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Jamendo em português

jamendo

Um dos maiores cases de sucessos do Creative Commons finalmente vai começar a falar português. O Jamendo, um site que hospeda, licencia e vende música, agora passa a perceber não apenas a presença do Brasil (eles já tinham colunas que comentavam bandas independentes desse lado do mundo), mas a maturidade que o país está engatinhando para lidar com música online. Ele não é muito diferente do que alguns já conhecem na Trama Virtual, que usou o mesmo modelo de remuneração para pagar aos artistas. A diferença é que lá eram precisos downloads para o negócio funcionar, enquanto o Jamendo recompensa até os artistas mais acessados, com uma divisão de 50% dos lucros.

Não só isso, ele tem uma ferramenta que antecipou a jogada do Radiohead, onde após baixar uma música o usuário pode voltar lá no site e, se tiver gostado, fazer uma contribuição de quanto quiser para o artista. São dois modelos de negócios – contribuição voluntária e dividir metade do que é ganho em publicidade – que até então nenhuma empresa que trabalha com música arriscou fazer. Quem entrar no site pode ouvir o conteúdo por streaming, baixar a MP3 e até integrar o serviço a um player que já tenha costume.

E talvez dê até para arriscar que esse é o serviço mais bem relacionado da web com música. Porque ele gera Torrents para download de álbums e até disponibiliza as músicas via e-mule. Sem falar de embeds do player de música para sites e blogs (coisa que não faz sentido o MySpace ainda não ter implementado). Tomara que a nova versão em português faça sucesso por aqui. Com sorte, pode até passar a ser usado por artistas de samba, funk, bossa e tantos outros gêneros que não se deram bem com a Trama Virtual, que é quase totalmente dominado por artistas de rock.

Baixar música faz bem

mundinho

Entre as questões fundamentais sobre a vida, o universo e tudo mais que me ocupam a mente nas horas vagas, uma delas é se o grande gênio do nosso tempo se chama André Dahmer ou o Arnaldo Branco. São os dois caras que conseguem comprimir todo o esforço de raciocínio que eu poderia fazer, somando tudo que vivênciei em redação de quatro jornais e tudo que li em pós-graduação por ai, em uma única tirinha bem humorada. Feito essa acima, que explica todo o contexto da nova música que escoa pela internet e que faz alguém achar que Dance of Days faz muito sucesso porque eles somam muitos downloads. E na conta do Trama Virtual não entra quem apagou as MP3 depois de perceber que foi enganado.

Eu ia levar um tempão para pensar nisso.

Talvez isso devesse me deixar um pouco inseguro. Afinal, eu entrei nessa de acadêmia atrás de encontrar mais segurança também. Mas ontem, a Folha de São Paulo mostrou uma pesquisa feita na Holanda que me deixou mais tranquilo. Em pleno final de primeira década do novo milênio, tem gente que ainda não pegou o raciocínio direito mesmo:

Troca de música gratuita é positiva para a economia, diz pesquisa

A premissa é simples. Quem baixa muita música costuma pagar mais por produtos de entretenimento. Enquanto isso, as pessoas que não se interessam em baixar música, também não se interessam em comprar disco, DVD, livro ou o que seja.

Vale a pena ler, só por diversão. Até porque não deve ajudar a mudar muita coisa no mimimi das gravadoras e lojas de disco. Enquanto isso, no mesmo assunto, Matias mostra pra gente a entrevista que ele fez com Matt Mason, autor do livro “O dilema do pirata” e com Lawrence Lessig, o cara que inventou o tal do Creative Commons. Idéia que o próprio Alexandre ajudou a propagar no Brasil quando editou a versão brasileira do Cultura Livre pela extinta Trama Universitário.

Good Copy Bad Copy

O documentário lançado pelo Girl Talk no final do ano passado, agora legendado em português. Para quem ainda não viu, aviso que é obrigatório. “A documentary about the current state of copyright and culture”. A distribuição, claro, é gratuita. Tem um link para baixar o torrent lá no site do filme.

Uma das cenas mais fodas é o próprio Girl Talk mostrando como fez um mashup do AC/DC com várias batidas diferentes e outras vozes. Ele faz como se fosse algo tão simples quanto beber água.

DJ Dolores – Narradores de Javé Remix

Helder Aragão, o DJ Dolores, foi convidado para assinar a trilha sonora do filme Narradores de Javé. Preste atenção em quantos padrões do óbvio vão ser quebrados nas próximas linhas. Ele só está fazendo o lançamento agora, três anos depois da estréia filme. No lugar de usar seu nome, deu ao CD a assinatura de um coletivo de músicos e DJs de peso nacional. Fez tudo usando uma modelo de licença Creative Commons (CC), onde os artistas convidados tinham direito de fazer o que quiser com as composições. Até mesmo ganhar dinheiro com elas.

Não é apenas um disco é ousado. É também o primeiro, depois de muito tempo, em apostar na moral da própria música, e isso é muito legal. “Entreguei as faixas abertas para todo mundo”, explica Helder. “Alguns usaram só as baterias, outros usaram todos os instrumentos, dei liberdade total para cada um fazer o que quiser”, completa. No time, estão presenças de responsabilidade, como o paulista M.Takara (do Hurtmold), a banda Cidadão Instigado, o rapper BNegão e outros artistas do coletivo Instituto.

O convite veio do próprio Helder. “Acho bacana você ter sua música trabalhada por outros artistas dessa maneira”, diz o DJ, que não esconde ser tambem fã do Creative Commons. Uma licença que permite o autor dar a liberdade que acha necessária sobre sua obra.

Essa distância entre filme e disco é exemplo da utilidade da licença CC. “Tive alguns problemas para legalizar a participação de todo mundo”, explica Helder. Se todos já trabalhassem neste formato, o processo teria sido praticamente automático.

O próximo passo de Dolores é colocar as faixas originais na Internet, com a licença especial, para que todos possam fazer seus próprios remixes. É uma ação inédita para um artista de Pernambuco, a primeira no Brasil que atinge um disco inteiro de um artista que é referência no mercado. Antes disso, Gilberto Gil havia liberado apenas uma faixa em CC, a Oslodum.

Todas essa idéias nem passavam pela cabeça da diretora do filme, Eliane Caffé. Mas conseguiu casar em 100% com a decisão dela pela escolha de Dolores na trilha sonora. Em entrevista para a revista Época, ela disse que “[na cidade onde o filme foi feito] Algumas casas não tem nem banheiro, mas a população está ligada no mundo. DJ Dolores tem essa nordestinidade contaminada pela sonoridade externa ao sertão”. Comentário exagerado, mas que cabe bem na descrição do CD.

Disco
Falar em samplers é sempre complicado. Ainda mais num disco de compilações, que são fomosas por serem sempre tão irregulares. Não é o caso da trilha de Narradores de Javé. A cumplicidade do coletivo Instituto é a primeira coisa que chama atenção no disco. As batidas e remixes tem um carga forte de experimentação, sempre recheada com muita influência hip hop. Vantagem de quem não vai precisar circular com um show deste trabalho. Sempre puxando a próxima faixa, o disco prende o ouvido pela curiosidade.

DJ Dolores – Narradores de Javé Remix
Gravadora: Independente / Distribuição Tratore
Preço: R$ 23,90
Para comprar: Submarino
Escute aqui:

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