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O empreendedor do ano na música

nobre

É esse cara ai. Fabrício Nobre, que eu já falei em uma ou duas palestras/debates ser o maior case de música independente no Brasil, foi o vencedor da América Latina do Young Music Entrepeneurs Awards. O prêmio, criado pelo British Council, selecionou nomes de todo o continente, que passaram por entrevistas e jurados. Nem precisa dizer, mas vale reforçar que mérito Nobre tem de sobra. Ele é um dos sócios da Monstro Discos, de Goiânia, o maior selo de rock independente do país; um dos produtores do Goiânia Noise, talvez o festival independente mais importante hoje no país; e presidente fundador da Associação Brasileira de Festivais Independentes.

E o prêmio não é pouca coisa. Ele agora vai passar uma semana na Inglaterra em seminários e trocas de idéias e experiências com produtores de todo o mundo. Se no final dessa etapa ele for escolhido como vencedor mundial (não tá difícil, hein), ainda embolsa 7,5 mil libras. Nada mal, hein?

Cobertura: Bananada 2008 – Terceira Noite

No último dia, o corpo já cansado não responde tão rápido às exigências do cérebro. O café da manhã foi acompanhado com o Fabrício Nobre, Lucho (do Ministério do Trabalho, sempre presente nos festivais), Damaso (do Se Rasgum, dividimos o quarto do hotel) e a Claudinha, da festa Criolina. A tentativa deles de entrar na Abrafin colocou em questão mais uma vez o formato dos festivais de música. Porque eles precisariam acontecer uma vez por ano? E por que não uma vez por semana? Se um evento regular tem como foco promover a nova música brasileira, então porque deixá-los de fora do debate? Questões para complicar quem gosta de pensar no assunto.

Meu plano era assistir ao novo Indiana Jones, mas uma rápida ida ao caixa eletrônico se transformou num longo passeio por Goiânia. Eu e Damaso nos perdemos, rodamos um bocado e chegamos no mesmo lugar que saímos, só que pelo outro lado. Que é onde estava o posto e o caixa. Para garantir que eu estaria vivo na viagem de volta, acabei abortando a idéia e indo dormir. Acabei perdendo a hora… cheguei no Bananada já no fim do primeiro show.

Falando em formato
Eu disse antes que o Bananada tinha o formato ideal para festivais independentes. Agora eu explico. No terceiro e último dia o festival recebeu o menor número de público. Natural de um domingo fim de feriadão. Mesmo assim, todos os teatros ficaram cheios durante as apresentações já que o espaço era mais econômico. Investir numa grande área de convivência que não tenha necessariamente a ver com os shows parece ser mesmo a melhor idéia. Com isso, o festival também virou um bom programa de domingo para quem não estava atrás de barulho.

A peneira também ficou mais rígida. Meus destaques são o Bad Folks (PR), Amp (PE) e A Grande Trepada (RJ). No campo do genial, talvez até passando o Curumim, está o Lendário Chucrobillyman (PR). E a constatação de como o MQN reina em casa. Show dos mais insanos, para superar uma apresentação mais fria que eles tinha feito no último Goiânia Noise. E, como eu já abri a cobertura aqui revelando, a algazarra roqueira da festa de encerramento com a Banda da Eline.


The Bad Folks – Foto de Cláudio Cologni

Não conheço Curitiba, mas as impressões que a cidade deixa sempre me pareceram bem curiosas pelo que escuto de quem volta de lá. E por um bom tempo eu sempre imaginei uma cidade cheia de bandas exatamente como o Bad Folks. Num nível muito mais de gosto pessoal, essa foi a banda que mais me cativou na programação inteira do Bananada. Não sei dizer se existe um folk elétrico, mas ao vivo é mais ou menos isso que esse trio faz. Com alguns ecos de Frank Black e Teenage Fanclub e uma postura mais punk no palco e country no sotaque. “Impossible”, o disco que eles lançaram em 2008, ainda não saiu do repeat aqui.

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Uma das coisas mais legais de todos esses três dias do festival veio do fato que eu precisei sair de Pernambuco até o Centro Oeste do Brasil apenas para constatar que a Amp é, certamente, a banda mais foda de rock a surgir nos últimos meses no país. E esse ainda foi o show de número nove deles. Stoner rock que já começa com um som completamente maduro para os menos de seis meses de vida deles como quarteto. Prefiro eles cantando em português, mas seja qual for o idioma escolhido, não espero um ano para que eles sejam headliners dos próximos festivais.


