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Camarones Orquestra Guitarrística @ Festival DoSol 2010

Esse texto é parte 3 de 5 na série Festival DoSol 2010

Camarones ao vivo no festival DoSol 2010. Foto de Rafael Passos

É fácil duvidar do potencial do Camarones Orquestra Guitarrística. Bom vendedor que é, o produtor potiguar e tecladista da banda Anderson Foca sempre fala de sua mais nova banda com tanta empolgação que deixa qualquer um com pé atrás. Chega uma hora que você cede ao pensamento “esse cara fala tanto que deve ter algo errado aí”. Isso, claro, para quem só escuta falar. Depois do intensivo que essa ano tem sido para a banda – estão chegando no show de número 60 em breve – quem fala hoje sobre o Camarones é a própria banda, ao vivo, no palco. Jogaram em casa e fizeram um dos melhores shows do festival DoSol 2010.

É impressionante o quanto a banda se transformou em apenas um ano. Se comparado com a apresentação que eles fizeram em abril – na programação paralela do Abril Pro Rock, última que vi – com essa, o avanço é assustador. Ganharam mais presença no palco e o impacto da parede sonora se tornou uma característica marcante do show. É possível dizer que, após os tropeços causados por vários fins inesperados e mudanças em bandas (e um certo afastamento do Calistoga para se aproximar a uma cena própria deles, dos vegan), Natal passa a ser muito bem representada mais uma vez na cena independente.

Tenho, inclusive, a impressão que o Camarones vai conseguir criar uma categoria nova de rock instrumental dentro dessa cena. Uma que é diferente da feita pelo Pata de Elefante e do Macaco Bong, que se aproxima “de leve” com que está começando a ser feito pelos baianos do Vendo 147. Não vou me aventurar em criar neologismos ou reinventar definições nessa altura do campeonato, mas me limitar a dizer a que, do começo ao fim, não tem uma música ruim em todo show. Comandar um público sem usar palavras não é tarefa fácil e quando levanta a bola, o Camarones só manda saques certeiros por trinta minutos sem interrupção. Daqueles que você segura até vontade de ir ao banheiro para ver o que acontece até o final.

Popcast #09 – Vivendo do Ócio

O podcast entra oficialmente em sua fase baiana. Como tempo livre aqui é bóia, eu agora prometo manter a atualização de pelo menos um novo episódio por semana. No de hoje tem música exclusiva do Mundo Livre S/A, a mais nova do Móveis Coloniais de Acaju uma do Camarones Orquestra Guitarrística que não será mais lançada, já que a banda acabou, entre outras. Tem também, claro, uma devida homenagem a Salvador, cidade onde estou morando agora, com músicas do Vivendo do Ócio, Cascadura e Pessoas Invisíveis. Fora o falatório, que é o que torna tudo mais legal.

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Banho de água fria na cena de Natal

sinks

Duas das principais bandas de Natal encerraram – ao menos temporariamente – as atividades agora no começo do mês. A The Sinks, que estava na disputa para ser uma das principais convocações em festivais independentes desse ano, junto com a Camarones Orquestra Guitarrística, anunciaram que seus integrantes (que são quase os mesmos) decidiram deixar a banda. O motivo principal foi para se dedicar ao grupo original deles, o Calistoga. Ambas passaram, respectivamente, pelo Abril Pro Rock do ano passado e o Rec-Beat desse ano e representavam quase tudo que se escuta de Natal nesse circuito.

Quem se prejudicou nessa foi a The Sinks. A banda precisou cancelar uma turnê de 19 shows em 16 datas pelo Brasil (eles fariam o circuito do interior de São Paulo que já foi comentado aqui no Pop up). Uma delas, inclusive, já movimentava o burburinho em São Paulo sobre a volta de Chuck Hipólito, do Forgotten Boys, aos palcos. Ele se apresentaria com o Sinks em um show no Club Belfiori. Chucky era fã declarado da banda e chegou a remixar o primeiro EP deles.

