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Wry – Flames in the Head

Wry

Wry é a nova banda da moda dos jornais, sites e revistas que vivem de ditar costumes. Amigos das pessoas certas, no lugar e hora certos, que deram exposição exagerada a viagem que quatro garotos de Sorocaba, interior de São Paulo, fizeram à Inglaterra. Do passeio na Europa, eles gravaram “Flames in the Head”, quarto na história do grupo, o primeiro a chamar atenção. Mais pela produção, que é assinada por Tim Wheeler (da banda Ash) e Gordon Raphael (que lançou os Strokes). E quando o nome dos produtores aparece mais que o da própria banda, já é bom motivo para começar a desconfiar.

Os sorocabanos não são novidade para o pessoal mais antenado do Recife, que pôde conferir um show da banda em dezembro numa noite lotada no bar Irmã Bertrice. Visual londrino um tanto forçado para a ocasião é a principal lembrança da noite. O que não deu para ouvir pelas distorções do som fica como a primeira impressão depois do play: eles também têm sotaque londrino. Parece que a viagem subiu demais à cabeça do quarteto.

Apesar disso, “Flames in the Head” é um bom disco. Brinca de igual para igual com outros nomes da moda. Mas não são músicas de muitas referências e, depois da sexta faixa, a impressão que se tem é de estar ouvindo tudo de novo. Sempre muito linear, muito igual e inevitavelmente cansativo. Melhor se fosse um EP com até seis faixas. “Powerless”, a sétima, funciona bem para conhecer o potencial da banda e é a recomendada para visitar o repertório de uma boa festa.

É aquele rock básico, meio fofo, com melodia forte. Acordes graves de guitarra que contrapõe com uma voz mais aguda. Versos encostando no emo (“I won’t Let you down”). Uma hora, o tal sotaque britânico acaba soando meio falso. Dá pra ver que eles poderiam fazer uma coisa muito mais original que isso, então fica a pergunta: será que o dedo dos gringos apertou forte demais na criatividade?

A Wry não fala de muita coisa (outro ponto bem forçadamente britânico no som deles). A rima vem antes e, na música citada, sobram pérolas do calibre “Não me deixe fora da cena / Oh coisa material / o telefone não toca”. A clássica música de gringo para brasileiro ouvir sem precisar entender. Cientes dessa curta vida útil, o quarteto já promete um novo disco de inéditas para fevereiro. Nesse espaço de tempo tão curto, é esperar que o próximo trabalho não soe como algo tão automático.

Cotação: [rate 3.5]
Para comprar: Loja Monstro
Escute: Flames in my Head

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Strokes – First Impressions of Earth

O ritual já ficou datado e, muitas vezes, até brega. Quando a terceira música termina, a primeira já está sendo encaminhada para outras quatro pessoas desconhecidas. Com 30 minutos, um bando de viciados ansiosos já está com o novo disco do Strokes completo no computador. Quando “First Impressions of Earth” for lançado oficialmente em janeiro provavelmente já vai estar cansado de tanto tocar por ai, perdido nas festas.

Os Nova Iorquinos, que abriram as portas, em 2001, para aquele rock que soa velho, cheira a mofo, mas não deixa ninguém letárgico, estão de volta. Graças a eles, você certamente já conhece muito mais músicas do que significados para a palavra letárgico. Graças a eles também, o som ganhou mais fichas para continuar nessa partida por mais dois anos.

Quem escutou o primeiro hit, “Juicebox”, pode ter tido a impressão que a banda partia para uma re-invenção. Longe disso. “First Impression” cumpre seu papel, coloca o Strokes de volta na “top 5” das bandas indies que ditam a moda. Mas, no geral, é um disco sem surpresas. Tudo bem, dentro do esperado. A banda já não tinha vencido a síndrome do segundo. Perdeu também a luta contra o terceiro.

“Heart in a Cage” chama atenção, mostrando eles cedendo um pouco para a moda White Stripes. Baixo bem forte e riff dançante. O Strokes começou como uma banda de guitarras, mas agora a bateria vira o protagonista mais forte desse “exportação tipo festa”. Isso quer dizer que eles estão investindo menos no retrô e mais no rock cru.

A exceção é a baladinha “You Only Live Once”, que abre as 14 faixas do disco. Como primeira impressão, ela fica bem longe desta nova terra dos Strokes. Diferente também é “Hawaii”, que não entrou no disco, mas a banda mostrou durante o show que fez no Tim Festival. Assim como o novo disco, ela já está circulando na Internet.

