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Não vai para o FIG esse ano?

Foto de Anderson Silva
Foto de Anderson Silva

Ainda dá para conferir alguma coisa do festival mesmo sem sair de casa. No próximo sábado o Governo do Estado lança o site Pernambuco Nação Cultural. Uma espécie de Overmundo – isso mesmo, ponto pra gestão da Fundarpe em abrir um espaço colaborativo – específico sobre cultura de Pernambuco. Enquanto os usuários vão se cadastrando e ainda não tem acesso para publicar conteúdo, a equipe própria do portal prepara uma transmissão ao vivo do show que a Nação Zumbi fará na esplanada Guadalajara no sábado.

Não tem mistério. É só acessar o www.nacaocultural.pe.gov.br para acompanhar o show ao vivo. Agora, resta acompanhar também outro desafio: a gestão passada foi campeã em ações sem sucesso juntando Internet e Cultura. Chegaram a lançar o sub-aproveitado Giro Cultural (onde eu até tive uma coluna) e o abandonado Música de Pernambuco. Se essa nova tentativa der certo, poderemos chegar até a próxima questão: vai ter sobrevida além da gestão atual? Tomara que sim.

Mas para quem vai…

Além dos shows que acontecem na cidade todo dia, ao longo dos 10 dias de festival, também vai rolar uma espécie de “mini porto musical” em Garanhuns. Debates e showcases legais para quem está afim de aproveitar o tempo livre durante a tarde. Se liga ai:

18/07
David Macloughlin (Irlanda)Tema: Exportação da música do Brasil
Mariana Markowiecki (Buenos Aires/Argentina) Tema: Desenvolvimento de Mercados Livres/ BAFIN

POCKET SHOWS
Lula Cortes
Estuário (Eder O Rocha)

19/07
Napoleão Assunção (PE) Tema: Rádios comunitárias
Patrick Torquato (SE) Tema: Rádios

POCKET SHOWS
Selma do Côco
As filhas de Baracho

20/07
Felippe Llerena (RJ) Tema: Distribuição digital
Eduardo Peixoto (PE) Tema: projeto Toca aê

POCKET SHOWS
Guardaloop
Zé Cafofinho

21/07
Marinilda Boulay (SP) Tema: Novas interfaces digitais da música e sua cadeia produtiva
Marcos Pinheiro (DF) Tema: Rádio como plataforma para o mercado independente

POCKET SHOWS
Eta Carinae
Almério, Rogéria e Banda Zé Estado

22/07
Anderson Foca (RN) Tema: Circulação
Cláudio Jorge (RJ) Tema: Patrocínios a projetos culturais

POCKET SHOWS
Grupo Terra
Isaar

23/07
Fabrício Nobre (GO) Tema: Festivais independentes brasileiros
Nelson Meirelles (RJ) Tema: Digital Dubs Spund System

POCKET SHOWS
AMP
Sweet fanny adams

24/07
José Teles (PE) Tema: Forró: Mercado, circulação e estética
Felipe Trotta (PE) Tema: Forró

POCKET SHOWS
Beto Hortis
Forró Rabecado

25/07
TV Brasil/Canal Integración Tema: Canais de circulação de videoclipes de música pernambucana
Daniel Vieira (SEBRAE-PE) Tema: Empreendedorismo

POCKET SHOWS
Adiel Luna x DJ Big
Êxito de rua

26/07
Luciana Azevedo (PE)Tema: Projeto Pernambuco Nação Cultural , o circuito dos festivais substituindo o antigo circuito do frio
Sérgio Xavier (PE) Tema: “Cultura Digital e Redes Colaborativas – Oportunidades para empreendedorescriativos”
Paula Porta (SP) Tema: Feira música Brasil 2009

POCKET SHOWS
Babi Jaques
Seu Luís Paixão

O disco da minha banda

Nessa última semana que eu fiquei totalmente ausente – prova na faculdade, barra pesada pra corrigir – parece que aconteceu três milhões e meio de coisas ao mesmo tempo. Até o disco da minha banda, a Lord Lieutenant of Stirling and Falkirk, saiu, ó:

A essa altura todo mundo já deve tá sabendo. É só uma brincadeira que surgiu na Internet esses dias, todo mundo participou e eu fiquei com inveja. Quem tá por fora, saca ai:

1) acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random – o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.
2) vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 – as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.
3) acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ – a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

Rede social 3.0

Notícia mega que passou despercebida essa semana. O MySpace anunciou que aderiu a portabilidade dos dados. Isso significa que você precisa fazer cada vez menos cadastros para participar de vários serviços na Internet. Nesse caso, a maior rede social do mundo – que também é a maior rede social de música – se junta ao Twitter, Yahoo, eBay, Facebook e Google. Numa tentativa [pra lá de otimista] de prever o futuro, o jornal britânico The Times fez um apanhado de como essas redes sociais podem funcionar aliádos a outras duas grandes variáveis da equação: os GPS e os dispositivos móveis.

The Future of Social Networking” é gênial de tão simples. Sugere a idéia de que aliado a um sistema GPS você pode entrar num determinado ambiênte – um show, por exemplo – e identificar quem está ali no momento. Ter acesso a seu perfil resumido, seus twitts e por ai vai. Isso não apenas promove uma interação social (afinal, vc vai acabar descobrindo amigos de amigos) como leva o sistema de mediação de cultura ao próximo nível.

