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E mais Coquetel Molotov

Há mais ou menos três meses, entrei bebado na piscina com meu celular. Ele voltou a funcionar tem poucos dias, não sei como (talvez se eu tivesse testado antes, ele teria voltado antes :P). Para comemorar e testar as funções, fiz umas entrevistas no Coquetel Molotov. Acabou ficando legal! A música da Vamoz, que toca no começo, é a “Target of Rock” e não aquela que diz no final.

Edição surpreendente, essa última do festival, hein? Acho que o show do Love is All na primeira noite foi o mais representativo. Uma banda que ninguém conhece, ninguém estava falando, não apareceu em canto nenhum desde que foi anunciada, mas com o público inteiro desesperado na frente do palco, dançando e até arriscando cantar. Receptividade como não se via no Recife já tem bastante tempo.

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Representativo, mas não bastou isso. Na segunda noite, recorde de público antes da metade do festival. Os ingressos esgotaram e as pessoas não param de chegar mesmo assim. Fila como nunca se vê no teatro da UFPE. Se não fosse proibido ultrapassar, eu arriscaria que tinha mais gente do que cabe no teatro. Gente da cidade falando que aquela era a primeira vez que estava indo para Coquetel Molotov, gente de outros estados (Bahia, João Pessoa, Natal, etc), que disse nunca ter vindo antes ao Recife. Realmente, algo surpreendente.

Quando o Coquetel Molotov começou, era um festival esquisito. Hoje, parece que sua fase de transição passou e agora é difícil imaginar como a cidade era antes. No final da banda Vamoz! um menino que não devia ter passado dos 16 reclamava com os amigos dizendo “que absurdo! Viu o que o vocalista falou no palco? Que era um show de rock, eu sai na mesma hora que ele avisou”. Novos tempos, novos públicos. Mesmo com um som deficiente – muito deficiente, pelo que parece, esqueceram de tirar a regulação do Nouvelle Vague qdo começaram os show – a Vamoz fez bonito. Detalhe que o público nem sempre repara, ainda mais com a presença de palco super profissional do trio.

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Nessa hora, deixei de ver os shows para fazer essas entrevistas do video. Vi duas músicas só do Wado e pareceu tão bom quanto estava deslocado. Era a atração que mais trazia informação nas músicas, coisa que o público realmente não conseguiu processar. Quem curtiu, tem a boa nova de que ele já tem um novo show marcado na cidade, junto com a elogiada Inquilinus. Coloco os detalhes aqui em breve. O clima por trás do palco era muito, mas muito agitado. Alguns vários convidados assistiam o show de Cibelle por trás do palco, todos vidrados, sem tirar os olhos dela. O cineasta Leo Falcão ficava no laptop cuidando do telão que projetava imagens.

Estavam todos lá. O pessoal do Supercordas, do Love is All, as meninas do Hello Saferide e o Suburban Kids with Biblical Names. O clima era de confraternização, junto com gente de outras bandas da cidade, alguns jornalistas de fora da cidade que estavam cobrindo o evento. Quando começou o Nouvelle Vague, parecia uma festa inteira a parte, menor apenas da catarse causada no público que, tá ok, talvez nem soubesse o que era o Bauhaus, mas entrou no clima nas versões sempre deliciosas que a banda francesa faz das músicas. Fiquei pensando até onde aquilo era um cover de luxo, até passar a pensar o quanto eu estava pensando bobagem. :P


No segundo dia, o karaokê indie armado pela patrocinadora Tim tinha virado atração-mor do festival. Até os caras do Love is All ficavam assistindo as perolas do público. Tudo só aumentava a zona livre do festival, que dava proporção de que aquela era mesmo a edição mais numerosa. Perto do último show, algumas bancas de camiseta já estavam vazia.cibell.jpg


Teve bronca no bar. A polícia apareceu para proibir a venda de bebidas que estavam fazendo do lado de fora do teatro e teve até gente sendo presa. Resultado, acabou a bebida no meio da noite. O pessoal foi agil e conseguiu repor, mas por latas ainda quentes. Bronca com cerveja, aliás, é um clássico em festival de música. Com exceção do Tim Festival, onde a bebida custa mais caro que duas garrafas. Aí ninguém bebe mesmo :P

Coquetel Molotov 2007

Esse deve ser meu ano mais relapso com o Coquetel Molotov. Fiz cobertura dele desde a primeira edição (o que não é muita coisa, já que esta ainda é a quarta), mas minhas férias do jornal cairam justamente em setembro. Não tive muito peso na consciência ao chegar tarde, exceto pelo fato que perdi o show do Fóssil, na sala da UFPE. A primeira banda, Backstages, nem tocou porque o baterista faltou. “Esse seria nosso último show, mas acho que agora será o nosso último show sem ele”, me disse Kleber Crócia, com uma cara de desanimo enorme.

