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Uma loja nos Estados Unidos está vendendo o Bach Pod. Um iPod Classic com 120gb e 175 horas de obras de Johann Sebastian Bach. O conteúdo costumava ser vendido em 172 CDs, que foram lançados na ocasião dos 250 anos da morte do compositor alemão. Além do player da Apple, acompanha DVDs com backup das músicas. Ah… e a obra completa de Bach não lotou o iPod. Ainda tem 63gb livres, de repente para intercalar com um MGMT ou Klaxons.

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The Dead Rocks – Million Dollar Surf Band

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Você não precisa gostar de ir a praia, ou mesmo de surfar, para gostar de surf music. Essa é uma das verdades inalienáveis da música pop que se confirmam sempre na cena de abertura de um filme como Pulp Fuction ou em um disco como esse do Dead Rocks. Quando pensamos em termos de música instrumental – de cara, a mais experimental de todo o universo pop – podemos dizer que aqui é sempre terreno para jogo ganho. Quer dizer, me mostre um cara que não goste de surf music e eu te mostro um mal caráter, na certa.

Jogo ganho da metade para o fim, claro. Esse argumento de partida complica toda a primeira parte do processo. Afinal, se eu te pedir agora “pensa em alguma surf music”, você vai saber que elementos somar, que caminho seguir e onde pretende chegar. Tem essa sensação de que se desgasta fácil, acaba rápido, tem pouca coisa para se fazer depois das últimas três décadas. Como se atinge então alguma criatividade que dure cerca de uma hora e se divida em três faixas?

Parece que na cabeça desse trio do interior de São Paulo isso sequer está guardado na gaveta dos problemas. Na verdade estava tudo armazenado no deposito “One Million Dollar Surf Band”, que agora eles resolveram lançar em formato de CD. Embalaram tudo em digipack e estamparam um selo de 10 anos da Monstro Discos. Ou, numa perspectiva mais obsessiva, de quem ainda não conseguiu superar o efeito do repeat mental, lançaram o mais ouro puro do gênero que uma banda brasileira podia conseguir esse ano.

Tem os dois extremos mais clássicos da surf music aqui. O “Million Dollar Theme”, que abre, é acelerado, quase faceiro, com vários braking-points de guitarra que ditam o compasso da dança. Já “Sonic Stars” é mais soturna, intercalada por silêncios, ambas pérolas do rock mais viciantes, carregando um texto sem palavras que remete ao imaginário da praia. Primeiro a aventura com a prancha, depois o conflito da competição, tudo para desaguar em “Boogie Splash Crash”, a baladinha da festa sob sol.

Dead Rocks não perde muito tempo com aquela masturbação virtuosa disfarçada por referências quase acadêmicas tão comum na música instrumental. Eles traçam um destino claro, da mais pura diversão em forma de rock, e seguem nele até o fim. Tem uns tropeços, como em “Nicotine”, com riffs que já soam familiares demais, com uma certa dificuldade de compor seu clima. Seria uma música mais tensa, talvez. Mas tensão é algo difícil de se resolver em dois minutos sem palavras.

Não que a banda esteja livre de referências. É clássico do Dead Rocks prestar homenagem a música brasileira – a versão que eles fizeram para Preciso me Encontrar nunca saiu do meu top sete de faixas mais executadas pelo iTunes – e tanto milhão espalhado pelo disco tem um motivo. Eles trouxeram nada menos que uma versão para “O Milionário”, dos Incríveis, e “País Tropical” de Jorge Ben. A primeira, respeitosamente executada quase como a original; já a segunda, surpreendentemente aparece com uma baladinha com jeitão de lual.

O momento 4:20 do disco – fundamental, afinal, é o único elemento clássico do surf music que sai da praia – fica nos três minutos finais. “Delirius Tremens” são meio minuto com os sons de ondas do mar, que emenda com “Telephone Call”, canção delirante toda acompanhada por toques de telefones. O spoiler é quase inevitável… quando atendem e falam, acaba tudo. Se você não entendeu, cata no Google. Eu também não sabia dessas coisas até outro dia.

