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E o novo do Franz Ferdinand?

Alex Kapranos já andou espalhando por ai que o próximo disco vai se chamar Tonight. Enquanto não sai a cobetura do Boombahia – segura ai, que ainda to no jetleg da volta – dá para ter uma boa idéia do que esperar, porque eles já estão tocando as músicas nos shows.

Turn it on

Bite Hard

Katherine, Kiss Me

Lucid Dreams

No Ar Coquetel Molotov 2006: Cobertura

Crescer é sempre um processo longo e complicado. Ao fim de sua terceira edição, neste último sábado, o festival No Ar Coquetel Molotov já pode comemorar a vitória de algumas etapas deste processo. Nos dois dias que aconteceu no teatro da Universidade Federal de Pernambuco, segundo a organização, foi reunida uma média de 1100 pessoas no primeiro dia e 1300 no segundo. Quase o dobro dos números do ano passado. Reconhecimento de público e também dos cambistas, novidade que figurava este ano a área da frente dos shows.

Na medida em que cresce, o festival começa a desenhar também características próprias que já são reconhecidas pelo público. Como, por exemplo, o fato da sala “Cine UFPE” mostrar sempre shows melhores que as bandas de abertura no teatro. Com a exceção do ambiente claustrofóbico – quente, apertado e escuro – do espaço, as experiências que passavam por lá eram sempre impressionantes.

“Tenho certeza que o show do Toni da Gatorra mudou a vida de todo mundo que assistiu, para o bem ou para o mal”, comentaria mais tarde um dos jornalistas que passava pelo festival. Além deste, a Debate era, sem dúvidas, uma das bandas paulistas de rock independente mais legais que já tocou aqui. Rock numa linha “Rage Against The Machine canta Sonic Youth”, uma voz aguda, berrada e visceral cortando os ruídos das guitarras.

Chambaril parece não chamar mais tanta atenção do público de Pernambuco. Mesmo com um formato bem superior, tocando as músicas eletrônicas em instrumentos orgânicos, a banda espantou um pouco das pessoas durante o show. Diferente do Diversitrônica. Devagar e sem pressa, o trio William, Leo e Zé Guilherme caminham para ser uma das bandas mais legais que já surgiu no Recife. Eletrônico divertido, cheio de graça e que só ganhou com as projeções em vídeo.

Enquanto no teatro, o começo era sempre desanimador. Ahlev de Bossa com uma desconfortável falta de preocupação visual, fez um show chato de se ver. Sem performance, sem uma preocupação com palco, eles tocavam de maneira introspectiva músicas lentas, arrastadas e demoradas. Quase um choque com o rock de guitarras do Badminton, primeiro sinal de vida que surgiu naquele palco.

Outra tradição que o Coquetel Molotov já pode comemorar é o de fazer daquele público que acreditou no evento uma parcela privilegiada. O show do Spleen e Cocoroise poderia até ser desses que já chegam formatados em esquema de franquia, mas ainda reservava uma espontaneidade muito forte. Spleen pulava de um canto para o outro, usando uma saia colorida, enquanto as irmãs Cassidy tocaram num palco totalmente escuro, envolto por sombras.

No sábado, o formato se repetia. As Barbis de Olinda entram no time do desnecessário, não apenas pelos comentários sem graça que fazem entre as músicas, quanto pela escalação de três vocalistas que simplesmente não conseguem cantar. As músicas têm até um bom potencial, assim como a performance delas no palco, mas tudo se perde num jogo de afeto próprio e confuso.

Para compensar, Valv (MG) e Móveis Coloniais de Acaju (DF) foram, com o perdão do adjetivo resumido, fantásticos. A primeira nem tanto, considerando que um teatro não é o ideal para o rock cantado em inglês deles, com músicas que lembram uma versão hetero do Placebo. Já a segunda, com um vocalista que recria um novo Wilson Simonal mais pop e jovem, se daria bem tocando até no Pólo Norte, para um público de pingüins.

É uma espécie de formato orquestra, com vários metais e em especial um cara que é realmente louco no palco com um trombone de vara. Cantaram ainda uma versão divertida de “Take me Out”, do Franz Ferdinand, e outra do Portishead. Foi tanta animação que ofuscou um pouco os franceses do Rubin Steiner. Outro rock bem legal de guitarras, que também brinca com instrumentos de metais e um cello.

O No Ar encerrou depois das quatro da manhã, outra boa novidade deste ano, já que nos passados o fim chegava sempre no começo da madrugada. Para todos que se aventuraram em entrar nessa linha experimental, o Tortoise deu aula. Duas baterias e uma formação que é até visualmente simétrica, com mais outros três teclados. Também mandaram a melhor projeção de vídeo dos dois dias.

