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Radiohead – In Rainbows

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Já se passaram dez dias que a banda inglesa Radiohead lançou seu sétimo disco “In Rainbows“. O trabalho não era aguardado (a três anos) apenas pelos fãs, mas também por todos que acompanham, de alguma forma, o processo como nós consumimos música. Desde o álbum “Kid A“, o primeiro na história a aparecer inteiro na Internet antes do lançamento oficial, eles já tinham um papel importante nessa história. Quando anunciaram que agora trabalhariam sem gravadora, rompendo contrato com a EMI, e que cada um pagaria quanto quisesse pelo disco, criaram um verdadeiro terremoto.

Na metade desse tempo, “In Rainbows” já vendeu cerca de 1,3 milhão de cópias pelo site da banda, que faturou uma média de R$ 20 milhões. Apesar de dar a opção de não pagar nada pelo disco, a grande maioria das pessoas optou por uma média de 4 libras (aproximadamente R$ 15). Dinheiro suficiente para cobrir todos os custos que tiveram e, sem o modo tradicional de trabalho de uma gravadora (leia-se: Jabá), conseguiram a maior mídia espontânea de toda a carreira. Os números trazem dados suficientes para a notícia ser maior que a própria música da banda. Mas esse não é o caso.

Dez faixas, numa qualidade de 160kbps (número baixo para a maioria dos fãs de música), centralizam o Radiohead como a banda mais importante do mundo pop hoje. “15 Steps” abre o repertório mais brilhante deles até agora. Soa exatamente como tudo que se espera ouvir do Radiohead, algo raro para uma banda tão esteticamente inconstante. Thom Yorke e sua banda conseguiram iluminar a idéia de que liberar o disco online é um bom negócio e também que, as vezes, a música soa melhor quando é previsível. Um sampler do que parecem ser palmas de crianças escondido na gravação dá a dica que a banda está mirando alto nos shows.

Bodysnatchers“, segunda faixa, é o pote de ouro que se encontra no fim do arco-íris do Radiohead. Nela, fica a sensação de que qualquer valor pago pelo disco tem retorno garantido. É um Crescendo no repertório, a música mais alta e também mais agitada. Lembra os melhores momentos de “Kid A” e “Ok Computer“. A partir daqui fica mais claro que a opção de composição do Radiohead foi mesclar sonoridades dos discos passados. E isso contribui para que este seja seu trabalho mais fácil e acessível. Um ouvinte regular de música pop se viciaria fácil em “In Rainbows”.

A dinâmica das músicas fica mais pop a partir de “Weird Fishes/Arpeggi” e em “Faust Arp” surgem referências claras dos Beatles. O nome vem da técnica de Arpeggio (quando as notas não são tocadas simultâneamente), usada com o violão acústico. Nessa e em “Reckoner“, o Radiohead soa mais cerebral como em disco passados, brincando com as texturas das músicas. Um surto rápido, que não chega a comprometer o “In Rainbows”. Passo que eles retomam em “House of Cards“, onde Yorke abre mão de suas charadas para dizer diretamente que “eu não quero ser seu amigo, quero ser seu amante” (I Don’t want to be your friend, I just want to be your lover).

“In Rainbows” termina com “Videotape“, música que já tinha aparecido antes em vários shows da banda, com uma introdução em piano, mas foi gravada de maneira completamente diferente. Sela uma tradição do Radiohead em transformar seus discos numa queda de montanha-russa. O começo é sempre alto e, na última faixa, resta uma música lenta e quase falada. Também reforça uma temática mais sombria da banda, citando em várias faixas alguns dos demônios da lenda alemã “Fausto“.

Ainda não comprou o seu?

Interpol – Our Love to Admire

[rating:2.5]

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Está deve ser a 16ª ou 17ª vez que escuto, de uma vez só, “Our Love to Admire”, o terceiro disco do Interpol. Descobri-me então em dúvida sobre se fazia tempo que um disco não me colocava para pensar, ou se então era o contrário, eu que há tempo não me debruçava com o devido cuidado para algum novo trabalho. Menos poético que ambas alternativas, na verdade, preferi deixar a pressa passar antes de falar que a primeira impressão que este disco me passou havia sido bastante negativa. Entrar em negociação com minha própria expectativa, por hora, parece ter sido uma boa idéia.

