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Macaco Bong + Gilberto Gil

Durante a abertura do Fórum da Cultura Digital Brasileira o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil apresentou um formato especial de apresentação chamado Futurível. Uma colaboração aberta entre ele e a banda Macaco Bong e convidados. Pelos vídeos do show, que rolou no Auditório Ibirapuera, teve muita pouca fusão de sons e, na verdade, os Macacos funcionaram mais como banda de apóio para arranjos já naturais ao som de Gil. Mas parece ser o começo de uma ótima parceria. Se falar que, visualmente falando, Gil parece ser o vocalista perfeito para o Macaco Bong.

O show vai se repetir no festival Goiânia Noise, que acontece nesse fim de semana.

Lanny Gordin – Duos

Fevereiro, Teatro de Santa Isabel, durante a Feira Música Brasil/Porto Musical e poucas noites antes do Carnaval no Recife. Começa uma tensão entre Lanny Gordin, o artista que está no palco, e o público presente. Uma disputa onde vence quem está mais concentrado naquele único momento. Disputa acirrada, até‚ que Lanny subitamente deixa a paleta da guitarra cair e simplesmente pára de tocar. São breves minutos onde fica claro quanto o passado já destruiu da mente de um dos melhores instrumentistas que o Brasil já acolheu. Detalhes que não serão percebidos no disco que ele lança agora, Duos.

Lanny Gordin nasceu na China, mas veio para o Brasil ainda criança. Foi um dos principais guitarristas e arranjadores da década de 60 e 70. Gravou com a Tropicália e Jovem Guarda. Para listar, ele aparece em Fa-Tal Gal, de Gal Costa; o homônimo de Jards Macalé de 1972 e Caetano Veloso, de 1969, fase mais psicodélica do cantor. “Quem quiser aprender a guitarra tem que ouvir Lanny Gordin“, diria mais tarde Jards Macalé, afirmando que o instrumentista, que chegou a ser apelidado de “Jimmi Hendrix brasileiro”, de “uma das mais profundas e ricas musicalidades do Brasil“.

Seus altos e baixos foram medidos do total ostracismo – quando afundou em dependência das drogas – ao status de personalidade cult da World Music. “Estou numa fase meio esquisita, coisas que ainda não entendo muito bem“, diz Lanny, no Santa Isabel após minutos infinitos de silêncio que seguiram a queda de sua paleta. “Mas vamos em frente“. Sua linha cronológica está parada nesse novo ponto alto, onde ele lança discos a cada pausa que faz numa extensa agenda de shows.

Duos não é a melhor porta de entrada para quem desconhece Lanny Gordin. Por causa de tanta história passada, a graça agora está justamente em ouvir sua guitarra reconstruir parte dos mitos da música brasileira que nasceram naquelas cordas. Mas as 16 faixas do disco são para os já iniciados, e favorecem convidados que fazem o dueto com o guitarrista. Max de Castro, Gal Costa, Caetano Veloso, Fernanda Takai, Adriano Calcanhoto, Junio Barreto, Rodrigo Amarante, Edgard Scandurra, o próprio Jards Macalê, entre outros seis, aparecem mais no que cantam que a cozinha instrumental do disco.

Alguns fazem isso muito bem. Curiosamente, são os mais novos como Vanessa da Mata e Junio Barreto, que conseguem transmitir um respeito mais honesto ao momento. As vozes de Caetano e Gilberto Gil lideram a lista dispensável no repertório. Agregam valor a um disco de duetos, mas se impõem mais alto que o guitarrista, que é o mais importante nesse CD. Corcovado fecha o disco totalmente instrumental, da maneira que ele deveria ser.