Perguntei a Anderson Foca – produtor do festival DoSol, mentor das bandas e baixista do Sinks – sobre o que acontece agora. “Não sei se o Sinks vai continuar com esse nome, mas vou dar continuidade no trabalho junto com Chucky, já que queríamos fazer algo juntos a muito tempo. Não sei se vai ser uma banda, deve ser mais um projeto já que somos bastante ocupados com nossas coisas, eu em Natal e ele em São Paulo. Mas a idéia é que possamos compor e fazer coisas juntos esse ano”.

Quanto ao Camarones, “com a Saída de quatro integrantes vai ser difícil reformular. A banda deve mesmo acabar. Ana deve tocar baixo junto com uma cantora local chamada Camila Masiso”. Até lá, Natal fica sem produto de exportação – e todas as atenções vão acabar se voltando ao Calistoga, que será a próxima banda da semana aqui no Pop up. Mas, mesmo com desfalque nas bandas, a cidade segue com o Festival DoSol e Mada, além de uma programação de rock no ano inteiro como só acontece lá.

Recbeat 2009: Primeiro dia

Primeiro dia incomum, esse do festival Recbeat. O palco mais diversificado do Carnaval de Pernambuco virou o único palco, pelo menos na abertura da programação. Uma chuva, do tipo que Recife não via já tem muito tempo, fechou todas apresentações que aconteciam no bairro do Recife Antigo. O palco principal, no Marco Zero, chegou a se deslocar sozinho por mais de um metro. Isso acabou ajudando uma maior concentração de pessoas, coisa que não costuma acontecer no primeiro dia de Recbeat. Isso + chuva + Eugene Hurtz insano no palco fez parecer que já era o encerramento. Ecos da noita histórica com Pato Fu em 2008 passavam na memória de todos.

catarina

No geral, foi uma noite mais descompromissada. Talvez com exceção da potiguar Camarones Orquestra Guitarrística, que tinha o show mais ensaiado, as outras atrações que passaram no palco estavam em clima de descontração. A começar por Catarina Dee Jah. Esse foi o segundo show que vejo dela e, pelo menos nessa noite do Recbeat, parecia que a presença dela no palco tinha melhorado quase que exagaradamente (o que se justifica, afinal, o show anterior que eu tinha visto foi o primeiro que ela fazia na carreira). Acho que pouca coisa não funciona no Carnaval do Recife e, por isso, o brega modernoso dela até agradou. Mas com o começo pontual do festival, às 20h, pouca gente arriscava ganhar banho de chuva.

camarones

O bom de uma programação enxuta (sem trocadilhos. São quatro por noite) é que permitem apresentações mais longas. Com quase uma hora de show, a chuva já tinha ido embora e mais gente se acumulava para ver o começo da Camarones. Outra que também parece ter crescido um monte desde a última vez que pisou no Recife (e olha que não faz tanto tempo assim). Cresceu principalmente a parede sonora deles, algo importante para uma banda instrumental. O impacto das músicas são bem mais fortes, ao mesmo tempo em que elas estão mais pesadas e encorpadas. Foi o show mais redondinho da noite e o único que parece ter sido ensaiado. O que não tirou a espontâneidade deles, que conseguiram fazer um show acima da média sem todos os equipamentos no palco.

hamster

O que aconteceu é que a urucubaca da primeira noite do Carnaval também atingiu o Recbeat. O festival por pouco não segue os palcos vizinhos no cancelamento. O chileno Original Hamster também tocou sem parte dos equipamentos de palco, o que deixou o som um pouco mais baixo que o normal, algo que prejudica uma apresentação de um DJ solo. Ainda assim, foi ele quem começou a dar a forma dessa edição 2009 do festival. O começo foi bem modesto e ele até tocou remixes famosos (mas de outros DJs), até pegar o microfone e começar a cantar e instigar o público, que nessa hora já estava no clima certo para a noite.

dolores

Se eu tivesse que escolher um show para a noite, seria o do DJ Dolores. Geralmente as apresentações que ele faz com banda costumam ser mais melódicas, mas para o Carnaval ele preparou um formato totalmente a favor do harmônico. Com Jr. Black (Negroove) no microfone, cantando quase como se estivesse sendo remixado ao vivo, ele deu uma nova cara a antigos hits e fez a apresentação mais animada (e honesta) de toda noite. A única coisa deslocada foi uma “boxeadora” que ficava rodando pelo palco sem fazer muita coisa. Era pelo mis-en-cene, eu sei, mas ficou informação demais.

