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Duffy – Rockferry

Já tem um bom tempo que quero falar da Duffy.

Antes, a grande notícia por trás desse disco: o catalogo da Rough Trade no Brasil, que havia se perdido na mão da Trama, agora está com a Universal. Talvez isso não faça diferença para eu e você, que baixamos música por ai, mas ainda somos minoria. E numa gravadora decente, as músicas tem mais chance de circular em rádios e TVs. O que me lembra: preciso fazer um post aqui sobre rádios.

De volta a ela. O Times não precisava ter juntado Duffy e Adele no mesmo saco apenas para dizer que elas seriam as próximas Amy’s. Basta ouvir cinco segundos de “Rockferry”, faixa que abre a batiza o disco de estréia da loirinha gaulesa. Antes mesmo do primeiro sinal de sua voz, acordes e toda informação anterior a isso – encarte, fotos, letras – já são recheadas de um tom fundo do poço que soa bastante recente para muitos. Quando sua entonação anasalada entra, fica impossível não ceder a comparação.

Mas ao mesmo tempo que ela se enquadra nesse caso da diva-auto-destrutiva-enquanto-gênero, Duffy coloca em cheque questões mais profundas de autenticidade. Dá pra curtir uma fossa ouvindo essas músicas. Dá mesmo, sem problemas. “I’m moving to Rockferry tomorrow / And i’ll build my house, baby, with Sorrow”. Assim como Amy, as duas evidenciam uma questão pouco cantada pelo soul, de que não existe fila de espera para o fundo do poço. Amy tem 25, Duffy 24 anos de idade.

A diferença é que a pose de uma está em fugir da re-habilitação, enquanto Duffy deseja a superação. “You got me begging for mercy / why won’t you release me?”. É ai que entra a questão: arrumar encrenca, ficar subnutrida e afundar em drogas virou a música de Amy Winehouse. As pessoas esperam muito mais essa performance de “eu preciso urgentemente de uma rehab”, que os versos, que agora não funcionam com uma cantora que esteja indo apenas ok no cotidiano.

E é por isso que Duffy não é uma próxima Amy. Ela é potencialmente mais, se esse público estiver interessado em ouvir mais música e menos colunismo sensacionalista. E ela canta isso, mesmo sem perceber, nas entrelinhas de versos como “I will never be your stepping stone / I’m standing upright on my own”. A música de Duffy dá brechas para essas interpretações, sem apontar para nenhuma certeza se ela está afundando ainda mais ou escalando até o topo.

“Rockferry” está longe de ser uma estréia. Funciona assim apenas no sentido convencional de que as pessoas ainda precisam de um álbum completo para legitimar um artista. Antes disso, Duffy esteve na edição deste ano do South by Southwest e no palco do Coachella. Seu primeiro hit “Mercy” – que é pista pura, anotem essa – já apareceu em trilhas de Grey’s Anatomy, ER e do filme Sex and the City (essa referência você não precisa anotar).

Sua embalagem mais pop faz que ela soe em certos momentos como uma KT Tunstall com maldade. O que tira um pouco do ótimo que esse disco mereceria. O excesso de açúcar certas horas tiram o potencial que Duffy teria de ser uma artista mais comentada. Ou talvez isso seja apenas ingenuidade minha em achar que existe parte relevante do público que está atrás de música e não de colunismo. Para não encerrar me repetindo, fica ainda o fato do ótimo gosto de Duffy. Aqui tem ela fazendo um cover do Ready to the Floor do Hot Chip:

Duffy – Ready to the Floor

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Mais bastidores do Tim Festival

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O outro post fez tanto sucesso que vou repetir a dose. De novo, a lista abaixo é um ctrl c / ctrl v do release enviado pela Tim e a Assessoria do festival. Editei apenas para tirar informações repetidas e outras que eram relativo ao show “Montage toca isso, Vanguart toca aquilo, etc”.

