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Alguns doces falando

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O Wry anda inspirado. Talvez pela aguardada nova turnê que eles começam a fazer no Brasil em Abril, ou pelo próximo novo disco que deve sair no meio da empreitada. Após a homenagem que fizeram as várias bandas independentes que os influênciaram no National Indie Hits, que deve ter lançamento em outubro desse ano, eles agoram tiram o chapéu para o Jesus and Mary Chain.

Eles gravaram o hit Some Candy Talking para a coletânea Never Lose That Feeling, lançada pelo selo inglês ClubAC30. A lista de convidados reúne a nova cena indie britânica, onde o Wry anda cada vez melhor, que já desovou nomes como o Rakes e The Subways. Aliás, dá uma lida na lista de agradecimento dos primeiros discos dessas para ver quem aparece.

E enquanto a coleta não chega aqui, vocês podem ouvir a participação do Wry abaixo:

Wry – Some Candy Talking (Jesus and Mary Chain Cover)

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Radiohead – In Rainbows

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Já se passaram dez dias que a banda inglesa Radiohead lançou seu sétimo disco “In Rainbows“. O trabalho não era aguardado (a três anos) apenas pelos fãs, mas também por todos que acompanham, de alguma forma, o processo como nós consumimos música. Desde o álbum “Kid A“, o primeiro na história a aparecer inteiro na Internet antes do lançamento oficial, eles já tinham um papel importante nessa história. Quando anunciaram que agora trabalhariam sem gravadora, rompendo contrato com a EMI, e que cada um pagaria quanto quisesse pelo disco, criaram um verdadeiro terremoto.

Na metade desse tempo, “In Rainbows” já vendeu cerca de 1,3 milhão de cópias pelo site da banda, que faturou uma média de R$ 20 milhões. Apesar de dar a opção de não pagar nada pelo disco, a grande maioria das pessoas optou por uma média de 4 libras (aproximadamente R$ 15). Dinheiro suficiente para cobrir todos os custos que tiveram e, sem o modo tradicional de trabalho de uma gravadora (leia-se: Jabá), conseguiram a maior mídia espontânea de toda a carreira. Os números trazem dados suficientes para a notícia ser maior que a própria música da banda. Mas esse não é o caso.

Dez faixas, numa qualidade de 160kbps (número baixo para a maioria dos fãs de música), centralizam o Radiohead como a banda mais importante do mundo pop hoje. “15 Steps” abre o repertório mais brilhante deles até agora. Soa exatamente como tudo que se espera ouvir do Radiohead, algo raro para uma banda tão esteticamente inconstante. Thom Yorke e sua banda conseguiram iluminar a idéia de que liberar o disco online é um bom negócio e também que, as vezes, a música soa melhor quando é previsível. Um sampler do que parecem ser palmas de crianças escondido na gravação dá a dica que a banda está mirando alto nos shows.

Bodysnatchers“, segunda faixa, é o pote de ouro que se encontra no fim do arco-íris do Radiohead. Nela, fica a sensação de que qualquer valor pago pelo disco tem retorno garantido. É um Crescendo no repertório, a música mais alta e também mais agitada. Lembra os melhores momentos de “Kid A” e “Ok Computer“. A partir daqui fica mais claro que a opção de composição do Radiohead foi mesclar sonoridades dos discos passados. E isso contribui para que este seja seu trabalho mais fácil e acessível. Um ouvinte regular de música pop se viciaria fácil em “In Rainbows”.

A dinâmica das músicas fica mais pop a partir de “Weird Fishes/Arpeggi” e em “Faust Arp” surgem referências claras dos Beatles. O nome vem da técnica de Arpeggio (quando as notas não são tocadas simultâneamente), usada com o violão acústico. Nessa e em “Reckoner“, o Radiohead soa mais cerebral como em disco passados, brincando com as texturas das músicas. Um surto rápido, que não chega a comprometer o “In Rainbows”. Passo que eles retomam em “House of Cards“, onde Yorke abre mão de suas charadas para dizer diretamente que “eu não quero ser seu amigo, quero ser seu amante” (I Don’t want to be your friend, I just want to be your lover).

“In Rainbows” termina com “Videotape“, música que já tinha aparecido antes em vários shows da banda, com uma introdução em piano, mas foi gravada de maneira completamente diferente. Sela uma tradição do Radiohead em transformar seus discos numa queda de montanha-russa. O começo é sempre alto e, na última faixa, resta uma música lenta e quase falada. Também reforça uma temática mais sombria da banda, citando em várias faixas alguns dos demônios da lenda alemã “Fausto“.

