Facilita por termos os mesmos gostos, os mesmos horários e nos amamos muito. Quando estamos fora, é mais que uma viagem a trabalho é diversão. Gostamos de passar pelas coisas juntos. Curtimos as mesmas coisas. Dificulta porque se brigamos por causa da banda, muitas vezes a gente leva pro lado pessoal. Estamos ainda aprendendo a lidar com isso. Ainda não somos profissionais do ramo! hehehe.

PIL
Com certeza, facilita! Há uma mistura sim! Por exemplo: Viagem pra tocar, pra gente vira lua de mel. Passeio na tarde de domingo vira ensaio. E tudo isso é positivo.

)) Vocês acham a associação do com de vocês com o do Cansei de Ser Sexy valida? O que vocês acham da banda?

FERNANDA
Eu gosto do CSS. Gosto muito do disco deles e estou feliz pelo sucesso que eles estão alcançando a cada dia que passa. Eu fico mais feliz ainda quando eu penso que o que eles estão fazendo, ninguém, no Brasil, nunca fez antes. Alguns falam que o Sepultura já, mas acho que são níveis diferentes. Eles são do metal, né?

Sobre a comparação, nós fazemos pop e nós utilizamos bases eletrônicas como eles fazem, mas isso não implica dizer que fazemos a mesma coisa. Musicalmente, nós temos uma pegada mais rocker e utilizamos bases mais engraçadas, menos sérias. Nossas músicas acabam sendo mais brincadeira, mas também não deixa de ser algo dançante. Gosto quando as pessoas dançam nossas músicas de forma bem esquisita. Acho que esse é o lance. Não fazemos as pessoas dançar da forma normal. Tem de parecer esquisito. Eu as danço de forma bem esquisita!

O que me incomoda é o pré-conceito sobre o som e o estilo. Muita gente acaba caindo no lugar comum e não percebe. É muito cômodo utilizar a comparação para fazer críticas ruins e denegrir. É cômodo tentar não entender e fechar uma conclusão mais óbvia. Mas, acho que isso aconteceria de qualquer forma, se tocássemos outro estilo musical e tivessemos também uma boa aparição pública, as pessoas achariam outros referenciais com os mesmos objetivos. Disso, conclui-se que o problema não se centra nas referências utilizadas, mas em alguns fracos críticos musicais presentes hoje no Brasil.

Algumas pessoas nos perguntam sobre a “New Rave”. Bom, para começar, esse não é o primeiro movimento musical que mistura rock com eletrônico, mas as pessoas se deixam levar pelo pré-conceito imediato e não consegue distinguir coisas. Alguns dizem que somos próximos desse movimento. Eu acho isso muito questionável. Em alguns pontos nos aproximamos, em outros nos afastamos. Acho que somos o que somos e ponto.

PIL
Acho que temos pais e primos bem próximos. Provavelmente, ouvimos as mesmas coisas. Temos referências em comum, não tem como negar. Agora, eu vou ser bem sincero, eu nunca ouvi o disco do início ao fim. já ouvi em festas, vi clipes, e vi um pocket show aqui em brasília. foi muito massa! torço para que eles cheguem bem longe. fico surpreso qdo vejo a lovefoxx em ensaios de revistas gringas. Eles estão abrindo um caminho que a gente pode seguir. não vejo nenhum problema nisso. não fazemos nossa música por conta dessa possível facilidade ou pela admiração ao trabalho deles. Não é pra seguir uma “ondinha”, como já falaram sobre a gente. Cara, a música que fazemos é a mais fácil do mundo. Precisamos mexer um pouquinho no computador e conhecer alguns acordes. Só!

)) Que bandas, dessas que estão tocando em festivais independentes do brasil, que vocês gostam mais?

FERNANDA
Móveis Coloniais de Acajú (sempre!), Montage e MQN.

PIL
Qualquer show do móveis e do montage é fenomenal! nos shows do superguidis eu canto todas as músicas e no do MQN me dá vontade de tomar cerveja (isso é pq eu não bebo… hahahahhaah)

)) Quais festivais vocês mais tocaram? E dê detalhes! O melhor, o pior, a maior supresa e a maior decepção que tiveram circulando o país.