Amp – Foto de Cláudio Cologni

A Grande Trepada deveria ser a banda mais antiga de todo os festival. É formada em parte pelos caras do Canastra. E, assim como o Canastra, não poderia deixar de ser menos divertido de se assistir ao vivo. O contrabaixo estava lá, gigante no palco, com o rockabilly frenético, com uma forte pegada country graças ao impagável contraste entre agudo e grave nas vozes do Eduardo e Marcio Garcia.


The Big Trep – Foto de Cláudio Cologni

Enquanto isso, só o nome do Chucrobilly já era suficiente para que eu desacreditasse no show antes mesmo de ver qualquer coisa. Referencia direta ao português Legendary Tigerman, que também é um one-man-band, e um dos piores shows que já assisti até hoje em festival. Eu estava conversando com alguém quando Helder, do Sweet Fanny Adams me puxa pelo braço falando “você precisa ver isso, cadê sua câmera?”. O curitibano já estava no palco e, a medida em que me aproximava pelos camarins, vinha um flashback da noite anterior com gente se espremendo para conseguir assistir algo.


Até Jesus foi one man band – Foto de Cláudio Cologni

O Chucrobilly tem o impacto natural que toda banda-de-um-homem-só causa. Afinal, ele está lá sentado sozinho numa bateria, tocando outros três instrumentos, cantando através de um microfone cheio de gambiarras para modificar sua voz. As músicas rápidas, numa pegada country, começavam a delinear o clima de festa programado para o dia. O nível de demência insana já ultrapassando os limites permitidos pela estafa fazia o corpo dançar contra a vontade do próprio dono.


Isso na camisa do Nobre é cerveja – Foto de Cláudio Cologni

E parecia que esse nível já tinha atingido seu máximo na loucura que foi o show do MQN. No Noise, minha expectativa de ver a banda tocando em casa era grande e acabou não sendo tão correspondida. Compreensível, considerando o tamanho da bronca que os integrantes estavam lidando para coordenar os três dias de um festival pelo menos quatro vezes maior. Nobre ensopado de cerveja, o público já louco se jogando literalmente no palco, numa algazarra que eu não via há muito tempo num show de rock.

Foi uma pena enorme minha bateria ter descarregado essa hora. Porque o Bananada não poupa o público de surpresas por um segundo sequer. A versão trash-rock do que eu passei anos assistindo no Quanta Ladeira durante o Carnaval do Recife ganhou vida sob o nome de “Banda da Eline”. Pretexto puro. Era todo mundo – mesmo – no palco, descarregando toda a energia que sobrou do festival numa insanidade sem tamanho. E o mais incrível: as músicas estavam sendo tocadas todas direitinhas, mesmo quando tinham três ou quatro guitarras a mais e um grupo de vocalista se esbarrando um por pedaço de microfone.


Todo mundo é da Banda da Eline – Foto de Cláudio Cologni

Quando tudo terminou, pelo menos para mim, já pelas três da manhã, restavam apenas um pouco menos de duas horas de sono. Tempo que eu precisava poupar para chegar ainda de madrugada na rodoviária, pegar um ônibus para Brasília e de lá um vôo para o Recife. Cheguei direto para o trabalho, que nessa segunda seguiu até às 23h. To até me devendo sono, mas não arrependimento. Até o próximo festival.

No fim de semana subo todos os vídeos para cá. E depois disso tem uma surpresa. Preciosidade que eu consegui lá em terras do centro-oeste.

Cobertura: Bananada 2008 – Segunda Noite

Talvez o impacto do primeiro dia tivesse ido embora após uma tarde de sono, mas o clima do Bananada e os shows da noite anterior foram tópico tão recorrente que foi inevitável. Acordei às 10h para pegar o finzinho do café da manhã e encontrei os meninos da Sweet Fanny Adams no hall do hotel fazendo check in. Vieram direto de Brasília, nonstop, onde tocaram na noite anterior. Parecido com a Amp, que saíram logo após um show no Recife para se apresentar na abertura do evento, junto ao Macaco Bong e Lucy and the Popsonics na noite anterior. Parece um papo velho, mas vejo poucas bandas com essa disposição de madrugar na estrada, no melhor estilo Quase Famosos, só para estar nesse circuito.

