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In Rainbows animado

Uma das maiores lições que Brent Grulke, diretor criativo do festival South by Southwest, foi que “a melhor coisa que você pode conseguir é que as pessoas amem sua música”. E no mundo 2.0 talvez quem melhor traduza isso seja o Radiohead. Afinal, que outra banda tem toda sua horda de fãs trabalhando incansávelmente, a ponto de até pagar voluntarimente por um disco que é oferecido de graça? Thom Yorke, de carona nessa onda de produção colaborativa, convidou todos que quisessem fazer animações para qualquer música do disco In Rainbows.

Foram 900 inscritos, filtrados em 200 clipes escolhidos para produção, o que resultou em 15 finalistas. O primeiro lugar ficaria com um prêmio de US$ 10 mil (fora a satisfação de ter alcançado o gosto esquisito do líder da banda). Mas eles gostaram tanto do resultado, que acabaram escolhendo cinco clipes (e, sim, cada um deles levou os dez mil). A Aniboom, que fez a promoção em parceria com eles, divulgou essa semana os nomes das duplas Wolfgang Jaiser & Claus Winter, Kota & Totori, Tobias Stretch & Clement Picon.

Olha os clipes:


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Efeito Arco-Íris

Considerando o sucesso da iniciativa da banda Radiohead, a conseqüência foi quase inevitável. Nos últimos três meses que seguiram o lançamento online do disco “In Rainbows”, uma enxurrada de artistas decidiu seguir o mesmo caminho e disponibilizar seus discos para que o fã decidisse o preço – ou nem isso, pegasse tudo logo de graça. O caso mais recente foi o Nine Inch Nails que decidiu não vender o disco, mas oferecer um link para download direto.

Ao contrário do Radiohead, que é só sorriso, até agora quem decidiu seguir o caminho devolveu apenas reclamações. O motivo é tão óbvio que não merecia sequer explicação. Cada caso é um caso e da mesma forma que um artista não vende a mesma quantidade de discos que o outro, nem todos vão ter o mesmo resultado ao experimentar as novidades da Internet. A própria banda inglesa pivô da situação já decidiu lançar um disco físico que, por sinal, já esgotou nas prateleiras.

O mais impressionante é a postura de tédio que o mercado de música brasileiro tem em relação a tudo isso. O ano de 2008 começa morno, com o primeiro trimestre fechando sem nenhum lançamento mais relevante do que a parceria entre Bethânia e Omara Portuondo. No lugar de pressa e vontade de experimentar, caminhamos com calma e sem novidades. As pesquisas de vendas do mercado digital começam a representar mais exceções que bons modelos de mercado.

Internacional
A turnê que a contora francesa Lisa Li-Lund faz pelo Brasil – produzida pelo coletivo Coquetel Molotov – acaba de ganhar uma parada no Recife, graças a parceria com o consulado francês e a prefeitura. Ela se apresenta aqui no dia 4 de abril. As referências no som folk vão do Velvet Underground à Sonic Youth, passando por extremos de covers que ela faz de Justin Timberlake. Para conhecer sua música só basta acessar o www.myspace.com/lisalilund

Pelada
Uma das extravagâncias – e essa é uma leve, consdirando o histórico de uma banda que viaja pilotando o próprio avião – do Iron Maiden durante a turnê do Brasil foi participar de um amistoso de futebol. O time adversário era formado por parte do Sepultura (Derrick e Andreas Kisser), junto com funcionários da EMI e outros fãs da banda escolhidas pelo MySpace. O Iron ganhou, por sinal.

Lançamento
Erasto Vasconcelos lança disco novo “Estrela Brilhante”, na quinta-feira com um pocket show na loja Passa Disco. Gravado com incentivo do Funcultura, ele reúne 15 faixas inéditas de autoria de Erasto. É uma homenagem ao Maracatu do Baque Virado e ao mestre Veludinho, que, segundo o compositor, “foi a vida toda um tambor forte”.

Radiohead – In Rainbows

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Já se passaram dez dias que a banda inglesa Radiohead lançou seu sétimo disco “In Rainbows“. O trabalho não era aguardado (a três anos) apenas pelos fãs, mas também por todos que acompanham, de alguma forma, o processo como nós consumimos música. Desde o álbum “Kid A“, o primeiro na história a aparecer inteiro na Internet antes do lançamento oficial, eles já tinham um papel importante nessa história. Quando anunciaram que agora trabalhariam sem gravadora, rompendo contrato com a EMI, e que cada um pagaria quanto quisesse pelo disco, criaram um verdadeiro terremoto.

Na metade desse tempo, “In Rainbows” já vendeu cerca de 1,3 milhão de cópias pelo site da banda, que faturou uma média de R$ 20 milhões. Apesar de dar a opção de não pagar nada pelo disco, a grande maioria das pessoas optou por uma média de 4 libras (aproximadamente R$ 15). Dinheiro suficiente para cobrir todos os custos que tiveram e, sem o modo tradicional de trabalho de uma gravadora (leia-se: Jabá), conseguiram a maior mídia espontânea de toda a carreira. Os números trazem dados suficientes para a notícia ser maior que a própria música da banda. Mas esse não é o caso.

