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Voltando a instigar

instigado

Não dá para dizer que um artista como Fernando Catatau e uma banda como o Cidadão Instigado andavam parados, de tantos projetos que eles se metem e turnês com outros artistas que acompanham. Mas o fato é que daquele incrível Metodo Tufo de Experiência até hoje, a espera por um disco novo foi bem grande (quatro anos!). Vontade que eles começam a saciar agora. A banda manda avisar que tem uma música nova no MySpace deles, chamada Escolher Para Que? e que ela anuncia o novo disco que já está pronto e vai ser lançado nos próximos meses. A música continua na linha do que ele já vinha fazendo no Metodo Tufo. Confere lá!

Cobertura: Coquetel Molotov 2008. Primeiro dia, parte dois

- O texto abaixo foi a cobertura do primeiro dia que fiz para o Jornal, em versão competa, porque na final saiu super editado. Como o espaço já era curto originalmente, precisei fazer algumas escolhas, entre elas não falar do show da Julia Says.

- Mas te digo, achei a apresentaçao deles muito boa. Eu gosto como o Julia Says é contraditório na opinião pública. Metade ama, metade odeia, nunca se chega num meio termo. Fico cada vez mais no primeiro time. Mas ainda acho que falta algo ali para eles irem ainda mais longe. 

- No primeiro dia também foi distribuida a nova edição da revista Coquetel Molotov. Tem resenhas minhas de todos os dicos que peguei no Bananada. De Sapobanjo (Ska) a Bad Folks (folk, claro). A feirinha do festival estava incrível, por sinal. Comprei até duas camisas lá.

- Cheguei cedo nesse dia e peguei a passagem de som de Marcelo Camelo. Mallu Magalhães ficou sentada com cara de fã, em cima do palco, o tempo todo. Depois levantou e ficou brincando com os refletores :P

- Só fiz fotos no segundo dia. Preciso de uma câmera de verdade. Mas segura as pontas ai, porque vai ter um vídeo igual o que rolou ano passado =)

Quando o assunto são os festivais de música independente, a sensação é de que o Recife ainda não conseguiu assimilar bem a idéia de um evento pensado para conectar as pessoas e não as atrações. Mas no começo do show da banda Burro Morto, da Paraíba, pareceu que o No Ar Coquetel Molotov, que encerrou neste sábado no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, conseguiu em sua quinta edição ultrapassar esse limite. Muito mais do que a pura experiência musical – o “vou para ver tal banda” – o espaço ficou lotado cedo por pessoas que apenas queriam estar ali e fazer parte daquele momento.

Esse descompromisso é chave fundamental para uma recepção extremamente positiva de quem passa por lá para tocar alguma música. Tudo é muito novo, não apenas em tempo de formação, mas em casos de bandas como a Guizado, de São Paulo, com a melhor apresentação da noite, que se apóiam em instrumentos jamais utilizados pelo universo pop. E, por isso, tudo também sempre soa muito bom. O perfil tradicional do público que vai para questionar dá espaço para uma geração nova com o interesse sincero em apenas aproveitar uma boa noite de shows.

A cumplicidade criada permitiu boas estréias para a banda de Joseph Tourton, instrumental de marcação pop, com integrantes que sequer atingiram a maior idade. E deu aos cearenses do Cidadão Instigado – escalados de última hora para substituir o Vanguart – um merecido excelente show na cidade, limpando o histórico que Fernando Catatau & Cia (que em horas vagas acompanha também a banda de Vanessa da Mata e Otto) teve de apresentações no Recife que, até então, eram sempre prejudicadas por questões técnicas e deslizes de produções. O próprio, nos bastidores, era apenas sorrisos. “Foi legal mesmo, né?”.

Parte da corrente do ineditismo, a sueca Shout Out Louds deve ter feito uma das melhores campanhas no palco. Pop simples, que muitas horas lembrava uma versão mais alegre do The Cure, caso tal comparação fosse possível. Fizeram o público do teatro se levantar e dançar e voltaram para a Europa com um considerável aumento de fãs. “Nunca tinha ouvido falar, achei incrível”, falava em tom de comemoração o estudante e músico Eric Barbosa, 23, que não se acanhou em confessar. “Não vi aqui atrás de show nenhum, foi mais para encontrar um pessoal e passear”. No bolso, ele levava dois CDs da banda e uma camisa.

