Quando eu vi um show da Sweet Fanny Adams pela primeira vez, eu gostei da banda de cara. Na primeira música eles tocaram um cover do Subways, quando eu achava que essa informação ainda não chegava nas novas bandas em Pernambuco (isso foi em 2006, ano de lançamento dos ingleses). E o som deles seguia na mesma linha. Eles eram super verdes, demoraram quase o tempo de duas músicas entre cada uma que tocavam no repertório. Mas nem isso, nem o nome complicado, foram obstáculos para eles serem provavelmente, entre as novas bandas da cidade, a com maior número de show hoje.
Resultado de quem toca sem parar: o som da SFA cresceu um bocado. Já começa a caminhar agora numa linha mais low profile, com vozes graves e clima On the Road. Não perdeu a pegada indie rock do começo. A banda aprendeu como se divertir enquanto toca e sempre consegue transformar um show numa festa. Ecos de Gang of Four trazem dicas de que o rock pode estar voltando ao Recife.
A Sweet Fanny Adams lançou um novo EP que pode ser ouvido inteiro no MySpace da banda. “Hate Song 3″ já virou vicio no iPod. O EP se chama “Fanny, you’re no fun“. Acho que é uma brincadeira com todo mundo que escreve o nome deles errado. Aliás, Sweet Fanny Adams é a versão from uk (!!) para nossa Inês é Morta. Eles tocam dia 12 no Abril Pro Rock.
Hate Song 3
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Paul Banks deve ter ficado triste quando ouviu a voz dele se confundir com a do público no comecinho de Evil. O show do Interpol em São Paulo começou tão frio, que eles deviam esperar no máximo uma orda de zumbis dançantes. Já era o finzinho da noite no Via Funchal, que tinha começado pontualmente às 21h com o Cachorro Grande tocando num som ruim o suficiente para deixar os fãs apreensivos sobre a primeira oportunidade de ver ao vivo uma das pontas da santíssima trindade do indie rock. Precisaram 13 músicas para cair a ficha e a banda derreter o gelo, fazendo a parte mais insana de sua apresentação.
Cheguei em São Paulo no dia do show, às 6h da manhã ainda. Tudo bem, é uma cidade grande demais para se comover com um único artista, mas a quantidade de cartazes anunciando a vinda de Julio Iglesias remetiam diretamente ao fato que o indie, aqui, ainda só tem força quando age coletivamente. Fora de um Tim Festival, o Interpol era apenas mais um show na terça-feira. E as notícias que chegavam via colegas – participar da produção do Abril Pro Rock conseguiu me por em contato com o agente direto desse show no Brasil – diziam que no Rio de Janeiro e Belo Horizonte seria menos que isso.
Metade do show do Cachorro Grande foi perdida na fila. A assessoria de imprensa da Via Funchal é feita por um equipe quase toda vinda da finada BMG, antes da fusão com a Sony. Foi algo que acabou facilitando meu credenciamento (e um breve primeiro encontro no guichê entre todos). Ser mais antenado com a necessidade de circular entre blogs e sites menores que a mídia tradicional tem seu lado negativo. A fila para pegar a credencial era maior que a dos ingressos. Tinha direito até a um esquema VIP próprio, com Lúcio Ribeiro, o pessoal da Rolling Stone e Marimoon (?????????) não precisando perder muito tempo por lá.
A última metade do show foi ainda mais assustadora. O som era chiado, abafado e havia uma verdadeira orquestra dos volumes, com o baixo e teclado alternando com a voz e guitarra da banda. O Cachorro Grande evita tocar músicas do novo disco no repertório, reconhecendo que a pegada mais leve não funciona ao vivo. Não salvou muita coisa. Havia um choque claro de público também. Moptop e Pato Fu foram escolhas felizes para abrir a noite no Rio e BH, mas associar a banda gaucha com a nova iorquina apenas porque eles se vestem bem não colou muito. Beto Bruno & Cia saíram acompanhados de uns poucos gritos de “acaba logo!”.
A pausa entre os shows serviu para encontrar alguns amigos e perceber como a fila dos bares era gigante. O Via Funchal é bem estruturado, são seis bares. Mas eram seis filas. Fora as para o banheiro. A sensação claustrofóbica só colaborou para notar como estava quente lá dentro. Eram cerca de cinco mil pessoas para ver o Interpol, isso porque o mezanino com os camarotes estavam praticamente vazios. O segredo era ficar estratégicamente no portão que levava a saída, logo abaixo uma forte corrente do ar condicionado. Porque eu tinha inventado, claro, de ir de blazer para o bendito show.
Os primeiros acordes de Pionner to The Falls, com a banda já no palco, foram abençoados. Diminuíram as filas e mostraram que o problema no som era apenas azar do Cachorro Grande. Abrir com o single de trabalho geralmente é sinônimo de uma noite com poucos hits. Mas Obstacle 1, logo na seqüência, sinalizava o contrário. Ao vivo, essa tensão entre dor e alegria que o Interpol processa em suas músicas fica um pouco mais fácil de acompanhar. A banda, sempre vestida de preto, se diverte muito tocando. Faz caretas e sorrisos ao pouco que começa a identificar que tem um público maior do que imaginava no Brasil.
Existia um contraste divertido. Colado no palco, onde assisti a primeira parte do show, as pessoas estavam frenéticas. Em C’Mere e Say Hello To The Angels tinha de gente chorando, sorrindo como quem havia cheirado 15kg de pó, cantando tudo sem parar, pulando e, claro, a voz das meninas berrando “gostoso”. Menos de três camadas de pessoas depois, a postura era outra. Muita gente parada, com expressão de quem avaliava cada segundo da apresentação. Aconteceu uma outra negociação em escalas. O Interpol enlouquecia o público da frente, que enlouquecia o público do meio. Na parte de trás era apenas socialização.
