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Strokes – First Impressions of Earth

O ritual já ficou datado e, muitas vezes, até brega. Quando a terceira música termina, a primeira já está sendo encaminhada para outras quatro pessoas desconhecidas. Com 30 minutos, um bando de viciados ansiosos já está com o novo disco do Strokes completo no computador. Quando “First Impressions of Earth” for lançado oficialmente em janeiro provavelmente já vai estar cansado de tanto tocar por ai, perdido nas festas.

Os Nova Iorquinos, que abriram as portas, em 2001, para aquele rock que soa velho, cheira a mofo, mas não deixa ninguém letárgico, estão de volta. Graças a eles, você certamente já conhece muito mais músicas do que significados para a palavra letárgico. Graças a eles também, o som ganhou mais fichas para continuar nessa partida por mais dois anos.

Quem escutou o primeiro hit, “Juicebox”, pode ter tido a impressão que a banda partia para uma re-invenção. Longe disso. “First Impression” cumpre seu papel, coloca o Strokes de volta na “top 5” das bandas indies que ditam a moda. Mas, no geral, é um disco sem surpresas. Tudo bem, dentro do esperado. A banda já não tinha vencido a síndrome do segundo. Perdeu também a luta contra o terceiro.

“Heart in a Cage” chama atenção, mostrando eles cedendo um pouco para a moda White Stripes. Baixo bem forte e riff dançante. O Strokes começou como uma banda de guitarras, mas agora a bateria vira o protagonista mais forte desse “exportação tipo festa”. Isso quer dizer que eles estão investindo menos no retrô e mais no rock cru.

A exceção é a baladinha “You Only Live Once”, que abre as 14 faixas do disco. Como primeira impressão, ela fica bem longe desta nova terra dos Strokes. Diferente também é “Hawaii”, que não entrou no disco, mas a banda mostrou durante o show que fez no Tim Festival. Assim como o novo disco, ela já está circulando na Internet.

Escute: You Only Live Once

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Publicado originalmente em 17.12.05

Franz Ferdinand – You Could Have it so Much Better

Não tem nada de novo para a música em “You could have it so much better”, novo disco do Franz Ferdinand. É a exata mesma sensação de ouvir o primeiro disco. Ainda bem. E não é porque ele está circulando pela Internet desde setembro, mas sim a textura velha que, sem motivo nenhum, pareceu ser a grande novidade de 2004. São 13 músicas, todas hits fáceis, que vão garantir mais um ano inteiro para o plano do vocalista Alex Kapranos de fazer as garotas dançarem nas festas. Ainda bem.

Talvez pela falta de impacto e surpresa, “You Could have it…” não chega a superar seu antecessor na primeira audição. Precisa de um pouco mais de tempo. O que era dor de cabeça das gravadoras, virou estratégia de jogo baixo. Franz Ferdinand circulou por tempo suficiente para fazer deste CD uma necessidade para quem gosta de rock’n’roll da fórmula mais simples. Não tem nada de novo e, de novo, vai ser esse o principal motivo das vendas.

Mas é claro que, para o Franz Ferdinand, o novo disco tem sim muita coisa diferente. Agora que a brincadeira deu certo, a banda decidiu tirar os efeitos em excesso das músicas, deixando tudo a cargo dos instrumentos num formato mais fácil de se imaginar em apresentações ao vivo. “Do You Want To”, a de trabalho, já cansou no repertório de festas, com a ótima introdução “quando eu me acordei hoje a noite / eu disse “vou fazer alguém me amar” / e agora eu sei que é você / você tem tanta sorte”.

Ainda assim, não faltam boas coisas para se encontrar nas faixas. Elas vêm na seqüência “You’re the reason i’m leaving”, “Eleanor put your boots on” e “Well that was easy”. Mostram a flexibilidade do Franz Ferdinand em trabalhar hits num tom bem próximo e de referência descarada aos Beatles. A terceira é para mostrar como isso ainda consegue ser feito com uma roupagem contemporânea sem soar clichê demais, caso dos conterrâneos de palco Strokes e Kings of Leon, que não sobreviveram tanto no segundo disco.

Lá fora, o Franz Ferdinand está sendo paquerado por todas as grandes gravadoras e uma segunda versão deste disco já começa a ser distribuído pela Sony. Aqui, para também ter novidade, “You Could Have it So Much Better” vem com disco duplo. O segundo é um DVD curtinho, mas merecido. São vídeos da banda no estúdio, entrevistas, clipes e galerias de fotos. A contrapartida do brinde, claro, é o preço final do CD. Um tanto salgado.

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Publicado originalmente em 26.10.05