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Conexão Vivo entra na reta final

Marcelo Jeneci

Eles estão chamando de “apoteose”. A referência vem do samba, claro, mas na realidade a palavra tem seu sentido ligado a endeusar, dar o status de divindade, a alguém. Talvez o paraíso seja uma metafora exagerada, mas nesse bolo confuso que se encontra a produção independente, onde o outrora perseguido patrocínio público se transformou em pesadelo – e Ana de Hollanda, na voz de alguns, o verdadeiro capeta – podemos dizer que é, no mínimo, um milagre. O nível de comprometimento com a produção independente que a Vivo tem demonstrado já supera o caráter de jogada de marketing. O negócio é sério mesmo.

Desde a semana santa que a plataforma Conexão Vivo vem realizando shows em Belo Horizonte. Sem partidos, sem siglas, associações ou embates políticos. Apenas boa música, para quem estiver interessado em algumas breves horas de catarse. Foram 94 shows até agora. E nessa “apoteose” o número quase dobra. Vão ser mais 60 atrações entre os dias 25 e 29 de maio. Tem Marcelo Jeneci, na foto acima, e também Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Thiago Pethit, Móveis Coloniais de Acaju, Autoramas e até shows de “encontros”, como Graveola e o Lixo Polifônico + Jard Macalé (!).

Programação

Parque Municipal
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).
Domingo, dia 29, a entrada é gratuita.

Dia 25, quarta-feira, às 19h30
Capim Seco (MG) convida Siba (PE)
Porcas Borboletas (MG) convida Paulo Miklos (SP)
Deco Lima e o Combinado (MG) convida Fred 04 (PE), Angu Stero Club (MG) e Anderson Guerra (MG)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)

Dia 26, quinta-feira, às 19h30
Felipe José (MG) convida Elísio Pascoal (AL)
Karina Buhr (PE)
Vitor Santana (MG) convida Pedro Sá (RJ) e Marcos Suzano (RJ)
Tulipa Ruiz (SP)
Zé da Guiomar (MG) convida Wilson das Neves (RJ)

Dia 27, sexta-feira, às 19h30
The Hell’s Kitchen Project (MG) convida Autoramas (RJ)
Julgamento convida Nathy Faria e Marku Ribas (MG)
Lucas Avelar convida Affonsinho (MG)
Gilvan de Oliveira (MG) convida Armandinho (BA)
Marcelo Jeneci (SP)

Dia 28, sábado, às 19h30
Babilak Bah convida Juarez Moreira (MG)
Senta a Pua! (MG) convida Eduardo Neves (RJ)
Black Sonora (MG) convida Di Melo (PE)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG) convida Jards Macalé (SP)
Renegado convida Maria Alcina (MG)

29 de maio, às 10h – Programação gratuita
Catibiribão (MG)
Wilson Dias e Pereira da Viola convidam Patrícia Sene (MG)
Cléber Alves convida Nivaldo Ornelas, Mauro Rodrigues (MG) e Teco Cardoso (SP)
Juarez Moreira (MG) convida Diego Figueiredo (SP)
Suíte para os Orixás convida Renato Motha (MG)
Juarez Maciel e Grupo Muda (MG) convidam Barbatuques (SP)
Warley Henrique convida Aline Calixto (MG)

Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes
Dia 25, quarta-feira, às 19h
Lise convida L_AR (MG)

Dia 26, quinta-feira, às 19h
Ezequiel Lima convida Glaucus Linx (MG)

Dia 28, sábado, às 19h
Limão convida Wilson Lopes (MG)

Dia 29, domingo, às 19h
Thiago Pethit convida Cida Moreira (SP)

Music Hall
Dia 28, sábado, à 0h
Gustavo Maguá (MG) convida Marco Mattoli (SP)
Orquestra Cabaré (MG) convida Hyldon (RJ)

Recbeat divulga primeiras atrações

Mombojó

Duas grandes (e outras duas boas) notícias no começo de escalação do Recbeat. O festival, que influênciou o formato inteiro do Carnaval do Recife, divulgou os quatro primeiros nomes que se apresentam esse ano. De cara, já é a melhor alternativa para quem não quiser encarar a necrofilia que vai ser o show do Raimundos no mesmo período. Mombojó e Baiana System são certezas de melhores momentos mesmo antes do evento acontecer (se bem que, sei lá, tudo é possível :P). A cidade estava devendo ao Mombojó o retorno aos festivais e “Amigo do Tempo”, nas listas de melhores do ano só colabora para isso.

