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Recbeat 2010: Programação

O festival Recbeat divulgou a programação que vai compor um dos palcos mais legais do Carnaval do Recife. Durante a coletiva, o produtor Gutie não colocou nesses termos, mas parece que esse ano eles seguiram a risca a lista de melhores discos que foi divulgada em revistas, blogs e etc. Vai ter Cidadão Instigado e Lucas Santanna e por pouco não teve também Otto. Outra característica legal dessa edição é a descentralização. Tem muito mais bandas de lugares distintos, fora as internacionais. Incluindo a Caldo de Piaba (foto), que é uma das apostas do Pop up para 2010.

Uma parte das atrações também se apresenta no Sesc Pompéia, em uma edição paralela que será chamada “Pompéia-Beat”. Apesar de ser contra do que chamou de “coisa fast food”, sobre ter edições em outras cidades, Gutie disse que até metade do ano deve anunciar um “drops” do Recbeat na Europa, com parte dessa programação. Sem mais enrolação, confere ai a programação do festival!

  • Sábado 13.02 – 20h

Radistae | PE
Zé Manoel | PE
Renegado | MG
Lucas Santtana | BA
Puerto Candelária | Colombia

  • Domingo 14.02 – 20h

A Banda de Joseph Tourton | PE
Volver | PE
Magic Slim | EUA
Atração a ser anunciada
Gabi Amarantos | PA

  • Segunda 15.02 – 20h

Diversitrônica | PE
Stela Campos |  SP
Madensuyu | Bélgica
Atração a ser anunciada
Ojos de Brujo | Espanha

  • Terça-feira 06.02 – 20h

Mestre Galo Preto | PE
Caldo de Piaba | AC
Cidadão Instigado | CE
Cabezas de Cera | México
Original Olinda Style (Eddie + Orquestra Contemporânea de Olinda) | PE

Recbeat 2009: terceiro dia

joaodomorro

“João do Morro… no Recbeat… TOMA!”. Quando João do Morro gritou isso para uma verdadeira multidão em sua frente, ninguém ali desconfiava que alguns minutos antes ele estava sentado no camarim, ainda roco do show que fez no Galo da Madrugada, dizendo a todos que entravam o quanto estava nervoso e assustado para se apresentar. Passado a confirmação da aprovação de grande parte do público – que fez questão de aparecer cedo como nunca tinha acontecido antes, nos últimos 14 anos de evento – essa já pode ser definida como a escalação mais simbólica de todo o festival Recbeat.

Gutie, produtor do festival e empresário de João do Morro, fez questão de não esconder a felicidade que a apresentação trouxe. Dias antes, ele recebia ligação da Prefeitura do Recife, perguntando se ele iria mesmo escalar o cantor de pagode / swingueira no Recbeat. Penso que essa é uma primeira ruptura do conceito tão preso a estética que os artistas independentes sempre tiveram. São dois resultados para celebrar: do lado de lá, parece que um artista chegou um nível aceitável suficiente para conviver entre outras bandas de rock, tango e tec. Do nosso lado, cai um pouco da frescura em se misturar.

E, ainda de sobra, tem um outro grande trunfo. O público do Morro da Conceição, que compôs toda a comissão em frente ao palco, mostrou humildade em não ir embora logo após o show de João. Continuaram lá e fizeram questão de acompanhar todo o restante do Recbeat. Isso é algo que o público de festivais independente ainda precisam aprender com essa turma. Ainda mais considerando que a transição para o show da Nuages (Equador) não foi fácil. Era uma banda visualmente atrativa, mas instrumental e recheada de muito mais informação.

Só não aproveitaram melhor o clima da noite que a Ska Maria Pastora. Verdadeira revelação do Recbeat, o grupo (que não toca exatamente Ska, apesar do nome), foi a surpresa mais agradável de todo o festival. Banda redondinha, que estava escondida dos holofotes da imprensa, mas faziam pequenos shows pela cidade. Só precisam agora aproveitar a super-exposição para ganhar mais espaço. Se fizerem, esse deve ser um grande nome da música local para este ano.

A chuva torrencial que voltou logo depois do show deles me fez perder boa parte da apresentação de Sílvia Machete. O pouco que vi (as últimas duas músicas), lembrou bastante a passagem que vi dela em Salvador meses atrás. Tem toda um lado quase teatral, mas é um repertório 100% de covers. E isso sempre me soa negativo. O comentário da noite, que concordei, era que ela misturava Danny Carlos com Catarina Dee Jah. E essa não é uma boa mistura.

desorden

Vendo o show do Desorden Público, da Venezuela, lembrando da apresentação que o Móveis Coloniais de Acaju fez ano passado, me fez pensar que o Recbeat deveria ter uma noite inteira dedicada ao Ska. Os vizinhos não fizeram apenas o melhor show da noite, mas de toda a programação do festival. Foi incrível a maneira como a música dele pulsava pelos braços e pernas de todos que a ouviam, quase que obrigando todo mundo a dançar enlouquecidamente. Nessa brincadeira de abrir as portas para a América Latina, esse já é pelo menos o terceiro grande nome que o Recbeat traz e que fica óbvia que deveria se apresentar aqui no Brasil sempre.

