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Devotos, completo e de graça

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A Devotos acaba de lançar o CD com o show de 20 anos da banda. Enquanto o DVD, que foi gravado no Alto José do Pinho, não sai, eles resolveram dar de presente para os fãs toda a discografia para download. Tem desde o primeiro disco, “Agora tá Valendo” – que saiu só quando completaram 10 anos de estrada, com show do Man or Astroman – até esse lançamento mais recente. No site oficial da banda é possível fazer a degustação faixa-a-faixa até dos EPs e demos de Cannibal, Celo e Neilton.

Quem já conhece bem as fases “Do Ódio” e atual da Devotos, pode baixar direto os álbums completos. Abaixo tem o link para cada um deles, via 4shared:

Recbeat 2008 – Primeiro dia

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Público do Recbeat na primeira noite 

Abertura muito legal ontem, a do Recbeat. O festival começou pontual, mesmo que isso significasse pouca gente para conferir o show da Ramma Seca, primeira banda da noite. Isso é sempre inevitável, porque sábado é o dia do Galo da Madrugada e público espontâneo do centro do Recife sempre fica exausto ainda de tarde. Mas nada é melhor que a lembrança do clima tranqüilo do ano passado se repetindo agora, com gente curtindo o palco, sempre fixados na banda que estava se apresentando toda fantasiada. 

O que chamou mais atenção na noite foi com certeza o Júlia Says. As músicas gravadas são bacanas, mas particularmente sempre me fizeram pensar que a banda estava sendo muito super estimada. Erro meu. No palco as músicas são mais encorpadas, a energia é bem mais forte e, mesmo eles ainda sendo um tanto verdes (esse é tipo o terceiro ou quarto show do Júlia Says), mandaram muito bem. A programação das batidas seguidas por uma bateria real dava vontade de danças e as vozes sem efeitos funcionam bem melhor que recheadas de ecos, como está no EP. 

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Ramma Seca

Ponto para eles que fizeram sua entrada no circuito dos festivais com questão de apresentar uma nova geração do Recife. As bandas Novanguarda e Erro de Transmissão participaram em dois momentos do show do Julia Says, que ainda não segura um repertório de quase uma hora, mas mandou um cover bacanudo do Gorillaz e repetiu, em clima de apoteose, a música do primeiro clipe deles, “Muhammed SakSak”.

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Júlia Says

Eu não sei se o Rio de Janeiro tem algum problema com o rock, ou se sou eu que tenho algum problema com o rock do Rio de Janeiro (será? Com meu favoritismo por Moptop e Rockz), mas essa Os Outros não me desceu bem. Os caras são animados no palco, tiram a onda deles lá sempre com muito cuidado, mas falta… falta alguma coisa. Ou então tem carioquisse em excesso, deixando pouco espaço para a música deles funcionar. Algo que, para mim, só desceu lá pela penúltima música. Exceção para uma versão sensacional que eles fizeram para “Agora Ninguém Chora Mais”, de Jorge Ben.

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Os Outros

Achei engraçado como Ras Bernardo já chegou no palco demarcando espaço. Era meio que para todo mundo entender logo quem era aquele cara que estava ali. O cara que fez o primeiro hit do Cidade Negra “Hey, Hey, estamos ai, para o que der e vier!”. Mas ele não se rendeu ao populismo e, passada as devidas apresentações, entrou com o repertório mais atual de suas músicas. Um reggae totalmente no caminho contrário da música de abertura, mais politizado, marcado por tons graves e compassos lentos. Era tipo uma coisa importante de se ver, mas complicado de compreender porque da importância. Show parecia se alongar mais que o tempo normal de músicas tão lentas.

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Ras Bernardo e Cannibal

Eu preciso dizer que passei boa parte do show do Ras Bernardo de olho no público e pensando “cara, não vai dar certo o Devotos, vai rolar confusão”. Cheguei até a dizer isso para umas três pessoas próximas no momento. Quando Cannibal subiu no palco para uma participação especial com Bernardo e a galera foi literalmente ao delírio, só tive certeza da minha teoria. Era uma versão reggae para “Punk Rock, Hardcore Alto José do Pinho” e muita gente já parecia ensandecida.