Madrugão

Notícias de Silvério

Por email:
“A tour foi maravilhosa, o CD novo já está lançado na Europa, e fico pensando em como estamos estáveis por lá! Ainda dei uma esticada no RJ e também foi ótimo a recepcão dos cariocas ve as fotos da Tour http://bateomanca.fotos.uol.com.br/silverio. Divertido”

O DVD do disco “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” vai ser lançado antes do que você imagina. Nele vai ter esse clipe aqui, da música “Nas Terras da Gente”:

http://www.youtube.com/watch?v=Us29BzIPAKI

Take me out

Queria uma boa desculpa para dar outra fugida da sua cidade? Franz Ferdinand confirmado no Motomix, 13 a 16 de setembro em São Paulo. Até então, o evento só tinha tido DJs meia-boca e projetos curiosos, tipo o de Bid (o cara que produziu a Nação Zumbi). Não é sucifiente? Ladytron e Bloc Party em Curitiba.

Coquetel

Depois de dar em primeira mão aqui duas atrações do festival No Ar: Coquetel Molotov (Cansei de Ser Sexy e Jupiter Maçã), as meninas acabaram me falando em outros, até maiores. Pelo tom de deboche, melhor nem espalhar. Mas se você é curioso, pesquise por Nirvana, não pense grande (não é o Foo Fighters), e tente adivinhar.

Hellcife

Sábado passado teve um assassinato em uma das poucas ruas movimentadas da cidade. Aquela onde ficava o comércio de “Loló e a Massa” e a encruzilhada entre o reggae e o rap no Recife Antigo. Se prepare então para mais noites vazias.

Nas lojas

Se a solução, então, é ficar em casa, as bandas daqui aceleram os lançamentos. Sábado passado foram os Dead Superstars, este fim de semana é o Zé Cafofinho. Na próxima, ou até o fim do mês, é o Mellotrons. Julho também aguarda o lançamento de “Transfiguração”, do Cordel do Fogo Encantado. Agora que o Diversitrônica descobriu que tem fãs, podia começar a pensar na idéia.

MP3

Madrugada é também para catar coisa nova. Então escute ai 1990s , Repolho (Escuta a Feio deApé e Sem Dinheiro), a nova do Pullovers e a Orquestra Atari. Melhor foto, a desses últimos.

• • Feliz dia dos namorados…

Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not

A gravadora Trama lançou esta semana nas lojas o disco “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, do grupo inglês Arctic Monkeys. Diferença de quatro meses do lançamento internacional, pela Domino Records, e quase meio ano depois das músicas chegarem à Internet. Raras bandas têm oportunidade de ganhar três reflexões distintas do mesmo trabalho, todas com a mesma sensação de ainda estar falando de uma novidade. E em muitos aspectos, o Arctic Monkeys vai continuar sendo novidade durante muito tempo.

Para começar, a partir de agora, sempre que alguém falar para você sobre manipulação da mídia ou construção da realidade através dos jornais e revistas, pense imediatamente em Arctic Monkeys. Nenhuma banda foi tão mais falada que ouvida que esse quarteto de Sheffield, cidade que lançou entre poucos o The Long Blondes. A boa vontade em divulgar o single “I Bet You Look Good on The Dance Floor” como o que tinha de mais legal nos últimos dois anos de música rendeu, em um único dia – o primeiro dia – 118.501 vendas deste disco.

Numa situação dessas, que entra no registro do Livro dos Recordes, é sempre bom refletir o contexto com cuidado. A mídia especializada em música é, no geral, muito anti-MTV. Entre 1999 e 2000, todas estavam esperando algum barulho – literalmente – que pudesse soar rock e jovem, como o Oásis, mas com um pouco mais de atitude. Um pouco menos de clipes ou, pelo menos, sem a Sony (que virava na época a Sony/BMG) fazendo tanta pressão nas TVs e Rádio. Eles encontraram esse som do século XXI no disco “Is This It”, do Strokes.

Essa nova onda, a volta das guitarras mofadas, efeitos para que a voz soasse velha, rendeu uma vertente. Foi onde então essa mídia acima, revistas como a NME e sites como o Pitchfork Media (que disputam com o canal de clipes o direito de criar hypes) passaram a apostar. Meios que, de muita forma, são mais rápidos que a televisão. Um canal pode repetir o mesmo clipe um mês inteiro. Uma revista jamais poderá repetir uma matéria. Sim, lembre que estamos ignorando aqui a presença das rádios.