O Interpol passou a fazer praticamente um segundo show quando chegou a hora do retorno programado ao palco. Foram só quatro músicas, mas a sensação foi de que durou até mais. Paul Banks interagiu de verdade com o público, conversando, perdendo a pose de frio. Agora sem os terninhos, guitarra e baixo passavam os limites do palco, quase sendo tocados pelos fãs. A noite terminou relativamente cedo, no comecinho da madrugada. Agora deflorados pelos fãs brasileiros, fiquei com a sensação que eles devem ter feito apresentações bem mais calorosas nas outras cidades.
SETLIST
1 – Pioneer to the Falls
2 – Obstacle 1
3 – NARC
4 – C’Mere
5 – The Scale
6 – Say Hello To The Angels
7 – Mammoth
8 – No I In Threesome
9 – Hands Away
10 – Slow Hands
11 – Rest My Chemistry
12 – The Lighthouse
13 – Evil
14 – The Heinrich Maneuver
15 – Not Even Jail
16 – NYC
17 – Stella Was A Diver And She Was Always Down
18 – PDA
A febre dos rappers-produtores não poupa ninguém mesmo. Até o mundo restrito do indie rock se rende a eles no “The Black and White Album”, quarto de estúdio dos suecos do The Hives. Se antes, para chamar atenção, eles afirmavam que suas músicas eram escritas por um misterioso e desconhecido “Randy Fitzsimmons” (o sexto Hive), agora suas canções chegam carregadas pelas grifes Pharrel Williams e Timbaland. E, não deveria ser bem uma surpresa, fazem uma diferença enorme em atualizar o som da banda.
A expectativa por esse quarto disco surgiu ainda em outubro de 2007, quando “Tick Tick Boom” foi lançado como single, trilha do jogo “Madden NFL” (game de futebol americano) e da série “Survivor” (ou “O Sobrevivente” como exibido no Brasil). Ela ainda estava distante de prever o que álbum completo traria, em canções como “Puppet on a String”, tocada inteira com apenas um piano e o som de palmas; ou “A Stroll Through Hive Manor Corridors”, que usa um piano vintage com uma bateria eletrônica.
O Hives sente uma necessidade maior de experimentar, mas a banda continua com o mesmo nervosismo punk-garagem em suas músicas. Isso é inegável em “We All Right!” e “T.H.E.H.I.V.E.S.”, as duas faixas produzidas por Pharrel Williams (do grupo N*E*R*D*). No estúdio, eles chegaram a gravar cerca de 30 músicas, para chegar ao veredicto das 14 faixas escolhidas para o “The Black and White Album”, título que faz referência a obsessão da banda em sempre se vestir em preto e branco.
Como bom produto do século XXI, o melhor do disco não está em nenhuma dessas músicas, mas nas faixas bônus que o Hives espalhou pela Internet. “Fall is Just Something Grownups Invented”, que chegou a aparecer em comerciais do Cartoon Network e “I Can’t Just Give It To You” podem ser compradas – ou encontradas de graça com a ajuda de um jeitinho amigo – e mostram os suecos em sua melhor fase. Cheios de energia e recheados de refrões viciantes.
Alguém achou legal essa tal Vampire Weekend? Para quem não conhece, é tipo a banda da vez do mês, e até que ele acabe (ou que o novo do Hot Chip ganhe na corrida por mais downloads) corre o risco de virar salvação da música segundo os profetas do tempo-real. Apesar do nome soturno, eles são muito mais Weekend que Vampire. Musiquinhas tipo quase-que-pós-punk-mas-pop. São de Nova York e já estiveram no David Letterman, de onde eu encontrei a música que mais me agradou da banda, chamada “A-Punk“.
Do jeito que me conheço, quando começo a falar com pé atrás assim é porque vou viciar logo.
A cena de bandas independentes do Rio de Janeiro compartilha da mesma síndrome de grandeza que afeta a pernambucana. Se, por um lado, é difícil identificar as bandas de médio porte, pipocam os grandes representantes da cidade. APelvs foi formada o começo da década de 90, com fortes influencias da celebrada Teenage Fanclub. Hoje, com quatro discos e vários singles, com músicas cantadas em inglês, são uns dos mais respeitados nomes do indie rock nacional.
Formada hoje por Gustavo Seabra, Rafael Genu, Gordinho, Ricardo Mito, Clinio, Andre Saddy e Daniel Develly, a Pelvs é também o melhor exemplo (para o foco desta coluna) de banda independente. Todas as suas músicas estão disponíveis para baixar no site de seu selo virtual, o Midsummer Madness, incluindo o “Península”, marco a música independente brasileira na virada do milênio. “Backdoor” e “Barbecue”, deste álbum, são os melhores motivos para se ouvir Pelvs.
Vamoz no Texas!
A banda Vamoz!, uma das melhores representantes da nova geração rock de Pernambuco, foi convidada para tocar no respeitadíssimo e super disputado festival South by Southwest, no Texas (EUA), que ano passado recebeu o lendário reencontro dos Stooges. Agora, eles estão atrás de algum apoio para tocar na América do Norte. MQN (GO), Telerama (CE) e Pata de Elefante (RS) são outras brasileiras que receberam o convite.
Giro
Chovem shows no começo de dezembro, para evitar entrar em conflito com a extensa programação gratuita oferecida pela prefeitura. Lobão traz seu acústico MTV para o UK Pub na quinta-feira, enquanto João Bosco lança disco novo no Teatro da UFPE. A histórica Paulo Francis vai pro Céu toca sábado no Quintal do Lima, ao lado da ainda mais histórica Conservados em Formol. Essa é imperdível.