Com uma demora além do comum, a banda que fez desse show sua comemoração por 20 anos de carreira, finalmente entrou para encerrar a noite. Antes do primeiro riff, Cannibal pega o microfone e fala para todos brincarem em paz e sem violência. Dito e feito. Nunca vi em toda minha vida tamanho poder de liderança para alguém num palco, com tanto respeito do público pela figura em questão. Foi quase duas horas de hardcore nervoso e visceral, assistido na maior paz. Clima, arrisco dizer até, total família.

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Devotos + Clemente (Inocentes) 

Acho que esse poder pelo público deve ser o maior presente que uma banda como o Devotos pode descobrir aos 20 anos de carreira. O repertório foi nostálgico, com quase todas as músicas do primeiro disco da banda. No meio do show, Cannibal explica que essas duas décadas de hardcore são todas culpa de Clemente, dos Inocentes, influencia maior deles terem resolvido montar uma banda. E fala isso para anunciar que o pai da criança vai subir ao palco para acompanhar o restante da noite.

Com Clemente, o repertório se transforma. Fica alternando entre uma do Devotos, outra dos Inocentes. Tinha uma alegria bonita no rosto da banda por estar construindo e dividindo aquele momento. Clima que só se multiplicou no público, que seguiu até o fim da noite em várias rodas de pogo, mas sem nenhuma violência sequer. Parece que a própria banda se armou das frases de efeito para definir essa celebração. De “Caso de Amor e Ódio”, “Eu tenho pressa”, “Luz da Salvação” à “Nós faremos com que você nunca se esqueça” do “Punk Rock Hardcore do Alto José do Pinho”.

Nomes do Recbeat 2008

A programação final do festival Recbeat, que ocupa o pólo mangue do Carnaval do Recife, deve ser divulgado oficialmente na próxima terça-feira (15) em coletiva para imprensa. A coluna já adiantou alguns nomes, que valem ser revistos e, claro, acrescentados com pelo menos uma novidade internacional. A primeira internacional que anunciou vinda foi a chilena Panico! de electro-indie-rock. Além dela, se apresentam Pato Fu, Móveis Coloniais de Acaju, Fino Coletivo, Lucy and the Popsonics e a local Julia Says. O Devotos, que faria sua festa de 20 anos de banda no festival, confirmou no fim de semana que não tocará mais.

Mais um nome internacional para a lista é a argentina Orquestra Típica Fernandez Fierro. O grupo tem uma formação clássica de orquestra de tango, mas no palco trazem uma atitude rock nas performances e interpretações que deram a eles destaque internacional. São um tipo de guerrilheiros independentes de Buenos Aires, administrando um selo de distribuição e o Club Atlético Fernandez Fierro, com shows toda semana. São sete nomes, mas como a programação do Recbeat é extensa, eles não representam nem metade do que está por vir.

Abril pro Rock 2008
Pela primeira vez em 16 anos, o festival mais importante de rock do Recife (e um dos mais antigos do Brasil) terá sua programação feita por uma curadoria. Quem estará a frente da programação 2008 do Abril pro Rock, além do produtor Paulo André Pires, é este mesmo que vos escreve junto a Guilherme Moura, do site RecifeRock!. E já tem algumas boas novidades para divulgar a partir da próxima semana.

Rivotrill
Uma das bandas que foi destaque em 2007, o Rivotrill, lança finalmente o primeiro CD, chamado “Curva de Vento”, com show de graça no Teatro de Santa Isabel dia 25 de janeiro. Formada por Eluizo Junior, Rafael Duarte e Lucas dos Prazeres, a banda vai receber convidados mais que ilustres no palco. Gente do calibre de Naná Vasconcelos, Maestro Spok, Fabinho Costa, Renata Rosa e Yuri Queiroga.

Agenda
É imperdível, na sexta-feira, a volta da baiana Pitty aos palcos de Pernambuco após três anos. O novo Recicle Festival traz ainda as bandas River Raid, Carfax e Vamoz na abertura da noite no Clube Português. No sábado tem ainda a festinha de retorno do site O Grito! ( www.revistaogrito.com) no Boratcho.

