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Melhor do ano… igual pedreiro!

macaco

A revista Rolling Stone desse mês publicou sua lista de melhores do ano, de acordo com 50 pessoas – entre colaboradores, artistas e jornalistas – consultadas. E, pela primeira vez em muito tempo, um grande veículo de circulação massiva escolheu um disco de artista independente para o primeiro lugar. Ano passado eles disseram que era o Paulinho da Viola… e agora, o Macaco Bong!

A euforia do lado dos festivais é grande. E nem é apenas pelo primeiro lugar. Tirando Lenine e Ney Matogrosso, todo mundo que está lá é da nova safra e de fora de qualquer esquema de gravadora. Olha a lista:

1 – “Artista Igual Pedreiro”, Macaco Bong
2 – “Mallu Magalhães”, Mallu Magalhães
3 – “Na Confraria das Sedutoras”, 3 na Massa
4 – “Donkey”, CSS
5 – “Labiata”, Lenine
6 – “Punx”, Guizado
7 – “Japan Pop Show”, Curumin
8 – “Pareço Moderno”, Cérebro Eletrônico
9 – “Inclassificá veis”, Ney Matogrosso

A foto no post é de Renato Reis.

Melhores de 2008

sadchildren

Eu gostei tanto da maneira como essa tirinha acima traduz meu sentimento aos discos deste ano, que tinha pensado em publicar apenas ela como explicação para não fazer uma lista. Fiz questão até de traduzir para o português. Mas pensei aqui com calma que seria rabugento demais. Não tenho o otimismo do Matias para achar que tiveram 50 discos que merecem destaque no ano e percebi que, até agora, quase todas as listas praticamente não têm nomes nacionais.

Resolvi fazer um Top 10 de discos de bandas independentes lançados este ano. Para minha supresa, fazendo as contas aqui, revirando CDs, relendo matérias e relembrando shows, acabei me deparando muito mais com discos de Pernambuco que de outros estados. Ficaram de fora, mas merecem menções, o Million Dollar Surf Band, do Dead Rocks; e o Um Olho no Fósforo, outro na Fagulha, do Pata de Elefante.

10- Curumin – Japan Pop Show
9- Wado - Terceiro Mundo Festivo
8- 3naMassa - Na Confraria das Sedutoras
7- Orquestra Contemporânea de Olinda – Orquestra Contemporânea de Olinda
6- Rivotrill – Curva do Vento
5- São Paulo Underground – The Principle of Intrusive Relationships
4- Cérebro Eletrônico – Pareço Moderno
3- Guizado – Punx
2- Amp – Pharmaco Dinamica
1 – Volver - Acima da Chuva

Goiânia Noise 2008: Programação

De volta a nossa programação normal… Quase deixo passar em branco aqui a programação do Goiânia Noise deste ano. Que não vai ter mais Circle Jerks como anunciaram e publiquei aqui, mas ainda terá o Helmet, Vaselines, Black Mountain, Black Lips e, nas nacionais, Amp, Cabruêra, Marcelo Camelo, Guizado e mais uma porrada de banda boa. A Monstro tem esse poder mágico de conseguir sempre se superar na qualidade do que fazem a cada ano, sempre surpreendendo. Mas este ano, ao que tudo indica, eu não vou poder conferir o Noise de perto. Paciência… Olha só o que eu vou perder:

SEXTA 21/11

01:20 Marcelo Camelo (RJ)
00:40 Black Lips (EUA)
00:00 Vaselines (Escócia)
23:30 Lucy And The Popsonics (DF)
23:00 Frank Jorge (RS)
22:30 Motherfish (GO)
22:00 Canastra (RJ)
21:30 Continental Combo (SP)
21:00 Calumet-Hecla (EUA)
20:30 The Backbiters (GO)
20:00 Mickey Junkies (SP)
19:30 Holger (SP)
19:00 Diego de Moraes e o Sindicato (GO)
18:40 Demosonic (GO)
18:10 Gloom (GO)

SÁBADO 22/11

01:20 Instituto (SP)
00:40 The Flaming Sideburns (Finlandia)
00:00 Black Mountain (Canada)
23:30 Black Mekon (Inglaterra)
23:00 Cabruêra (PB)
22:30 MQN (GO)
22:00 The Dead Rocks (SP)
21:30 Gangrena Gasosa (RJ)
21:00 Os Ambervisions (SC)
20:30 Black Drawing Chalks (GO)
20:00 Guizado (SP)
19:30 Amp (PE)
19:00 Mugo (GO)
18:40 Mersault e Maquina de Escrever (GO)
18:10 Cicuta (GO)

