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Para ler e para ouvir

Aproveitando o sábadão parado – se bem que logo mais tem show dos Honkers (BA), Nuda (PE) e Zefirina Bomba (PB) no Pelourinho e, de noite, Baile Esquema Novo – para fazer umas indicações que eu estava devendo.

Contribuindo com a profecífia de que Natal vai se transformar na próxima  capital do rock independente no Nordeste, surge o primeiro site realmente legal com notícias de música de lá: O Inimigo, escrito por Alexis Peixoto, Hugo Morais, Tiago Lopes e Daniel Faria.

Thiago Correia, ou Tapioca, como é melhor conhecido, que ficou no meu lugar na Folha de Pernambuco, também decidiu guardar todos os textos dele num blog (o popup nasceu assim). Tá tudo lá no Orelhando. Por sinal, ele e O Inimigo são feitos com wordpress também :)

E entre as boas descobertas em Salvador, o blog de Katherine Funke, que também trabalha lá no Jornal A Tarde. Ela até comentou aqui na música do Retrofoguetes e só vi agora. Notas mínimas segue a linha do blog da Dani. Bem pessoal, só que com vários mini contos e pequenas histórias.

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Tinha esquecido de avisar por aqui. Luciano Matos, que grava comigo o Podcast Nordeste Independente (ele não morreu, acreditem), está com um programa novo de rádio. Radioca é apresentado por ele e Ronei Jorge. Passa na Educadora FM, bem em sintonia com a nova cena independente, e também pode ser ouvido pela Internet.

E eu achava que Bruno Pedrosa (o dj) estava com um programa novo na Oi FM. Mas parece que ele foi apenas convidado para uma edição do Na Pista. Anyway, dá para ouvir pelo site da rádio também.

Bnegão hoje e amanhã

Para quem tiver perdido pelo Recife, hoje tem DJ Set de BNegão na cidade. Ele toca na festa Sonora, que o DJ Bruno Pedrosa (não, não sou eu) organiza na pitombera em Olinda. Mas isso é só pretexto, porque amanhã rola a Sonora Golden Plus, no clube Vassourinhas. Dai rola show mesmo do cara, com as músicas do mais recente disco dos Seletores de Frequência, mas batizado de BNegão Sound System, acompanhado por Pedro Selector e DJ Castro. O esquema da Sonora é honesto: Diversão garantida ou seu dinheiro de volta.

Hoje tem ainda o próprio Pedrosa, junto com Bahiano e Celso Moreira no som, amanhã tem a Guardaloop fazendo show de abertura.

De carona na programação do Festival de Inverno de Garanhuns, aquele que está dividindo opiniões alguns posts abaixo – e que a garota garantiu dar mais do que deve para quem a levar para assistir – a banda Fóssil faz show sexta-feira no Cortiço. Para quem anda perdido e não entendeu, Fóssil é nada menos que uma das melhores bandas instrumentais do cenário independente nacional hoje. A última vez que passaram pelo Recife foi durante as Noites Abrafin, no Porto Musical. Eles tocam junto com o Julia Says. Eles estão na programação do Festival Calango também.

E ontem rolou lançamento do Combat Samba, do Mundo Livre, aqui. Mas eu perdi. Alguém pode dizer como foi?

Boas surpresas

Falem o que quiser da facilidade para pegar músicas na Internet. Nada substitui o prazer de comprar um ótimo disco pelo puro acaso. Atraído por uma capa bem simples, um fundo branco e um pequeno efeito na foto de um guitarrista, junto com um nome que parecia mais uma onomatopéia de uma metralhadora. “Ratatat”. Alguma coisa simplesmente parecia certo na caixinha perdida num mar de tantos CDs na prateleira da loja.

A mensagem do começo, falada em inglês, nem fez tanto sentido quando o “play” dava início aquela degustação injusta de 30 segundos. “Eu faço rap há 17 anos, ok? Eu não escrevo mais minhas coisas, ok?”. Isso mesmo, era todo instrumental. Guitarras, sintetizadores, palmas e beats. Rock, eletrônico e até minimalista. Um achado.

Da próxima vez que tiver um tempo livre, perca um pouco dele passeando naquela loja mais próxima. Escolha os CDs pelo acaso e perturbe um pouco o vendedor para ouvir cada um com cuidado. O prazer da descoberta vale muito mais que o mais rápido dos downloads.

