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Periferia conectada

Publicado originalmente no jornal A Tarde, de Salvador

lanhouse

A palavra “sucesso” se tornou um dos verbetes mais complexos do vocabulário da indústria do entretenimento nos últimos 20 anos. Sem os parâmetros tradicionais que antes elencavam um artista, cada um encontrou maneiras diferentes de eleger – além da estética da própria música, claro – quem está ou não em destaque. Uma das saídas mais honestas parece ter sido a da mídia tradicional de dar mais atenção ao próprio público e onde eles estão clicando na internet em buscas de novidades. “Parece”, porque em termos concretos, a mídia parece estar sempre atenta ao público errado.

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A cultura da troca – Parte dois

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Boa parte das indústrias de consumo de cultura tem suas lógicas de produção com base na cópia. Você precisa ter várias copias de um disco para que o artista seja ouvido, ou várias cópias de um filme para que ele se torne um sucesso. É uma lógica inversa do que acontece, por exemplo, nas artes plásticas onde pode existir apenas um modelo original da obra. E as pessoas vão viajar até aquele gigantesco local de contemplação para vê-la. É inverso, mas não tanto quanto parece. Com pouco tempo filmes de distribuição limitada e discos que só tiveram uma primeira tiragem também se transformaram em objetos cultuado.

Quando a troca de arquivos em redes P2P se popularizou, logo após o surgimento do Napster, outra grande revolução atingiu a indústria do disco de uma forma que ela jamais podia prever. Não é que o acesso a certas obras tenha ficado mais fácil, mas também a cópia – aquele fundamento básico que antes era necessário para que existissem – ficou ilimitada. Antes você só podia gravar tantas vezes um determinado disco quanto você tivesse fitas K7 que você tivesse uma forma de entregar pessoalmente. O que nunca foi muito. Mas não existe limite mensurável para quantas vezes – e quantas pessoas – você pode copiar digitalmente uma música.

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Crise?

A Nielsen SoundScan ainda faz hoje o mesmo trabalho que a deu fama no passado: as charts do Top 100 da Billboard. Mas ultimamente virou centro das atenções por conferir a venda de música online – álbuns e singles – nos Estados Unidos e Canadá. E eles encerram o ano avisando que em 2008 esse índice aumentou em 30%. Apesar de ser muito – afinal, o país lá está em crise econômica – não parece ser um resultado satisfatório para a indústria.

Ano passado o mesmo índice teve aumento superior a 50%. Pode até ser otimismo da minha parte, mas dobrar o consumo em dois anos ainda parece uma boa perspectiva para um mercado que até poucos dias redigia o discurso para o próprio apocalipse. E isso porque o recorte é bem específico. Queria ver como as vendas de músicas digitais se comportariam quando a iTunes Music Store passasse a funcionar aqui e o Brasil entrasse na conta.