Falando em velho papo, um dos stands da feirinha do Bananada guardava uma solução inteligente para aquela conversa que a gente não cansa de novos formatos de consumo. A Phonobase Music Services apresentava o novo disco do Cérebro Eletrônico em digipack, mas também em um “box cerebral” e “download card”. Um cartão que você vende por R$ 5 (ou, quem sabe, de repente dá para as pessoas) e ela faz o download de 12 músicas com bitrate de 256kbps. Vale a pena. Eles vendem o serviço para outras banda também.

De volta ao teatro

O sábado foi o dia mais lotado de todo o festival. Já bem cedo o público superava a noite anterior, muito certamente na expectativa de ver o show da Mallu Magalhães (SP). Justiça seja feita, ela entra na lista de melhores surpresa da noite ao lado da Gloom (GO), Chimpanzé Club Trio (SP), Do Amor (RJ), além da consagração total de três nomes locais como bandas realmente fodas. O Violins, Black Drawing Chalks e o Diego de Moares e Sindicato.


Gloom (GO) – Foto de Cláudio Cologni

A primeira é o tipo de banda que você nunca imagina que vai encontrar em Goiânia Rock City. Se até Johnny Suxx, o que a cidade conseguiu produzir de mais afetado, é uma grande porrada rocker, é difícil pensar que surgiria lá uma orquestra de metais no melhor estilo “Lulina encontra Móveis Coloniais na casa do Los Hermanos”. A Gloom, num resumo preguiçoso, é algo desse tipo. Uma big band com uma vocalista baixinha e tímida acompanhada por uma marmanjada que faz tipo e dança no palco. É normal numa banda mais nova ainda soar com tantas coisas, mas romper com esse estereotipo da cidade já foi suficiente para marcar pontos com eles.

Bem tranqüilos e presentes em todos os dias do festival, eles garantem que não existe pressão na cidade para soar mais rocker. Niela, que além de vocalista também toca escaleta, até se espantou com a pergunta. Só um aviso: a única música deles no MySpace é completamente diferente do que foi visto no show. E até que invalidaria mesmo o questionamento.


Chimpanzé Club Trio, instrumental de SP – Foto de Cláudio Cologni

Eu acabei trocando muitas idéias com a turma do Chimpanzé Club Trio durante os três dias do festival. Mas garanto que a afinidade nos papos não influenciou nem um centímetro do quanto meu queixo caiu durante a apresentação deles. Inevitável lembrar do Pata do Elefante vendo um trio instrumental que ainda se reveza nos instrumentos. Mas eu remeto as conversas para explicar: é fantástico como tem surgido uma cena instrumental pop que está num patamar de qualidade muito superior a todas as outras bandas independentes. Inclui nessa lista, além das duas citadas, o Macaco Bong e O Garfo (CE) que você entende a equação.


Sweet Fanny Adams – Foto de Cláudio Cologni

Apesar de infelizes por não terem tido condições de armar a tela de fundo do palco como queriam, a Sweet Fanny Adams também fez um dos melhores shows da noite. E já pisou em Goiânia com alguns fãs. Foi impressionante ver uma banda tão nova – e com um EP ainda mais recente – com tanta gente na frente do palco pedindo música e cantando tudo. Coisa da Internet que nem eu, empolgado com a história, ainda consigo entender bem. A banda avança em maturidade em passos acelerados, fazendo jus a nova fama roqueira de Pernambuco.

Quem me conhece sabe que eu sou um tanto chato com um monte de coisa. Nunca escrevi aqui, por exemplo, meia linha sobre a Mallu Magalhães por conta disso. Queria esperar para ver mesmo que isso demorasse. Não queria comprar a idéia só pelo oba inteiro que andavam fazendo. Estava conversando exatamente sobre isso numa área restrita do Bananada quando alguém falou “não pode mais entrar no teatro, tá lotado!”. Todo mundo se levanta, corre, tenta se esguichar pelo povo e garantir um espaço. A vista era impressionante mesmo. Quase umas 900 pessoas ali dentro. Por trás do palco, ela conversava com o pessoal do Identidade como se nem se desse conta do que estava rolando.


Mallu Magalhães – Foto de Cláudio Cologni

O show da Mallu foi bem simples. Ela estava sozinho no palco, de jaqueta jeans, camiseta branca, calça vermelha e tênis All Star. Alternava entre dois violões numa apresentação curta, lidando numa ótima a algazarra do público que não parava de berrar. Quando jogaram um chicleta, ela somente olhou, tirou e seguiu. Quando pediram Vanguart, foi direta “gente, eu não sei tocar Vanguart. Mas eu trouxe umas músicas minhas para mostrar a vocês”. Ela sabia que estavam ali mais pela imagem que pela sua música, mas acreditava que podia reverter isso.

