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Hurtmold no Pelourinho

A banda estava em Salvador acompanhando Marcelo Camelo, que tocaria no dia seguinte, e aproveitou pra descolar um show próprio no sábado. Apresentação curtinha. Sempre acho Hurtmold bom, mas a banda não combina tanto com público em pé como combina com um lugar fechado. Comprei o Mestro, primeiro disco que perdi as MP3 e o primeiro do São Paulo Underground.

Calango 2008: Programação

Saiu ontem a programação de um dos festivais independentes mais comentados deste ano. O Calanbo, em Cuiabá, é assim como o Goiânia Noise e o Abril Pro Rock uma das peças centrais da atual Associação Brasileira dos Festivais Independentes. Na real, o evento dura quase dois meses com ações que vão de visitas a escola para formação de público à mostra de filmes. Tudo termina nos três dias de shows com uma escalação não menos que surpreendente.

Vai ter Walverdes, o que já faz valer. Mas também tem Hurtmold, Pata de Elefante, Fóssil – não, não é um festival instrumental – as pernambucanas Amp e Sweet Fanny Adams. Além, claro, das pratas da casa. Vanguart, Macaco Bong e o The Melt, que fez um dos melhores shows que vi no Bananada desse ano. Confere ai:

SEXTA-FEIRA 08/08
02:30 – Cascadura (BA)
02:00 – The Melt (MT)
01:30 – Papier Tigre (Fra)
01:00 – Jumbo Elektro (SP)
00:30 – Garage Fuzz (SP)
00:00 – Pata de Elefante (RS)
23:30 – Venial (MT)
23:00 – MQN (GO)
22:30 – Diego de Moraes e o Sindicatto (GO)
22:00 – Mamelo Sound System (SP)
21:30 – Ebinho Cardoso Trio (MT)
21:00 – Sweet Fanny Adams (PE)
20:30 – Los Bobs (MT)
20:00 Banda das Prévias

SÁBADO – 09/08
02:30 – Hurtmold (SP)
02:00 – Macaco Bong (MT)
01:30 – Cérebro Eletrônico (SP)
01:00 – El Mato Un a Policia Motorizado (Arg)
00:30 – Linha Dura (MT)
00:00 – Filomedusa (AC)
23:30 – Walverdes (RS)
23:00 – Strauss (MT)
22:30 – Do Amor (RJ)
22:00 – Lopes (MT)
21:30 – AMP (PE)
21:00 – Three Pockers (MT)
20:30 – The Dead Lovers Twisted Heart (BH)
20:00 – Hey Hey Hey (RO)
19:30 – Banda Compacto.Rec

DOMINGO – 10/08
01:00 – Vanguart (MT)
00:30 – Cabruêra (PB)
00:00 – Contra Fluxo (SP)
23:30 – Supercordas (RJ)
23:00 – Rhox (MT)
22:30 – Curumin (SP)
22:00 – Porcas Borboletas (MG)
21:30 – Snorks (MT)
21:00 – Fossil (CE)
20:30 – Revoltz (MT)
20:00 – Elma (SP)
19:30 – Ayakan (MT)
19:00 – Filhos de Empregada (PA)
18:30 – Stereovitrola (AP)
18:00 – Aoxin (MT)

E mais festival!

Só que não agora… os meses de junho e julho dão uma trégua, pelo menos nos maiores. O que é algo esquisito. Justo no mês de férias nas escolas e faculdades não tem um festival legal para ir. Em compensação, agosto reserva uma sequência inteira de fins-de-semanas. Começa com o Porão do Rock (DF), Calango (MT) e depois o Mada (RN). Todos os três já começaram a divulgar suas novidades. No primeiro, que até agora deve ser o único que eu não vou conseguir ver, terá a gringa Muse. E no último, já é oficial Mallu Magalhães (SP) e um monte de nomes locais. Incluindo a dobradinha, favorita aqui da casa, Barbiekill e Bandini. Ainda não divulgaram, mas também tocam lá Pato Fu e O Rappa.

