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Falando direto com os fãs

Outro dia surgiu, como se fosse uma grande surpresa, a notícia que o Sonic Youth estava publicando novidades sobre o disco novo através do Twitter. Lembro, logo quando começou a febre do site (um micro-blog, para quem ainda não conhece. Que te permite publicar um post de 140 caracteres por vez, meio que respondendo o que está fazendo agora), que eu fiz um link entre o que rolava por lá e o antigo mIRC (lembra desse, né?). É que as pessoas foram transformando os mini posts em diálogos e, de repente, tinha um monte de conversa rolando, gente se conhecendo e etc. A internet brasileira começa, aos poucos, a se desindividualizar mais uma vez.

Mas é engraçado que na música, que concentra as mudanças mais rápidas do que acontece na web hoje, esse processo ainda é muito lento, isso quando chega a existir. O fato é que tem muito pouco músico e banda que realmente sabe usar a internet de forma eficiente. A maioria apenas carrega as músicas no MySpace, enquanto os mais cuidadosos não vão além de achar um template bacana para a página. O bate papo fica para lá. O grande potencial do diálogo – rede social, gente. Tem que ter bate papo – se perde até nas comunidades do Orkut.

Lembrei disso tudo hoje quando vi essa lista, montada pelo norte-americano Gabriel Nijmeh. São os twitters de várias bandas mundo afora – só tem um brasileiro lá – que passa por nomes como Bloc Party e Interpol a Pearl Jam, Lilly Allen e Nick Cave (esse último, possivelmente falso). Ele ainda dá uma geral sobre o que se passa em cada endereço. Informações rápidas, do tipo “quase nunca atualizado” e “atualização constante”. Vale a pena conferir e, quem sabe, se conectar com seu artista favorito.

Fiquei pensando como seria uma lista desse entre os independentes, aqueles que tem ainda mais obrigação de usar bem a internet. Sei de muito poucos. Sigo o Móveis Coloniais de Acaju (postam sempre), Ecos Falsos (quase sempre) e Lucy and the Popsonics (quase nunca). Enquanto isso, a Nação Zumbi vai completar um mês de blog novo… com dois posts até agora. E vocês? Conhecem algum twitter de banda que vale divulgar?

Cobertura: Goiânia Noise 2007

GOIÂNIA – Numa primeira impressão rápida, passando a vista pelo longo e belo cenário do Centro Cultural Oscar Niemeyer, o festival Goiânia Noise, que encerrou este fim de semana sua 13ª edição, impressiona. Com o passar dos três dias de show, o queixo cai ainda mais. Numa localização distante da cidade, com uma das mais bem montadas estruturas já vistas num evento do porte, funciona como um modelo para todos os festivais independentes do país.

O modelo beira a perfeição: as bandas trabalham nos bastidores, como roadies, apresentadores e responsáveis por palcos. As atrações se misturam, sem existir dias por gêneros. Mundo Livre S/A toca antes do Sepultura; Cordel do Fogo Encantado se apresenta após o Korzus. Assim, o público também desenvolve níveis de interação que superam qualquer noção de “tribo”. Como se o rock fosse uma força homogênea que une todos que adoram essa música, não importando suas ramificações.

O horário de verão não funciona muito bem para Goiânia, uma cidade de arquitetura muito jovem, lembrando muito pouco de uma grande metrópole. Os shows começam as 18h e, até às 20h, as bandas tocam debaixo de um sol forte. A importância política do Noise se percebe pelos visitantes que o festival recebe. Figuras nacionais como o produtor Miranda (atualmente do programa de TV Ídolos), representantes de selos internacionais e produtores dos principais festivais de todo o país. Todos vindos a convite do evento.

A curadoria da programação surpreende. Não existe, entre as 41 bandas que tocaram lá, alguma que seja visivelmente ruim, equivocada ou sem proposta. Todos os shows são proveitosos. Mas o palco desmistifica alguns nomes, como a local Barfly, que tem um ótimo disco, mas uma apresentação que deixa muito a desejar; assim como a Valentina, que fez seu último show da carreira. O contrário da Black Drawing Chalks, que compensa um disco regular com uma das melhores apresentações da noite. Entre os mitos da casa, só crescem o das bandas Violins e a instrumental Pata de Elefante, com shows que arrancavam coros (para o Violins) e aplausos seguidos de sorrisos e fanatismo (para ambos).

O Goiânia Noise serve de plataforma para novas promessas no pop nacional do cenário independente. Além das citadas, juntam ao time dos bons os shows dos bem humorados mods paulistas do Haxinxins; também de São Paulo a Ecos Falsos e, do Rio Grande do Sul, a banda Superguidis. Já no time dos excelentes, os cariocas da Pelvs; o gaúcho Júpiter Maçã e a estreante The Name, essa com um pop oitentista cantado em inglês.