Conseguiu fácil. Voz doce de menina, com as osciladas desafinadas que o folk permite em suas canções, ela começou tímida e terminou num pique de fazer todos dançarem. Num canto do palco, o pai orguloso, no outro, apenas o assistente de produção garantindo que tudo saia sob controle. Ela cantou Johnny Cash, agradeceu e saiu sob aplausos. Sorrindo para todo mundo que encontrava na saída. A sensação que passa, de tanta tranqüilidade, é que se tudo aquilo ali desse errado também estariam numa boa. A falta de pretensão e ambição é tão grande que chega a comover.

Segundo o pai, Dude Magalhães, eles vão esperar o período de férias para gravarem um disco totalmente independente em São Paulo. Ele recusou proposta de literalmente todas as principais gravadoras pelo simples motivos que todas traziam mais exigências que traziam vantagens. E, cá entre nós, ela não precisa mais desse tipo de estrutura, certo? O que poderia conseguir com a ajuda de uma empresa ela já conquistou.


Do Amor – Foto de Cláudio Cologni

De volta ao mundo real, a maratona do Bananada estava longe de terminar. Da minha lista de destaques, sobrou a carioca Do Amor. Talvez mais até que o Curumin, que fez o melhor show, esses caras ainda vão dar muito que falar até o fim do ano. Ficaram com certeza no top 3 do festival com um show empolgante e cheio de malícia.

Não gostei mesmo foi da Abesta (SC), mas confesso que por uma questão muito pessoal. É noise puro, com um teremim em forma de cabeça de boneco como principal instrumento. Barulheira altíssima, sem começo, meio e fim. Mas até nesse ponto, tenho que tirar o chapéu para o Bananada, porque ficou gente colada no palco até terminar. E parece que curtiram.

Amanhã tem a parte final da cobertura. Mas até o fim da semana tem o restante dos vídeos.

Cobertura: Bananada 2008 – Primeira Noite

Só agora consegui colocar meu cotidiano nos trilhos. Cheguei segunda-feira de Goiânia, onde presenciei a maior festa do rock que o Brasil certamente vai viver esse ano, após os três dias de edição histórica do Bananada. Contra indicação médica, totalmente sem voz, peguei vôo para Brasília na sexta-feira e segui de ônibus até a capital sede da Abrafin. Só descobri mais tarde que estavam rolando debates no Sebrae com meu ex-patrão Yussef e sobre a Virada Cultural.


público do bananada – Foto de Cláudio Cologni

O LUGAR
Essa foi a primeira vez que fui ao Martim Cererê. Engraçado pensar que o Goiânia Noise, assim como o Bananada, aconteceu durante tantos anos nesse lugar e agora o primeiro evento mudou de formato para o palco do Centro Oscar Nyemeyer. O que eu vi foi provavelmente o modelo perfeito para qualquer evento de música independente. Dois teatros – sem cadeiras – numa grande área de circulação. Um espaço mantido pelo estado de Goiás, onde acontecem shows de rock há 15 anos, mas também de outros gêneros, além de apresentação de teatro e etc.

Os dois teatros se chamam Pyguá e Yguá, a referência indígena deu espaço a lembrança que o local foi supostamente usado para tortura na época da ditadura militar antes de ser transformado num centro de distribuição de água. Hoje tem espaço para 600 pessoas cada. A área externa provavelmente serve também de arena, mas no Bananada estava ocupado por uma verdadeira feira gastronômica. Entre as banquinhas de discos, camisas, vinil, bottons (muitos bottons), tinha também yakisoba, churrasco (com um grill profissional gigante) e o hambúrguer empanado que eu tinha saudade desde o Noise.

No sábado, noite mais movimentada, quase 1500 pessoas circularam pelo lugar. Na apresentação da Mallu Magalhães, a lotação ultrapassou em quase 200 pessoas. O que, segundo Fabrício Nobre – organizador da parada junto a Monstro, além de vocalista do MQN e presidente da Abrafin – era fichinha. “Quando o Ratos de Porão tocou aqui na sua melhor fase era esse mesmo número de pessoas, só que numa grande roda. E ta vendo aquelas grades ali com cara de nova?” disse apontado para a entrada. “Foi presente do Los Hermanos. Quebrou tudo de tanta gente tivemos no dia”.

