Tagged: Coquetel Molotov

Os gringos do Molotov

cm

Alguns desses nomes já estavam circulando fazia tempo, principalmente porque o consulado francês divulgou os que fariam parte da programação do Ano da França no Brasil. Agora o pessoal do Coquetel Molotov confirmou não apenas os franceses, mas oficializou a Invasão Sueca que faz parte da programação desse ano. O No Ar será nos dias 18 e 19 de setembro, agora em um novo local, o Teatro Guararapes. Maior e melhor localizado que o anterior, na UFPE. Sebastien Tellier, Zombie Zombie (foto) e François Virot vão se apresentar junto com Those Dancing Days, Britta Persson e Loney, Dear. A programação completa deve ser divulgada nas próximas duas semanas.

Continue reading

Jens Lekman e mais uma invasão

lekman

A Invasão Sueca já tem suas datas e atração para o primeiro semestre desse ano. Jens Lekman, que passou quase desconhecido no Brasil pela primeira vez e saiu daqui cheio de novos fãs agora volta com as música do disco Nights Fall Over Kortedala, que ainda não foi lançado por aqui. A turnê dele, na verdade, é na América Latina e Lekman ainda tem shows agendados no Chile e na Argentina. Por aqui, ele toca em Porto Alegre, São Paulo, Recife e Curitiba.

Esse é um dos primeiros “esquentes” para a edição deste ano do festival Coquetel Molotov, já que é a produtora do Recife que promove a invasão, que deve ter uma segunda etapa durante o evento no fim do ano. Por enquanto, os shows com Jens Lekman serão dia 13 de junho em São Paulo, 14 em Porto Alegre, 16 no Recife e 17 em Curitiba.

Para quem ainda não conhece Jens Lekman, fica ai uma versão para A Higher Power, uma das minhas favoritas:

Jens Lekman – A Higher Power

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

Cobertura: Coquetel Molotov 2008, segundo dia

Os ingressos para o segundo dia do festival não esgotaram com antecedência. Na verdade, era possível tanto comprar na bilheteria como na mão de cambistas. Mas mesmo com essa folga, a impressão era de que o sábado estava muito mais cheio que a sexta-feira. Ou pelo menos quem estava ali tinha um interesse maior nos shows. Porque já cedo, às 19h, era impossível entrar na sala Cine UFPE, onde aconteciam as apresentações gratuitas.

Consegui assistir apenas o Pocilga Deluxe. Melhor de todos os poucos shows que já vi deles. Soar inconfundivelmente pop é algo difícil e eles parecem extremamente a vontade com isso. André Balaio cantava como alguém que realmente queria estar ali naquele momento e não tinha como não se contagiar com isso. Acho que eles já se encaixam nesse novo fenômeno do Recife, junto com a Amp, de bandas que já nascem prontas.

Sair da sala para fugir do calor não foi uma boa idéia. Com lotação esgotada, o acesso ficou no esquema do ‘sai um, entra um’. E tinha gente na fila já dizendo que estava ali pelo Club8, que seria o último show da sala. Confesso que não estava muito curioso para ver Zeca Viana & Onomatopeia Bum – não tinha gostado do que vi no Youtube – mas Dago, da Trama Virtual, viu e achou que o cara era gênio.

Restou ir para o teatro e esperar que as apresentações começassem por lá. Eu sei que o Coquetel Molotov foi, durante um bom tempo, um dos centros de um dos bate-bocas mais bobos que a cidade já viveu. Essa coisa de lado de lá contra o de cá, indie isso, olinda aquilo. Mas isso é ‘so last year’ e superado. Fiquei espantado em ver, ao vivo, como Catarina (que também é Catarina Dee Jah) ainda incorpora o discurso. 

Ela fez um show ótimo, mas sempre na defensiva, como se fosse ser julgada por uma comitiva shoegazer que recitaria Weezer a cada frase. E na verdade o que aconteceu foi longe disso. Não tinha como não ter uma resposta mais positiva, ainda mais considerando que ela devia ter a melhor banda de apoio de todo o festival. Com Mateus (Chambaril) no Contrabaixo, Felipe S (Mombojó) e Jr. Black nas participações especiais. Essa postura defensiva era mais fácil de perceber nos bastidores. Conversando com Catarina, ela disse que gostou de tudo, mesmo não se identificando tanto com o festival. Mas como assim? Não se identificar com quem toca sua música? Comofas?

Mas ok, esquece tudo isso agora.