Mas tanta gente assim, que esgotou os ingressos para o festival com quase uma semana de antecedência, se justificava também pela presença de Marcelo Camelo, que nessa noite livrou-se do estigma de “ex-Los Hermanos”. O músico agora existe efetivamente solo e o fez com uma estréia que já pode ser classificada como histórica. Começou em clima de João Gilberto, sentado com um violão, cantando baixo, até se deixar contaminar pela empolgação do público. Todas as músicas do disco “nós” que cantou já foram em coro.

Aquele não era o Camelo que descreveriam como o mais reservado da antiga banda. Ele chegou a cantar duas músicas do Los Hermanos. Em “Morena”, o teatro experimentou uma pequena catarse, sentimento que só aumentou quando a cantora Mallu Magalhães entrou no palco, sentou ao seu lado, pegou um violão e desabou em choro. A cena era honesta e multiplicou lágrimas em todo teatro. No fim, celebrou enérgico, igual um torcedor de futebol frente ao gol.

Vanessa da Mata – Sim

A voz de Vanessa da Mata esconde um tipo de segredo, cada vez mais raro na produção brasileira de música. É boa de ouvir, a ponto de que já na primeira impressão tudo parece muito certo, agradável e até o exagero do inquestionável. Efeito que dobra de proporção se visualizarmos um agudo tão afinado vindo de uma mulher de estatura tão alta. Diferentes noções de intimidação que ela usa a seu favor para se firmar como uma das artistas mais equilibradas do repertório nacional em Sim, terceiro disco que lança na carreira da nova balzaquiana.

Diferente dessa população média de artistas, Vanessa da Mata tem ainda a vantagem de que bom gosto costuma intimidar muito. E apesar de ser compositora, dona das próprias mensagens, Sim é um óbvio disco de muitas mãos. As dela, as do produtor e de toda estrutura que uma gravadora internacional como a Sony/BMG pode oferecer. Como em Boa Sorte / Good Luck, música que Ben Harper recebeu pelo correio para gravar junto a ela. Sob muitos aspectos, esse poderia ser o tipo de disco que muitos gostariam de ter a segurança em lançar.

Vanessa está diferente nesse disco. Mais refinada, sua maior contribuição nesse trabalho coletivo é dar um tempo no clima agitado que suas músicas traziam (vale lembrar a Ai ai ai), para mostrar um lado menos espalhafatoso. Resultado de referências que ela passou a receber, em última instância, do reggae e bolero. A seqüência de abertura – todos com jeitão de hits – com Vermelho, Fugiu com a Novela e Baú já apresentam esses novos sons que ela apresenta em sua própria versão processada.

Os outros personagens de Sim são visíveis apenas ao ouvido atento e os curiosos com o encarte do disco. Ela estava acompanhada no estúdio de um dos times mais requisitados da atual música brasileira. O produtor Kassin, o baterista da Nação Zumbi Pupilo, o guitarrista do Cidadão Instigado e já antigo companheiro Fernando Catatau. É muito evidente a influência desse último nos novos arranjos tipo “brega cool”, que algumas músicas como Ilegais traz.

Mesmo sendo um bom disco, Sim não deve trazer muitas mudanças para a carreira de Vanessa da Mata. Pode ser visto como um trabalho de manutenção da própria imagem, agora que ela já se estabeleceu no patamar dos grandes artistas. Um recado cuidadoso – com direito a uma música de protesto ecológico – de que ela não está interessada (ainda) em desandar pelo pop noveleiro, acústico e outros formatos que dão sempre um empurrão perigoso em qualquer carreira. Opção muito mais honesta da parte dela, que só merece mais louvor.

Pegando carona

Começou ontem o Cine PE – Festival do Audiovisual de Pernambuco. Calma, você está lendo a coluna certa. O papo aqui é para comentar que a “turma do cinema” sempre foi melhor de festas que a “da música”. Até o fim do evento, aproveitando o burburinho de gente na cidade, vai ter programação em todas as esquinas da cidade. De carona entre shows e festinhas menores, já tem produtores atentos até para trazer gente de fora. Black Alien e Cidadão Instigado (leia mais abaixo) entre os confirmados.

Isso é bom porque vai contra essa história de que música, no Recife, só funciona durante o verão. Lembrando que foi o festival de cinema do ano passado quem acabou legitimando, mesmo debaixo de chuva, os novos espaços da cidade, como o Capitão Lima. Fica a dica para quem tem banda de um povo bom para juntar esforços. De local, só chegou notícia até agora de Ortinho, que lança clipe novo quinta no Boratcho, aproveitando o clima do festival.

