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Pitty – Chiaroscuro

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Com sorte, talvez Priscilla Leone nunca tenha parado um dia sequer para pensar na crise de identidade imposta a ela pelo restante da indústria da música, mesmo quando está com o modo Pitty ativado. Mas desde Anacrônico que ela permaneceu a única sobrevivente relevante de uma geração inteira de artistas independentes que tinham entrado para alguma gravadora. A encruzilhada é formada por um público que não pode envelhecer, o próprio coro dos independentes que hoje a perde como atração para os festivais de verão e a questão do qual é, afinal de contas, a atual cara do rock brasileiro? Chiaroscuro, lançado pela Deckdisc, infelizmente ainda não responde nenhuma dessas questões.

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Para adorar a Pitty

A ansiedade por Chiaroscuro, terceiro disco de estúdio da Pitty, tá grande. A Deckdisc já marcou a data 11 de agosto para o lançamento e, semana passada, jogou no Youtube o primeiro clipe. Me Adora é dirigida por Ricardo Spencer, que já ganhou prêmio com outros clipes dela, e tem figuração de vários rostos conhecidos na noite baiana. Por cima de tudo isso, tem a música que já está sendo anunciada como maior hit da cantora até hoje. Será? Escuta ai e diz o que acha!

3naMassa – Na Confraria das Sedutoras

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O amor sempre foi o tópico mais recorrente na música popular. Ouvindo algumas canções, é possível observar como o homem vai ficando mais frio, mais permissivo e seus valores em relação ao sentimento mudam com o tempo. Nossa época é muito peculiar para pensar no assunto, principalmente quando a sensualidade é trazida em destaque. Nada mais é explicito e a tensão sexual deixou de ser uma negociação de olhares e carícias entre homem e mulher para ser uma simples questão de tempo. Pupillo e Dengue, ambos da Nação Zumbi, junto com Rica Amabis (Instituto) desafiam um pouco desse contexto, reformulando o conceito do sensual no formato da banda 3naMassa. E o que era apenas projeto paralelo ganha agora disco e tratamento refinado pela Deckdisc.

Eu acho que a sensualidade ainda existe sim na música brasileira“, comenta Pupillo, que recentemente passou a grafar o apelido um L a mais. Coisa de artista. É no mínimo curioso imaginar que fazer parte da mais bem sucedida banda do cenário independente ainda não permite que eles mudem seu “modus operandi” de outras que ainda estão arriscando ao se mudar para São Paulo. “Foi uma coisa pensada por nós três mesmo, a gente divide apartamento aqui em São Paulo e ficávamos pensando em fazer algo bem diferente mesmo“, contextualiza, “Só com meninas.” Talvez ele nem perceba a malícia inteira que se esconde ao associar mulheres já adultas com meninas, um dos grandes segredos desse disco.

Acho que isso é aflora no disco porque estávamos muito preocupados com a interpretação, como se a gente tivesse invadindo a vida íntima de uma menina“, explica. Além dos três, a massa também tem letras de Jorge du Peixe (Nação Zumbi), Junio Barreto, Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Bacteria (Mundo Livre), Felipe S e Marcelo Campelo (Mombojó), China e o jornalista Alex Antunes. “Chamamos nossos amigos e pedimos que eles escrevessem as músicas como se fossem meninas, tentando pensar dessa forma“, conta o baterista, “Pensamos em algo temático, como uma trilha de um filme que não foi feito“.

As “meninas”, na verdade, são um time de primeira divisão. Leandra Leal, Thalma de Freitas, Céu, Karine Carvalho, Pitty, Simone Spoladore, Nina Becker, Cyz, Alice Braga Geanine, Nina Miranda, Karina Falcão e Lurdes da Luz. Algumas, os mais atentos vão perceber, são as respectivas dos próprios compositores. Pensando sempre nesse conceito de cinema, Pupillo se refere a elas sempre como atrizes. “Lógico que tem ótimas cantoras ali, mas as chamamos também por serem mais descompromissadas com técnicas vocais, isso era fundamental para o que a gente dirigiu em estúdio, de uma sensualidade sem ser vulgar, deixada na entrelinha“.

Já de cara, na primeira faixa, com Leandra Leal sussurrando em francês nos ouvidos, saltam as referências a Serge Gainsbourg. “A gente tava ouvindo muito ele em casa e como foi um disco feito em casa mesmo…“, conta Pupillo. “Fomos usando imagens de coisas que a gente curte para elas, então foram desenvolvendo novos temas, todo mundo participou trocando idéias, então foi muito fácil principalmente para as atrizes“, completa. Apesar do saudosismo carregar a memória direto para a França dos anos 60, existe algo de mais contemporâneo, principalmente na forma como cada cantora (aliás, atriz) é usada de forma diferente nas faixas. Quase como uma versão brasileira para a banda inglesa de trip hop Massive Attack.

Agora que saiu da sala de casa, o 3naMassa além de disco já começa a planejar os primeiros shows. “A idéia era fazer uma trilha, mas queremos levar isso para frente mesmo“, adianta Pupillo. “No lançamento aqui em São Paulo vamos tentar ter o máximo de atrizes no palco, mas a idéia é viajar com algo mais enxuto“, explica. “A coluna vertebral somos nós três mesmo“. Se já é perigoso ouvir a banda com um fone, com todas essas mulheres sussurrando no ouvido, depois da primeira impressão é inevitável não pensar no tamanho charme que deve ser com essas músicas ao vivo.