As gravadoras menores deram pano para manga. Em 2001 era lançado o Strokes, em 2002 saiam os Libertines (também o Interpol) e, em 2003, finalmente, o Franz Ferdinand. Uma banda por ano para ser trabalhada. Cada uma com suas características próprias. A mídia se acostumou nesse ritmo quase fast-food de ter, por ano, pelo menos uma banda mais legal da face da terra. Mas toda colheita tem sua entressafra. A deles aconteceu em 2005. Todos os discos seguintes das bandas não passavam de lançamentos mornos. O hype foi perdendo força.

É esse o contexto do Arctic Monkeys. Fome e pressa para um novo nome para promover. Se tivesse sido lançado em 2002, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, seria exatamente o que ele realmente é: um disco regular. Isso não aconteceu. E o que aconteceu também com o Arctic Monkeys é que, na verdade, eles nunca lançaram um disco. Muito antes das bolachas serem prensadas, eles eram sucessos com singles individuais. As mp3′s que eram distribuídas sem pudor por eles mesmo na Internet.

Ponto para a banda. Graças a isso, a música volta a ser pensada numa lógica que não funcionava mais desde 1997. Analisado no todo de suas 13 faixas e 40 minutos, o Arctic Monkeys pode ser apenas um resumo desse rock pós-2001, com um pouco de cada banda, em uma embalagem regular. Mas se visto single a single, recorte a recorte, situação a situação para cada música, eles seriam quase hitmakers. Prova do sucesso que foi o “I Bet You Look Good…”, segunda do disco, mas que hoje já é um pecado ser tocada em festas.

No faixa a faixa, o Arctic Monkeys ganha mais pontos. Esse cara que está cantando, Alex Turner, tem uma voz muito interessante. Ele estica os agudos com quem realmente se diverte e encurta nos graves como um inglês caricato de uma comédia adolescente. Já viu Trainspotting? É mais ou menos aquilo, com os agudos sendo as cenas dos picos e os graves os momentos de pretensa sobriedade no pub. É isso, com alguns dos nomes mais legais que podiam ser bolados para as canções.

“Eu aposto que você fica bem na pista de dança”, “Talvez você não visse por causa das luzes, mas você…”, “Luzes vermelhas indicam que as portas estão seguras”, “Talvez vampiros seja um pouco forte mas…” são as traduções mais legais. Depois da terceira audição, até o ouvido mais preguiçoso percebe que muitos riffs se repetem nas músicas. O que conta mais aqui é realmente a letra. E elas são puras conversa fiada sobre cotidiano adolescente. Tudo contado de uma maneira bem divertida.

Pecado a parte, “I Bet You Look Good on The Dance Floor” é realmente a preciosidade do disco. Divertida em excesso, dá para repetir sem dó e bolar uma experiência diferente para cada bebida que acompanhar, cada vez que ela é tocada. Ela é a segunda faixa. Antes dela, e a seguir, tudo continua num tom de “mais ou menos”. Algumas faixas, como “Fake Tales of San Francisco” e “Mardy Bum” (faixas 3 e 9) parecem saídas de uma trilha de comédia com Eddie Murphy e Jackie Chan. Respectivamente as cenas de graça e melancolia desengonçada.

É uma das curiosidades desse disco. As músicas com nomes longos e engraçados são, também, as mais divertidas. Mas todas com um grande potencial para passarem despercebidas. Se o disco tem um segundo hit, ele se chama “When the Sun Goes Down”. Música irregular, que fica no ora lento, ora rápido (logo, as chances de você esbarrar com ela numa festa é bem curta), mas que tem um dos riffs mais dançantes de todo o CD. Adiante a faixa até os 0:50 e deixe tocar até 1:15 e você vai saber do que estou falando. Mas ele também só aparece duas vezes.

Dizer que o disco de estréia do Arctic Monkeys é muito barulho por nada seria exagero. O que ele tem de ruim, na verdade, é a mídia sufocante feita pelas revistas que não querem perder aquele ritmo de um hype por ano. Por isso, e só por isso, os próprios Monkeys correm o risco de não durar muito, já que tiveram esse estranho lançamento, dividido entre fim de 2005 e começo de 2006. Em tempos de Internet, a vida-útil da banda está mais curta. Para quem nasceu na rede então, isso pode significar ainda mais tempo.

Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not
Gravadora: Trama
Preço médio: R$ 30
Para comprar: Submarino

Escute aqui:
I Bet You Look Good on The Dance Floor

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When The Sun Goes Down

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