Escute: Ratatat – Seventeen Years

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Sampa
Pernambuco está em alta em São Paulo. Durante essas últimas duas semanas, passaram pelos palcos de lá o Eddie, Bonsucesso Samba Clube, o DJ Bruno Pedrosa e o Mundo Livre S/A. Uma amiga de lá comentou que não adiantava marcar outro programa, porque todo mundo já estava certo que o show do fim de semana eram das bandas daqui.

Sirrose
O projeto de Silvério Pessoa cantando Reginaldo Rossi, o Sir Rossi, que foi adiantado aqui na Folha terça passada já tem datas para os primeiros shows. Claro, vai ser uma dobradinha com a Del Rey com músicas de Roberto Carlos. O encontro dos reis será no Clube das Pás, dia 07 de abril. Os ingressos vão custar R$ 12.

Internet
O Programa Independente, agora programa Recife Rock Independente, está colocando a partir de agora na Internet as edições que vão ao ar na Rádio Universitária. É só acessar o www.reciferock.com.br . Já o site CircuitoPE liberou, sexta-feira, seu terceiro podcast. Agora Fred 04, do Mundo Livre S/A, apresenta o novo e ótimo disco Bebadogroove. Para acessar: www.circuitope.org .

Música, tecnologia e negócios

No meio dos arranjos e sombrinhas do frevo que inundam o clima de Carnaval que já toma cada esquina da cidade, começa uma maratona de debates, palestras, shows e simples conversas que vão funcionar como um oásis de oportunidades para quem produz e compõe música. Com base no bairro do Recife Antigo, o Porto Musical abre sua programação até quarta-feira desta semana prometendo fervilhar de boas idéias e parcerias na cidade.

É um evento de interesse internacional. São 34 palestras, que falam sobre como importar a música brasileira, exportar a internacional e integrar essas propostas com tecnologia. E, por isso, está reunindo gente de todo o mundo no Recife. “A editora de música do Le Monde (principal jornal da França), Veronique Montaigne, já está na cidade”, adianta a produtora executiva do Porto Musical, Melina Hickson, da Astronave Iniciativas Culturais.

Segundo ela, a expectativa é que essas pessoas possam movimentar ainda mais o mercado de música, não só local, como nacional. “Peter Hvalkof, um dos conferencistas, é também o organizador do segundo maior festival de música pop na Europa, o Roskilde, e ele também vem para cá como olheiro, prestando atenção no que está acontecendo aqui para poder apresentar lá”, diz Melina. Ela também lembra da presença de Jean François Michel. “Foi ele quem criou o conceito de bureau de exportação de música e, por ano, passa pela mão dele um orçamento gigante só para investir em música”.

E quem vem para o Porto Musical, pretende aproveitar para ficar na cidade até o fim do Carnaval. Não só para aproveitar a festa, mas também para aproveitar e levar mais material para fora. Caso do jornalista paulista Alexandre Matias. Ele colabora constante para a revista Bizz e o jornal Folha de S. Paulo e, depois da palestra que faz aqui, onde vai debater sobre como a indústria do entretenimento pode ficar mais padronizada ao gosto do cliente, ele pretende ficar atento na movimentação local.

“Eu estou fazendo um projeto com Fred Leal, que vai fazer a conferência comigo, para a gente emendar com o Carnaval, aparecer no Recbeat e montar um ‘podcast’ (rádio online) com uma cobertura do que está acontecendo na cidade”, adianta. Segundo ele, se o projeto acontecer, eles vão “entrevistar pessoas nas ruas, artistas e comparar com opiniões de outros [conferencistas] de fora que também vão estar no Recife”.

Matias e os já citados europeus são apenas alguns, dos vários que, têm hoje o poder de colocar um artista na grande mídia, numa grande rádio ou até mesmo uma grande gravadora. Outros nomes são Fabrício Nobre e Rodrigo Lariú. Eles chegam representando as duas principais gravadoras independentes de verdade no País, a Monstro Discos e a MMRecords. Quem ficar atento aos nomes na programação do evento, pode terminar o Carnaval com malas prontas para uma carreira fora de Pernambuco.