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Por um momento, parecia que o show do Gogol Bordello (que resolveu tocar com banda e não sozinho) chegou a ser mesmo uma alternativa muito melhor que o Afrika Bambaata, que tocaria originalmente na programação. Eugene Hurtz é um tipo de Kramer dançarino e perde totalmente os bons costumes quando está no palco. É bem louco, correndo, pulando e gritando como se sobreviver dependesse da adrenalina de todos. E a turma até que foi na onda dele também, fazendo o mesmo.

Mas o show teve uma pitada forte de enrolação. Por que, na verdade, ele estava apenas trocando uns CDs para tocar, cantando por cima de uns e dançando em outros. Perdeu totalmente o sentido quando ele começou a tocar O Pobre dos Dente de Ouro, do Cidadão Instigado e, depois, Alceu Valença (sério). A partir dai ficou parecendo apenas um daqueles DJs bebados estraga festa. Mas isso foi para quem tava sóbrio, vendo o show quase sentado. Para o público, tudo era festa.

Grito coletivo

underschool

O Grito Rock, considerado por alguns o maior festival independente da América Latina, começa a tomar forma já no primeiro mês de 2009. O Grito é, na prática, uma ação coletiva. Shows menores que acontecem em várias cidades do Brasil e em países vizinhos sob um mesmo nome. Algumas cidades, como Cuiabá (padrinhos do evento), leva o conceito além e cria um formato clássico de festival quando chega a data.

No Nordeste, o evento sempre foi meio mambembe. Conseguindo alguma força em cidades que já tem uma certa estrutura, como Natal, mas se dando mal em outras que são pouco preparadas até para shows cotidianos. Mas, parece que de tanto tentar, o Grito Rock chega na região na sua melhor forma agora.

O festival pode ser considerado o ponto alto das ações do Coletivo Lumo (aliás, to devendo falar mais sobre eles aqui) no Recife. Será em Porto de Galinhas (o que tem gerado vários “Como assim?”) com participação de Wado e Mombojó, além de bandas mais novas. A programação completa será divulgada no blog criado apenas para o Grito Porto.

Outro coletivo, o Mundo, que faz o Festival Mundo em João Pessoa, também dá uma crescida nas ações do Grito Rock na Paraíba. Lá, eles terão uma atração internacional, a Underschool Element, da Suiça. A banda também toca no Grito em Salvador, que será realizado por – sim, mais um coletivo – a Associação Cultural Clube do Rock (ACCR-BA).

Enquanto isso, em Natal, o Grito passa a se chamar Chamada Carnavalesca do Rock, com sete bandas, organizado pelo pessoal do Centro Cultural DoSol.  Esses não são exatamente um coletivo, mas você já conhece de festivais como DoSol e o tanto que eles fazem o Rio Grande do Norte repercurtir no cenário independente.

Então, só para organizar as agendas.

  • Grito Rock Porto de Galinhas: 30 e 31 de janeiro, com Wado, Mombojó, Amp, Trio Pouca Chinfra, Burro Morto, Nuda, Cabruêra (PB) e Gigante Animal (SP).
  • Grito Rock Paraíba: 13 de fevereiro, com Underschool Element, Nublado, Os Reis da Cocada Preta + 2 bandas.
  • Grito Rock Natal: 24 de fevereiro com AK-47, Camarones Orquestra Guitarrística, Bugs, Sinks e outras.