Todo ano o Coquetel Molotov consegue dar um acerto gigantesco em uma das atrações menos conhecidas. Mas nesse ano exageraram na dose. Owen Pallett, o Final Fantasy, deve entrar na lista das coisas mais incríveis que já vi em um show. Com um violino e teclado, ele toca, grava o trecho e o repete enquanto vai para outro instrumento. Se auto-sampleando, criando música de uma forma que redefine o conceito de one-man-band. É uma música tranquila, daquelas que consegue provocar alegria e tristeza na mesma intensidade, deixando o interlocutor totalmente a vontade. E reforça a teoria de que a música pop canadense está a anos luz do restante do mundo.

Depois veio Mallu Magalhães. Essa foi a primeira vez que vi o show dela com banda. E preciso dizer: eles não fazem a menor falta. Existe uma diferença muito grande entre o que ela está fazendo no palco e o que eles estão. E nesse embate entre honestidade e cooptação, ela acaba perdendo. Mallu não funciona de forma arquitetada e seria dificil dizer que essa era a mesma menina que calou a boca de um monte de marmanjo no Bananada. O show foi legal, mas Recife ainda não viu A Mallu que causou tanto burburinho na música.

E mesmo dessa overdose do Coquetel – de todos que vi, não teve sequer um show ruim – ainda sobrou espaço para se impressionar com o Peter Bjorn & John. A banda sueca é muito, mas muito mais rock ao vivo. Mesmo o hit Young Folks – não vou mentir, eu assobiei na hora – é mais rápida e agressiva no palco. Conseguiu completar a catarse o público, que se levantou e se expremeu o máximo possível para dançar. Edição impressionante, melhor até agora e deve entrar para história.

Logo mais eu subo um vídeo aqui =)

Cobertura: Coquetel Molotov 2008. Primeiro dia, parte dois

- O texto abaixo foi a cobertura do primeiro dia que fiz para o Jornal, em versão competa, porque na final saiu super editado. Como o espaço já era curto originalmente, precisei fazer algumas escolhas, entre elas não falar do show da Julia Says.

- Mas te digo, achei a apresentaçao deles muito boa. Eu gosto como o Julia Says é contraditório na opinião pública. Metade ama, metade odeia, nunca se chega num meio termo. Fico cada vez mais no primeiro time. Mas ainda acho que falta algo ali para eles irem ainda mais longe. 

- No primeiro dia também foi distribuida a nova edição da revista Coquetel Molotov. Tem resenhas minhas de todos os dicos que peguei no Bananada. De Sapobanjo (Ska) a Bad Folks (folk, claro). A feirinha do festival estava incrível, por sinal. Comprei até duas camisas lá.

- Cheguei cedo nesse dia e peguei a passagem de som de Marcelo Camelo. Mallu Magalhães ficou sentada com cara de fã, em cima do palco, o tempo todo. Depois levantou e ficou brincando com os refletores :P

- Só fiz fotos no segundo dia. Preciso de uma câmera de verdade. Mas segura as pontas ai, porque vai ter um vídeo igual o que rolou ano passado =)

Quando o assunto são os festivais de música independente, a sensação é de que o Recife ainda não conseguiu assimilar bem a idéia de um evento pensado para conectar as pessoas e não as atrações. Mas no começo do show da banda Burro Morto, da Paraíba, pareceu que o No Ar Coquetel Molotov, que encerrou neste sábado no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, conseguiu em sua quinta edição ultrapassar esse limite. Muito mais do que a pura experiência musical – o “vou para ver tal banda” – o espaço ficou lotado cedo por pessoas que apenas queriam estar ali e fazer parte daquele momento.

Esse descompromisso é chave fundamental para uma recepção extremamente positiva de quem passa por lá para tocar alguma música. Tudo é muito novo, não apenas em tempo de formação, mas em casos de bandas como a Guizado, de São Paulo, com a melhor apresentação da noite, que se apóiam em instrumentos jamais utilizados pelo universo pop. E, por isso, tudo também sempre soa muito bom. O perfil tradicional do público que vai para questionar dá espaço para uma geração nova com o interesse sincero em apenas aproveitar uma boa noite de shows.

A cumplicidade criada permitiu boas estréias para a banda de Joseph Tourton, instrumental de marcação pop, com integrantes que sequer atingiram a maior idade. E deu aos cearenses do Cidadão Instigado – escalados de última hora para substituir o Vanguart – um merecido excelente show na cidade, limpando o histórico que Fernando Catatau & Cia (que em horas vagas acompanha também a banda de Vanessa da Mata e Otto) teve de apresentações no Recife que, até então, eram sempre prejudicadas por questões técnicas e deslizes de produções. O próprio, nos bastidores, era apenas sorrisos. “Foi legal mesmo, né?”.