Deixando um pouco o deslumbre das faixas de lado, “Million Dollar Surf Band” tem um papel importante de re-contextualização do Dead Rocks. A surf music tem ameaçado cada vez mais o cerco que a World Music faz na música brasileira na Europa. A passos bem curtos, mas ainda assim, presente em cada vez mais coletâneas e circuitos próprios. E essa foi uma das bandas que abriu esse caminho no velho continente pelos idos de 2005.

De lá para cá, o Dead Rocks teve seu grande momento com a vinda de Daddy-O Grande para o Brasil, com quem tocou em São Paulo, Brasília e Goiânia (no festival Bananada) em sete shows, durante seis dias seguidos. Esse disco se encaixa nesse momento em que a bola foi levantada para eles darem o saque. E eles a deixaram lá, no alto, parada, para fazer mais uma turnê fora do país. Voltaram agora, com um saque que pode atingir este ou o próximo continente, determinando muito do futuro na banda.

E, na boa, aposto que vai bater do lado de lá se o circuito independente não se tocar na grande banda que estão para perder para os gringos. Derrota para ser curtida com o próprio tema de um milhão de dólares, que abre o repertório desse disco.

The Dead Rocks – Million Dollar Theme

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Maldito Mambo!

O Retrofoguetes, a melhor banda de surf music do mundo (e tenho dito!), vai finalmente lançar um disco novo em 2009! Depois de Morotó Slim, um dos maiores guitar heroes da cena independente, ganhar um prêmio de melhor instrumentista do Carnaval da Bahia (isso mesmo, do carnaval inteiro, da Bahia inteira), eles voltarão em grande estilo. E a primeira inédita, Maldito Mambo! já está disponível para ouvir no MySpace da banda. Ou você pode baixar direto daqui!

A foto do post é de Ricardo Prado

O fim de uma era

A notícia inacreditável do dia: George Frizzo mandou um email de tarde avisando que não é mais integrante da Fóssil. Talvez a banda mais emblemática de toda essa nova cena instrumental que surge no rock independente, certamente fundadora dessa vertente, mesmo tendo começado apenas em 2004. E a parte inacreditável da notícia: o motivo da saída seria por descontento da banda por ele ser um músico ruim.

O vacilo do restante não parou de crescer o dia inteiro, quando emails e mais emails passaram a circular comentando como Frizzo era a cara da banda e isso não fazia sentido. Resultado: já tem festival anunciando que o Fóssil não toca lá, enquanto outros já estão cogitando ele para fazer estréia de uma carreira solo. De brincadeira, claro. Mas daquelas com um fundo de verdade.

A banda já mandou uma nota de esclarecimento agradecendo os anos de serviço de Frizzo e lembrando que a associação Fóssil = Frizzo é injusta, afinal o restante também fez sua parte do trabalho. O que é digno, mas desaba no “descontentamento artístico” que supostamente justifica a saída.

Novas bandas do Recife: A Banda de Joseph Tourton

Essa é bem nova mesmo. A Banda de Joseph Tourton começou em agosto de 2007 e, com pouco menos de um ano de estrada, fez poucas apresentações na cidade. Pelo menos daquelas que chamam atenção de todo mundo. Talvez o mais divertido em ouvir as únicas duas músicas que tem no MySpace deles é pensar que, finalmente, Recife conseguiu superar o trauma de suas bandas instrumentais. Agora temos uma que consegue fazer música sem voz, experimentando dentro dos limites saudáveis e sem punheta no ouvido de quem tá afim de escutar boa música.

O nome agrada de cara. Veio da rua onde mora um dos integrantes, com um “u” para deixar o Torton mais simpático e já virou personagem fictício no imaginário deles. A música soa como um divertido encontro entre o Mombojó e o Hurtmold. Claro que tudo ainda está em fase embrionária. Alguns shows a mais e uma boa mixagem nas músicas com certeza garante a eles – que pela foto são bem novos – a chave do Milo, lá em São Paulo.

Se você apertar o play abaixo, vai ouvir X2, a que eu achei mais legal:

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