Ainda não comprou o seu?

Atualizem suas playlists!

Sabe o Wry? Essa semana chegou um email do Mário Bross, vocalista da banda, com o seguinte recado: “acabamos de jogar 4 musicas novinhas do Wry na nossa pagina no Myspace“. Quatro músicas que, vale destacar, são todas ótimas. Lá no espaço deles você só escuta, mas aqui para o Pop up o download foi liberado. Escolhi a mais legal, na minha opinião, Sister. Para quem anda sonâmbulo das informações, o Wry é aquela banda de Sorocaba que se mudou para a Inglaterra e agora é aquela banda da Inglaterra. Pega seu encarte do Rakes, Subways e todas as novas bandas bacanas daquele lado do mundo e dá uma lida nos agradecimentos. Achou? Então…

MP3 | Wry – Sister

[ download ]

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Na mesma linha do Wry, e também com novidade circulando no MySpace é a Sweet Fanny Adams, do Recife. Fazia tempo que queria ver uma banda assim dar as caras na cidade e acabei tomando gosto de verdade pelas músicas. Eles apareceram pela primeira vez num concurso de bandas de estudantes para tocar no Abril pro Rock – de onde nunca vou esquecer a quase traumática audição de 170 CDs – e foi um dos quatro finalistas. E como o MySpace meio que definiu o novo “formato demo da era MP3″, eles também lançaram cinco músicas. Minha favorita é a Flaming Veins. O nome esquisito da banda é tipo uma versão britânica para o nosso “…a inês é morta”.

MP3 | Sweet Fanny Adams – Flaming Veins

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E o Interpol?

Já tem data certa para você ouvir a primeira faixa do novo disco do Interpol. Dia 07 de maio, quando The Heinrich Manouver chega as rádios na Europa. Segundo a revista Spin, o nome do terceiro trabalho da banda será Our Love to Admire e tem data oficial de lançamento no distante 10 de junho. Durante o show do Coachella eles aproveitaram para mostrar algumas novas para o público. De acordo com a cobertura da RollingStone americana, as músicas parecem bastante com a dos dois álbuns anteriores, só que mais alegre. Não ajuda tanto, mas já mata um pouco da ansiedade. No vídeo do show, a música Obstacle 1.

http://www.youtube.com/watch?v=Jf33das2FCw

Próxima parada… Mada, Natal!

CSS Quinta-feira chego em Natal para cobrir o festival Música Alimento da Alma, o Mada. Preso entre um gigante feito o Coachella e o nacional Skol Beats, podem pensar “pô, Mada?”. Mas sim, Mada! Afinal, quem chega nesses eventos maiores passa antes pelos festivais independentes. Ano passado, quando ainda nem sonhava que estaria no Jools Holland ao lado do Arctic Monkeys, o Cansei de Ser Sexy fez um dos melhores shos dos três dias de evento. Espaço bom para ficar atento a novidades, este ano estarão se apresentando Rockassetes, Pública, Móveis Coloniais de Acaju e Madame Saatan, entre outras bandas que por enquanto são mais faladas que ouvidas.

A foto ao lado eu tirei na edição do ano passado. Foi quando Lovefoxxx desceu do palco e se grudou com o público. Catarse foi o mínimo para descreve. Antes mesmo de começar a tocar, quando subiram no palco para ligar os instrumentos, a grade já era empurrada aos gritos por um monte de gente. Semanas depois, elas já estavam de malas prontas para a Europa. O que aconteceu depois, a gente já ficou até cansado de tanto saber.

Wry – Flames in the Head

Wry

Wry é a nova banda da moda dos jornais, sites e revistas que vivem de ditar costumes. Amigos das pessoas certas, no lugar e hora certos, que deram exposição exagerada a viagem que quatro garotos de Sorocaba, interior de São Paulo, fizeram à Inglaterra. Do passeio na Europa, eles gravaram “Flames in the Head”, quarto na história do grupo, o primeiro a chamar atenção. Mais pela produção, que é assinada por Tim Wheeler (da banda Ash) e Gordon Raphael (que lançou os Strokes). E quando o nome dos produtores aparece mais que o da própria banda, já é bom motivo para começar a desconfiar.