Sendo um evento tão importante, as atrações principais se reforçam como grandes jogadores no campo nacional da música independente. Consagração para as pernambucanas do Cordel do Fogo Encantado e Mundo Livre S/A, que sem tocar em rádio ou participar de qualquer programação de TV, conseguem reunir um público cada vez maior em qualquer extremo do país. O Goiânia Noise deu ainda a oportunidade do Brasil conferir em primeira mão uma das bandas mais comentadas do novo pop internacional, a americana Battles, que fez o melhor show dos três dias de evento.

Um paragrafo para o Battles. Mais uma banda que reforça como o formato pop do Brasil insiste em permanecer atrasados. Chovem bandas de guitarra-baixo-bateria. A experiência, quando existe, é em timbres, misturas de gêneros, mas nunca em novos sons. A banda americana reforça a importância de grupos menores, como os paulistas do Hurtmold e Guizado, de construir novas texturas e trazer novos sons para o universo da música pop. Com uma bateria na frente e várias mesas com computadores e samplers, desafiavam a experiência visual. O público atento procurava encontrar de onde saia cada novo som. E dessa troca, tinhamos um verdadeiro espetáculo.

Como atual centro dos festivais independentes do Brasil, o Goiânia Noise não encerra com sua programação. Os nomes que passaram pelos três dias de rock em um cada vez menos remoto Centro Oeste brasileiro já saem do palco com convite para integrar a programação de eventos em outros estados do país. E, cumprindo sua função, o festival independente põe para girar a nova música brasileira.

Goiânia Noise 2007

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Saiu ontem a programação oficial! Mas eu tava doente, de cama, completamente fudido, por isso só to coloando aqui agora. O bom é que, assim, todo mundo que publicou ontem não rouba minha trabalheira de encontrar os links de todas as bandas, como geralmente acontece :-P

Confere ai:

SEXTA | 23.11
Mugo
(GO)
Seven (GO)
Barfly (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Superguidis (RS)
Cooper Cobras (RJ)
Violins (GO)
Os Haxixins
(SP)
MQN (GO)
Sick Sick Sinners (PR)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)
Rubín & Los Subtitulados
(Argentina)
The Dts (EUA)
Pato Fu (MG)

SÁBADO | 24.11
Woolloongabbas (GO)
Control Z
(GO)
Valentina (GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Pelvs (RJ)
Sangue Seco (GO)
Kassin + 2 (RJ)
Perrosky (Chile)
Mechanics
(GO)
Mukeka de Rato (ES)
Korzus (SP)
The Legendary Tigerman (Portugal)
Jupiter Maçã (RS)
Cordel Do Fogo Encantado (PE)

Domingo | 25.11
Perfect Violence
(GO)
Black Drawing Chalks (GO)
Rollin’ Chamas
(GO)
Banda selecionada via TramaVirtual
Ecos Falsos (SP)
Damn Laser Vampires (RS)
Macaco Bong
(MT)
Motherfish (GO)
Pata de Elefante (RS)
Spiritual Carnage
(GO)
The Battles (EUA)
Motosierra
(Uruguai)
Mundo Livre SA (PE)
Sepultura
(MG)


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Quer tocar no Noise? Se você passou a vista com detalhe na programação, percebeu que está reservado um espaço em cada um dos três dias para uma banda selecionada pela Trama Virtual. Para participar é só dar uma conferida no site! Por falar em dar uma conferida, muitas das bandas escaladas já apareceram aqui no Pop up em resenhas e entrevistas. É só ir atrás ne busca ou nas tags. =)


fome.jpgTás com fome?

O nome da banda que ela tatuou

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O ano já está bem perto de acabar e acho que os, pelo menos principais, festivais independentes que acontecem até o fim do ano já tem programação fechada. Acho que a maior vitória desse primeiro ano efetivo de Abrafin, muito mais que o edital de patrocínio da Petrobrás e agora o apoio constante da cerveja Sol, foi deixar evidente que são esses eventos que estão promovendo a circulação da nova música no Brasil. Fomentando um circuito próprio que já envolve imprensa, casas de show e ensaio, além de lojas, todos se especializando nesse nicho. A grana é só consequência disso.

De repente zines e blogs são mídias de respeito, bares undergrounds viram pontos turísticos e alguém chega na sua cidade perguntando por aquela banda que nem tem um disco ainda, que você só ouvia falar das notinhas de agenda nos jornais. Não quer ficar perdido nessa história? Então confere algumas indicações de bandas que devem pintar nos palcos do próximo ano. Momento lobby on.