O clima do festival, por si só, já faz valer a pechincha dos R$ 15 do ingresso. Muita gente circulando e trocando idéias, sem falar de estarmos na cidade com as mulheres mais bonitas do Brasil. Entre os papos, o tópico número um e inevitável era a recente coluna do Thiago Ney. E entre as micro-celebridades que estiveram de passagem nos shows teve até o Esdras do Móveis Coloniais de Acajú.


Banda da Eline, ou algo do tipo – Foto de Noênia Elisa

OS SHOWS
Fabrício Nobre do MQN ensopado de cerveja, Marcio do Mechanics com a boca sangrando, Eline do Hang the Superstars mais uma vez ao microfone, tudo isso com cerca de outras 20 pessoas no mesmo palco, numa barulheira estranhamente cheia de melodia, no que deveria ser a versão mais fiel do Quanta Ladeira (bloco anárquico do Carnaval do Recife comandado por Lenine e com encontro de grandes nomes da MPB) do rock. Já passavam das 3h da manhã depois de uma jornada de 42 bandas durante três dias, quando a cena quebrou qualquer expectativa de que nada mais poderia impressionar.

A idéia da Monstro foi de montar uma programação com 21 bandas inéditas na cidade tocando com mais outras 21 bandas locais. Soma que aumentou o fator de ineditismo para mim e que serviu de incentivo para partir por conta própria ao festival garimpar novidades. O saldo não é positivo por acaso. A produtora arriscou muito pouco, porque mesmo as mais verdes conseguiram fazer boas apresentações. Mas vamos aos detalhes.


The Melt, de Cuiabá – Foto de Cláudio Cologni

The Melt (MT), Godlfish Memories (GO), Identidade (RS), Sapo Banjo (SP) e Are You God (SP) foram as melhores surpresas do primeiro dia. A primeira banda, de Cuiabá, toca um quase-stoner rock, mas o quase sai em questão de um pouco mais de estrada. É uma gurizada mais nova, que mesmo sem lançar um single – “a gente só tem camisa e adesivo”, disseram na van – já conseguiu apoio da prefeitura local para viajar até o festival. Reflexo da cultura política local já infestada pelo Espaço Cubo. Natural de uma banda mais nova, eles ainda se desencontram em algumas músicas e mostram que as melhores são as cantadas em português.


Goldfish Memories – Foto de Cláudio Cologni

A Goldfish foi a melhor das novas bandas locais que assisti nos três dias. Som mais redondo, que em algumas horas quase flerta com o grunge. Referência que eles quebram com um megafone fazendo efeito na voz e uma pegada mais stoner. O som é ainda mais talhadinho quando escutei as gravações em estúdio. Fui atrás de Rise Above the Flame, que não me saia da cabeça.

Goldfish Memories – Rise Above the Flame

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Identidade, do Rio Grande do Sul – Foto de Cláudio Cologni

Identidade é formado por parte da banda que segue Júpiter Maçã e, na boa, estão bem melhores sem ele. A pegada é bem mais rápida ao vivo – “porque o disco tem que ser mais pop”, como bem define o guitarrista Lucas Hanke – e, sem os excessos da grife do rock gaúcho, fazem um show que empolga pra caralho. No meio de tanto som pesado é certo dizer que o ska da Sapo Banjo chamou atenção justamente por quebrar um pouco do ritmo da noite. Mas justiça seja feita, os caras sabem muito bem o que estão fazendo. Fizeram show animadissimo no último e voltaram várias vezes nos outros dias com marchinhas e versões ska para clássicos entre o público do festival. Depois posto vídeo disso.

Identidade – Lucy Jones

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Sapo Banjo, ska de Sampa, – Foto de Cláudio Cologni

Já o Are You God é grindecore modernoso de sampa, rápido, violento e intrigante quando o vocalista João dá umas quebradinhas do pescoço e ensaia umas quedas do palco. É o tipo de música que você nunca vai contar para sua avó que escuta.

Mas nada nesse dia superou o paulista Curumin. Frontman na bateria, com uma nova formação que lançou disco pela YB semana passada. Acompanhado só por baixo, programação e um iPod Touch ele fez o melhor show de todo o festival. O teatro, que sempre ecoa música para avisar ao público, lotou antes de terminar a primeira música. O mais espantoso foi ver as músicas cheias de malícia e swing agradarem um público que estava ali para conferir uma programação de bandas mais pesadas.