Mas é o Calango que sai na frente das novidades. Já anunciaram Cascadura (BA), Cabruera (PB), Mamelo Sound System (SP) e Papier Tigre (FRA), El Mato A Un Policia Motorizado (ARG) e Supercordas (RJ). Segundo Pablo Capilé, ainda deve ter mais banda gringa na programação. E, para quem lê o Pop up!, ficam mais três exclusivas: Hurtmold (SP), Curumim (SP) e Pata de Elefante (RS). De fazer inveja e deixar com culpa quem perder algo assim.

O Calango começa com dois meses de antecedência. Já na próxima segunda-feira tem o Calango nas Escolas, que se conecta com vários outros eventos, seminários e feiras, encerrando nos três dias de shows. Já confirmaram cerca de 150 pessoas de todo o país em caravanas para participar dos debates. Menos do Nordeste. Se liga, que nesse caso a distância não justifica o vacilo. Só para instigar, vale ressaltar que vão ter muitos conferencistas de fora do país. E o festival reservou espeço de graça para quem tiver selo e quiser montar stand na área dos shows.

É uma oportunidade de ver funcionando na prática a idéia do Cubo Card. “O congresso Fora do Eixo vai ser viabilizado em cubo cards. A galera que vier receberá cards para utilizar em Cuiabá. Podem escolher hotel, comida, cds, camisetas, cerveja… vão utilizar conforme a conveniência de cada um”, diz Capilé. O festival também vai ser sede do segundo encontro anual da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin), que deve engordar a lista de membros agora no meio do ano.

Ah, e aproveitando o clima de notícia exclusiva, logo mais vou soltar a tal preciosidade que consegui em Goiânia durante o Bananada. Mas antes, se prepara, e saca essa música do Morricone no vídeo abaixo.

Le Nouveau Rock Brésilien

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Hurtmold

Daniel Cariello, do Phonopop e que foi Overmano, junto comigo, na pré-história do então projeto Overmundo foi parar na França, onde está editando uma revista chamada “Brazuca“. Na última edição, eles lançaram uma coletânea virtual para divulgar na terra do croissant o que está rolando no rock independente do Brasil. A curadoria responsa de Fernando Rosa e Pedro Brandt resultou no seguinte repertório:

1. Los Porongas – Ao Cruzeiro (Senhor F Discos)
2. China – Jardim de inverno (Candeeiro)
3. Superguidis – Mais do que isso (Senhor F Discos)
4. Vanguart – Semáforo (Outra Coisa)
5. Ludov – Ciência (Mondo 77)
6. Beto Só – Meu Velho Escort (Senhor F Discos)
7. Violins – Manicômio (Monstro Discos)
8. Hurtmold – Sabo (Submarine Records)
9. O Quarto das Cinzas – Incontrolável (Independente)
10. Charme Chulo – Mazzaropi Incriminado (Independente)
11. Cravo Carbono – Café BR (Ná Records)
12. Móveis Coloniais de Acaju – Sem Palavras (Trama Virtual)
13. Pata de Elefante – Hey! (Monstro Discos)
14. Autoramas – Hotel Cervantes (Mondo 77)
15. Volver – Pra Deus Implorar (Senhor F Discos)
16. Lucy and The Popsonics – Chick Chick Boom (Monstro Discos)
17. Supercordas – 3.000 Folhas (Trombador)
18. Macaco Bong – Fuck You Lady (Monstro Discos)
Bônus:
19. Pio Lobato – Tecno da Saudade (Ná Records)

Quer baixar? Clica aqui!