Escute: You Only Live Once

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Franz Ferdinand – You Could it Have so Much Better

Publicado originalmente em 17.12.05

Franz Ferdinand – You Could Have it so Much Better

Não tem nada de novo para a música em “You could have it so much better”, novo disco do Franz Ferdinand. É a exata mesma sensação de ouvir o primeiro disco. Ainda bem. E não é porque ele está circulando pela Internet desde setembro, mas sim a textura velha que, sem motivo nenhum, pareceu ser a grande novidade de 2004. São 13 músicas, todas hits fáceis, que vão garantir mais um ano inteiro para o plano do vocalista Alex Kapranos de fazer as garotas dançarem nas festas. Ainda bem.

Talvez pela falta de impacto e surpresa, “You Could have it…” não chega a superar seu antecessor na primeira audição. Precisa de um pouco mais de tempo. O que era dor de cabeça das gravadoras, virou estratégia de jogo baixo. Franz Ferdinand circulou por tempo suficiente para fazer deste CD uma necessidade para quem gosta de rock’n’roll da fórmula mais simples. Não tem nada de novo e, de novo, vai ser esse o principal motivo das vendas.

Mas é claro que, para o Franz Ferdinand, o novo disco tem sim muita coisa diferente. Agora que a brincadeira deu certo, a banda decidiu tirar os efeitos em excesso das músicas, deixando tudo a cargo dos instrumentos num formato mais fácil de se imaginar em apresentações ao vivo. “Do You Want To”, a de trabalho, já cansou no repertório de festas, com a ótima introdução “quando eu me acordei hoje a noite / eu disse “vou fazer alguém me amar” / e agora eu sei que é você / você tem tanta sorte”.

Ainda assim, não faltam boas coisas para se encontrar nas faixas. Elas vêm na seqüência “You’re the reason i’m leaving”, “Eleanor put your boots on” e “Well that was easy”. Mostram a flexibilidade do Franz Ferdinand em trabalhar hits num tom bem próximo e de referência descarada aos Beatles. A terceira é para mostrar como isso ainda consegue ser feito com uma roupagem contemporânea sem soar clichê demais, caso dos conterrâneos de palco Strokes e Kings of Leon, que não sobreviveram tanto no segundo disco.

Lá fora, o Franz Ferdinand está sendo paquerado por todas as grandes gravadoras e uma segunda versão deste disco já começa a ser distribuído pela Sony. Aqui, para também ter novidade, “You Could Have it So Much Better” vem com disco duplo. O segundo é um DVD curtinho, mas merecido. São vídeos da banda no estúdio, entrevistas, clipes e galerias de fotos. A contrapartida do brinde, claro, é o preço final do CD. Um tanto salgado.

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Strokes – First Impressions of Earth

Publicado originalmente em 26.10.05

Delays: Faded Seaside Glamour

Quando “Wanderlust”, primeira música do disco “Faded Seaside Glamour”, da inglesa Delays, começa a tocar, já deixa a impressão que o CD chegou para os órfãos do Cranberries. O lançamento é mais uma ótima novidade da Trama, que está trazendo apenas o que o selo inglês Rough Trade tem de melhor na prateleira. Essa surpresa inicial passa rápido, quando se dá uma olhada no encarte e descobre que aquela voz feminina é, na verdade, de um homem chamado Greg Gilbert.

Mas, calma, que androginia não é a praia da banda. Recheado de músicas que excedem na tranqüilidade, o disco, com 12 faixas, faz uma linha de trilha sonora para seriados americanos sobre adolescentes. Sempre com um clima de melancolia cotidiana nas letras e momentos onde a voz de Greg lembra um assobio longo. Tudo muito distante do rock britânico que domina hoje o que deve ser feito para música vender. Talvez por isso, “Faded…” tenha passado tão despercebido e só chegue no Brasil com quase dois anos de atraso.

A segunda música, “Nearer Than Heaven”, é dessas bem chorosas, que refrão e estrofes não saem por nada da cabeça. Faz apertar o botão para voltar a faixa, antes de dar seqüência ao resto do disco. Em outros momentos, o disco perde um pouco o foco e começa a parecer repetitivo, mas Greg aproveita para dar uma engrossada no timbre e simular um segundo vocal. A salvação chega em “Stay Where You Are”, com guitarra mais pesada e repetição bem dançante.

O Delays é uma dessas presenças obrigatórias em qualquer coleção. Não para fazer pose que conhece banda estranha, mas porque as músicas tem lugar certo em qualquer momento do dia. Para dar um contexto melhor, a gravadora Rough Trade também lançou, no passado, vários discos do Belle & Sebastian. Se o estilo agrada, é mais um motivo para ter em mãos este lançamento.