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Falando direto com os fãs

Outro dia surgiu, como se fosse uma grande surpresa, a notícia que o Sonic Youth estava publicando novidades sobre o disco novo através do Twitter. Lembro, logo quando começou a febre do site (um micro-blog, para quem ainda não conhece. Que te permite publicar um post de 140 caracteres por vez, meio que respondendo o que está fazendo agora), que eu fiz um link entre o que rolava por lá e o antigo mIRC (lembra desse, né?). É que as pessoas foram transformando os mini posts em diálogos e, de repente, tinha um monte de conversa rolando, gente se conhecendo e etc. A internet brasileira começa, aos poucos, a se desindividualizar mais uma vez.

Mas é engraçado que na música, que concentra as mudanças mais rápidas do que acontece na web hoje, esse processo ainda é muito lento, isso quando chega a existir. O fato é que tem muito pouco músico e banda que realmente sabe usar a internet de forma eficiente. A maioria apenas carrega as músicas no MySpace, enquanto os mais cuidadosos não vão além de achar um template bacana para a página. O bate papo fica para lá. O grande potencial do diálogo – rede social, gente. Tem que ter bate papo – se perde até nas comunidades do Orkut.

Lembrei disso tudo hoje quando vi essa lista, montada pelo norte-americano Gabriel Nijmeh. São os twitters de várias bandas mundo afora – só tem um brasileiro lá – que passa por nomes como Bloc Party e Interpol a Pearl Jam, Lilly Allen e Nick Cave (esse último, possivelmente falso). Ele ainda dá uma geral sobre o que se passa em cada endereço. Informações rápidas, do tipo “quase nunca atualizado” e “atualização constante”. Vale a pena conferir e, quem sabe, se conectar com seu artista favorito.

Fiquei pensando como seria uma lista desse entre os independentes, aqueles que tem ainda mais obrigação de usar bem a internet. Sei de muito poucos. Sigo o Móveis Coloniais de Acaju (postam sempre), Ecos Falsos (quase sempre) e Lucy and the Popsonics (quase nunca). Enquanto isso, a Nação Zumbi vai completar um mês de blog novo… com dois posts até agora. E vocês? Conhecem algum twitter de banda que vale divulgar?

Quem quer sua música?

brand

Um dos grandes diferenciais entre as gravadoras majors (você sabe, né? Warner, Universal, Sony/BMG, EMI) e as independentes é o contato com o mercado publicitário. Um serviço lá nos Estados Unidos percebeu isso e não demorou a associar que, assim como selos e gravadoras, existe também uma diferencial entre novas e pequenas agências de anúncios. E tudo que o Rublefish faz é sincronizar esses dois lados, aparentemente, sem comunicação.

Explicando: o músico se cadastra no site, manda suas canções e classifica ela de forma mais detalhada possível. Do outro lado, representantes de empresas de videogames, cineastas, documentaristas e até donos de restaurantes que querem fazer uma boa seleção de música para seus produtos, podem navegar no catalogo oferecido pelo Rublefish. Uma vez que se encontram, a equipe do site se encarrega dos encargos burocráticos para licenciar aquela música para a empresa interessada.

É tipo uma “editora sob demanda”, só que eles só levam porcentagens e te deixam com o fonograma. Parece ser uma daquelas idéias incríveis demais para não serem copiadas aqui no Brasil. Aliás, fica a dica ai para a Abrafin (que escolhe um novo presidente hoje, por sinal), que está crescendo tanto uma rede de relacionamentos que não precisa ser usada apenas para patrocínio direto.

A lista da música social

Uma das mudanças fundamentais que a Internet trouxe para a música é que, a partir de agora, o fator social que sempre esteve presente nela foi elevado a máxima potência. Antes você convidava amigos (que vc fez por terem gosto parecido com o seu) para ouvir música em casa. Hoje, você compartilha as músicas diretamente com quem quiser em qualquer lugar do mundo, enquanto um outro grupo cataloga compulsivamente esse seu conteúdo, seja em tags do Last.FM, em blogs de MP3, comunidades de Torrent, etc. Todo mundo está agindo em cojunto e, ao contrário do que diz o assassino de alguns posts abaixo, em prol da música.

Mas quantos serviços desses existem na internet e qual deles realmente importam? Aqui no Brasil conseguimos listar de cabeça alguns gatos pingados, como o já citado Last.FM e, vai lá, forçando a barra, alguns até podem lembrar do Pandora e iMeem. Mas a lista é bem maior que isso. O site Social Music List faz uma relação da maioria dos serviços disponíveis. São todos endereços onde você pode compartilhar diretamente sua música com outras pessoas. Tem alguns que são revolucionários, apesar de pouco conhecidos, como o Streampad, que deixa online toda a lista de músicas em seu ipod. Já o Contrastream é para os indies mais xiitas, que ainda querem ter o prazer de escutar aquela banda que ninguém ainda ouviu falar. E, se virar sucesso, tem até um botão lá para você denunciar.

Tem mais. Tem site que deixa você fazer um broadcast de seu show ao vivo, enquanto outros carregam músicas totalmente de graça para um player que você pode disponibilizar onde quiser. E quando toca lá, o artista ganha uma graninha por isso. Quem ficou curioso, basta dissecar a lista inteira do site.

Visualizando o Last.FM

lastfm

Uma dupla de programadores de Alemanha está na fase final de uma ferramenta que vai facilitar muito a vida de quem precisa saber qual a próxima tendência na música. O Last.FM Visualizer gera gráficos 3D, mapeando a geografia do quem escuta o que no mundo todo, podendo explicar de forma mais rápida onde determinado artista faz mais sucesso e onde ele precisa concentrar mais esforços de divulgação. A imagem acima foi um print screen que eu tirei de lá .Cada cubinho desse é uma pessoa no Reino Unido ouvindo Blondie.

Quem quiser arriscar uma olhada no site, está todo em Alemão. O um ano e pouco que estudei da lingua não serviu para nada lá :P

O South by Southwest e o mundo

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Paul Lamere é um pesquisador da Sun Labs, nos Estados Unidos, que explora novas maneiras de organizar, procurar e descobrir músicas. E, como todo bom programador, ele é completamenta obcecado pelo trabalho. Uma olhada rápida em seu blog não é suficiente para acompanhar o raciocínio de tanta informação que ele descarrega sobre música e tecnologia.

Aproveitando que o South by Southwest, o mais importante evento de música hoje nos EUA, está chegando, ele desenvolveu uma série de ferramentas para acompanhar tudo que acontecerá em Austin, Texas. Entre elas, tem um catálogo com todos os artistas confirmados e todas as tags relacionadas a eles. Sendo assim, você pode facilmente encontrar todo mundo que toca “math rock” (exemplo dele, hein. Sei nem o que é isso), que esteja com apresentação marcada.

Mas a que eu mais curti foi a da imagem ai no começo do post. Ele usou o Google Maps para gerar um mapa com a localização de todos os artistas que estão confirmados no festival. Assim é possível ter uma idéia do quão importante o SXSW é, além de qual alcance ele tem no mundo. Como se ter revelado Amy Winehouse e o Vampire Weekend não fosse suficiente.

Por sinal, ao que tudo indica, não é dessa vez que vou para o South by Southwest, mesmo tendo conseguido um passe de imprensa para a edição deste ano.

Quem viajou totalmente no assunto, sugir ler a entrevista que fiz com Brent Grulke, criador do festival/feira, quando ele passou pelo Brasil em 2008.