Os sorocabanos não são novidade para o pessoal mais antenado do Recife, que pôde conferir um show da banda em dezembro numa noite lotada no bar Irmã Bertrice. Visual londrino um tanto forçado para a ocasião é a principal lembrança da noite. O que não deu para ouvir pelas distorções do som fica como a primeira impressão depois do play: eles também têm sotaque londrino. Parece que a viagem subiu demais à cabeça do quarteto.

Apesar disso, “Flames in the Head” é um bom disco. Brinca de igual para igual com outros nomes da moda. Mas não são músicas de muitas referências e, depois da sexta faixa, a impressão que se tem é de estar ouvindo tudo de novo. Sempre muito linear, muito igual e inevitavelmente cansativo. Melhor se fosse um EP com até seis faixas. “Powerless”, a sétima, funciona bem para conhecer o potencial da banda e é a recomendada para visitar o repertório de uma boa festa.

É aquele rock básico, meio fofo, com melodia forte. Acordes graves de guitarra que contrapõe com uma voz mais aguda. Versos encostando no emo (“I won’t Let you down”). Uma hora, o tal sotaque britânico acaba soando meio falso. Dá pra ver que eles poderiam fazer uma coisa muito mais original que isso, então fica a pergunta: será que o dedo dos gringos apertou forte demais na criatividade?

A Wry não fala de muita coisa (outro ponto bem forçadamente britânico no som deles). A rima vem antes e, na música citada, sobram pérolas do calibre “Não me deixe fora da cena / Oh coisa material / o telefone não toca”. A clássica música de gringo para brasileiro ouvir sem precisar entender. Cientes dessa curta vida útil, o quarteto já promete um novo disco de inéditas para fevereiro. Nesse espaço de tempo tão curto, é esperar que o próximo trabalho não soe como algo tão automático.

Cotação: [rate 3.5]
Para comprar: Loja Monstro
Escute: Flames in my Head

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Franz Ferdinand – You Could Have it so Much Better

Não tem nada de novo para a música em “You could have it so much better”, novo disco do Franz Ferdinand. É a exata mesma sensação de ouvir o primeiro disco. Ainda bem. E não é porque ele está circulando pela Internet desde setembro, mas sim a textura velha que, sem motivo nenhum, pareceu ser a grande novidade de 2004. São 13 músicas, todas hits fáceis, que vão garantir mais um ano inteiro para o plano do vocalista Alex Kapranos de fazer as garotas dançarem nas festas. Ainda bem.

Talvez pela falta de impacto e surpresa, “You Could have it…” não chega a superar seu antecessor na primeira audição. Precisa de um pouco mais de tempo. O que era dor de cabeça das gravadoras, virou estratégia de jogo baixo. Franz Ferdinand circulou por tempo suficiente para fazer deste CD uma necessidade para quem gosta de rock’n’roll da fórmula mais simples. Não tem nada de novo e, de novo, vai ser esse o principal motivo das vendas.

Mas é claro que, para o Franz Ferdinand, o novo disco tem sim muita coisa diferente. Agora que a brincadeira deu certo, a banda decidiu tirar os efeitos em excesso das músicas, deixando tudo a cargo dos instrumentos num formato mais fácil de se imaginar em apresentações ao vivo. “Do You Want To”, a de trabalho, já cansou no repertório de festas, com a ótima introdução “quando eu me acordei hoje a noite / eu disse “vou fazer alguém me amar” / e agora eu sei que é você / você tem tanta sorte”.

Ainda assim, não faltam boas coisas para se encontrar nas faixas. Elas vêm na seqüência “You’re the reason i’m leaving”, “Eleanor put your boots on” e “Well that was easy”. Mostram a flexibilidade do Franz Ferdinand em trabalhar hits num tom bem próximo e de referência descarada aos Beatles. A terceira é para mostrar como isso ainda consegue ser feito com uma roupagem contemporânea sem soar clichê demais, caso dos conterrâneos de palco Strokes e Kings of Leon, que não sobreviveram tanto no segundo disco.

Lá fora, o Franz Ferdinand está sendo paquerado por todas as grandes gravadoras e uma segunda versão deste disco já começa a ser distribuído pela Sony. Aqui, para também ter novidade, “You Could Have it So Much Better” vem com disco duplo. O segundo é um DVD curtinho, mas merecido. São vídeos da banda no estúdio, entrevistas, clipes e galerias de fotos. A contrapartida do brinde, claro, é o preço final do CD. Um tanto salgado.

Leia também:
Strokes – First Impressions of Earth

Publicado originalmente em 26.10.05