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O Diversitrônica deu um jeito na última crise de identidade quando perdeu Zé Guilherme – um dos mais requisitados produtores e técnicos de som do país – para a cidade de São Paulo. Acabou de cair uma música nova no MySpace deles chamada Toboágua que só reforça algo que eu vivo falando por aqui: eles estão no top3 bandas mais sensacionais do Recife no momento.


Quem forma o Diversitrônica é a dupla de produtores Leonardo Domingues e William Paiva. Do estúdio deles, o Mr.Mouse, saem algumas das melhoras novas bandas do Recife. Tipo o Johnny Hooker, que deve lançar até o fim do ano um novo EP virtual para download. Por enquanto, ele colocou uma prévia no MySpace, chamada Hardbeat. Escuta lá!


Quem tem música, dá a música e quem tem disco… Parece que a história do download remunerado da Trama Virtual está funcionando pelo menos para as bandas perderem mais a frescura em disponibilizar todo o trabalho. Só esse mês, Zefirina Bomba, Ecos Falsos, Ludovic, Lasciva Lula e Fire Friend descarregaram tudo no site. E a tendência é crescer. Por isso, vale o toque: se for baixar música de alguma banda nacional, procura antes na Trama Virtual. Sai de graça para você e dá lucro para eles.


No próximo post tem fofoca…

Festivais, festivais, festivais

O bolso vai chorar muito agora no fim do ano com as novas atrações que estão sendo anunciadas para se apresentar no Brasil. Depois do Planeta Terra confirmar o Tokio Police Club, Kasabian e Pato Fu junto aos shows do CSS, Lily Allen, Devo e Supercordas, foi o Goiânia Noise que deu só um gostinho do que está vindo por ai com 10 atrações para a edição deste ano. Seis delas são gringas: Battles, The Legendary Tigerman, o duo chileno Perrosky, The DTs, o argertino Sebastian Rubin e os uruguaios do Motosierra. Para completar a prévia, tem também MQN, Mechanics, Ecos Falsos e Mundo Livre S/A.

O 13º terceiro Goiânia Noise será entre os dias 23 e 25 de novembro, apenas 15 dias após o Planeta Terra e um mês após o Tim Festival. O show do Battles e os DT’s estão na listas de imperdíveis do ano. Já o Tigerman, eu tive oportunidade de assistir numa edição passada do Abril pro Rock e não foi tão empolgante assim. Teve um pouco a ver com o público reduzido e o fato de que informação demais – o show dele tem muita informação, com filmes e garotas seminuas no palco – sempre choca na primeira impressão. Quem sabe agora ele tem mais sorte.


Essa abundância de festivais me lembra muito o fenômeno da cauda longa. Aquele que diz que os mercados de nicho estão desbancando o de massas. Tem tanta informação circulando, com tanta gente absorvendo, que simplesmente existe um público impressionante atrás de boa música. Eu falei aqui do Coquetel Molotov, mas se
liga só como foi o Se Rasgum no Rock, que rolou lá no Pará:


Cabaret é favorita aqui da casa, então sou suspeito para dizer que quem perdeu, já tem motivo para se arrepender. Enquanto Marvel – que virou muso-pop-trash por três dias no finado papelpobre – vomitava glitter no público, os Astronautas transformavam Minas Gerais no espaço sideral quando tocavam no Jambolada. Olha só as fotos:astronautas.jpgE no Multiply da Adreana tem muito mais foto do que rolou por lá.


Enquanto isso, em João Pessoa, o Festival Mundo mostrava que a cidade tem muita competência para ter uma grande estrutura de shows. E saiu com um saldo muito mais positivo que o esperado, graças as pessoas que acreditaram nesse potencial da região. No pique que está, o Nordeste vai ficar um lugar pequeno demais com tantos shows e bandas conseguindo um bom espaço.fossel.jpgE tem um montão mais de fotos do Mundo no flickr do Anderson


Sou só eu que acha impressionante quatro festivais de médio porte tão legais acontecendo ao mesmo tempo ao redor do país? Acho que não. Confere lá a cobertura que o Luciano Mantos fez do Se Rasgum.Esse mês ainda rola o Garimpo, organizado pelo pessoal do programa de TV Alto Falante em Belo Horizonte, e em novembro tem o Demo Sul, em Londrina. Mas depois dessa enxurrada de eventos, quem vai povoar os festivais do próximo ano? No fim de semana eu dou umas dicas de gente que anda atualizando o MySpace de música nova e de qualidade. Fica atento!