O Baiana System é tipo show perfeito para o Carnaval. Guitarra baiana + Dancehall, que é dona da melhor noite em Salvador. A passagem de Gaby Amarantos ano passado rendeu tanto que o Pará está de volta com o tecnobrega na programação. Felipe Cordeiro é de uma vertente mais pop-classe-média do gênero e promete repetir a euforia de Gaby ano passado. Quem vem do Pará, mesmo não sendo de lá, também é o DJ Patrick Tor4, figura sempre presente onde a música importa, vai discotecar em uma das noites do festival.

Se Rasgum 2010: Programação

Otto

Otto entrou mesmo na roda dos festivais. Com um dos melhores discos lançados ano passado, ele foi do Carnaval do Recife para o Coquetel Molotov, Goiânia Noise e agora também se apresenta na quinta edição do Se Rasgum, no Pará. O festival, que só recentemente se filiou a Abrafin, tem uma das programações mais criativas de todo o circuito nacional. Além dos obrigatórios da vez – Emicida e Cidadão Instigado estarão lá – e nomes locais como Madame Sataan, o festival também recebe André Abujamra, Lê Almeida e Marcelinho da Lua completam a programação. Atento a tendência recente de promover encontros, o Se Rasgum também coloca Odair José para dividir o microfone com os Dead Lovers Twisted Heart, de Minas, e os Los Porongas para cantar junto com o Dado Villa-Lobos.

SEXTA – 12.11 – Hangar
André Abujamra (SP)
Felipe Cordeiro (PA)
Dona Onete (PA)
The Hell’s Kitchen Project (MG)
Marcelinho da Lua (Bossa Cuca Nova – RJ)
Patrick Tor4
Pedro D’eyrot (Bonde do Rolê – PR)
DJs Meachuta

SÁBADO – 13.11
Otto (PE)
Félix Y Los Carozos (PA)
Cidadão Instigado (CE/SP)
Nelsinho Rodrigues (PA)
Odair José (GO) + Dead Lover’s Twisted Heart (MG)
Graforréia Xilarmônica (RS)
Cabruêra (PB)
Lê Almeida (RJ)
Soatá (DF)
Dharma Burns (PA)
Mostarda na Lagarta (PA)

DOMINGO – 14.11
The Slackers (EUA)
Madame Saatan (PA)
Los Porongas (AC) + Dado Villa-Lobos (RJ)
Pio Lobato (PA)
Emicida (SP)
Graveola e o Lixo Polifônico (MG)
Delinquentes (PA)
Bruno B.O (PA)
Dubalizer (SP)
Projeto Secreto Macacos (PA)
Paris Rock (PA)

Festival Mundo 2010: Programação

O Festival Mundo acontece daqui a duas semanas em João Pessoa. Organizado pela turma do coletivo Mundo, que faz parte do batalhão Fora do Eixo, eles agora formam a santíssima trindade entre os festivais Ponto CE e DoSol, aproveitando a geografia do Nordeste para ajudar que mais bandas circulem por mais lugares da região. Ao contrário do “Aumenta Q É Rock”, finado evento paraibano que apenas adaptava a programação que vinha de Natal, o Mundo complementa o Line Up com atrações próprias. É o caso de BNegão e os Seletores de Frequência.

Abaixo tem a programação completa de shows. Além deles, tem oficinas de sonorização para shows com Mario Jorge – um dos grandes nomes da área no Nordeste – Elaboração de projetos, Transmissão ao vivo pela Web, Stencil, Produção de clipes e Divulgação de música independente. Essa última vai ser comigo. O quartel general de tudo, mais uma vez, será o Centro Cultural Energisa.

Sábado (13/11)

Domingo (14/11) Segunda (15/11)
Violator (DF) Móveis Coloniais de Acaju (DF) Bnegão & Os Seletores de Frequência (RJ)
Madness Factory Julia Says (PE) Abiarap
Desalma (PE) Beto Brito The Tormentos (Argentina)
Wado (AL) Seu Pereira & Coletivo 401 Cabruêra
Falsos Conejos (Argentina) Os Reis da Cocada Preta Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
Pé de Coco Sem Horas Gigante Aniamal (SP)
A Banda do Joseph Tourton (PE) Elmo Fóssil (CE)
Ubella Preta Anjo Gabriel (PE) Sex On The Beach (CG)
Varadouro Groove Orchestra Dalva Suada Madalena Moog

No Ar Coquetel Molotov 2010: Cobertura

Essa cobertura deveria ter sido publicada, originalmente, no jornal A Tarde. Até agora não tive resposta de porque não saiu. Aqui ela segue em versão maior, com alguns comentários em primeira pessoa também.