As fotos são de Caroline Bittencourt

Recbeat 2009: Segundo dia

Apesar do festival ter começado já em ritmo acelerado, o segundo dia do Recbeat foi mais morno. Pelo menos dois fatores esgotaram com um pouco da empolgação das pessoas. A primeira foi a ressaca da chuva no dia anterior e, em segundo lugar, a infernal aglomeração que estava lá desde o começo da tarde para ver o bloco Quanta Ladeira. Eu devo estar entre as poucas pessoas que vão até o Carnaval, mas não se convencem com as letras de escracho sem trocadilho pela trupe. Muita gente no palco sem fazer nada, muita piada interna (tem até música para o drugdealer deles), muito desencontro que uma hora chega a ficar sem propósito.

Tá… fez piada com Marcelo Camelo e Mallu Magalhães. Mas quem é que não fez?

Talvez meu incomodo maior seja porque o bloco não agrega em absolutamente nada ao Recbeat. Terminada a apresentação, quando a banda River Raid subiu ao palco, o pólo já estava angustiante de tão vazio. Quem ficou, conseguiu conferir um dos melhores shows da noite. Tudo bem que rock, cheio de guitarras, combina cada vez menos com a programação do festival, mas foi uma oportunidade para ver o resultado do que aconteceu com a banda depois de tantas andanças pelos Estados Unidos.

A sequência seguinte parece um tanto sem sentido. O norte-americano Clayton Ross trouxe um country quase forró. Me parece ser o tipo de música interessante num contexto de World Music, mas mostrar para o Brasil mais de música brasileira não tem tanto impacto. Me fez pensar até em bandas de rock daqui tocando rock lá fora e como eles devem causar a mesma impressão de tédio. Acabou virando a “banda da cerveja” para muita gente, que usou o show para circular. Eu fui ver o Mundo Livre no Marco Zero, junto com Eugene Hurtz e Manu Chao.

A apresentação de Victor Araújo também me soou sub-aproveitada. Essa foi a primeira vez que o vi cantar, além de tocar piano. E, nesse formato, realmente sua apresentação ganha uma proporção muito maior e melhor quando é apenas instrumental. Mas o forte dele ainda é a performance. Mas Victor tocava um piano preto, em um palco preto, vestido de preto e, não fosse suficiente, de costas pra o público. A falta de cuidado cenográfica pesou muito contra para quem assistia o show do angulo de visão do público.

O angolano Wysa acabou sendo prejudicado pela onda irregular da noite. Seu show – música pop da Ângola, surpreendente e muito empolgante – demorou para pegar ritmo. Mas na segunda metade, já trazia de volta ao Recbeat o verdadeiro clima do Carnaval. Em parte pela participação especial de Zé Brown, ex-Faces do Subúrbio, que acelerou o ritmo da noite. Ficou a vontade de ver esse show fora do contexto de um festival. Foi uma das melhores surpresas até agora.

Não vi o show inteiro da Eddie, mas ai também já era jogo ganho. Apesar do mote do novo disco, o repertório ainda foi mais com músicas de trabalhos passados. Só fiquei com duas ressalvas. Acho que um letrista tão genial como Fábio Trummer não deveria se apoiar tanto nas músicas de Erasto Vasconcelos. Fico com a impressão que ele acaba perdendo apresentações no Carnaval por conta disso (que eu chamo de “efeito Sir Rossi”, pelo que a banda cover de Silvério acabou fazendo com Reginaldo Rossi). Ouvir o Baile Betinha em outra voz que não a de Erasto é quase pecado. A segunda ressalva é a versão para Nantes, de Beirut. Ficou horrível.

Mas acho que não representou nem 1% do show. Cheguei a pensar que o fosso em frente ao palco fosse derrubar de tanta gente dançando enlouquecida. Estou sem fotos. Minha câmera quebrou no primeiro dia do Recbeat. Vou atualizar aqui quando a assessoria do festival passar as de divulgação.

Recbeat 2009: Primeiro dia

Primeiro dia incomum, esse do festival Recbeat. O palco mais diversificado do Carnaval de Pernambuco virou o único palco, pelo menos na abertura da programação. Uma chuva, do tipo que Recife não via já tem muito tempo, fechou todas apresentações que aconteciam no bairro do Recife Antigo. O palco principal, no Marco Zero, chegou a se deslocar sozinho por mais de um metro. Isso acabou ajudando uma maior concentração de pessoas, coisa que não costuma acontecer no primeiro dia de Recbeat. Isso + chuva + Eugene Hurtz insano no palco fez parecer que já era o encerramento. Ecos da noita histórica com Pato Fu em 2008 passavam na memória de todos.

catarina

No geral, foi uma noite mais descompromissada. Talvez com exceção da potiguar Camarones Orquestra Guitarrística, que tinha o show mais ensaiado, as outras atrações que passaram no palco estavam em clima de descontração. A começar por Catarina Dee Jah. Esse foi o segundo show que vejo dela e, pelo menos nessa noite do Recbeat, parecia que a presença dela no palco tinha melhorado quase que exagaradamente (o que se justifica, afinal, o show anterior que eu tinha visto foi o primeiro que ela fazia na carreira). Acho que pouca coisa não funciona no Carnaval do Recife e, por isso, o brega modernoso dela até agradou. Mas com o começo pontual do festival, às 20h, pouca gente arriscava ganhar banho de chuva.