Quem também está na cidade, de olho no Porto Musical, é o Ministro da Cultura, Gilberto Gil. Ele vem para anunciar, hoje mesmo, a parceria entre Brasil e Alemanha na feira Popkomm. Será a primeira vez que um país não-europeu participa do evento. O Brasil leva para seu estande, que terá 150 metros quadrados, 26 shows de artistas nacionais para apresentação internacional.

Shows
Além dos debates, uma programação de shows foi organizada na Praça do Arsenal, com acesso aberto ao público. Virgínia Rodrigues, novo nome de sucesso em Salvador, faz a abertura dos shows no palco onde também vão passar as promessas Bumcello (França), The Gift (Portugual), La Pupuña (PA), entre outros, com os locais DJ Bruno Pedrosa e Bonsucesso Samba Clube.

Programação da segunda-feira (outros dias no site oficial)

Segunda-feira
Porto Digital Apolo
10h
Brad Powell
O Futuro da música independente
Jerome Vonk
Exportação da Música do Brasil
11h
Jorge Maldonado
América do Sul, Internet e as músicas do mundo
Michel Nicolau e Sérgio Sá Leitão
Exportação da música do Brasil
12h
José Carlos Cavalcanti
Incentivando as Indústrias Criativas em Pernambuco e no Brasil
Ney Messias
TV e Rádio Cultura
13h
Almoço Almoço
14h30
Bas Boorsma e Paul T. Morris
INEC International Network e-Communities
Johannes Theurer
Networking excelente cria redes de excelência
15h30 Filipe Luna
O sampler a composição musical
Alex Webb
De olho nos prêmios – A experiência da BBC
16h30 Gian Uccello
Relação gravadoras x telefonia móvel
Zjakki Willems / Jeroen Revalk
Titin na terra do mangue
Go Digital | Go Internacional | Go Brazil

Vou ver se faço um fotolog da cobertura aqui no site

Transformer

Boas idéias demoram, mas eventualmente, chegam. Em dias onde todo mundo inventa de ser DJ, Bruno Pedrosa (do núcleo dos DJs de padaria) dá um reforço classe A no repertório das noites da cidade. “Transformer”, CD que nasce com patrocínio da Chesf, traz músicas de artistas pernambucanos remixados por DJs que vão do dono da idéia à presenças nacionais, tipo o Drumagick (SP). As 14 faixas tem desde Cordel do Fogo Encantado à Mundo Livre S/A com programações que ficam entre o drum’n’brass e tecno.

Tudo feito com responsabilidade. Bruno Pedrosa fez questão de pedir a versão “master” (a que tem a voz e instrumentos gravados em canais diferentes) para cada artista. Deu liberdade artística para cada DJ convidado fazer da maneira que achasse melhor o remix. Assim, no som, não tem nada de realmente modernoso. Essa é a melhor parte do CD, que não embarca na moda trance ou no afetado electro para embalar músicas tão regionais. Todos os sons casam muito bem na “versão pista”.

O disco já abre com uma preciosidade. É a música “Morte e Vida Stanley”, do Cordel do Fogo Encantado, que ainda não tinha sido registrado pela banda em nenhum disco. Nesse mesmo quesito, traz também “Meu Esquema”, do Mundo Livre S/A. A trupe de 04 tinha perdido as masters quando se desligou da primeira gravadora. Entraram em estúdio para refazer tudo, apenas para participar do disco. Por isso, aproveitou ainda para entrar em versão acústica, encerrando o “Transformer”.

Apesar de vir com esse estigma, “Transformer” não é para ser tomado como um “disco de festa / balada / pista”, etc. Dentro dessa categoria estão “Na Boléia da Toyota”, de Silvério Pessoa com remix do Drumagick e “Deixe-se Acreditar”, do Mombojó em versão BTK and Spleen. Fora dela, estão “O Baile”, de Erasto Vasconcelos e “Veja Lá”, do Bonsucesso Samba Clube, em climão de Lounge Eufrásio Barbosa com batidas leves e discretas.

A versão jungle de Mombojó está entre os pontos altos de todo o disco. Não altera arranjo nenhum da música, apenas com as batidas “anosnoventa” por cima, casando tudo com perfeição. Consegue renovar o clima da banda de uma maneira legal e com cara que vai dar muito certo numa festa perdida na noite da cidade.

Cotação: [rate 5]
Escute: Mombojó – Deixe-se acreditar / BTK and Spleen remix
[http://www.popup.mus.br/mp3/mombo.mp3]