Blues

O show do Bluesman de Chicago Eddie C. Campbell, que será amanhã no Musique, já teve todos os ingressos vendidos antecipadamente. Vitória para o blues, algo tão raro de acontecer na cidade. A produção manda avisar que uma nova apresentação foi marcada na quinta-feira, com ingressos já a venda.

Cidadão Instigado

Ainda não tem nada anunciando na cidade, mas a banda de Fortaleza toca aqui sábado, no Eufrásio Barbosa. Cidadão Instigado, que esteve no Abril pro Rock do ano passado, lançou um dos melhores – se não o melhor – discos nacionais de 2006.

Internet

O Brasil ganhou sua própria versão para o site Music Jobs. É um espaço um enorme banco de currículos e vagas, para promover intercâmbio com todos que trabalhem com música no país. Precisa de um técnico de som na cidade onde vai se apresentar? É só olhar lá no www.musicjobsbrasil.com.br

Entrevista: Cidadão Instigado

Crédito: Alisson Louback

Fernando Catatau não sabe que ele está na moda. Mas, no último show do Los Hermanos no Recife, antes da banda entrar no palco, todos cantavam em coro e dançavam com as mãos as músicas do Cidadão Instigado. Hoje, uma banda que não toca mais na rádio, nem aparece na MTV, já não espanta mais quando encontra tantos fãs assim. Nessa lógica surpreendente da Internet, Catatau e sua banda de Fortaleza chegam como uma das principais atrações nacionais na programação de um Abril pro Rock que não aposta mais no sucesso fácil das grandes gravadoras.

Não é a primeira vez que o Cidadão Instigado toca no Abril. Eles estiveram presentes no palco menor em 2002, com o ainda pouco expressivo primeiro disco. Daquele tempo pra cá, a carreira do líder da banda Fernando Catatau virou o próprio Cidadão Instigado. Virou presença fundamental em algumas bandas que passeiam no universo pop jovem. “Hoje eu toco fixo apenas com o Otto e Vanessa da Mata. No Abril também vou tocar com Lúcio Maia na banda Maquinado, mas já toquei até com o Los Hermanos”. Fernando Catatau hoje mora em São Paulo e deu a entrevista por telefone.

“O Cidadão Instigado é a minha banda mesmo, minha prioridade. Estou sempre viajando com esse outro pessoal, mas dou prioridade a minha agenda”, explica. A música do Cidadão é complicada de colocar em palavras. São interferências eletrônicas que se encontram com trechos de MP3 e poesias que falam que “todas as vacas estão loucas / e os urubus só pensam em te comer”. E está fazendo um sucesso enorme na Internet, nas rádios alternativas e onde mais encontra espaço.

“Eu sei que tem uma galera falando, mas não tenho idéia de quanta gente. Sei que o disco está circulando na Internet, mas eu nem ligo pra isso. A divulgação que a gente tem hoje é meio complicada mesmo”, comenta Catatau. Na já clássica lógica do mercado de música, a som do Cidadão Instigado fez sucesso primeiro no Sudeste, onde eles acabaram fechando o lançado do “Método Tufo de Experiências”, nome do disco, pela Slag Records.

“Antes todo mundo lá achava que a gente era de Recife”, diz já rindo. “Quando você fala Nordeste, o pessoal lá já assume que é do Recife ou Salvador”, completa. O que justifica a confusão é que, até hoje, o Cidadão Instigado só se apresentou em Fortaleza duas vezes. Nessa caminhada lenta para o Nordeste, eles se apresentaram fim de semana passado em Maceió. “Tá rolando legal os shows, devagar, mas tá aparecendo”, avalia.

Parte do movimento migratório dos artistas do Nordeste, Catatau não faz nem drama quando o assunto é mudar para São Paulo. “Sempre foi e sempre vai ser [melhor].Em Fortaleza a gente não tem trampo e aqui tem muito mais coisa acontecendo que lá. Até pensei em mudar para o Recife, mas não funciona, pelo menos não pra mim”, avalia. “Aqui tem circuitos do Sesc, espaços culturais, acho até que meu jeito de tocar agrada mais gente aqui do que em Fortaleza”.

Abril
No Recife, o Cidadão Instigado chega como uma banda totalmente diferente da que foi apresentada em 2002. “A maioria das músicas que a gente tá tocando é do Tufo (o disco novo). No máximo umas duas músicas do anterior”, adianta Fernando Catatau. Eles chegaram a fechar a presença no festival Recbeat, mas acabou não acontecendo. “Eu até entendo, porque a equipe da gente não é tão pequena, não tem facilidade de transportar”, reflete. A banda se apresenta no domingo do Abril pro Rock.