A sala Cine UFPE, o cubículo onde acontecem os primeiros shows, sempre me passa uma incomoda sensação claustrofóbica. Me surpreendo como fica lotada de gente se apertando, sentando no chão e se encaixando onde mais dá. Só depois do show do Elma, que eu não aguentei mais que duas músicas, deu para ter idéia como o lugar tava cheio. Ainda não sairam os números, mas acho que esse ano já é a sexta-feira com mais gente que o festival já teve.

Fui ver o show da Volver, que não tocava no Recife desde o Carnaval, lá na primeira fila. Foi bem legal. Todos bem entrosados (a última vez que vi, em Natal, todos andavam meio distantes), só gostei mais do meio para o final, quando eles se empolgaram e aceleraram mais. É divertido no Coquetel ver as bandas daqui tocando em palco tão grande, com um som e acústica tão boa. Apesar de quem sentou atrás disse não ouvir nada da bateria, para mim soou ok. Me espantei como o público reagiu tão bem as músicas novas, ainda desconhecidas. Depois descobri que não era mérito da Volver, mas sim do público do festival, que estava super receptivo à novidades. Tomara que tenha dando pique para a banda voltar a aparecer mais, porque o próximo disco deles, que deve sair só no Carnaval, está muito, muito bom mesmo.

O show do Supercordas foi uma bosta. Não por culpa da banda, mas da técnica de som. Os microfones todos estavam estourando o tempo inteiro, deixando impossível entender o que os caras diziam. Acho que fiquei mais triste porque era a minha grande expectativa para a noite, quem eu mais queria ter visto e acabei saindo no meio. Pelos vídeos, as apresentações deles parecem bem legais, merecem retratação! =)

Eu confesso que sempre fui meio cético com essa Invasão Sueca (como assim, Suécia?). O Love is All me deixou menos chato em relação a isso. Foi surpreendente. Todo mundo dançando até do lado de fora do teatro! As músicas ajudaram, eram divertidíssimas. Deve ter sido a banda mais pop daqueles lados que o Coquetel Molotov já trouxe para cá. Tinha uma espécie de Barbara Jones suéca no palco que deixou todo mundo meio louco. Não foi apenas o melhor show da noite, foi também top 3 melhor de todas as edições do festival.

Deve ser divertido trazer uma banda que ninguém conhece na cidade e, de repente, ver todo mundo fã devoto dela.

Apesar de curtir muito bandas que tem formação totalmente esquista, o show do Prefuse 73 foi mais difícil de acompanhar. Era um bateristas e mais dois teclados (que certos momentos também se dividiam em mixers e samplers). Lembra um Ratatat mais simples e com mais elementos de Hip Hop. Foi bem bom, mas acho que funciona melhor em ambientes mais fechados, com todo mundo dançando. Naquele espaço que era o teatro, ouvir sóbrio mais que quatro músicas era uma tarefa complicada.


Recebi um monte de CDs. Novo single do Telerama, “sem ter amor”; a coletânea Ceará Original Soundfashion, o novo EP do Amps&Lina e um CD-R de umas bandas de, acho, Maceió. Os nomes das bandas já são fantásticos: My Midi Valentine e Super Amarelo. Quando ouvir tudo com calma organizo aqui direito as idéias.


Tive um treco ali na banquinha da Reverb City. As camisas mais legais de todas por um preço meio salgado (R$ 35). Fiquei com vontade de comprar umas 30, além de todos os bottons. Pelo bem do meu bolso, não tinha mais nenhuma do meu tamanho na hora que eu perguntei. Quem for ver Nouvelle Vague, vá preparado para sair com sacolas na mão.


O Karaokê indie montado pela Tim foi a coisa mais fantástica que vi lá na primeira noite. Sorte minha que eu não bebi (muito) e fiquei só assistindo.

Números para quem precisa

O Ibope divulgou semana passada uma pesquisa realizada em julho sobre o perfil do internauta no Brasil. Surpreendentemente, passamos mais tempo conectados em casa que os Estados Unidos (segundo lugar) e que o Japão (terceiro). Basta somar 1+1 com outra pesquisa, esta realizada pelo Ipea, que diz que, no nosso país, existe mais gente com acesso a Internet do que pessoas que já viram um filme no cinema ou uma exposição em teatro pelo menos uma vez na vida.

Traduzindo: nossa sociedade inteira que consome cultura passa o dia na Internet. Enquanto isso, no Brasil, só existe um único modelo de comercialização de música digital em atuação, o portal iMusica. Uma oportunidade grande de mercado exposta, sem nenhum interessado em explorar o potencial de vender canções pela Web. Com metade dos nossos números, artistas em paises vizinhos já geram receita com a iniciativa.  

