Emicida: ótima surpresa na programação do festival
Enquanto não confirma – nem desmente – a vinda do Dinosaur Jr para o Brasil, o Coquetel Molotov divulga as primeiras atrações para o festival esse ano. Além das bandas, antecipa também a novidade que, nessa edição, além das duas datas tradicionais de shows – que voltam a acontecer no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco – o festival segue a atual tendência de outros eventos do tipo no país e se descentraliza. A programação vai se estender pelo Nascedouro de Peixinhos, Teatro Apolo e no Memorial Chico Science.
Falando do que mais interessa, esse ano o festival vai contar com Otto, que fez o melhor disco de música brasileira ano passado, o rapper Emicida e a cantora francesa SoKo (um dos mil hypes do momento, apontada como The Next Big Thing por alguns jornais). Além desses, a programação repete a tradicional Invasão Sueca com três atrações. São Taxi Taxi!, Taken By Trees e Anna Von Hausswolff. Ainda dá para esperar por bem mais, ainda mais com o patrocínio da Petrobras esse ano, pela primeira vez, ao evento.
Outro nome que ainda não está confirmado, na fileira das bandas independentes, são os cariocas do Do Amor. Também quem deve se apresentar é A Banda de Joseph Tourton, que lança disco pelo selo do Coquetel agora no segundo semestre.
O Bananada é tipo de lição de casa mais importante para quem quer estar por dentro do que acontece na nova cena independente do país. O festival serve de pesquisa para a Monstro Discos desovar artistas que acabaram de conhecer, mas também serve de pesquisa para quem por enquanto só ouviu falar das muitas atrações que formam a programação. Não por acaso, após passar por lá, muitos nomes começam a se repetir na programação de outros festivais mais importantes ao longo do ano, como o próprio Noise e o Abril Pro Rock.
Apesar de ser formado apenas por bandas novas, com atrações principais todas da casa, o Bananada foi a melhor celebração do rock que eu já tive oportunidade de presenciar. O clima tranquilo foi mais legal que o próprio Noise. E o saldo final das bandas é sempre positivo. Esse ano, se pudesse, eu ficaria atento ao Some Community, de São Paulo, fora as que já aparecem sempre por aqui, como Vendo147, Camarones e Nublado.
QUARTA FEIRA 19 / MAIO > BOLSHOI PUB
01:00h Rinoceronte (Santa Maria – RS)
00:15h Mersaut e Máquinha de Escrever (Goiânia – GO)
23:30h Brown-Há (Brasília – DF)
Mais um ano, mais um Abril Pro Rock que contou com minha participação na curadoria. Depois de três anos, inevitávelmente, começo a me envolver com mais coisas da produção do festival, junto com Guilherme Moura. Do tempo que estou lá, esse ano foi o mais apertado de todos, mas o que conseguimos o melhor resultado. Programação gigante e que cabe bem num orçamento menor, com a novidade de agora serem nove noites de festival. Fora as oficinas, que esgotaram rapidinho o número de vagas, transformando as antigas palestras em algo mais pró-ativo.
Abaixo está a programação. Podem falar mal, mas também aceitamos elogios :)
APR CLUB | 15.04 – Festa do APR | A partir das 22h
Instituto Mexicano del Sonido | MEX
DJ Dolores | PE
Diversitrônica | PE
DJ Rodrigo Lariu | RJ
DJ Seba | ARG
Pavilhão do Centro de Convenções | 16.04 | Abertura dos portões: 20h
Inner Demons Rise | PE
Alkymenia | PE
The Mullet Monster Mafia | SP
Agent Orange | EUA
Claustrofobia | SP
Eminence | MG
Varukers | Ing
Ratos de Porão | SP
Terra Prima | PE
Blaze Bayley | UK
Pavilhão do Centro de Convenções | 17.04 | Abertura dos portões: 17h
Anjo Gabriel | PE
Mini Box Lunar | AP
Plástico Lunar | SE
Bugs | RN
Vendo 147 | BA
River Raid | PE
Zeca Viana | PE
Instituto Mexicano del Sonido | MEX
Nevilton | PR
Afrika Bambaataa | EUA
Plastique Noir | CE
3naMassa | PE/SP
Wado | AL
Pato Fu | MG
APR CLUB | 20.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h
Orquestra Contemporânea de Olinda | PE
Bongar | PE
Combo Percussivo de Olinda | PE
APR CLUB | 22.04 – Noite Radio Antena 3 | A partir das 22h
The Legendary Tigerman | POR
Dead Combo | POR
Chambaril | PE
APR CLUB | 23.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h
Siba | PE
Alessandra Leão | PE
Ylana | PE
APR CLUB | 24.04 | A partir das 22h
Mundo Livre S/A | PE
Burro Morto | PB
Camarones Orquestra Guitarristica | RN
Gutie, produtor do Rec-Beat; e Gabi Amaranto, do Pará. Foto de Caroline Bittencourt
Fazer festival no olho do furacão de um dos maiores carnavais do país parece jogo ganho. E, em termos práticos, é o que acontece quando se trata do Rec-Beat. Em sua 15a edição, o evento aconteceu mais uma vez no “polo mangue” do Carnaval do Recife, durante quatro dias onde atraiu um público médio de 8 a 10 mil pessoas por noite. Talvez em um contexto diferente onde fosse pago, as atrações da programação não chamariam mais do que mil pessoas. E esse é o principal mérito do evento, promovido pelo paulista Antonio Gutierrez: promover um econtro de ótimas bandas com pessoas que, naturalmente, não iriam ao encontro delas.