Parte da corrente do ineditismo, a sueca Shout Out Louds deve ter feito uma das melhores campanhas no palco. Pop simples, que muitas horas lembrava uma versão mais alegre do The Cure, caso tal comparação fosse possível. Fizeram o público do teatro se levantar e dançar e voltaram para a Europa com um considerável aumento de fãs. “Nunca tinha ouvido falar, achei incrível”, falava em tom de comemoração o estudante e músico Eric Barbosa, 23, que não se acanhou em confessar. “Não vi aqui atrás de show nenhum, foi mais para encontrar um pessoal e passear”. No bolso, ele levava dois CDs da banda e uma camisa.

Mas tanta gente assim, que esgotou os ingressos para o festival com quase uma semana de antecedência, se justificava também pela presença de Marcelo Camelo, que nessa noite livrou-se do estigma de “ex-Los Hermanos”. O músico agora existe efetivamente solo e o fez com uma estréia que já pode ser classificada como histórica. Começou em clima de João Gilberto, sentado com um violão, cantando baixo, até se deixar contaminar pela empolgação do público. Todas as músicas do disco “nós” que cantou já foram em coro.

Aquele não era o Camelo que descreveriam como o mais reservado da antiga banda. Ele chegou a cantar duas músicas do Los Hermanos. Em “Morena”, o teatro experimentou uma pequena catarse, sentimento que só aumentou quando a cantora Mallu Magalhães entrou no palco, sentou ao seu lado, pegou um violão e desabou em choro. A cena era honesta e multiplicou lágrimas em todo teatro. No fim, celebrou enérgico, igual um torcedor de futebol frente ao gol.

Coquetel Molotov 2008: Primeira noite

- Talvez o Coquetel Molotov seja o festival mais bem resolvido do Recife hoje. Eles sabem o que querem para o evento e é muito bom perceber como o público responde a isso. O clima do lugar esteve perfeito na quinta edição, ao ponto de que você poderia ir para lá e não assistir nenhum show e se divertir bastante.

- Perdi uma nota de R$ 100. Se você encontrou, não me diga.

- A quinta edição meio que fecha um ciclo. E nele, a tradição: o melhor do festival está sempre na sala Cine UFPE, nos shows gratuitos.

Eu lembro de me perguntar, no final da edição passada do festival No Ar Coquetel Molotov como eles conseguiriam repetir o feito de esgotar os ingressos do evento. Era o ponta pé inicial da minha dúvida sobre a presença de tanta gente ali. Era pelo que o evento tinha construido ou por uma atração específica? Quando cheguei no teatro da UFPE, perto das 18h, vi que isso estava longe de ser um problema esse ano. Espaço cheio, sala Cine UFPE já lotada com o começo do show do Burro Morto. E pela primeira vez consegui pegar a primeira atração do festival.

O Burro Morto é da Paraiba e não parece com nada que eu tenha ouvido até hoje de lá. Instrumental bem incrível, daqueles que você consegue distinguir quando uma música começa e outra termina. Aliás, parece que isso deixou de ser um problema nas novas bandas instrumentais. A lógica da canção pop venceu e isso é muito bom. Bastou ver o público dançando e respondendo imediatamente às músicas. Dos oito shows da noite, esse entra no meu top 3.

Por falar em lógica pop imperando, era genial ver um dos meninos da banda de Joseph Tourton com uma camisa do NOFX, tocando músicas que parecem ter saido de um ensaio secreto do Hurtmold. A banda fez uma boa estréia, com um pessoal incrivelmente novo e, mais uma vez, com um show instrumental. Poderia até ter ficado em horário mais nobre que não fariam feio. Sem falar que eles sinalizam uma mudança extrema na cena de novas bandas da cidade… era impossível pensar uma banda assim há, sei lá, seis anos.

O Bandini fez um show bom, mas foram prejudicados um pouco com o som da sala cine e um pouco pelo nervosismo de uma primeira apresentação fora de casa. Acabei sem conseguir ver o show deles inteiro porque foi nessa hora que percebi que havia perdido meu dinheiro. E sai na inocência de conseguir encontrar a nota perdida no chão. Não aconteceu.

Logo depois, o Guizado fez o melhor show de toda a noite. Eu lembro quando vi a banda pela primeira vez no Milo, em São Paulo, se não me engano na estréia deles. O negócio cresceu em proporções impressionantes. Não tem como ouvir dois segundos das músicas e não se contagiar e dançar. Podiam ter tocado no palco principal ou até mesmo encerrado a noite fora do teatro, em clima de festa, que seria foda.

Na mudança para o teatro, por sinal, ainda deu tempo de arriscar o Rock Band, que a Trident armou no centro do festival. A fila pro joguinho era quase tão demorada quanto a para entrar no teatro.

Depois eu falo de tudo que aconteceu no teatro, inclusive sobre esse vídeo ai acima. Sim, a Mallu tá chorando. Não, Camelo não pegou ela no final. (Mané)