Curimin, o show mais foda – Foto de Cláudio Cologni

O que eu mais curto é essa galera que vem para curtir um pouco de cada coisa diferente. A vibe é muito legal”, contou ele depois, já empolgado para seguir no calendário dos festivais. “É o que eu mais quero fazer. To conhecendo esse circuito agora, o Fabrício tem ajudado um bocado”, completou. Curumim fez um show no Recbeat também, que não chegou a 15% do que ele fez em Goiânia. Foi foda mesmo.

Curumin – Kyoto

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Só não curti mesmo o Jonas Sá do Rio de Janeiro. Não rolou sintonia no show, que também exige uma maturidade que boa parte do público não concordou em dar nas primeiras músicas. E, veja bem, não conseguir o que quer do público de Goiânia é desconfortável, por que eles são sim o melhor do Brasil. Do meio para o fim rolou legal, mas não ainda assim não me convenceu.

Assim que receber as fotos posto elas no texto. Amanhã tem o do segundo dia. Já aviso logo que filmei quase todo o show da Mallu Magalhães. No post abaixo tem um vídeo com resuminho dos shows da primeira noite.

Bananada 2008

Uma das discussões mais polêmicas desde a fundação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes é a de que existem certos nomes que passaram a se repetir sempre entre os eventos nacionais. De gritos de panelinha a exclusão, já existem propostas para até associações dos não associados, além de teorias da conspiração sobre a formação da nova música brasileira.

Na boa, isso é aquele velho papo do músico que espera que todos trabalhem por ele. O nome se repete porque no passar da régua não existem tantas boas bandas independentes para a quantidade de espaço que os festivais oferecem. Já cantei a bola uma vez para o Abril Pro Rock diminuir a programação, valorizar o passe de quem toca e promover uma noite menos cansativa. É mais ou menos como faz o Coquetel Molotov: com quatro bandas por noite, o risco de se repetir é bem menor.

E eis que a grande corporação do rock, a Monstro Discos divulga ontem a programação final do Bananada para cair de vez a teoria. Grade formada quase que inteiramente por bandas inéditas em festivais. Com exceção das locais, que neste sempre pagam de headliners, tem um monte dessas promessas que você fala mais do que escuta. Da Mallu Magalhães à Are You God? passando por Curumim e o Bad Folks. Tem ainda Sweet Fanny Adams e Amp, das novas bandas do Recife que já pintaram aqui no blog. Das palavras de Fabrício Nobre “Bananada é pesquisa!”.

SEXTA FEIRA 23.05
01:30h Mandatory Suicide (GO)
01:00h Johnny Suxxx & The Fuckin’ Boys (GO)
00:30h Mechanics (GO)
00:00h Are You God ? (SP)
23:30h Sapo Banjo (SP)
23:00h Identidade (RS)
22:30h Curumim (SP)
22:00h Inbleeding (GO)
21:30h Jonas Sá (RJ)
21:00h Fim do Silêncio (SP)
20:30h Goldfish Memories (GO)
20:00h The Melt (MT)
19:40h Mugo (GO)
19:20h Bad Lucky Charmers (GO)

SÁBADO 24.05
01:30h Violins (GO)
01:00h Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
00:30h Motherfish (GO)
00:00h Do Amor (RJ)
23:30h Mallu Magalhães (SP)
23:00h Cérebro Eletrônico (SP)
22:30h Sweet Fanny Adams (PE)
22:00h Shakemakers (GO)
21:30h Chimpanzé Club Trio (SP)
21:00h Bang Bang Babies (GO)
20:30h Abesta (SC)
20:00h Filhos de Empregada (PA)
19:40h Abluesados (GO)
19:20h Gloom (GO)

DOMINGO 25.05
00:30h A banda da Eline (GO)
00:00h Necropsy Room (GO)
23:30h MQN (GO)
23:00h M. Takara 3 (SP)
22:30h O lendario chucrobillyman (PR)
22:00h A grande trepada (RJ)
21:30h Amp (PE)
21:00h Black Drawing Chalks (GO)
20:30h Bad Folks (PR)
20:00h Orquestra Abstrata/Seven (GO)
19:30h Big Nitrons (Santos – SP)
19:00h Fire Friend (DF / SP)
18:40h The Backbiters (GO)
18:20h Sweet Racers (GO)