FERNANDA
Tocamos muito em festivais em Brasília e Goiânia – óbvio – Cuiabá, Minas Gerais e Natal. É complicado dizer qual o melhor e qual o pior porque cada festival tem sua particularidade. Os piores foram em Brasília. Aqui os técnicos de som são as estrelas no palco. O artista tem implorar pela compaixão deles. No Mada tivemos problemas técnicos em 80% do nosso tempo de show. Isso não significa que foi o pior festival. Na verdade, foi um dos mais legais, só não tivemos a oportunidade de tocar direito. O Rio de Janeiro dá pouca estrutura para as bandas. Acredito que em todos os outros festivais nós tivemos momentos maiores de tranquilidade. Os melhores festivais são os feitos pela minha gravadora, a Monstro.

Fora dos festivais que nós tivemos os melhores e piores shows e as maiores decepções. O melhor show é o mais difícil porque já tivemos os vários melhores shows. Alguns em São Paulo, outros em Minas e em Goiânia. O pior show da minha vida foi o nosso lançamento do disco em Brasília. Na casa onde fomos fazer o show, não tinha a melhor estrutura de som. Pagamos um super som pra dar conta do recado, mas ele não funcionou na hora. Estavamos há 8 meses sem tocar em Brasília e havia uma super expectativa no nosso show aqui. Foi triste. Eu chorei de decepção depois do show. Se fosse para eleger um dos piores lugares para se tocar, em termos de infra-estrutura, Brasília estaria entre os tops. Rodando o país o lugar que mais sofremos para tocar foi em Porto Alegre. Pegamos horas de chá de cadeira no aeroporto, depois ao chegarmos em Florianópolis tinhamos que pegar um ônibus para Porto Alegre. Só que não havia mais ônibus porque chegamos muito tarde na cidade. Passamos 9 horas dormindo na rodoviária. Passamos algo em torno de 24 horas para chegar ao nosso destino. A viagem era para ter durado menos de 12 horas. No dia do show, tomamos um calote e ficamos um bom tempo sem dinheiro por isso.

A nossa primeira maior supresa foi o Bananada em Goiânia. Nunca tinha visto um povo tão louco e sedento por rock! A segunda maior surpresa foi conhecer o pessoal de Cuiabá. Eles são muito organizadinhos. Isso eu nunca tinha visto coisa igual. Parecia que eu estava em outro país.

Um dos shows mais engraçados foi um que uma menina invadiu o palco para dar um beijo na boca do Pil. Não fiquei com ciúmes porque eu entendo o sentimento dela. Deve ser legal conseguir fazer uma coisa dessas. hehehehe.

PIL
A gente não repetiu nenhum festival ainda. Acho que o melhor, que mais me surpreendeu foi o bananada em 2006. Foi nosso primeiro show fora de brasília e foi incrível ver como as pessoas estavam dispostas a nos ouvir, a se divertir com a gente. Goiânia tem os shows mais legais de sempre! quem já foi, sabe o que estou falando.

Minha maior decepção foi o Mada. Nos preparamos bastante. Tínhamos altas expectativas, mas tivemos problemas técnicos que prejudicou o início do show e acabou tirando todo o nosso tesão para o restante da apresentação. Isso, com o tempo muda, vc acaba percebendo que essas falhas são frequentes para qqer lugar ou artista, e que qdo solucionado, não deve interferir no restante do seu show. A estrada está nos trazendo isso. Um dia faremos shows bons independente das condições técnicas.

)) Vocês já estão perto de fechar o circuito de festivais ainda enquanto lançam o primeiro disco. Onde a dupla vislumbra o Lucy and the Popsonics em 2008?

FERNANDA
Tocando em mais festivais legais e fazendo o que gostamos de fazer a nossa maneira. Queremos cumprir a promessa de tocar na França.  Os festivais independentes brasileiros são legais, mas  têm seus limites.

PIL
Exterior e um circuito de casas e festas. Os festivais te apresentam para o público mas não são sustentáveis para se manter a banda ativa por dois, tres anos. não acontece da banda se repetir na programacao por dois anos consecutivos e concordo com isso. por isso estamos navegando nesses novos caminhos. o final do ano será muito legal pra gente e praticamente não teremos nenhum festival independente na agenda.