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Nordeste Independente #3

Na terceira edição do Podcast Nordeste Independente eu e o Luciano comentamos sobre a recente coluna que a Folha de S. Paulo publicou sobre o patrocínio público aos festivais; o top 50 discos mais importantes da cena independente segundo Fernando Rosa; o possível encerramento do DoSol RockBar em Natal; a cena independente do Rio Grande do Sul; festival Bananada e agenda da semana.

01 – Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta – Vidinha
02 – Mundo Livre S/A – Estela, a Fumaça do Pajé Pitxubix
03 – Amps & Lina – Curva e Linha
04 – Do Amor – Cantico
05 – Curumin – Kyoto
06 – Superphones – Lonely Dance
07 – Superguidis – Ingleses Não Usam Mullets
08 – Pata de Elefante – Soltaram

As músicas de fundo são de William Paiva, do Diversitrônica

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O nome da banda que ela tatuou

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O ano já está bem perto de acabar e acho que os, pelo menos principais, festivais independentes que acontecem até o fim do ano já tem programação fechada. Acho que a maior vitória desse primeiro ano efetivo de Abrafin, muito mais que o edital de patrocínio da Petrobrás e agora o apoio constante da cerveja Sol, foi deixar evidente que são esses eventos que estão promovendo a circulação da nova música no Brasil. Fomentando um circuito próprio que já envolve imprensa, casas de show e ensaio, além de lojas, todos se especializando nesse nicho. A grana é só consequência disso.

De repente zines e blogs são mídias de respeito, bares undergrounds viram pontos turísticos e alguém chega na sua cidade perguntando por aquela banda que nem tem um disco ainda, que você só ouvia falar das notinhas de agenda nos jornais. Não quer ficar perdido nessa história? Então confere algumas indicações de bandas que devem pintar nos palcos do próximo ano. Momento lobby on.


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O Diversitrônica deu um jeito na última crise de identidade quando perdeu Zé Guilherme – um dos mais requisitados produtores e técnicos de som do país – para a cidade de São Paulo. Acabou de cair uma música nova no MySpace deles chamada Toboágua que só reforça algo que eu vivo falando por aqui: eles estão no top3 bandas mais sensacionais do Recife no momento.


Quem forma o Diversitrônica é a dupla de produtores Leonardo Domingues e William Paiva. Do estúdio deles, o Mr.Mouse, saem algumas das melhoras novas bandas do Recife. Tipo o Johnny Hooker, que deve lançar até o fim do ano um novo EP virtual para download. Por enquanto, ele colocou uma prévia no MySpace, chamada Hardbeat. Escuta lá!


Quem tem música, dá a música e quem tem disco… Parece que a história do download remunerado da Trama Virtual está funcionando pelo menos para as bandas perderem mais a frescura em disponibilizar todo o trabalho. Só esse mês, Zefirina Bomba, Ecos Falsos, Ludovic, Lasciva Lula e Fire Friend descarregaram tudo no site. E a tendência é crescer. Por isso, vale o toque: se for baixar música de alguma banda nacional, procura antes na Trama Virtual. Sai de graça para você e dá lucro para eles.


No próximo post tem fofoca…

O que esperar do Carnaval

O último fim de semana mostrou o que podemos esperar para o Carnaval de 2007. E não é nada muito bom. Enquanto o DJ Fatboy Slim fazia sua apoteose no Marco Zero, cocaína era consumida no próprio chão da rua da Moeda, sem o menor pudor. Nas mesas, pedra de crack. No mesmo fim de semana, Ivete Sangalo tocou para uma multidão violenta, com direito a tiro e gente sendo empurrada no chão só pelo prazer da maldade.

Ano passado, Recife viveu um de seus carnavais mais violentos. As salas da polícia lembravam campos de concentração, de tanta gente algemada e enfileirada no chão. Numa das cenas mais emblemáticas, a polícia montada precisou invadir a área do público para despersar as brigas. Se a Polícia Militar não aumentar a fiscalização, as TVs nacionais vão continuar associando o Recife apenas com a violência, e não mais ao nosso frevo, como aconteceu nesse fim de semana.

Programação
O Preamp, palco que a Articulação dos Músicos de Pernambuco organiza no Carnaval, divulga hoje à tarde sua programação. Mas quem não gosta de esperar, já pode anotar: Carfax, Diversitrônica, Kbssa, Chambaril, Cinval, China, San B, Zé Povinho, Comuna Experimental e Alessandra Leão. A lista completa sai amanhã.