Dez faixas, numa qualidade de 160kbps (número baixo para a maioria dos fãs de música), centralizam o Radiohead como a banda mais importante do mundo pop hoje. “15 Steps” abre o repertório mais brilhante deles até agora. Soa exatamente como tudo que se espera ouvir do Radiohead, algo raro para uma banda tão esteticamente inconstante. Thom Yorke e sua banda conseguiram iluminar a idéia de que liberar o disco online é um bom negócio e também que, as vezes, a música soa melhor quando é previsível. Um sampler do que parecem ser palmas de crianças escondido na gravação dá a dica que a banda está mirando alto nos shows.

Bodysnatchers“, segunda faixa, é o pote de ouro que se encontra no fim do arco-íris do Radiohead. Nela, fica a sensação de que qualquer valor pago pelo disco tem retorno garantido. É um Crescendo no repertório, a música mais alta e também mais agitada. Lembra os melhores momentos de “Kid A” e “Ok Computer“. A partir daqui fica mais claro que a opção de composição do Radiohead foi mesclar sonoridades dos discos passados. E isso contribui para que este seja seu trabalho mais fácil e acessível. Um ouvinte regular de música pop se viciaria fácil em “In Rainbows”.

A dinâmica das músicas fica mais pop a partir de “Weird Fishes/Arpeggi” e em “Faust Arp” surgem referências claras dos Beatles. O nome vem da técnica de Arpeggio (quando as notas não são tocadas simultâneamente), usada com o violão acústico. Nessa e em “Reckoner“, o Radiohead soa mais cerebral como em disco passados, brincando com as texturas das músicas. Um surto rápido, que não chega a comprometer o “In Rainbows”. Passo que eles retomam em “House of Cards“, onde Yorke abre mão de suas charadas para dizer diretamente que “eu não quero ser seu amigo, quero ser seu amante” (I Don’t want to be your friend, I just want to be your lover).

“In Rainbows” termina com “Videotape“, música que já tinha aparecido antes em vários shows da banda, com uma introdução em piano, mas foi gravada de maneira completamente diferente. Sela uma tradição do Radiohead em transformar seus discos numa queda de montanha-russa. O começo é sempre alto e, na última faixa, resta uma música lenta e quase falada. Também reforça uma temática mais sombria da banda, citando em várias faixas alguns dos demônios da lenda alemã “Fausto“.

Ainda não comprou o seu?

É você quem sabe

Dizem que as principais mudanças na forma como consumimos música só acontece quando os grandes jogadores (as gravadoras multinacionais, bandas de alcance internacional, etc) entram no páreo. E, nesse jogo, a banda inglesa Radiohead é um dos grandes artilheiros, desde que deixou “vazar sem querer” o “Kid A”, primeiro disco a aparecer completo na internet antes do lançamento oficial. Agora, Thom York, Jonny e Colin Greenwood, Ed’Obrien e Phil Selway marcaram a nossa próxima revolução para quarta-feira, dia 10 de outubro.

Essa é a data de lançamento oficial de “In Rainbow”, esperado sétimo disco do quinteto. No site oficial da banda, que não tem mais gravadora, é possível pré-ordenar duas opções de compra: download direto ou receber em casa uma caixa especial com um CD e Vinil duplo. O preço para isso? Segundo o site, “it’s up to you” ou “você quem sabe”. O Radiohead dá a sugestão de que o novo trabalho vale salgadas 40 libras, mas deixa aberto para que cada um diga quanto eles merecem pelas músicas. Pronto, agora você solta os fogos de artifício.

Falando para o mundo
Uma das experiências mais enriquecedoras, durante essas férias, foi conhecer pessoalmente um norte-americano de ascendência russa que veio ao Recife por um único motivo: dizia que a música do Mundo Livre S/A havia mudado sua vida. Pesquisando incansavelmente por mais composições pernambucanas, acabou conhecendo também a atual noiva, motivo (oficialmente principal) de sua visita.

Sargento Pimenta
Um tributo brasileiro soma a lista de presentes aos 40 anos que o disco “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles, comemora em 2007. Organizado pela banda Lasciva Lula, vários grupos de rock independente gravaram novas versões para cada uma das faixas, todas soando completamente diferente do original. Participam Madame Mim, Moptop e Prot(o), entre outras. Tudo de graça em www.sargentopimenta2007.blogspot.com

Reta final
Os últimos meses do ano serão movimentados. Só neste mês e no próximo, passam pela cidade os Autoramas e Forgotten Boys. O projeto Oi Blues by Night recebe o encontro de gaitistas, com participação de Big Chico, Jefferson Gonçalves e Robson Fernandes. Já neste fim de semana tem também a banda Almah (de Edu Falaschi, do Angra), no Clube Português. Quem abre a noite são as bandas Silent Moon, Preatcher e Terra Prima.