Crescer é um processo sempre complicado. Sempre penso nisso, quando penso no festival No Ar Coquetel Molotov. Para que essa sétima edição, que teve sua etapa Recife entre os dias 24 e 25 últimos, fosse também um sinônimo de fôlego para o evento, o mesmo precisou dar passos estratégicos para trás. Voltou para o Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, com capacidade de 500 pessoas a menos que o anterior do Centro de Convenções, onde aconteceu ano passado. A programação, entretanto, garantiu que o volume a menos não fosse equivalente a diversidade proposta pelo festival.

Os patrocínios da Petrobras e Vivo permitiram que o festival tivesse sua edição mais histórica. Talvez demore de seis meses ou mais para que a passagem da lendária banda Dinosaur Jr. seja totalmente compreendida pelo público local. Com um repertório montado com carinho para os fãs, a banda tocou sucessos mais antigos como Out There (de 1993) e até sua versão para Just Like Heaven, do The Cure. Entre danças, pulos e olhares fixos nos longos cabelos brancos do vocalista J. Mascis, teve até quem chorou.

“Eu vim do Paraná, essa banda é a trilha sonora da minha vida, é importante demais para mim”, desabafava em lagrimas Luis Augusto, 32, que junto com a namorada não saiu da frente da parede de seis amps de guitarra que descarragavam 115 decibéis no público. Quase o mesmo volume do show que o Motorhead fez na cidade, com a diferença de ser um espaço bem menor. A partir da quinta fileira de cadeiras, era difícil ouvir qualquer outro instrumento ou mesmo voz, de tão alto.

Na mesma noite, a banda de Joseph Tourton – que chamou atenção pela primeira vez como revelação do festival – fez a estréia de seu disco em uma das melhores apresentações da noite. Com bastante energia no palco, o som instrumental deles ganhou vida com a participação especial de Vitor Araújo no piano. De revelação se transformaram em aposta de que, certamente, é um nome que deve aparecer em bastante programações de festivais no próximo ano. A banda perdeu a única coisa que os impedia de crescer, que era a gigantesca timidez no palco.

O show do Joseph Tourton foi importante para a cidade por diversos motivos. No final dessa primeira decada, é um suspiro de esperança de que alguma banda começou, sobreviveu e também cresceu na primeira década do Recife. Por um instante, essa seria uma década totalmente perdida em relação a cena rock, o que é fato impressionante em uma cidade que teve a década de 90 tão fundamental na música brasileira. O fato deles serem ainda tão jovens só contribui com a banda na fase de entrar em roubadas para rodar bastante o país e se tornar alguém além de um grupo local. Assim como a Volver – única que é exceção a tudo que falei – a Joseph Tourton virou retrato oficial de nossa geração.

Ainda na lista de melhores atrações estão os suecos do Miike Snow, que se apresentaram na primeira noite. Indie rock com fortes batidas eletrônicas, foram embaixadores da catarse no público, que ficou hipnotizado pelas fortes luzes que mal deixava enxergar quantas pessoas estavam tocando no palco. Eleitos pela mídia especializada como um dos melhores performances do ano, eles mostraram em pleno Nordeste que o hype nunca vêm por acaso.

Zé Cafofinho. Um dos melhores shows do festival

A primeira noite do Coquetel Molotov também foi a da apresentação de Otto, que trouxe o maior público ao teatro. Tanto ele como Zé Cafofinho foram as melhores surpresas, por mostrar que fora de seu ambiente habitual – que costuma de ser de público mais velho e eventos públicos – eles também mandam muito bem. Otto já tinha seu jogo ganho antes do show, graças ao elogiado novo disco e trilha em novela global. Mas, para Cafofinho o desafio foi ainda maior, por ser o primeiro a tocar na noite, o que tornou a conquista ainda mais saborosa ao ouvir o coro do público cantar suas músicas.

Em todas as sete edições, essa foi a que teve menos erros de escalação. As decepções, de fato, foram apenas duas. A francesa SoKo, que chegou recheada de promessas e fez uma apresentação fraca, pontuada por reclamações dela no palco e também do público. Mad Professor, um dos país do Dub, também deixou bastante a desejar. Despejou um monte de remixes, mas talvez pelo ambiente do teatro, uma considerável parte do público preferiu usar sua trilha sonora para dar aquela circulada. Mesmo assim, o ruído causado está longe de ameaçar a nota máxima para o No Ar Coquetel Molotov nesse ano.