Terminal Guadalupe

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Banda guerrilheira de Curitiba (PR), o Terminal Guadalupe completa cinco anos com algumas ações que deveriam se transformar em cartilha para o mundo independente. Estão produzindo o projeto TG apresenta, levando bandas de fora para tocar na capital do Paraná, liberaram toda a discografia – três álbuns – para download no Trama Virtual (você pega de graça, eles ganham uma grana) e o novo trabalho “A Marcha dos Invisíveis” ainda foi lançado em pendrive e SMD (formato mais barato, com o disco vendido por R$ 13 com encarte-revista).

Todas essas ações não preenchem metade do ar profético de que a Terminal Guadalupe é uma banda que veio para provocar profundas transformações no pop nacional. Esse mérito recai todo em canções viciantes como “Pernambuco Chorou” e “Cachorro Magro“, que revela a poesia de desilusão política e social do excelente letrista e vocalista Dary Jr. Ruídos da década de 80 fazem fusão cristalina com uma sonoridade mais contemporânea, apontando direções para o que já deveria ser definido com música de nosso tempo. Disponível no www.tramavirtual.com.br/terminal_guadalupe.

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Com Areia
Além de baixista do Mundo Livre S/A, Areia também investe o tempo livre como compositor e produtor. Entre os shows da banda, ele se ocupa com o disco de Cássio Sette, que ganhou fama nos anos 90 do Recife. Uma prévia desse trabalho vai poder ser conferida em primeira mão no pólo Vigáro Tenório no dia 19. Cassio canta músicas de Ave Sangria, do Mundo Livre e do próprio Aréia.

Agenda
Três programas imperdíveis para o fim de semana, começando na sexta-feira: a maratona-rave com 24h de música erudita, acompanhada por DJs e VJs da Europa, de graça, na programação do 10º Virtuosi no Teatro de Santa Isabel. A primeira oportunidade de conferir o primeiro show do novo disco de Siba, na Torre Malakoff, na programação promovida pela Fundarpe. No mesmo palco / evento, a dobradinha histórica entre Véio Mangaba e a banda Devotos.

Fóssil cearense

Então. Sei que a primeira parada dessa turnê de boas bandas começou longe, mas agora já volta para o Nordeste. Lá no Ceará, a terra do Cidadão Instigado, tem também uma outra ótima, chamada Fóssil. “Um grupo de música instrumental, fortemente influenciado pelo rock e pela música experimental, que usa bastante efeitos e repetições em suas músicas”. Quem explica é o baixista Frizzo. A Fóssil nunca repete a forma que uma mesma música é tocada.

A banda é formada por George Frizzo no baixo, Vitor Collares e Eric Barbosa nas guitarras e Victor Bluhm na bateria. As melhores referências para pensar na música da banda são difíceis. Daqui, tem a Superoutro com um som parecido. De fora, tem a inacessível Explosions in the Sky. Eles já apresentaram no Festival DoSol, ano passado em Natal, que teve um espaço grande para a música instrumental. “Fortaleza tem uma agenda muito bagunçada, mas todo fim de semana tem show das bandas daqui”, explica Frizzo.

O disco da Fóssil está à venda em qualquer loja, com distribuição da Peligro/Open Field. Quem quiser conferir antes, é só acessar o www.tramavirtual.com.br/fossil

Devotos
Já dá para conferir uma prévia do próximo disco do Devotos. A banda promete o novo trabalho para agosto, mas ainda sem data específica para o lançamento. Por enquanto, três músicas estão disponíveis no site www.devotos.com.br

Sem noção…
A rádio Transamérica se gabar de 30 anos com festa aqui na cidade. Eles se tocaram que a programação com Timbalada e Lulu Santos estava ridícula e colocaram um nome local. Para tentar superar o absurdo, escalou a Terceira Edição, que acabou não tocando porque quando o axé terminou já era tarde demais.

Internacionais
Uma produtora do Recife já sinalizou interesse em trazer para cá os shows do Slayer e de Ziggy Marley. Para quem ainda não estava sabendo, ambos têm datas marcadas em agosto e setembro no Sudeste. Quando tiver mais confirmações, você fica sabendo primeiro aqui.

Promoção
Então. Quem lê a coluna no jornal – todas as terças, na Folha de Pernambuco – também concorre a CDs. O desta semana é um do Cidadão Instigado e da banda Fóssil. Se você chegou agora, mais sorte na próxima. Quem levou o do Mombojó e Cabaret (RJ) foi Nataly Costa.