Cobertura: Goiânia Noise 2007

GOIÂNIA – Numa primeira impressão rápida, passando a vista pelo longo e belo cenário do Centro Cultural Oscar Niemeyer, o festival Goiânia Noise, que encerrou este fim de semana sua 13ª edição, impressiona. Com o passar dos três dias de show, o queixo cai ainda mais. Numa localização distante da cidade, com uma das mais bem montadas estruturas já vistas num evento do porte, funciona como um modelo para todos os festivais independentes do país.

O modelo beira a perfeição: as bandas trabalham nos bastidores, como roadies, apresentadores e responsáveis por palcos. As atrações se misturam, sem existir dias por gêneros. Mundo Livre S/A toca antes do Sepultura; Cordel do Fogo Encantado se apresenta após o Korzus. Assim, o público também desenvolve níveis de interação que superam qualquer noção de “tribo”. Como se o rock fosse uma força homogênea que une todos que adoram essa música, não importando suas ramificações.

O horário de verão não funciona muito bem para Goiânia, uma cidade de arquitetura muito jovem, lembrando muito pouco de uma grande metrópole. Os shows começam as 18h e, até às 20h, as bandas tocam debaixo de um sol forte. A importância política do Noise se percebe pelos visitantes que o festival recebe. Figuras nacionais como o produtor Miranda (atualmente do programa de TV Ídolos), representantes de selos internacionais e produtores dos principais festivais de todo o país. Todos vindos a convite do evento.

A curadoria da programação surpreende. Não existe, entre as 41 bandas que tocaram lá, alguma que seja visivelmente ruim, equivocada ou sem proposta. Todos os shows são proveitosos. Mas o palco desmistifica alguns nomes, como a local Barfly, que tem um ótimo disco, mas uma apresentação que deixa muito a desejar; assim como a Valentina, que fez seu último show da carreira. O contrário da Black Drawing Chalks, que compensa um disco regular com uma das melhores apresentações da noite. Entre os mitos da casa, só crescem o das bandas Violins e a instrumental Pata de Elefante, com shows que arrancavam coros (para o Violins) e aplausos seguidos de sorrisos e fanatismo (para ambos).

O Goiânia Noise serve de plataforma para novas promessas no pop nacional do cenário independente. Além das citadas, juntam ao time dos bons os shows dos bem humorados mods paulistas do Haxinxins; também de São Paulo a Ecos Falsos e, do Rio Grande do Sul, a banda Superguidis. Já no time dos excelentes, os cariocas da Pelvs; o gaúcho Júpiter Maçã e a estreante The Name, essa com um pop oitentista cantado em inglês.

Sendo um evento tão importante, as atrações principais se reforçam como grandes jogadores no campo nacional da música independente. Consagração para as pernambucanas do Cordel do Fogo Encantado e Mundo Livre S/A, que sem tocar em rádio ou participar de qualquer programação de TV, conseguem reunir um público cada vez maior em qualquer extremo do país. O Goiânia Noise deu ainda a oportunidade do Brasil conferir em primeira mão uma das bandas mais comentadas do novo pop internacional, a americana Battles, que fez o melhor show dos três dias de evento.

Um paragrafo para o Battles. Mais uma banda que reforça como o formato pop do Brasil insiste em permanecer atrasados. Chovem bandas de guitarra-baixo-bateria. A experiência, quando existe, é em timbres, misturas de gêneros, mas nunca em novos sons. A banda americana reforça a importância de grupos menores, como os paulistas do Hurtmold e Guizado, de construir novas texturas e trazer novos sons para o universo da música pop. Com uma bateria na frente e várias mesas com computadores e samplers, desafiavam a experiência visual. O público atento procurava encontrar de onde saia cada novo som. E dessa troca, tinhamos um verdadeiro espetáculo.

Como atual centro dos festivais independentes do Brasil, o Goiânia Noise não encerra com sua programação. Os nomes que passaram pelos três dias de rock em um cada vez menos remoto Centro Oeste brasileiro já saem do palco com convite para integrar a programação de eventos em outros estados do país. E, cumprindo sua função, o festival independente põe para girar a nova música brasileira.