DOMINGO 23/11

00:20 Helmet (EUA)
23:20 Inocentes (SP)
22:40 Periferia SA (SP)
22:00 Claustrofobia (SP)
21:30 The Tormentos (ARG)
21:00 Loop B (SP)
20:30 Mechanics (GO)
20:00 The Ganjas (Chile)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Motek (Bélgica)
18:30 Hillbilly Rawhide (PR)
18:00 Heaven’s Guardian (GO)
17:40 Goldfish Memories (GO)
17:10 Figado Killer (GO)

Cobertura: Coquetel Molotov 2008. Primeiro dia, parte dois

- O texto abaixo foi a cobertura do primeiro dia que fiz para o Jornal, em versão competa, porque na final saiu super editado. Como o espaço já era curto originalmente, precisei fazer algumas escolhas, entre elas não falar do show da Julia Says.

- Mas te digo, achei a apresentaçao deles muito boa. Eu gosto como o Julia Says é contraditório na opinião pública. Metade ama, metade odeia, nunca se chega num meio termo. Fico cada vez mais no primeiro time. Mas ainda acho que falta algo ali para eles irem ainda mais longe. 

- No primeiro dia também foi distribuida a nova edição da revista Coquetel Molotov. Tem resenhas minhas de todos os dicos que peguei no Bananada. De Sapobanjo (Ska) a Bad Folks (folk, claro). A feirinha do festival estava incrível, por sinal. Comprei até duas camisas lá.

- Cheguei cedo nesse dia e peguei a passagem de som de Marcelo Camelo. Mallu Magalhães ficou sentada com cara de fã, em cima do palco, o tempo todo. Depois levantou e ficou brincando com os refletores :P

- Só fiz fotos no segundo dia. Preciso de uma câmera de verdade. Mas segura as pontas ai, porque vai ter um vídeo igual o que rolou ano passado =)

Quando o assunto são os festivais de música independente, a sensação é de que o Recife ainda não conseguiu assimilar bem a idéia de um evento pensado para conectar as pessoas e não as atrações. Mas no começo do show da banda Burro Morto, da Paraíba, pareceu que o No Ar Coquetel Molotov, que encerrou neste sábado no Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, conseguiu em sua quinta edição ultrapassar esse limite. Muito mais do que a pura experiência musical – o “vou para ver tal banda” – o espaço ficou lotado cedo por pessoas que apenas queriam estar ali e fazer parte daquele momento.

Esse descompromisso é chave fundamental para uma recepção extremamente positiva de quem passa por lá para tocar alguma música. Tudo é muito novo, não apenas em tempo de formação, mas em casos de bandas como a Guizado, de São Paulo, com a melhor apresentação da noite, que se apóiam em instrumentos jamais utilizados pelo universo pop. E, por isso, tudo também sempre soa muito bom. O perfil tradicional do público que vai para questionar dá espaço para uma geração nova com o interesse sincero em apenas aproveitar uma boa noite de shows.

A cumplicidade criada permitiu boas estréias para a banda de Joseph Tourton, instrumental de marcação pop, com integrantes que sequer atingiram a maior idade. E deu aos cearenses do Cidadão Instigado – escalados de última hora para substituir o Vanguart – um merecido excelente show na cidade, limpando o histórico que Fernando Catatau & Cia (que em horas vagas acompanha também a banda de Vanessa da Mata e Otto) teve de apresentações no Recife que, até então, eram sempre prejudicadas por questões técnicas e deslizes de produções. O próprio, nos bastidores, era apenas sorrisos. “Foi legal mesmo, né?”.

Parte da corrente do ineditismo, a sueca Shout Out Louds deve ter feito uma das melhores campanhas no palco. Pop simples, que muitas horas lembrava uma versão mais alegre do The Cure, caso tal comparação fosse possível. Fizeram o público do teatro se levantar e dançar e voltaram para a Europa com um considerável aumento de fãs. “Nunca tinha ouvido falar, achei incrível”, falava em tom de comemoração o estudante e músico Eric Barbosa, 23, que não se acanhou em confessar. “Não vi aqui atrás de show nenhum, foi mais para encontrar um pessoal e passear”. No bolso, ele levava dois CDs da banda e uma camisa.