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Indústria da música move suas engrenagens

Nenhum stand da Feira Música Brasil, evento mais importante de música que encerrou domingo no Recife, trazia videntes ou futurólogos. Nenhum tinha búzios ou tarô. Mas todos tentaram, juntos, durante quatro dias, tentar prever qual seria o futuro da música, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Estamos vivendo o fim das gravadoras? O fim do CD como suporte físico? O evento não chegou perto da resposta, mas como plataforma de negócios, cumpriu sua função em saldo mais que positivo.A palavra-chave para todo o evento é “circulação”. Nas conferências, tem a primeira etapa com a circulação de informação. César Prado, da Unimar Music; junto a João Moreirão, da Associação Brasileira de Música Independente, trouxeram os números fundamentais do contexto atual da música. Carga tributária de 45% sob os impostos e uma produção independente que equivale a 80% do total nacional e que… bem, que não circula. Foi o contexto para argumentar uma possível migração do mercado de música para a imaterialidade da Internet. Vendendo faixas de música à R$ 0,30, a distribuidora Tratore está entre os cincos maiores comerciantes do produto no mundo.

As conferencias são provocativas. Dos cerca de 20 nomes que passaram pelos auditórios do Porto Digital e Teatro Apolo, quase todos deixaram claro que a música não pode depender de patrocínio público. “Hoje a maior gravadora do país é a Petrobrás, de tanto projetos que apóia”, disse, em tom de repreensão, o presidente da Tratore Maurício Bussab. A provocação continuou em recados que o Brasil precisa passar a tratar sua música no meio digital, algo que não faz em nenhuma estância. O país possui poucos sites de artistas, não possui nada similar ao MySpace (um tipo de Orkut para música) ou ao Pitchforkmedia (imprensa que dita moda através da Internet).

Num último momento, a circulação é social. A parte mais proveitosa da Feira Música Brasil, assim como foi com os anos anteriores do Porto Musical, é o “networking”. A troca de cartões e servições. Bandas atrás de shows, produtores de shows atrás de bandas. Selos em busca de distribuidores, que estão lá em busco de selos, e por ai vai. Uma desculpa produtiva para juntar todo mundo no mesmo lugar e colocar as rodas dessa indústria para girar.

Shows
Parecia uma ordem, a maneira como Gilberto Gil distribuía sorriso entre os conferencistas e expositores dizendo “mas tem que terminar em festa”. A Feira Música Brasil teve de cenário o centenário do Frevo e o ritmo tombado como patrimônio imaterial. Durante a noite, o Marco Zero, Praça do Arsenal e Teatro Santa Isabel recebeu shows calorosos, sem violência e público positivo. Algumas passagens são históricas, como a do guitarrista da Tropicália, Lenny Gordin, e do sambista Nelson Sargento.

Gilberto Gil abre Feira da Música Brasil

O Ministro da Cultura Gilberto Gil chegou essa quarta-feira (6) ao Recife para fazer a abertura oficial da Feira Música Brasil, maior evento de negócios de música no país. Acompanhado por uma comitiva formada pelo prefeito João Paulo, o secretário municipal de cultura João Roberto Peixe e pela assessora especial do MinC Paula Porta, ele fez discurto para a imprensa no auditório armado no Terminal Marítimo, ao lado do Marco Zero.

“A música brasileira é uma das maiores forças da música mundial e a maior força da economia da cultura no Brasil”, a afirmativa abriu o discurso do ministro. Sua fala foi pontuada principalmente com vários dados sobre o mercado de música e cultura no Brasil. Trouxe informações como a que o mercado independente já conquistou 40% da parcela total do mercado de música no país.

“As formas de produzir, divulgar, distribuir e consumir música estão em processo acelerado de mudança”, continuou o ministro. Com a frase de imapacto, “momentos de mudanças são momentos de oportunidades” ele anunciou a abertura da feira como um momento para facilitar contatos e promover negócios. A proposta da FMB – que é promovida em parceria com o BNDES, Governo do Estado e pela produtora local Astronave – é criar um contexto que permita mapear melhor a cadeia produtiva de música.

Na rodada de perguntas, entrou como questionamento mais grave a atual situação das rádios, consideradas quase totalmente de fora desta cadeia produtiva. Apesar de não ter resposta ainda consistente para a situação, Gilberto Gil continua apontando interesse do ministério em tentar reverter esta situação junto às empresas privadas.

A Feira Música Brasil acontece entre os dias 7 e 11, com espaço para stands de produtoras, gravadoras e artistas; além de plataformas de palestras sobre importação e exportação de música – uma parceria com o Porto Musical. Paralelo ao evento, o Marco Zero, Arsenal e Teatro de Santa Isabel também oferece uma programação de shows gratuitos.