Nação Zumbi – Fome de Tudo

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Uma coisa que a digitalização da música ainda não conseguiu mudar é o fato de que a melhor primeira experiência para um disco é sempre visual. Com formato digipack (aquela bandeja plástica envolta de papel cartão), “Fome de Tudo“, o sétimo disco da Nação Zumbi, salta os olhos e impressiona. É o mais bonito até agora, com uma arte feita pelo cantor Jorge du Peixe e sua esposa Valentina de uma mulher abrindo sua barriga com uma faca. É uma senhora fome, de fato, essa que a banda deixou no público desde o excelente “Futura“.

Como é comum à banda, esse disco é recheado de contextos. Antes de por o CD no som, passa forte na vista o nome da nova gravadora, Deckdisc e do tão sonhado, ainda por Chico Science, produtor Mário Caldato Jr (Beck, Beastie Boys). Nunca um nome de produtor – mesmo quando estiveram sob as mãos de Arto Lindsey – veio tão forte antes das músicas da Nação Zumbi.

“Futura” foi um dos discos nacionais que mais causou eco no Brasil de 2007, quando a banda tocou em praticamente todos os principais eventos do país. Sendo assim, o ouvido chega com fome, mas também preparado para dar um passo a frente, não estando mais no mesmo lugar. Mas “Bossa Nostra” abre o disco como um pé violento no freio, soando muito familiar com o disco homônimo da Nação Zumbi. O processo criativo cedeu a carência percussiva e eles abrem com um trabalho que escolhe pelo mais seguro.

Talvez para fincar o pé na nova casa ou, a maior aposta, pela vontade de trabalhar com Caldato remeter ainda a outra sonoridade, as 11 músicas que seguem são bastante previsíveis. São poesias sobre a cidade, recitando Recife e Olinda, em referencias verbais que fazem mais sentido ao pernambucano. Claro, para uma banda que pode ser destacada como a mais importante do cenário pop nacional hoje, um disco previsível da Nação Zumbi ainda é algo a ser celebrado. Apenas será uma celebração com cara de festa repetida de ano novo.

Algumas participações especiais, que poderiam ser vistas como a grande mudança deste disco, também desapontam um pouco. Como a da cantora paulista Céu na música “Inferno“, que não passa de uma voz incidental reforçando o coro do refrão. Tão afogado, que parece algo pensado para os shows que ela não poderá estar presente, podendo ser substituída. Oposto a Money Mark, tecladista do Beastie Boys que soa essencial a “Bossa Nostra”. O descuido na dosagem pode significar que a tão aguardada produção talvez não resulte em tanto resultado.

Em seus pontos mais altos, como “Fome de Tudo” e “Toda Surdez Será Castigada“, as músicas do novo repertório parecem ter sido pensadas exclusivamente para os shows. A sensação de deja vu é constante, como um sopro de boa esperança para quem conhece a banda ao vivo, mas um sopro que chega quente para quem quiser guardar as canções entre as quatro portas do lar. Pode soar um pecado falar isso da Nação Zumbi em terras pernambucanas, mas o fato é que eles têm o cacife de uma banda que se podia esperar muito mais.

Números para quem precisa

O Ibope divulgou semana passada uma pesquisa realizada em julho sobre o perfil do internauta no Brasil. Surpreendentemente, passamos mais tempo conectados em casa que os Estados Unidos (segundo lugar) e que o Japão (terceiro). Basta somar 1+1 com outra pesquisa, esta realizada pelo Ipea, que diz que, no nosso país, existe mais gente com acesso a Internet do que pessoas que já viram um filme no cinema ou uma exposição em teatro pelo menos uma vez na vida.

Traduzindo: nossa sociedade inteira que consome cultura passa o dia na Internet. Enquanto isso, no Brasil, só existe um único modelo de comercialização de música digital em atuação, o portal iMusica. Uma oportunidade grande de mercado exposta, sem nenhum interessado em explorar o potencial de vender canções pela Web. Com metade dos nossos números, artistas em paises vizinhos já geram receita com a iniciativa.  

Novo da Nação
O próximo disco da Nação Zumbi, primeiro pela Deckdisc, já tem nome e até faixas definidas. Vai se chamar “Fome de Tudo”, com produção confirmada pelo Mario Caldato. Entre as músicas, “Carnaval”, “Inferno” e “Outra Bossa”. Participações especiais, até agora, de Junio Barreto, Céu e Orquestra Popular do Recife.

Festival
No mesmo fim de semana do Coquetel Molotov, outros dois festivais agitam estados vizinhos. O Festival Mundo, em João Pessoa, entra na terceira edição e vai ter presença da Vamoz e Playboys; já no Pará, nossa terra será representada no Se Rasgum no Rock pela Sweet Fanny Adams e Cordel do Fogo Encantado.

Sem respostas
O festival Pe no Rock pisou feio na bola. Ignorou a própria seletiva de bandas que armou, encaixou bandas por indicação de terceiros e esta fazendo tudo isso com dinheiro patrocinado pelo Estado. Sem atender ninguém no telefone, o produtor Sávio parece que só vai dar as caras quando fizerem a primeira denúncia.

Férias
A Radiola de Ficha agora volta em outubro!