Mas tanta gente assim, que esgotou os ingressos para o festival com quase uma semana de antecedência, se justificava também pela presença de Marcelo Camelo, que nessa noite livrou-se do estigma de “ex-Los Hermanos”. O músico agora existe efetivamente solo e o fez com uma estréia que já pode ser classificada como histórica. Começou em clima de João Gilberto, sentado com um violão, cantando baixo, até se deixar contaminar pela empolgação do público. Todas as músicas do disco “nós” que cantou já foram em coro.

Aquele não era o Camelo que descreveriam como o mais reservado da antiga banda. Ele chegou a cantar duas músicas do Los Hermanos. Em “Morena”, o teatro experimentou uma pequena catarse, sentimento que só aumentou quando a cantora Mallu Magalhães entrou no palco, sentou ao seu lado, pegou um violão e desabou em choro. A cena era honesta e multiplicou lágrimas em todo teatro. No fim, celebrou enérgico, igual um torcedor de futebol frente ao gol.

Coquetel Molotov 2008: Primeira noite

- Talvez o Coquetel Molotov seja o festival mais bem resolvido do Recife hoje. Eles sabem o que querem para o evento e é muito bom perceber como o público responde a isso. O clima do lugar esteve perfeito na quinta edição, ao ponto de que você poderia ir para lá e não assistir nenhum show e se divertir bastante.

- Perdi uma nota de R$ 100. Se você encontrou, não me diga.

- A quinta edição meio que fecha um ciclo. E nele, a tradição: o melhor do festival está sempre na sala Cine UFPE, nos shows gratuitos.

Eu lembro de me perguntar, no final da edição passada do festival No Ar Coquetel Molotov como eles conseguiriam repetir o feito de esgotar os ingressos do evento. Era o ponta pé inicial da minha dúvida sobre a presença de tanta gente ali. Era pelo que o evento tinha construido ou por uma atração específica? Quando cheguei no teatro da UFPE, perto das 18h, vi que isso estava longe de ser um problema esse ano. Espaço cheio, sala Cine UFPE já lotada com o começo do show do Burro Morto. E pela primeira vez consegui pegar a primeira atração do festival.

O Burro Morto é da Paraiba e não parece com nada que eu tenha ouvido até hoje de lá. Instrumental bem incrível, daqueles que você consegue distinguir quando uma música começa e outra termina. Aliás, parece que isso deixou de ser um problema nas novas bandas instrumentais. A lógica da canção pop venceu e isso é muito bom. Bastou ver o público dançando e respondendo imediatamente às músicas. Dos oito shows da noite, esse entra no meu top 3.

Por falar em lógica pop imperando, era genial ver um dos meninos da banda de Joseph Tourton com uma camisa do NOFX, tocando músicas que parecem ter saido de um ensaio secreto do Hurtmold. A banda fez uma boa estréia, com um pessoal incrivelmente novo e, mais uma vez, com um show instrumental. Poderia até ter ficado em horário mais nobre que não fariam feio. Sem falar que eles sinalizam uma mudança extrema na cena de novas bandas da cidade… era impossível pensar uma banda assim há, sei lá, seis anos.

O Bandini fez um show bom, mas foram prejudicados um pouco com o som da sala cine e um pouco pelo nervosismo de uma primeira apresentação fora de casa. Acabei sem conseguir ver o show deles inteiro porque foi nessa hora que percebi que havia perdido meu dinheiro. E sai na inocência de conseguir encontrar a nota perdida no chão. Não aconteceu.

Logo depois, o Guizado fez o melhor show de toda a noite. Eu lembro quando vi a banda pela primeira vez no Milo, em São Paulo, se não me engano na estréia deles. O negócio cresceu em proporções impressionantes. Não tem como ouvir dois segundos das músicas e não se contagiar e dançar. Podiam ter tocado no palco principal ou até mesmo encerrado a noite fora do teatro, em clima de festa, que seria foda.

Na mudança para o teatro, por sinal, ainda deu tempo de arriscar o Rock Band, que a Trident armou no centro do festival. A fila pro joguinho era quase tão demorada quanto a para entrar no teatro.

Depois eu falo de tudo que aconteceu no teatro, inclusive sobre esse vídeo ai acima. Sim, a Mallu tá chorando. Não, Camelo não pegou ela no final. (Mané)