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Dez anos a mil

Foi publicado essa semana o Dez anos a mil: Mídia e Música Popular Massiva em Tempos de Internet. Ele é organizado por Jeder Janotti Jr – meu orientador no doutorado – em conjunto com Tatiana Lima e Victor Nobre, que também são orientados por ele. É uma reunião de artigos de diversos pesquisadores. Entre os já citados, tem também um texto meu, sobre a função crítica dos blogs de MP3. É um texto mais, digamos, polêmico. Tem ainda contribuições de Simone Sá, Thiago Soares, Nadja Vladi, Felipe Trotta e Micael Herschmann também.

É um e-book gratuito. Então você não precisa de muito esforço para ter acesso a ele, além de um simples clique. O legal é que, além do PDF básico para todos, ele também está disponível em formato ePub, que pode ser lido no iPad ou Galaxy Tab, por exemplo, além de estar no formato do Kindle. Tem artigos sobre assuntos diversos. Desde Lady Gaga, passando por práticas auditivas, cenas musicais como mediadoras de consumo e até um sobre critérios de qualidade na música brasileira.

Vale a pena. Dá uma chegada lá no site e baixa o seu!

Formate o álbum

albums

Tenho me descoberto cada vez menos entusiasta dos efeitos da internet na música (“culto do amador feelings?” tomara que não). Outro dia, em sala de aula, debatiamos os efeitos que a web tinha causado nos formatos álbum e canção. A idéia parte da futura tese de doutorado de uma amiga da pós-graduação. Com mais um ano encerrando, com uma boa leva de festivais visitados e novas bandas conhecidas – dessa vez tive que pagar excesso de babagem pela primeira vez na vida, de tanto CD que vinha na mala – fico pensando o quanto um formato que foi criado por pura limitação tecnológica (não cabem mais músicas do que já tinha ali no vinil) se firmou com tanta força. A internet ainda não provou nenhuma mudança fundamental neles.

Quando os Beatles lançaram o Sargent Peppers Lonely Heart Club Band, em 1967, reforçando a idéia do “álbum conceito” que dominaria a indústria da música mais tarde, também estavam batendo o martelo em um formato técnico que variava entre 12 a 14 canções por disco. Mesmo que essa limitação não exista mais, cerca de 90% – ou até mais – das novas bandas, aquelas que não estão, nem querem estar em gravadoras, e se satisfazem da internet, ainda aparecem com um “EP” na mão. “Esse é nosso EP. Ainda estamos fazendo mais música, para quando chegar numas 10, lançar um álbum”. Sinto falta de alguém assumir as rédeas da mudança. “Esse é nosso álbum, só tem três músicas”. Ou 30, ou 40, sem precisar dizer que é um disco duplo ou triplo.

O mais frustrante é que essa necessidade de chegar a 10 ou 12 faixas quase nunca está amarrada a nenhum conceito. Alguém falou que o álbum é feito de tantas faixas, por isso precisamos atingir a cota para conseguir um. Não por acaso, a maioria dos discos de novas bandas, que vem com tantas faixas assim, costuma não render mais do que metade do repertório. Com 20 anos de MP3 e contando, espero que quando voltar a alguns festivais próximo ano, não escute tanto a frase “esse ainda não é o nosso disco” ou “é só um EP”.