Já se passaram sete anos desde que essa banda de Nova York trouxe a mais bem sucedida atualização para um rock que é grave e denso, este por sua vez, re-inventado com maestria pelo Joy Division. Assim como sua fonte de inspiração, no novo contexto individualista do pós-MP3, o Interpol foi pioneiro. “Pioneer to the Fall” (pioneiros à queda), no trocadilho, acaba funcionando mais do que uma abertura de repertório. É a primeira revisão de carreira feita entre eles e seu público, como se falassem “começamos isso, agora precisamos pensar nos próximos passos”. “And we’ll be fine” (e vamos ficar bem), eles cantam.

Afinal de contas, é correto pensar que outras bandas como The Editors e She Wants Revenge estão fazendo o trabalho de continuidade de maneira muito melhor que o Interpol. Elas, pelo menos, tem uma média maior de hits por disco. Faria pouco sentido apostar em um terceiro álbum que seguisse a mesma linha de raciocínio. Então, após a primeira faixa, passar entre as seguintes tentando encontrar qual delas vai ser o próximo ápice da festa da próxima semana não é uma boa estratégia. O Interpol está diferente agora.

Não apenas um teclado acrescenta textura mais completa às músicas, agora a guitarra sobrepõe o baixo e a voz de Paul Banks passa a ser mais aguda que nos discos passados. “Babe, it’s time we give something new a try” (baby, é hora de tentarmos algo novo), sugerem em “No I In Threesome”, música que acentua essas novas características da banda e, por isso, acaba sendo uma das mais diferentes desta nova jornada. Apresentada a novidade, a seqüência de abertura decepciona um pouco. E eles fazem o terrorismo na terceira “The Scale”: “You think they know us now wait until the stars come out” (se você pensa que eles nos conhecem agora, espere até as estrelas caírem).

Talvez por isso, o single escolhido para lançar “Our Love to Admire” seja o que mais se parece com a agora antiga fase da banda. “The Henirich Manouver” pode ter uma sub-leitura política, quando a banda questiona como as coisas vão na costa oeste (“how are things on the west coast”), novo paraíso norte-americano para quem vive na noite. O Interpol é parte de uma geração militante da cidade de Nova York, junto com o Strokes e o LCD Soundsystem e essas, agora, deixam isso transparecer cada vez mais nas músicas.

Se essa música anuncia uma inconstância, “Mammoth” reconhece o lado de quem escuta e grita “Spare me the suspense” (me poupe do suspense). Reconhece, mas não colabora muito com a ansiedade. A música entra na fila do aproveitável desse novo repertório, mas abre para um segundo tempo onde este novo momento de busca que o Interpol está passando se torna mais evidente. Às vezes rock demais, outras baladinha demais e oras simplesmente confuso.


interpol-promo.jpgNuma ação inédita, a gigante EMI agora está dando mais atenção ao que acontece na Internet. Por isso, como primeiro passo contratou o figura Bruno Maia – que já foi notícia aqui enquanto cobria o Roskilde para a RollingStone – para dar novas idéias a gravadora. O príncipio dessa história passou aqui pelo Popup, com o sorteio do novo disco do Interpol para um leitor do blog.Quem ganhou o sorteio foi Vinicius Godoi Fernandes, de Santo André (SP)

Nova música do Arctic Monkeys

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Uma nova música, que deve estar no próximo disco, do Arctic Monkeys apareceu na última terça-feira… na rádio! Todo mundo – ou seria só eu? – esperava que a banda fosse deformar mais uma vez a cadeia alimentar e, então, eles resolvem jogar pelas regras. Se chama Brainstorm.

Ela tocou num programa de rádio inglês e, claro, caiu na rede poucas horas depois. Está circulando uma versão completa, com o locutor anunciando e, mega empolgado, repetindo a música. Eu editei para ficar mais prática. Escuta ai! Eu curti! =)

Arctic Monkeys – Brainstorm

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Quem quiser baixar, tem ela em qualidade melhor clicando aqui

Moptop

Moptop

Questionário rápido: diga cinco artistas nacionais que fizeram sucesso cantando em inglês? Segunda pergunta: quantos representantes o Brasil teve deste novo rock iniciado pelos Strokes no começo dos anos 2000? E, para encerrar a trívia: que resultados concretos o cenário independente brasileiro de música conseguiu neste mesmo período de tempo? Pode pensar com calma, porque essas questões são fundamentais para se falar de “Moptop”, o “disco de estréia” – assim mesmo, entre aspas, – da homônima e excelente banda carioca.