Você poderia mapear bandas, cenas e amigos num sistema em tempo real da vida noturna de uma cidade. Parte disso nós já estamos vivendo. Hoje podemos chegar em São Paulo, se conectar e mandar a pergunta via Twitter “onde tem uma festa legal hoje?” e receber uma média de 10 respostas aproveitáveis.  Com essa segunda parte podemos encontrar as pessoas que nos indicaram a festa ou até partir de lá automáticamente para outro lugar.

Claro… isso abre o precedente para uma super teoria de conspiração e paranóia de perseguição. O problema dos stalkers de orkut que são tão comuns no Brasil elevados a máxima potência. Mas ai é conversa para outra hora.

Oferta x Demanda

O Recife está vivendo uma nova situação que ainda é bastante rara no restante no Brasil. A oferta de festivais (muitas bandas, dois ou três dias do mesmo evento) está aumentando numa proporção muito maior que a oferta de novas bandas para tocar neles. Se, por um lado, não temos uma estabilidade em espaços menores para show, os palcos de grande porte estão chegando ao excesso. Até o fim deste ano, o calendário se movimenta ainda com o Pátio do Rock, Pé no Rock e Virtuemusica, somando ainda as tradicionais festas de fim de ano.

Como diz o ditado, nada é bom em excesso. Não existem empresas suficientes para patrocinar tantos eventos, nem bandas (numa escala nacional) para servir de atrações principais para esses palcos. Até ano passado, a dificuldade era não repetir artistas se apresentando aqui num espaço de três meses. A partir de 2008, o desafio vai encurtar para um mês. Nessa corrida contra o tempo, a previsão mais provável é que os festivais diminuam em propoção para funcionar melhor.

Tudo isso faz parte de um fenômeno que é mundial. Um conflito entre o que é cultura de massa e o que é pós-massivo. A lógica é a seguinte: antes só podiamos assistir 5 canais de TV, agora temos 50. Antes eram 6 estações de rádio, hoje são 26. E enquanto as prateleiras de uma livraria só suportam um número limitado de livros, na Internet é possível comprar sem limites. A saída tem sido investir em nichos. Não adianta mais querer atender toda a demanda, mas sim se concentrar numa específica.

Patrocínio inteligente
Entre o panteão de marcas que patrocinou o PE Music Festival, a Cerveja Antartica foi a mais esperta. Criou uma espécie de “Show 2.0″, onde uma banda contratada tocava e qualquer um podia interferir, fosse cantando ou tocando o instrumento que escolhesse. O público mais novo fez fila para participar.

Bola fora
Desnecessário, nos bastidores, foi alguém da produção do evento querer comparar a qualidade deste novo PE Music com o Abril pro Rock para a equipe que acompanhava a Nação Zumbi, tentando diminuir o festival que já completou 15 anos. São dois eventos bastante distintos e o mais novo com uma claro apoio político muito mais forte.

Internet
O Teatro Mágico passou pelo Nordeste durante o fim de semana e mostrou um pouco da força que a Internet tem para novas bandas. Sem a menor exposição tradicional (na programação das rádios e tvs), juntou uma multidão de novos fãs pelas cidades onde se apresentou. E quem viu, disse que não são órfãos dos Los Hermanos, mas uma geração completamente nova.

Chame mais atenção

Conversando com outros colegas produtores de festivais e jornalistas, veio a tona como muitas bandas nunca se deram conta da importância de ter uma ferramenta simples a seu dispor. Para quem vive só de música, tipo cada vez mais raro, é fundamental hoje ter um blog (diário virtual) para contar todos os detalhes da banda. Ensaios, músicas novas, shows, estradas. Ter um canal direto com o público. Essa é a principal vantagem, por exemplo, do site MySpace, muitas vezes reduzido a um espaço apenas para colocar música.

Talvez soe uma dica muito simples, mas quem acompanha notícias de música vai perceber que quase todos os veículos sempre falam de um artista seguido da frase “escreveu recentemente em seu blog que…”. E, mesmo parecendo simples, nenhuma das grandes bandas de Pernambuco tem um canal de comunicação direto com o público. Se você acha que sua banda tem algo a dizer, existem várias ferramentas gratuitas para isso. Além do MySpace, a TramaVirtual, Blogger, Uol Blog, etc.

Sopa
Hoje, o programa Sopa Diário, apresentado por Roger de Renor, vai ter participação da banda Rivotrill.  Relativamente novo do Recife que vale a pena ficar atento. Fizeram um elogiado show na última edição do festival RecBeat, com direito até a cover de Jethro Tull.

Revista
Se a Bizz realmente acabar, como andam falando, não vai ser mais um triste fim. Na última edição, foi publicada uma das mais desnecessárias coberturas do festival Abril pro Rock. Duas pessoas para dizer que a maconha do Recife anda ruim, a comida boa e que a Soparia não existe mais. Jornalismo bem preguiçoso, a caça de clichês locais.

Inverno
A semana bateu recorde de emails perguntando pela programação do Festival de Inverno de Garanhuns. Mas, assim como o Circuito do Frio, a notícia é de que os interessados ainda devem aguardar. Não tem previsão para a nova produção divulgar os nomes, mesmo faltando um mês para o evento.

De fora
A banda de electro-tango Gotan Project poderia tocar no Recife na próxima turnê que fará ao Brasil. Poderia. Estava na pauta de interesses do centro cultural que será criado no Cinema São Luiz. Mas, como a Fundarpe continua dificultando a finalização da obra com questões do tipo “que tipo de tela vocês vão usar”, a cidade perde.