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O palco não pode ser pouco

Da licença? Esta coluna já se estendeu demais no campo do pessimismo. E, assim como os artistas de quem tanto reclamou, vai sair do Recife. Só volta agora quando valer a pena.

Hora de partir para novos ares. E é assim que pousamos no Rio de Janeiro. Terra do samba e da banda Cabaret. “É uma banda feminina formada por homens, que alia uma sensibilidade e uma sexualidade ao rock, que normalmente é bem machista”. Na prateleira, a banda faz Glam Rock que no palco explode em afeto, maquiagens e poses. Os nomes dos integrantes dão a dica: Marvel, Peter Glitter, Sid Licious e Myself Deluxe.

Dono de uma voz que faz falta hoje no rock, Marvel (ou Márvio, e não Décio, como já foi chamado por ai), é um típico frontman. “O Rio liga muito pouco para o seu rock”, dispara, entre frases que lambram que “o rock maquiado é a coisa mais velha do mundo”. Por enquanto, só podem ser ouvidos em show e no site www.radiocabaret.com.br. Ou no EP, sorteada aqui nesta coluna.

Cobertura
O reencontro da banda Paulo Francis Vai pro Céu, sábado passado no bar Al Sapone, foi um palavrão de tão bom. Mas o que valeu a noite foi a exibição do documentário Conservados em Formol, que desenterrou figuras clássicas dos toscos anos 80 recifense.

Confirmado
Fatboy Slim vai tocar aqui mesmo, no Recife, em janeiro. Será ao lado do Shopping Paço Alfândega, onde acontece o RecBeat no Carnaval. O anúncio oficial será feito na quinta-feira, durante o show de Renato Cohen.

Coquetel
A banda Cansei de Ser Sexy, que foi anunciada aqui na coluna em primeira mão para o festival Coquetel Molotov não vem mais. Infelizmente, só para nós, elas estão indo morar nos Estados Unidos, mais específicamente em Los Angeles. Tortoise, Cocoroise e Jupiter Maçã estão confirmados. A programação final deve sair antes do Festival de Inverno de Garanhuns.

Promoção
A partir desta semana a coluna passa também a fazer sorteios. Mas eles são exclusivos para quem lê a versão da Folha de Pernambuco, publicado todas as terças. Se você só veio ler isso aqui agora, perdeu de ganhar um CD do Mombojó e da banda Cabaret

A cidade da vez

Coluna direta de Natal, que já é o melhor lugar do Nordeste para a música independente. Olha só alguns fatos que tiveram no último Tim Mada, que encerrou sábado passado: depois de três dias de show, uma única barraquinha vendeu R$ 600 em discos. Na quinta, na sexta e no sábado, a venda de ingressos era esgotada sempre com antecedência. Ninguém deixava para comprar em cima da hora.

O melhor de tudo era o público, que se misturava com uma facilidade enorme. Quem ia conferir o show de Nando Reis curtiu o Cansei de Ser Sexy e quem viu a última também dançou com o Biquíni Cavadão. Mas o melhor foi a imprensa tão especializada que errou todas as previsões de quais seriam as melhores apresentações.

Happy Hour
O momento mais bonito de todo o Mada não foi em nenhum show. Perto das quatro da manhã, no hall do hotel, as bandas Cachorro Grande, Daniel Belleza e Impar se juntaram no piano de cauda e fizeram uma seção inteira de Beatles até o sol nascer. Confere ai a foto.

Hora feliz
Divertido mesmo foram os shows que o Macaco Bong, Relespublica e Filhos de Judith fizeram no domingo depois do Mada num bar chamado Fósfoto. Casinha legal, com clima de inferninho e vagas semelhanças com o garagem do Recife. A galera do rock diz que lá só toca reggae. A galera do reggae diz que lá toca de tudo.

Cansei no Recife
As meninas do Cansei de Ser Sexy já confirmaram. Apresentam-se no Recife no próximo festival Coquetel Molotov. Elas fizeram o show mais louco do Mada e a resposta de público foi uma das melhores surpresas. Todo mundo adorou.

Curitiba
Um dos boatos que mais circula no momento entre as organizações dos festivais é que este ano não terá o Curitiba Pop Festival. Um provável desentendimento entre os antigos e novos organizadores está ameaçando a negociação com as bandas, que eram mesmo as Arctic Monkeys e Black Rebel Moto Clube.

Pop up!
Para quem lê a coluna no site, repare que dei uma atualizada acelerada nos textos do site. Confere na barrinha ao lado ou no fim da página. Estão no ar a coluna da semana passada, a cobertura do Mada e a coluna do Giro Cultural. Hoje ainda devo começar a atualizar as fotos da barrinha do lado. =)

Cansei de Ser Sexy

Finalmente, chegou o dia oficial em que a MP3 mudou significativamente o mercado fonográfico no Brasil. Pode anotar o nome da banda, Cansei de Ser Sexy, que andava mais falada que ouvida. Depois de colocar suas músicas em formato digital online, descolaram um contrato com uma gravadora de grande porte, distribuição e até matérias fora do país. Ponto não só para a banda, mas também pela iniciativa da Trama, que entrega agora o homônimo nas lojas.

“Começou como brincadeira, a gente gravou as músicas em apenas um dia só para colocar no site”, lembra a vocalista e figura de frente da banda, Luisa Lovefoxxx. Aliás, sobre o nome dela, vale lembrar também que a Cansei de Ser Sexy é uma banda como não existe faz tempo. Trabalha na música um conceito que mistura moda, comportamento, figurinos, nomes e fotologs. “A banda só tem dois anos, mas já aconteceu muita coisa surpreendente”, continua.

Transição longe de ser dolorosa. Quem acompanhou esse processo da banda, pelo o site Trama Virtual, vai perceber mudanças fortes nas músicas. “É porque agora foi bem gravado, né!”, comenta Luisa. “Agora cada uma das três guitarras foi gravada em separado, tem até bateria eletrônica, o CD foi pré-produzido e mixado”, enumera, “até os volumes estavam no lugar certo”. O mais importante dessa mudança, ela faz questão de deixar frisado: “A gente fez tudo do jeito que quis”.

A parte complicada – e necessária na fama – também já entrou na rotina da Cansei de Ser Sexy. Nos fóruns da Internet, muita gente já começa a falar mal da conquista da banda. “De repente a gente tava na capa do jornal e o gráfico das pessoas que tinham raiva da gente começou a crescer”, comenta. “Mas eu posso garantir que nada mudou na banda. A gente tá sempre junto todo dia, continuamos os mesmos”.

E de todas as novidades que a banda traz (trilha de seriados americanos e participação em games), o mais legal vem no próprio CD. A caixinha encarta também um CD-R, virgem, com a mensagem “Faça bom uso dele”.

“Minha arte é chamada egocêntrica-soft-pornô”. Musicologicamente falando, não tem realmente nada de novo ou que chame atenção na Cansei de Ser Sexy. Um electro-rock que, desta vez, está bem amarrado, recheados de efeitos e repetições. Os mais ligados no gênero vão lembrar logo de Fischerspooner, Audio Bullys e uma grande quantidade de referências da pista das boates. A novidade (muito boa) são brasileiros fazendo isso com competência e aceitação.

Pode ser o primeiro disco da banda, mas as 12 faixas não vão chegar na mão de quem ainda não ouviu pelo menos uma das músicas. É o típico “produto seguro” da indústria, tudo graças a então dor de cabeça que eram as MP3s. O melhor do disco da Cansei de Ser Sexy não está na música, mas sim no recado que traz: as gravadoras estão despertando para o potencial da Internet.

Publicado originalmente em 31.10.05