O Rec-Beat já passou por diversas mudanças de conceito. Da última vez que entrou de acordo, decidiu não trazer mais nomes de grande porte e diminuir um pouco de espaço onde acontece, a favor de ter uma folga maior de público. Opção acertada e celebrada por quem ainda lembra das noites sufocantes na tentantiva de se assistir a Nação Zumbi tocar no bairro histórico do Recife Antigo. Mesmo assim, esse ano fechou a programação com uma trinca dos melhores discos de 2009. Passaram por lá Lucas Santanna, Céu (SP) e Cidadão Instigado (CE).
Os grandes – pelo menos no contexto do festival – não tem muito a acrescentar. Fizeram respectivamente os melhores shows de cada um de suas noites. Com o destaque principal para a resposta de público do Cidadão Instigado. Esse foi o show que oficialmente lavou a alma de Fernando Catatau, que colecionava uma série de apresentações no Recife que eram atrapalhadas por fatores externos.
Mas é a novidade que sempre chama mais atenção. Na segunda noite do festival, Gabi Amarantos, do Pará, trouxe o que ela chama de “tecno-melody”, uma evolução do tecnobrega. Com direito a versão de “All the Single Ladies”, de Beyoncé, cantada em português – é aquela mesma que foi gravada por Preta Gil, que no refrão diz “hoje eu tô solteira” – e um show que, por uma hora, só fez repetir as mesmas cinco músicas, arrancou verdadeiro delírio do público.
Ainda na fileira das novidades, a Caldo de Piaba, que vem do Acre, fez uma das apresentações mais impressionantes. Misturando Carimbó com o Imunização Racional de Tim Maia, fizerma show instrumental que prendeu a atenção do público até o final. Quem também não tinha vocalista é a Diversitrônica, com uma parede sonora altíssima, fazendo uma das cinco apresentações mais legais de todo o festival. É música eletrônica, mas totalmente tocada por uma banda, quase sem programação.
O festival conseguiu a boa façanha que foi apresentar um novo artista pernambucano a sua própria terra. Zé Manoel é a promessa lançada pelo Rec-Beat que deve circular ainda mais este ano, impulsionado pelo ótimo show que fez na primeira noite. Ainda nas pratas da casa, o festival consagrou o ótimo momento da banda Volver que, mesmo no horário cedo, teve a melhor resposta de público entre todas as atrações. A comissão de frente do palco cantou todas as músicas sem errar e fez até fila para conseguir autografo do grupo que, hoje, está morando em São Paulo.
O Rec-Beat trouxe conceito e frescor ao Carnaval de Pernambuco, que em seus outros polos apostavam de extremos como o samba carioca de Diogo Nogueira e ao emocore do NxZero. O encerramento, com uma big band reunindo integrantes das bandas Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda, tocou até perto do sol nascer. Tudo em clima bem familiar, sem violência, mostrando que boa música foi suficiente para criar o ambiente de um festival de graça, no meio da maior festa do país.
O festival Recbeat divulgou a programação que vai compor um dos palcos mais legais do Carnaval do Recife. Durante a coletiva, o produtor Gutie não colocou nesses termos, mas parece que esse ano eles seguiram a risca a lista de melhores discos que foi divulgada em revistas, blogs e etc. Vai ter Cidadão Instigado e Lucas Santanna e por pouco não teve também Otto. Outra característica legal dessa edição é a descentralização. Tem muito mais bandas de lugares distintos, fora as internacionais. Incluindo a Caldo de Piaba (foto), que é uma das apostas do Pop up para 2010.
Uma parte das atrações também se apresenta no Sesc Pompéia, em uma edição paralela que será chamada “Pompéia-Beat”. Apesar de ser contra do que chamou de “coisa fast food”, sobre ter edições em outras cidades, Gutie disse que até metade do ano deve anunciar um “drops” do Recbeat na Europa, com parte dessa programação. Sem mais enrolação, confere ai a programação do festival!