Novo da Nação
O próximo disco da Nação Zumbi, primeiro pela Deckdisc, já tem nome e até faixas definidas. Vai se chamar “Fome de Tudo”, com produção confirmada pelo Mario Caldato. Entre as músicas, “Carnaval”, “Inferno” e “Outra Bossa”. Participações especiais, até agora, de Junio Barreto, Céu e Orquestra Popular do Recife.

Festival
No mesmo fim de semana do Coquetel Molotov, outros dois festivais agitam estados vizinhos. O Festival Mundo, em João Pessoa, entra na terceira edição e vai ter presença da Vamoz e Playboys; já no Pará, nossa terra será representada no Se Rasgum no Rock pela Sweet Fanny Adams e Cordel do Fogo Encantado.

Sem respostas
O festival Pe no Rock pisou feio na bola. Ignorou a própria seletiva de bandas que armou, encaixou bandas por indicação de terceiros e esta fazendo tudo isso com dinheiro patrocinado pelo Estado. Sem atender ninguém no telefone, o produtor Sávio parece que só vai dar as caras quando fizerem a primeira denúncia.

Férias
A Radiola de Ficha agora volta em outubro!

Coquetel Molotov 2007

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Enquanto você está lendo, a programação está sendo anunciada. Então se liga, antes que os outros sites comecem a publicar :-P

SEXTA-FEIRA | 14.09
SALA CINE UFPE
Backstages |PE
Fossil
|CE
Elma |SP

TEATRO DA UFPE
Volver
|PE
Supercordas |RJ
Love is All |Suécia
Prefuse 73 |EUA

SÁBADO | 15.09
SALA CINE UFPE
Conceição Tchubas
|PE
Suburban Kids With Biblical Names |Suécia
Hello Saferide |Suécia

TEATRO DA UFPE
Vamoz! |PE
Wado |AL
Cibelle |SP
Nouvelle Vague |França

E ai? Comentários? Gostaram? Odiaram? Eu já soube de duas comitivas prontas para ver o festival. Uma de Natal, outra de João Pessoa. Além do Nouvelle Vague, quero ver o Supercordas, Fossil e Wado. Como não conheço as suecas, nem me arrisco a falar algo.


Supercordas é essa aqui ó:


E já que o assunto é Coquetel, você não precisa mais se sentir um desatualizado porque perdeu todas as revistas deles. Tá ai abaixo link para pegar cada uma das edições em formato .pdf

Adeus inesperado

Demorei um tempo para descobrir que o nome de D2 era, na verdade, Rafael. Nos conhecemos no colégio, eu no Contato Centro, ele no Lubienska. Em tempos da turma do M.U.T.C (nem queira saber o que é a sigla) e a dos festivais de bandas de colégio, onde tocavam Jack in the Box, Coff Joe e o Play Damião. Ainda estávamos longe de pensar em vestibular. Mais longe ainda de imaginar que, quase 10 anos depois, seu novo apelido seria O Rafa, e ele estaria tocando com o Mombojó no maior festival de música do Brasil e eu estaria lá fazendo a cobertura para um jornal.

Quando recebi a notícia, me dei conta também que nos meus quatro anos de redação, nunca pensei que um dia escreveria sobre o falecimento de um amigo. E não escrevi. Tudo foi acontecendo tão rápido que pedi a minha editora que outra pessoa o fizesse. Como amigo e multi-instrumentista, Rafael fará uma falta enorme ao Recife. Bastava um olhar rápido em seu velório para perceber que poucas pessoas juntariam tantos grupos diferentes da cidade, em tão grande número.

Na Internet
Nesta última semana, o site TramaVirtual recebeu o cadastro de mais de 150 bandas de Pernambuco. A bolha da produção local estourou e quem quiser mostrar um trabalho de responsabilidade, precisa pensar em um espaço próprio. Quem fez isso muito bem essa semana foi a banda Terceira Edição. No endereço www.terceiraedicao.com.br já e possível ouvir todas as músicas do próximo disco.

Revista
Tive a oportunidade de ler esse fim de semana a nova edição da Coquetel Molotov. A revista está com Cibelle na capa que deve ser a mais bonita até agora. Com um projeto mais bem resolvido, traz mais resenhas e agora cobertura de shows, além das tradicionais entrevistas. A festa de lançamento será ainda este mês.

Prêmio
Semana passada foi divulgado o resultado do prêmio Toddy (antigo Dynamite). O Abril pro Rock ficou em primeiro lugar na categoria festival, vencendo nomes como o Tim Festival, Nokia Trends e Live N Louder. Pernambuco teve boas colocações em quase todas as categorias que passou, com Negroove e Astronautas entre os 5 melhores discos do ano.