No Ar Coquetel Molotov 2006: Cobertura

Crescer é sempre um processo longo e complicado. Ao fim de sua terceira edição, neste último sábado, o festival No Ar Coquetel Molotov já pode comemorar a vitória de algumas etapas deste processo. Nos dois dias que aconteceu no teatro da Universidade Federal de Pernambuco, segundo a organização, foi reunida uma média de 1100 pessoas no primeiro dia e 1300 no segundo. Quase o dobro dos números do ano passado. Reconhecimento de público e também dos cambistas, novidade que figurava este ano a área da frente dos shows.

Na medida em que cresce, o festival começa a desenhar também características próprias que já são reconhecidas pelo público. Como, por exemplo, o fato da sala “Cine UFPE” mostrar sempre shows melhores que as bandas de abertura no teatro. Com a exceção do ambiente claustrofóbico – quente, apertado e escuro – do espaço, as experiências que passavam por lá eram sempre impressionantes.

“Tenho certeza que o show do Toni da Gatorra mudou a vida de todo mundo que assistiu, para o bem ou para o mal”, comentaria mais tarde um dos jornalistas que passava pelo festival. Além deste, a Debate era, sem dúvidas, uma das bandas paulistas de rock independente mais legais que já tocou aqui. Rock numa linha “Rage Against The Machine canta Sonic Youth”, uma voz aguda, berrada e visceral cortando os ruídos das guitarras.

Chambaril parece não chamar mais tanta atenção do público de Pernambuco. Mesmo com um formato bem superior, tocando as músicas eletrônicas em instrumentos orgânicos, a banda espantou um pouco das pessoas durante o show. Diferente do Diversitrônica. Devagar e sem pressa, o trio William, Leo e Zé Guilherme caminham para ser uma das bandas mais legais que já surgiu no Recife. Eletrônico divertido, cheio de graça e que só ganhou com as projeções em vídeo.

Enquanto no teatro, o começo era sempre desanimador. Ahlev de Bossa com uma desconfortável falta de preocupação visual, fez um show chato de se ver. Sem performance, sem uma preocupação com palco, eles tocavam de maneira introspectiva músicas lentas, arrastadas e demoradas. Quase um choque com o rock de guitarras do Badminton, primeiro sinal de vida que surgiu naquele palco.

Outra tradição que o Coquetel Molotov já pode comemorar é o de fazer daquele público que acreditou no evento uma parcela privilegiada. O show do Spleen e Cocoroise poderia até ser desses que já chegam formatados em esquema de franquia, mas ainda reservava uma espontaneidade muito forte. Spleen pulava de um canto para o outro, usando uma saia colorida, enquanto as irmãs Cassidy tocaram num palco totalmente escuro, envolto por sombras.

No sábado, o formato se repetia. As Barbis de Olinda entram no time do desnecessário, não apenas pelos comentários sem graça que fazem entre as músicas, quanto pela escalação de três vocalistas que simplesmente não conseguem cantar. As músicas têm até um bom potencial, assim como a performance delas no palco, mas tudo se perde num jogo de afeto próprio e confuso.

Para compensar, Valv (MG) e Móveis Coloniais de Acaju (DF) foram, com o perdão do adjetivo resumido, fantásticos. A primeira nem tanto, considerando que um teatro não é o ideal para o rock cantado em inglês deles, com músicas que lembram uma versão hetero do Placebo. Já a segunda, com um vocalista que recria um novo Wilson Simonal mais pop e jovem, se daria bem tocando até no Pólo Norte, para um público de pingüins.

É uma espécie de formato orquestra, com vários metais e em especial um cara que é realmente louco no palco com um trombone de vara. Cantaram ainda uma versão divertida de “Take me Out”, do Franz Ferdinand, e outra do Portishead. Foi tanta animação que ofuscou um pouco os franceses do Rubin Steiner. Outro rock bem legal de guitarras, que também brinca com instrumentos de metais e um cello.

O No Ar encerrou depois das quatro da manhã, outra boa novidade deste ano, já que nos passados o fim chegava sempre no começo da madrugada. Para todos que se aventuraram em entrar nessa linha experimental, o Tortoise deu aula. Duas baterias e uma formação que é até visualmente simétrica, com mais outros três teclados. Também mandaram a melhor projeção de vídeo dos dois dias.