Então vamos responder parte a parte. Não dá para falar do Moptop tomando esse disco como marco inicial. Porque eles fizeram uma brincadeira em estúdio caseiro e lançaram as MP3s num site para lá de bacana conquistando fãs no país inteiro. E mesmo sendo um ótimo cenário, eles cantavam em inglês. E se uma banda precisa dar um passo a frente, essa primeira questão é fundamental. Depois vem a sonoridade. Naquela época, escutar “In Through the Night” era pensar “essa é a nova do Strokes?”. A canção, agora chamada “Sempre igual”, segue o efeito.

O importante é ter em mente que isso é muito, mas muito bom. Strokes, Franz Fedinand, Interpol, Arctic Monkeys, Libertines, Yeah Yeah Yeahs; essas são as novas bandas que estão dizendo que, no rock, nada poderia ser mais divertido ou “franztastico” neste novo milênio. Poder encaixar uma banda nacional neste filão é motivo para abrir o champanhe (ou a cachaça, em nosso caso). Os mais atentos vão saber responder essas duas primeiras perguntas rápido e fácil se pegarem exemplos do meio independente. Aquele mesmo, que mesmo sendo tão legal, nunca chegou às rádios e shows para mais de mil pessoas.

“Moptop” está sendo lançado pela gigante Universal. Das três questões, essa é a que causa mais rebuliço na história. Uma gravadora de grande porte quis contratar uma banda que fez sucesso disponibilizando tudo na Internet. Algo de novo está acontecendo. O Moptop conseguiu a vitória de poder, ao menos, comercializar as músicas digitalmente (R$ 2,50 a faixa), antes de o trabalho final chegar às lojas. Foi a primeira vez que a gravadora fez algo assim. E tem mais por vir. Vídeos no YouTube, mp3s novas no site. A Universal até contratou uma assessoria específica só para divulgação na Internet.

Ouvindo o disco, que tem um encarte bem simpático inspirado na pintura a óleo “Apollo 11 Space Team” de Norman Rockwell, percebe-se fácil que o Moptop é a banda certa para estar no centro dessas mudanças. São 12 músicas que dão vontade de gritar alto o lema da banda, impresso de maneira tímida no verso do encarte, dizendo “Yeah Rock!!!”. Canções que tem uma pegada de “guitar band”, tecladinho, programação eletrônica discreta, voz mais que afinada. Nas letras, os versos “Eu menti sim / ser alguém cansa demais”, completam o pacote.

Essa avalanche de mudanças tem ressalvas. O Moptop parece ter um desejo ainda reprimido de fazer uma explosão rock. As músicas sempre recuam para acordes lentos, quando poderiam ser bem mais aceleradas. Num ponto de vista mais positivo, fica a expectativa de que isso esteja guardado para acontecer no palco. Se a pegada rock ficar ensandecida nas apresentações, talvez estejamos à frente da banda mais legal lançada pelo mercado fonográfico nos últimos cinco anos.

Escute aqui: O Rock Acabou

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Veja também:

Entrevista com Gabriel Marques (voz e guitarra da banda)
O Rock Acabou (clipe)

Links:

Site oficial
Comunidade no orkut
Compre o disco (ou só as faixas)

Um Nordeste Independente

Pode acreditar, não é bairrismo. A música mais legal que é feita hoje no Brasil, está toda concentrada no Nordeste. O volume da produção é muito grande – ou muito alto, para fazer um trocadilho esperto – o que garantiu a criação de um novo eixo. Agora, as bandas do Sudeste e que batalham para conquistar espaço aqui na parte de cima. Só este mês, pelo menos, cada um dos principais estados da Região desovou um lançamento que esbanja essa qualidade.

Recife – MELLOTRONS
Do Recife, vem uma história que poderia render um filme super clichê de rock’n’roll. Banda batalha no esquema garagem / descola um festival / uma figura cheia de grana chega no fim com o papo de “vou bancar o trabalho de vocês!”. A diferença é que o encontro acabou ali mesmo. Como o Mellotrons, a banda da história, não é muito de conversa fiada, continuou andando com os próprios pés durante dois longos anos, até lançar agora o primeiro disco, homônimo.

“Mas a banda não é mais isso que está no disco”, entrega já de cara o vocalista Haymone Neto. Capinha branca, com símbolos braile e pouca informação, o disco convida o ouvido curioso para dez faixas, todas em inglês. Sem querer gerar polêmica, este pode ser o disco que acentua toda a discussão entre uma disputa estética local x global. Não é o decreto da morte da alfaia no rock recifense, apenas uma declaração simples e direta de que aqui pode ser feito música que comunica numa sonoridade mundial. Numa audição mais preguiçosa, podia até ser chamado de indie rock.