camarones

O bom de uma programação enxuta (sem trocadilhos. São quatro por noite) é que permitem apresentações mais longas. Com quase uma hora de show, a chuva já tinha ido embora e mais gente se acumulava para ver o começo da Camarones. Outra que também parece ter crescido um monte desde a última vez que pisou no Recife (e olha que não faz tanto tempo assim). Cresceu principalmente a parede sonora deles, algo importante para uma banda instrumental. O impacto das músicas são bem mais fortes, ao mesmo tempo em que elas estão mais pesadas e encorpadas. Foi o show mais redondinho da noite e o único que parece ter sido ensaiado. O que não tirou a espontâneidade deles, que conseguiram fazer um show acima da média sem todos os equipamentos no palco.

hamster

O que aconteceu é que a urucubaca da primeira noite do Carnaval também atingiu o Recbeat. O festival por pouco não segue os palcos vizinhos no cancelamento. O chileno Original Hamster também tocou sem parte dos equipamentos de palco, o que deixou o som um pouco mais baixo que o normal, algo que prejudica uma apresentação de um DJ solo. Ainda assim, foi ele quem começou a dar a forma dessa edição 2009 do festival. O começo foi bem modesto e ele até tocou remixes famosos (mas de outros DJs), até pegar o microfone e começar a cantar e instigar o público, que nessa hora já estava no clima certo para a noite.

dolores

Se eu tivesse que escolher um show para a noite, seria o do DJ Dolores. Geralmente as apresentações que ele faz com banda costumam ser mais melódicas, mas para o Carnaval ele preparou um formato totalmente a favor do harmônico. Com Jr. Black (Negroove) no microfone, cantando quase como se estivesse sendo remixado ao vivo, ele deu uma nova cara a antigos hits e fez a apresentação mais animada (e honesta) de toda noite. A única coisa deslocada foi uma “boxeadora” que ficava rodando pelo palco sem fazer muita coisa. Era pelo mis-en-cene, eu sei, mas ficou informação demais.

gogol-01

Por um momento, parecia que o show do Gogol Bordello (que resolveu tocar com banda e não sozinho) chegou a ser mesmo uma alternativa muito melhor que o Afrika Bambaata, que tocaria originalmente na programação. Eugene Hurtz é um tipo de Kramer dançarino e perde totalmente os bons costumes quando está no palco. É bem louco, correndo, pulando e gritando como se sobreviver dependesse da adrenalina de todos. E a turma até que foi na onda dele também, fazendo o mesmo.

Mas o show teve uma pitada forte de enrolação. Por que, na verdade, ele estava apenas trocando uns CDs para tocar, cantando por cima de uns e dançando em outros. Perdeu totalmente o sentido quando ele começou a tocar O Pobre dos Dente de Ouro, do Cidadão Instigado e, depois, Alceu Valença (sério). A partir dai ficou parecendo apenas um daqueles DJs bebados estraga festa. Mas isso foi para quem tava sóbrio, vendo o show quase sentado. Para o público, tudo era festa.

Recbeat 2009: Programação

bambaataa

Eu sei que a Abrafin abriu os olhos para vários outros festivais que acontecem o ano inteiro no Brasil, mas para mim, a sensação é de que o circuito começa mesmo com o Recbeat. O festival, que integra a programação do Carnaval do Recife, teve ano passado uma de suas edições mais históricas. Coisa que vai ser difícil superar em muito tempo. Mas nesse também tem muita coisa legal programada, como Eddie (que nem curto tanto, mas na folia sempre é legal), Afrika Bambaataa e, claro, o “polêmico” João do Morro. Aliás, nunca falei dele aqui, né?

Olha a programação:

21.02 SÁBADO
20h – CATARINA DEE JAH | PE
21h – CAMARONES ORQUESTRA GUITARRISTICA | RN
22h – ORIGINAL HAMSTER | CHILE
23h – DJ DOLORES E BANDA | PE
24h – AFRIKA BAMBAATAA | EUA

22.02 DOMINGO
20h – RIVER RAID | PE
21h – CLAY ROSS | EUA
22h – VITOR ARAUJO TRIO | PE
23h – WYSA | ANGOLA
24h – EDDIE | PE

23.02 SEGUNDA
17h – RECBITINHO – DIXIE SQUARE BAND
20h – JOÃO DO MORRO | PE
21h – NUAGES | EQUADOR
22h – SKA MARIA PASTORA | PE
23h – SILVIA MACHETE | RJ
00h – DESORDEN PUBLICO | VENEZUELA

24.02 TERÇA
20h – BURRO MORTO | PB
21h – JUNIO BARRETO | PE
22h – GIOVANNA | URUGUAI
23h – BOMBA ESTEREO | COLÔMBIA
00h – CORDEL DO FOGO ENCANTADO | PE