Very British
Os ingleses do Arctic Monkeys, atração da noite ‘Novo Rock UK’ do TIM Festival 2007, não negam a origem. Para o camarim pediram uma seleção de chás ingleses. As marcas preferidas do quarteto são as populares Yorkshire Tea, PG Tips e Tetley’s. Todos a serem degustados com um respingo de leite. Para acompanhar o momento, a turma solicitou que a produção do festival providenciasse os jornais ingleses do dia.

Embrulha para viagem
O quarteto inglês Arctic Monkeys gasta muitas calorias no palco. Os músicos gostam de repor as energias com pizza. Eles solicitaram seis grandes, a serem entregues logo após cada show do TIM Festival 2007, no ônibus da banda. A saber: duas vegetarianas, uma muzzarela, duas de peperoni e uma de carne.

Típico
O Arctic Monkeys, atração do TIM Festival 2007, solicitou um item curioso para o café da manhã. Além das tradicionais baguetes, cereais, iogurtes e sucos, o quarteto pediu Marmite. A pasta de levedo para passar na torrada, amarga e salgadíssima, é uma daquelas iguarias que só sendo inglês da gema para apreciar. Difícil é encontrar o acepipe no Brasil.

Sem bebedeira
Chama atenção um dos itens do rider técnico da banda Hot Chip para sua apresentação em outubro no TIM Festival. O documento, que lista em detalhes todos os equipamentos necessários para o show, pede, em letras maiúsculas, dois assistentes de palco competentes, pontuais e… …sóbrios.

Vestido para a capa
O disco de estréia da banda cuiabana Vanguart, uma das atrações do TIM Festival este ano, traz uma surpresa logo na capa. O vocalista Hélio Flanders surge usando um vestidinho bem-comportado. A irreverência está presente também no discurso do rapaz: “É o traje típico do cuiabano, lá faz muito calor. Pode ser encontrado em qualquer loja da cidade”.

Amigas de infância
Cibelle fez questão de estender sua estadia no Brasil para prestigiar a estréia do show de Vanessa da Mata no Rio de Janeiro. As duas são tão próximas que Cibelle compôs ‘Minha Neguinha’ em homenagem à amiga e gravou em seu último cd, ‘The Shine of Dried Electric Leaves’. Para retribuir o carinho, Vanessa é presença confirmada nos shows que Cibelle fará no TIM Festival, ainda em outubro.

Orquestra de Laptops
Conhecidos por usar novidades tecnológicas em seus shows, o Projeto Axial – que vem ao Rio pela primeira vez no próximo TIM Festival – vai inovar na apresentação que fará em São Paulo, dentro de uma série de música e tecnologia. O grupo, formado por Sandra Ximenez, Felipe Julian e Leonardo Correa, convidou outros três músicos, com quem formará uma Orquestra de Laptops, com direito a sete computadores no palco. “É uma formação de câmara, nem precisa de maestro”, brinca Julian que, nos shows do Axial, pilota dois laptops, além de um baixo acústico.

Na banda, sem ser músico
Um artista plástico que não toca nenhum instrumento também faz parte do grupo paulista Projeto Axial, que se apresenta pela primeira vez no Rio na próxima edição do TIM Festival. Presente no palco o tempo todo, Edu Marin projeta imagens cenográficas, que ele chama de videocenografia, durante o espetáculo. São fotos e pequenos vídeos, em preto e branco, editadas em tempo real e dialogando com o que está sendo tocado no palco.

Laptops e música étnica
Apesar de toda a tecnologia que cerca as apresentações do Projeto Axial – com direito a três laptops no palco-, a inspiração da vocalista e compositora do grupo, Sandra Ximenez, vem da música tradicional. Há 20 anos, ela desenvolve uma pesquisa sobre música étnica africana e suas variações brasileiras. Nos shows, Sandra canta em iorubá e creol do Haiti. Atração da próxima edição do TIM Festival, quando vem ao Rio pela primeira vez, o grupo também usa em suas letras a poesia de Guimarães Rosa e Manoel de Barros.