“As bandas daqui sempre seguem um mesmo paradigma, por isso costumam ter sempre um tipo de rótulo. Às vezes, brinco dizendo que a gente é uma banda de rock entediada”, o vocalista arrisca uma definição. Essa necessidade de mudança do Mellotrons aparece pouco no disco, e vai ser mais notado para quem conferir o show. “Hoje não fazemos mais músicas em inglês, é provável que em breve estas do disco não apareçam mais no show”, completa.

A despreocupação se justifica. O Mellotrons já conseguiu formar um público no Recife, rompendo barreiras até de casas que dão pouca atenção ao rock local. O disco deles tem uma lógica meio doida, mas que é bem coerente. Não representa um ponto de partida para o futuro, mas sim para o passado. É um registro do que eles fizeram até agora na carreira. No palco, o esquema é mais “bola pra frente”, com outros trabalhos mais inéditos. O lançamento oficial no Recife ainda deve esperar até setembro, quando eles substituirão o guitarrista que trocou a banda pelo Havaí.

Escuta ai: Colors to Remind Me

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Paraíba – ZEFIRINA BOMBA

A primeira coisa que vão falar sobre a Zefirina é que ela é uma banda diferente porque não tem guitarras. Mas dê uma atenção no disco antes de virar os olhos em sinal de tédio. O nome “NoiscoreGrooveCocoEnvenenado” pode não ser o melhor convite, mas ele encarta 15 faixas de rock duro, gritado e divertido. Uma viola elétrica empacota algumas das letras mais bem sacadas da semana. “E se eu disser que não to nem ai para você? Vão dizer que eu to podendo!”. Agora imagine isso num berro rasgado, de quase desespero, cantado rápido com um trava-línguas.

O disco sai pela Trama, no mesmo esquema da paulista Cansei de Ser Sexy. “Não mudou quase nada para a banda, a gente continua no mesmo perrengue para conseguir show”, comenta o vocalista Ilson. A mudança para São Paulo, no entanto, foi providencial. Hoje, eles conseguem fazer cerca de sete shows por mês e já pagam o próprio aluguel. O disco é um pouco troféu deste momento. “A gente nunca pensou que isso pudesse dar certo, até quando vieram contratar a gente falamos que eles deviam estar loucos!”, ri.

Escuta ai: Alguma coisa por aí

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ChicoCorrea
Já faz um certo tempo que ChicoCorrea é “o cara” de João Pessoa e, porque não, do Nordeste. O que começou com uma idéia de simples de “só eu e um computador”, desencadeou numa banda e um currículo de shows que já passou até pelo Tim Festival. Sem contar na infinidade de outras bandas que o próprio já participou (ele é um dos “cabras” de Totonho, que também circula bastante pelo País). O primeiro disco, homônimo, acabou perdendo um pouco de seu caráter de cartão de visitas, já que ele praticamente já visitou todos os ouvidos interessados. São 11 faixas, mais duas bônus. Um misto de electro-côco-lounge. Baladinhas na voz de Larissa Montenegro. Lembra, de um ponto de vista um tanto grosseiro, o trabalho de DJ Dolores. Mas a pegada é menos “world music” e as referências menos periféricas.

Salvador – CASCADURA
Pensar em rock na Bahia continua uma idéia incomum. Mesmo com o estado dando tantas provas que destroem totalmente qualquer estigma axé. Cascadura, que lança seu “Bogary” junto com a revista OutraCoisa, é uma dessas provas. Formatinho econômico, com embalagem de papelão, o material encarta 13 faixas. Voz grave, que consegue criar hits radiofônicos com um efeito chiclete que é bastante perigoso para a pilha de qualquer discman. Termina uma música e, na hora, já dá vontade de acionar o “repeat”.

Cantado em português, a banda dosa bem as referências num rock que é mais maduro. Vai lembrar Capital Inicial nos seus melhores dias, pela sonoridade de “Elnora” e “Mesmo Estando do Outro Lado”, mas esses deslizes não vão comprometer o todo do disco. A guitarra sem distorção é passaporte para conquistar palcos grandes em qualquer estado do país.

Natal – BUGS
Nos últimos dois anos, a cena potiguar têm acelerado o processo para aumentar a importância de sua cena no rock do Nordeste. Nessa caminhada, eles já tem uma banda que está mais que lapidada para ganhar o país. A Bugs lançou este mês um novo EP – eles já têm um disco completo – chamado “Exílio”, pelo selo local Mudernage. Material curtinho, com seis músicas. Suficiente para mostrar a competência desses quatro rapazes. Rock que bebe um pouco da fonte do grunge e do hard rock.